Romário de Souza Faria (Rio de Janeiro, 29 de janeiro de 1966) é um político, empresário e futebolista brasileiro. Em sua carreira no futebol, jogou primariamente como centroavante. É um dos maiores centroavantes brasileiros, do futebol mundial e de todos os tempos, sendo amplamente reconhecido por muitos jogadores nacionais e estrangeiros."Por que Romário não zela por seu passado?", Lédio Carmona, Placar número 1277-A, Editora Abril, dezembro de 2004, págs. 68-73 Entre os seus muitos títulos, destaca-se a Copa do Mundo FIFA de 1994 com a Seleção Brasileira, na qual foi a figura principal. Na época do mundial, era jogador do Barcelona e encantou até o duro treinador da equipe e maior jogador da história dos Países Baixos, Johan Cruijff, autor de um dos famosos apelidos do atacante: "gênio da grande área". Em 2010, entrou para a política e foi eleito deputado federal pelo PSB. Atualmente é Senador da República pelo Rio de Janeiro e está sem partido. Romário também é dirigente do America-RJ e em janeiro de 2024 tomou posse como presidente do clube.
Conhecido popularmente como "Baixinho" devido à baixa estatura, o jogador ainda teve uma breve experiência como treinador, comandando o Vasco da Gama. Também conseguiu ser ídolo nos rivais Flamengo e Fluminense, além do America-RJ, onde encerrou a sua carreira. Na Espanha, teve grande passagem pelo Barcelona e duas breves passagens pelo Valencia. Na Holanda, virou ídolo do PSV Eindhoven.
É um dos maiores artilheiros do história do futebol, e o quarto maior artilheiro da Seleção Brasileira. Obteve ainda muitos feitos e recordes durante a carreira de jogador.
O Baixinho também se caracterizaria por desavenças com técnicos, ex-jogadores e colegas, além de sua boemia e aversão a treinamentos. "Nunca fui atleta. Se eu tivesse levado uma vida regrada como atleta, eu teria feito muito mais gols, mas não sei se seria feliz como sou hoje", diria em 2004. Em 2007, seu nome batizou o estádio do Duque de Caxias, cujo nome popular também lhe faz referência: Marrentão.
Infância Filho do capixaba Edevair de Souza Faria e da carioca Manuela Ladislau Faria, morou na comunidade do Jacarezinho até os três anos de idade, quando mudou-se para a Vila da Penha. Lá jogou no time de futebol do Estrelinha, fundado por seu pai, o que era uma maneira de incentivá-lo à prática dos esportes. Foi no asfalto e nas quadras de futebol de salão que aprendeu a jogar."Romário 40 Anos", Lédio Carmona e André Rizek, Placar número 1290, Editora Abril, dezembro de 2005, págs. 62-69 Com pouco tempo já era destaque entre os garotos, e já jogava entre os mais velhos.
Em 1979, um olheiro o levou para fazer testes no infantil do Olaria. De cara ele foi artilheiro e campeão carioca na categoria infantil em 1979. Destaque entre os jogadores da equipe, foi levado depois ao Vasco da Gama, foi obrigado a fazer um "estágio" de um ano, pois o jogador não tinha condições legais de ingressar no clube por causa de sua idade. Já na categoria juvenil e juniores do Vasco, conseguiu por três anos seguidos ser artilheiro do Campeonato Carioca: em 1982,1983 e 1984, além de ser bicampeão em 1983 e 1984, mostrando assim que estava surgindo um dos maiores artilheiros de todos os tempos do futebol.
Carreira futebolística
No Brasil, Romário conseguiu ser ídolo nos rivais cariocas, Flamengo e Fluminense, além do America. Sua carreira, porém, está mais identificada ao Vasco da Gama, visto que é o segundo maior artilheiro do clube com 326 gols, onde também iniciou sua carreira e lhe garantiu reconhecimento nacional e internacional, conquistando o Campeonato Brasileiro de 2000, a Copa Mercosul de 2000, o Campeonato Carioca de 1987 e 1988, além de torneios estaduais, nacionais e internacionais.
Seu período no futebol europeu iniciou-se em 1988, atuando pelo , da Holanda. Ali permaneceu por cinco temporadas e meia, conquistando títulos importantes para o clube do técnico Guus Hiddink e posteriormente do técnico Bobby Robson, ganhando os Campeonatos Holandeses de 1988–89, 1990–91 e 1991–92, a Copa dos Países Baixos em 1989 e 1990 e a Supercopa dos Países Baixos em 1992.
Após sua passagem pelo PSV, Romário foi negociado por US$ 5 milhõeshttps://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/5/06/esporte/4.html pelo Barcelona, onde teve relevante participação na conquista de importantes títulos, entre eles o Campeonato Espanhol de 1993–94. Considerado um dos jogadores mais importantes entre os que vestiram a camisa do clube catalão, foi colocado na eleição feita em 2007 pelos leitores do jornal catalão El Mundo Deportivo no time dos sonhos do Barcelona, deixando claro que é ídolo da torcida.
Em 1995 foi contratado pelo , naquela que foi considerada por jornalistas e ex-jogadores como a maior contratação da história do futebol brasileiro.
Início no Vasco No Vasco, Romário iniciou a sua carreira profissional em 1985, promovido ao time principal por Antônio Lopes. Sua estreia em jogos oficiais ocorreu em 6 de fevereiro, na vitória vascaína por 3–0 sobre o , partida válida pelo Campeonato Brasileiro. Romário entrou no segundo tempo, no lugar de Mário Tilico. Já seu primeiro gol foi marcado no dia 18 de agosto, em um amistoso contra o time do Nova Venécia, marcando duas vezes em uma goleada de 6–0 sobre a equipe capixaba.
Começou a chamar a atenção de torcedores e jornalistas já no Campeonato Carioca de 1985, onde foi vice-artilheiro. Considerado uma grande revelação, assinou seu primeiro contrato profissional em 1986, ano em que fez dupla de ataque com o consagrado jogador Roberto Dinamite, em um elenco vascaíno que ficaria marcado por contar com os dois maiores ídolos da história recente do clube, mesclando também outros veteranos consagrados e jovens talentos."Um choque de gerações", Especial Placar 35 Anos — Coleção de Aniversário, número 5, julho de 2005, Editora Abril, pág. 8 Dinamite diria, mais tarde: "Você sabe o que é jogar ao lado do Romário de 20 anos de idade? Era só jogar a bola para ele. Das três que chegavam no pé, duas ele colocava dentro do gol".
Romário, naquele ano, venceu a Taça Guanabara de 1986, seu primeiro título como profissional, marcando duas vezes na final contra o Flamengo. Mesmo ao lado de Dinamite, foi o garoto o artilheiro do Campeonato Carioca do mesmo ano, com um gol a mais que o veterano ídolo. Porém, os rubro-negros venceriam o segundo turno e acabariam derrotando o Vasco nas finalíssimas. O desempenho no Estadual chegaria a cotar a jovem revelação para a Copa do Mundo do México, também naquele 1986.
Em 1987 e 1988, o Baixinho marca época no Vasco, faturando o bicampeonato carioca, em ambas as vezes contra o Flamengo, devolvendo a perda do título de 1986. Na decisão de 1988, marca um gol histórico contra o arquirrival, aplicando um lençol no goleiro Zé Carlos e quase entrando no gol junto com a bola. Na segunda partida da final, Romário acabou expulso após se envolver em uma briga com Renato Gaúcho, mesmo assim o Vasco venceu. Naquele ano, já declara sua ambição de fazer mil gols, tal como Pelé: "Tenho 22 anos e garanto que ainda vou impressionar muita gente. Podem me cobrar. Vou chegar ao milésimo gol"."Velho, Eu?", Léo Romano, Placar número 1251, Editora Abril, agosto de 2003, págs. 33-41
Em 1988, além do título do Campeonato Carioca, integra a Seleção Brasileira que vai às Olimpíadas de Seul. Romário termina os Jogos Olímpicos como artilheiro com sete gols, um deles na final. O PSV Eindhoven, recém-campeão da Copa dos Campeões da UEFA, aparece e contrata duas estrelas daquelas Olimpíadas: ele e o zambiano Kalusha Bwalya.
PSV Eindhoven thumb|286x286px|Romário durante treino do PSV em 27 de fevereiro de 1989.|alt=|esquerda Durante o ano de 1988, Romário chegou a ser negociado para jogar no São Paulo, mas isso não se concretizou porque o PSV levou primeiro o jogador.
Romário transferiu-se para o PSV por US$ 6 milhões de dólares estadunidenses, sendo na época a mais cara contratação brasileira por um clube estrangeiro ultrapassando a que era até então a maior que havia sido a de Zico que foi vendido para a Udinese, da Itália, por US$ 4 milhões de dólares em 1983. Romário teve realmente um mega contrato; além do salário de US$ 1 milhão de dólares por temporada com mordomia, US$ 1 milhão de dólares de luvas, uma casa com vários quartos e todos os empregados necessários, equipamento de som e vídeo da Philips, um carro Opel GSI, 10 passagens aéreas por ano entre Holanda e Brasil, liberdade para fazer qualquer publicidade no mundo inteiro, contrato publicitário com a Philips do Brasil, curso de inglês e holandês para ele e sua esposa Mônica Santoro, um intérprete, cursos em faculdades locais e se seu passe fosse vendido por mais de US$ 3,7 milhões de dólares para outro clube, ele teria direito a 15% de tudo que excedesse a esse valor. O técnico da equipe neerlandesa, Guus Hiddink, veio pessoalmente ao Brasil para participar das negociações."O Segredo de Hiddink", Marcel Rözer, Placar número 1321, Editora Abril, agosto de 2008, págs. 84-87
Estreou pelo clube em 30 de outubro de 1988 na partida PSV 3–0 Twente. Na sua primeira temporada no clube foi artilheiro, campeão do Campeonato Holandês e da Copa dos Países Baixos. Na Copa dos Campeões da UEFA, encarou pela primeira vez um futuro rival, o . Marca nas duas partidas, mas são os espanhóis quem avançam, na prorrogação, para as semifinais. Ele perde o Mundial Interclubes, em que ele empata a partida contra os uruguaios do a quinze minutos do fim; o jogo vai para a prorrogação, com virada do PSV, que sofre o empate no último minuto do tempo extra. Ele converte a sua cobrança na decisão por pênaltis, mas o adversário vence nela por 7–6. Já na Supercopa Europeia, o título é perdido após a equipe vencer os belgas do Mechelen por apenas 1–0 em casa, após perder por 0–3 fora.
Na temporada de 1989-90, Romário é novamente artilheiro da Eredivisie e volta a ganhar a Copa nacional e torna-se ainda o primeiro brasileiro chamado para uma Copa do Mundo atuando por uma equipe dos Países Baixos — todavia, uma lesão no tornozelo ocorrida a três meses do torneio pelo próprio PSV praticamente o priva de jogar o mundial. Sem ele nas rodadas finais, o PSV perdeu o campeonato por um ponto para o , dando certa razão a uma declaração de seu principal atacante: "O PSV depende de mim. Todos sabem que a equipe não tem condições de jogar sem Romário" De fato, sua importância era tal que a diretoria o perdoou mesmo após um pequeno escândalo, em que fotos suas disputando animadas partidas de futebol de areia no Rio de Janeiro chegaram ao clube — Romário havia conseguido ser liberado pelo PSV com a desculpa de tratar o problema no tornozelo."Baixinho, Gigante e Marrento", André Fontenelle, Especial Placar — Os Craques do Século, novembro de 1999, Editora Abril, págs. 22-23
O Baixinho recupera-se bem da lesão e, na temporada de 1990–91, é novamente artilheiro e campeão da Eredivisie, com um sabor especial para a torcida: o PSV, até então a terceira força do futebol neerlandês iguala, em número de títulos no campeonato, o , ultrapassado na de 1991–92, com um bicampeonato seguido da equipe de Eindhoven. A temporada de 1992–93, em que o Feyenoord ganha e se iguala momentaneamente ao PSV, é a primeira de Romário na Holanda em que ele não fatura títulos; ainda assim, sua artilharia na Copa dos Campeões da UEFA, mesmo com o PSV caindo em último na fase de grupos, impressiona os grandes clubes da Espanha, Valência tenta contratar o jogador a pedido de Guus Hiddink que nesse momento estava como treinador do clube espanhol, porém, um holandês em especial: Johan Cruijff, que na época treinava com sucesso o Barcelona conseguiu com que a diretoria do clube contratasse o artilheiro.