Francisco Amintas da Costa Barros (Aracati, 21 de novembro de 1841 — Natal, 22 de fevereiro de 1899), conhecido como Amintas Barros, foi um advogado, promotor, juiz e político brasileiro.

Durante o Império fez parte do Partido Conservador, na ala conhecida como "grupo da Botica". Durante a República fez oposição à oligarquia dos Albuquerque Maranhão. Sendo partidário de Deodoro da Fonseca, e antiflorianista ferrenho, assumiu o governo do Rio Grande do Norte, em 1891.BUENO, Almir de Carvalho. Visões da República: idéias e práticas políticas no Rio Grande do Norte (1880-1895). Tese de Doutorado em História – Departamento de História/UFPE. Recife, 1999.

Família e Formação

Francisco Amintas da Costa Barros nasceu em Aracati, na província do Ceará, em 21 de novembro de 1841, filho de Francisco José da Costa Barros e sobrinho-neto de Pedro José da Costa Barros, ex-presidente da província do Ceará, do Maranhão, senador pela primeira província e ministro da Marinha.PEIXOTO, Renato Amado. BARROS, Amintas. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/BARROS,%20Amintas.pdf. Acesso em: 1 de maio de 2026. Bacharelou-se em ciências jurídicas pela Faculdade de Direito de Recife, província de Pernambuco, em 1863, na mesma turma de Raimundo Teodorico de Castro e Silva (presidente do Piauí em 1884), Franklin Távora, José Joaquim Domingues Carneiro e Trajano Viriato de Medeiros.

Carreira no Império

Gurpo da Botica e Presidência do Rio Grande do Norte

Depois de formado, retornou ao Ceará, onde exerceu a magistratura. Seguindo para a província de Alagoas, onde também exerceu a magistratura, foi nomeado chefe de polícia. Nomeado promotor público de São José de Mipibu, em 1868, seguiu para a província do Rio Grande do Norte, onde se tornaria procurador fiscal da Tesouraria Provincial em 1869. Estabelecendo-se na província, vinculou-se ao Partido Conservador, fazendo parte do grupo da Botica, que passou a reunir figuras como Fernandes Barros, Augusto Leopoldo da Câmara e Antônio de Amorim Garcia.PEIXOTO, Renato Amado. BARROS, Fernandes. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/BARROS,%20Fernandes.pdf. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.PEIXOTO, Renato Amado. CÂMARA, Augusto Leopoldo da. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/C%C3%82MARA,%20Augusto%20Leopoldo%20da.pdf. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.PEIXOTO, Renato Amado. GARCIA, Antônio. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/GARCIA,%20Ant%C3%B4nio.pdf. Acesso em: 26 de janeiro de 2026. Pelo partido, elegeu-se deputado provincial em 1870, deixando, no ano seguinte, a procuradoria fiscal e se reelegendo deputado em 1872.

Em 1873, foi nomeado suplente de juiz municipal de Natal e, em 1876, primeiro juiz de direito da comarca de Pau dos Ferros, cargo que deixou em 1885, sendo substituído por Joaquim Cavalcanti Ferreira de Melo. Em 1886, tornou-se chefe de polícia da província e, no ano seguinte, juiz de direito de Natal. Foi 1º vice-presidente da província do Rio Grande do Norte,, nomeado por carta imperial de 8 de dezembro de 1887, tendo assumido a presidência interinamente por duas vezes, de 10 de agosto a 14 de outubro de 1888 e de 15 de junho a 18 de junho de 1889.

Carreira na República

Secretário de Justiça e líder republicano

No advento da proclamação da República, assumiu, em 17 de novembro de 1889, a presidência estadual, Pedro de Albuquerque Maranhão, que nomeou Amintas Barros secretário de Justiça.PEIXOTO, Renato Amado. VELHO, Pedro. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/VELHO,%20Pedro.pdf. Acesso em: 18 de janeiro de 2026.GOVERNO DO ESTADO. EXPEDIENTE DO DIA 17 DE NOVEMBRO. A Repúbilca. Natal, 17 de dezembro de 1889. Disponível em:https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=138924&pesq=%22Albuquerque%20Maranh%C3%A3o%22&pagfis=481. Acesso em: 1 de abril de 2026. A tática de Pedro Velho era reunir conservadores e liberais na administração, grantindo o apoio de facções imperiais à República. Desse modo, Amintas Barros e seu grupo seguiram para o Partido Republicano Rio-Grandense.

Nomeado pelo Governo Provisório o republicano histórico e paulista Adolfo Gordo para gerir as terras potiguares, Pedro Velho fez grande articulação para não deixar o cargo, cedendo-o, mesmo assim, em 6 de dezembro.LANG, Alice Beatriz da Silva Gordo. GORDO, Adolfo. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/GORDO%2C%20Adolfo.pdf. Acesso em: 18 de janeiro de 2026. Apesar de alas conservadoras apoiarem Adolfo Gordo, a ala de Amintas Barros mostrava-se, assim como as de José Bernardo, antigo líder do Partido Liberal, e Pedro Velho, descontente com a indpendência do mandatário, devida por esse ser paulista e alheio às facções potiguares. Isso desconcertou a aliança bem costurada por Pedro Velho. Datado de 19 de janeiro de 1890, um telegrama, transcrito em 25 de janeiro pela Gazeta do Natal, a endereçada, descreveu a situação:AUTOR DESCONHECIDO. Telegrama. Gazeta do Natal. Natal, 25 de janeiro de 1890. Disponível em:https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=721166&Pesq=%22Dr.%20Pedro%20Velho%22&id=4892102940485&pagfis=550. Acesso em: 12 de abril de 2026.

A insatisafação entre os grupos políticos crescia; em 8 de fevereiro de 1890, por interferência de Pedro Velho e do ministro do Interior Aristides Lobo, Adolfo Gordo foi afastado, gerando a ascensão de Jerônimo Câmara, então chefe de polícia, aliado de Pedro Velho, por tempo provisório.PEIXOTO, Renato Amado. CÂMARA, Jerônimo. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/C%C3%82MARA,%20Jer%C3%B4nimo.pdf. Acesso em: 18 de janeiro de 2026. Dois dias depois, Lobo deixou a pasta por discordâncias com o marechal Deodoro da Fonseca, presidente da República.PINTO, Surama Conde Sá. LOBO, Aristides. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/LOBO,%20Aristides.pdf. Acesso em: 18 de janeiro de 2026.

Durante a presidência de Nascimento Castro, ajudou-o a elaborar a Constituição de Castro, lei orgânica outorgada em 20 de janeiro de 1891, que definiu a eleição para a Assembleia Estadual Constituinte para 10 de março.PEIXOTO, Renato Amado. CASTRO, Nascimento. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/CASTRO,%20Nascimento.pdf. Acesso em: 26 de janeiro de 2026. À época, os republicanos se encontravam unidos. Contudo, a eleição de 1891 dividiu os republicanos no Parlamento, terminando com uma pressão militar do candidato Deodoro, que pretendia continuar no poder. Assim como José Bernardo, Pedro Velho apoiou o senador por São Paulo Prudente de Morais, o que gerou graves consequências após a eleição do marechal, em cujas boas graças estava o potiguar Pedro Velho durante o Governo Provisório; entretanto, por conta dessa traição a Deodoro, o pedrovelhismo seria constantemente ameaçado.LEMOS, Renato. FONSECA, Deodoro da. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/FONSECA,%20Deodoro%20da.pdf. Acesso em: 18 de janeiro de 2026.

Presidente do Rio Grande do Norte

Em 3 de março de 1891, Deodoro, como vingança, retirou Nascimento Castro do poder, por esse ser aliado de Pedro Velho, substituindo-o por Amintas Barros, que havia apoiado o marechal. Amintas Barros só assumiu a presidência, porém, por influência do deputado federal potiguar Miguel Joaquim de Almeida Castro, que havia sido colega de faculdade do ministro da Justiça Barão de Lucena, e com quem tinha laços familiares, assim como com Antônio Garcia, parente de sua mulher, Rita Garcia, irmã de Augusto Carlos e José Alexandre de Amorim Garcia, ex-deputados provinciais.PEIXOTO, Renato Amado. CASTRO, Miguel. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/CASTRO,%20Miguel.pdf. Acesso em: 18 de janeiro de 2026.

A eleção marcada para 10 de março foi adiada, pelo novo presidente estadual, para 10 de maio. Nessa data, Amintas Barros obteve vitória integral, pois a oposição, agora composta por Pedro Velho e José Bernardo, não conseguiu eleger nenhum deputado estadual. Desse modo, Amintas Barros também conseguiu emplacar um sucessor, nesse caso o deputado federal Miguel Castro. Na ausência do eleito, que se encontrava legislando no Distrito Federal, assumira o primeiro vice-presidente, Fernandes Barros, em 13 de junho. Pressionado para mudar o Judiciário pedrovelhista, renunciou em 6 de agosto, passando o governo para o segundo vice-presidente Gurgel de Oliveira.PEIXOTO, Renato Amado. GURGEL, Francisco. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/GURGEL,%20Francisco.pdf. Acesso em; 21 de abril de 2026.

Discurso pronunciado na sessão de 11 de agosto de 1891

A 11 de agosto, na tribuna, Albuquerque Maranhão teceu críticas ao ex-presidente Amintas Barros, acusando-o de ter recebido 2 contos de réis, enviados pelo ministro do Interior João Barbalho Uchôa Cavalcanti, para despezas de sua primeira instalação no estado. A denúncia era grave, considerando que o trabalhador médio urbano recebia, por mês, aproximadamente 5% desse valor. Contudo, Pedro Velho não se contentou; acusou-o, ainda, de ter passado a rasoura — ter feito a limpa — nos funcionários públicos, demitindo até promotores, sem justificativa, além da acusação de intervenção na eleição de 10 de maio. No mesmo dia, Miguel Castro, eleito presidente potiguar, respondeu à altura. A situação foi transcrita pelo jornal Rio Grande do Norte, do qual Amintas Barros era redator:AUTOS DA CÂMARA DOS DEPUTADOS. Discurso pronunciado na sessão de 11 de agosto de 1891. Rio Grande do Norte. Natal, 8 de setembro de 1891. Disponível em:https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=219355&Pesq=%22dr.%20Pedro%20Velho%22&id=472020933819&pagfis=46. Acesso em: 21 de abril de 2026.

Nesse momento, Miguel Castro fora interrompido por seu colega de bancada e aliado Amorim Garcia, que complementou:

Miguel Castro continuou:

Aqui, intervém o deputado pelo Rio Grande do Sul Alexandre Cassiano do Nascimento, que havia sido juiz municipal em Sant'Ana do Livramento:LUNA, Cristina; MELO, Demian de. NASCIMENTO, Alexandre Cassiano do. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/NASCIMENTO,%20Alexandre%20Cassiano%20do.pdf. Acesso em; 21 de abril de 2026.

E o sr. Miguel Castro prossegue:

Pedro Velho responde:

Então, Miguel prossegue:

Pedro Velho, nesse momento, pediu um aparte, negado por Miguel Castro, que continuou seu discurso:

Miguel Castro, aqui, fora interrompido bruscamente pelo deputado Pedro Velho, que bradou:

Amorim Garcia interveio:

Miguel Castro prosseguiu:

A partir de então, surgiram diversos apartes, e a sessão foi absorvida por enorme tumulto, o que levou ao presidente da Casa, João da Mata Machado, intervir pela calmaria. O discurso foi retomado:

O deputado por Pernambuco Vicente Antônio do Espírito Santo pediu um aparte, negado por Miguel Castro, que concluiu:

A isso, Pedro Velho responde:

Miguel Castro deixou a tribuna sendo aplaudido. Em 9 de setembro, assumiu o governo do Rio Grande do Norte. Todavia, desferido o Golpe de Três de Novembro, seguido pela Revolta da Armada e pela renúncia de Deodoro, Pedro Velho e José Bernardo comandaram uma facção do Exército que, em 28 de novembro, derrubou Miguel Castro, prendeu-o e deportou-o para Fortaleza.PEIXOTO, Renato Amado. BERNARDO, José. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/BERNARDO,%20Jos%C3%A9.pdf. Acesso em: 18 de janeiro de 2026.

Amintas Barros faleceu em Natal, em 22 de fevereiro de 1899, distante dos setores políticos, deixando, ao que se sabe, dois filhos.

Ver também Anexo:Lista de governadores do Rio Grande do Norte