A temporada de furacões no Atlântico de 2008 foi um evento no ciclo anual de formação de ciclones tropicais. A temporada começou em 1 de Junho de 2008 e terminou em 30 de Novembro de 2008. Estas datas delimitam convencionalmente o período de cada ano quando a maioria dos ciclones tropicais tende a se formar na bacia do Atlântico.
Porém, a tempestade tropical Arthur formou-se no dia anterior da data de início da temporada. O furacão Bertha foi o ciclone tropical atlântico com o maior tempo de existência num mês de julho de toda a história. A tempestade tropical Fay atingiu a costa da Flórida em quatro ocasiões distintas após ter cruzado boa parte do Caribe. O furacão Gustav foi o furacão mais intenso a atingir a costa dos Estados Unidos desde a passagem do furacão Wilma em 2005. Gustav também provocou sérios prejuízos em Cuba e provocou a evacuação de praticamente toda a costa do estado americano da Luisiana, incluindo Nova Orleans. O furacão Hanna provocou enchentes catastróficas no Haiti, provocando a morte de mais de 500 pessoas. O furacão Ike se tornou o terceiro furacão que provocou mais prejuízos econômicos de toda a história após atingir severamente Cuba e provocar quase 30 bilhões de dólares (valores em 2008) em prejuízos nos Estados Unidos. A tempestade tropical Marco foi o menor ciclone tropical atlântico registrado em toda a história. O furacão Paloma foi o terceiro grande furacão a atingir Cuba em 2008, fato nunca ocorrido em toda a história, além de se tornar o segundo ciclone tropical atlântico mais intenso registrado num mês de novembro.
Com 16 sistemas tropicais dotados de nome, a atividade da temporada de 2008 ficou acima da média, mas dentro do esperado. Além disso, a temporada de 2008 teve cinco furacões "maiores" (furacões de categoria 3 na escala de furacões de Saffir-Simpson ou mais intensos), peculiarmente um em cada mês de atividade da temporada, exceto junho, fato também nunca ocorrido anteriormente. Pelo menos 850 pessoas perderam a vida durante a temporada devido aos feitos dos sistemas tropicais, mais que o dobro do registrado em 2007. Além disso, os prejuízos econômicos foram 15 vezes maiores do que os registrados em 2007. __TOC__
Previsões para a temporada +Previsões para a atividade tropical da temporada de 2008FonteDataTempestadesnomeadasFuracõesGrandesfuracõesUECMédia (1950–2000)9,65,92,3NOAAMédia (1950–2005)11,06,22,7Máxima atividade28158Mínima atividade420––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––UEC7 de Dezembro de 20071373UEC9 de Abril de 20081584NOAA22 de Maio de 200812-165-92-5UEC1 de junho de 20081584UKMET19 de junho de 200815N/DN/DECU5 de agosto de 20081795NOAA7 de agosto de 200814-187-103-6––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––Atividade final 16 8 5 As previsões para a atividade de furacões são emitidas antes de cada temporada de furacões pelos grandes especialistas Philip J. Klotzbach, pelo Dr. William M. Gray e seus associados na Universidade do Estado do Colorado (UEC). Suas previsões são separadas àquelas feitas pela National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA).
A equipe de Klotzbach (liderada formalmente pelo Dr. Gray) definiu a média de números de tempestades formadas por temporada (definida entre 1950 e 2000) em 9,6 tempestades tropicais, 5,9 furacões e 2,3 grandes furacões (sistemas que igualam ou ultrapassam a intensidade de um furacão de categoria 3 na escala de furacões de Saffir-Simpson). Uma temporada normal, como definida pela NOAA, tem em média 9 a 12 tempestades tropicais, 5 a 7 furacões e 1 a 3 grandes furacões.
Previsões emitidas antes da temporada Em 7 de dezembro de 2007, a equipe de Klotzbach emitiu sua primeira previsão geral para a temporada de 2008, prevendo uma temporada com atividade tropical acima da média, com 13 tempestades tropicais, 7 furacões e 3 grandes furacões.
Em 9 de Abril de 2008, a equipe de Klotzbach liberou uma nova previsão sobre a temporada, chamando a atenção para uma temporada mais ativa do que a prevista anteriormente. Foi prevista a formação de 15 tempestades tropicais, destas 8 tornando-se furacões e destes, 4 tornando-se furacões "maiores". O aumento da previsão foi atribuída a uma La Niña de maior duração do que a anteriormente prevista e que o El Niño que poderá vir em meados de 2008 não influenciará a temporada. Segundo a previsão, a probabilidade de um furacão "maior" atingir a costa leste dos Estados Unidos, incluindo a Península da Flórida, é de 45%; a probabilidade de um furacão "maior" atingir a costa do golfo dos Estados Unidos é de 44%.
Em 22 de Maio, a NOAA liberou uma nova previsão sobre a temporada, chamando a atenção para uma temporada ligeiramente acima da média ou normal. A previsão de 22 de Maio é ligeiramente menor do que a anterior. Foi prevista a formação de 12-16 tempestades tropicais, sendo que 6-9 destes tornar-se-iam furacões, e destes, 2-5 tornar-se-iam furacões "maiores". Foi previsto que a La Niña não irá influenciar ou influenciará pouco as condições meteorológicas no Atlântico.
Previsões durante a temporada Em 1 de junho, a Universidade do Estado do Colorado manteve a sua previsão de Abril. Em 19 de Junho, o Met Office (UKMO), o serviço nacional de meteorologia do Reino Unido, liberou suas previsões para a continuação da temporada de furacões. A agência previu 15 tempestades dotadas de nome, com 70% de possibilidades de 10 a 20 tempestades dotadas de nome. A previsão não incluiu previsões específicas para o número de furacões ou de furacões "maiores".
Em 5 de agosto, a Universidade do Estado do Colorado liberou uma nova previsão, chamando a atenção para uma temporada ainda mais ativa, com 17 tempestades dotadas de nome, 9 furacões e 5 furacões "maiores". Em 7 de Agosto, a NOAA reviu sua estimativa para a temporada, que aumentou ligeiramente para 14 a 18 tempestades dotadas de nome, com 7 a 10 se tornando furacões, e destes, 3 a 6 se tornando furacões "maiores". Com isso, a NOAA reafirmou a sua chamada para uma temporada acima da média, citando a temperatura da superfície do mar mais quente do que o normal em partes do oceano Atlântico e do mar do Caribe.
Resumo sazonal
Sistemas Tempestade tropical Arthur
Uma área de convecção formou-se no Golfo de Honduras em 30 de Maio associada aos remanescentes da tempestade tropical Alma. O sistema rapidamente se intensificou ao largo da costa de Belize. O Centro Nacional de Furacões emitiu seu primeiro aviso sobre a recém formada tempestade tropical Arthur às 17:00 (UTC) de 31 de Maio, sendo que o centro da tempestade já estava em terra, sobre a Península de Iucatã.
Às 15:00 (UTC) de 1 de Junho, o NHC desclassificou Arthur para uma depressão tropical sobre o sul da Península de Iucatã. Durante a madrugada de 2 de Junho (UTC), o NHC desclassificou Arthur para uma área de baixa pressão remanescente e emitiu seu aviso final sobre o sistema.
Em Belize, A tempestade tropical Arthur provocou severas enchentes, que obrigou mais de 100.000 pessoas a saírem de suas casas e provocou 9 fatalidades. Além disso, Arthur provocou prejuízos estimados em $78 milhões de dólares (valores em 2008).
Furacão Bertha
Uma forte onda tropical que deixou a costa ocidental da África intensificou-se gradualmente e tornou-se uma depressão tropical durante a manhã (UTC) de 3 de Julho. Horas depois, o Centro Nacional de Furacões (NHC) classificou o sistema como uma tempestade tropical e lhe atribuiu o nome Bertha. Sobre águas frias, o sistema manteve-se como uma tempestade até que durante a manhã de 7 de Julho, Bertha fortaleceu-se para um furacão sobre o Atlântico norte tropical. Mais tarde naquele dia, Bertha também tornou-se o primeiro furacão 'maior' da temporada.
No entanto, condições meteorológicas hostis e águas mais frias começaram a enfraquecer o sistema. em 14 de Julho, Bertha passou apenas 65 km de Bermudas, trazendo para ilha condições de tempestade tropical. Afastando-se de Bermudas, Bertha recurvou-se para sudoeste antes de seguir velozmente para nordeste, fortalecendo-se novamente para um furacão antes de se tornar um ciclone extratropical no Atlântico norte em 20 de Julho.
Em Bermudas, Bertha trouxe ventos e chuvas fortes, no entanto, nenhuma fatalidade ou pessoa ferida foi relatada. Mas fortes ondas causados pelo sistema tropical atingiram a costa leste dos Estados Unidos, resultando na morte de três pessoas ao longo da costa de Nova Jérsei.
Tempestade tropical Cristobal
Uma área de baixa pressão que produziu algumas tempestades isoladas na Flórida tornou-se a depressão tropical Três-L ao largo da costa da Flórida e da Geórgia. Com condições meteorológicas razoáveis, o sistema se intensificou para uma tempestade tropical em 19 de Julho, ganhando o nome Cristobal. Cristobal, seguindo para nordeste paralelamente à costa leste dos Estados Unidos, intensificou-se gradualmente, atingindo o pico de intensidade com ventos máximos sustentados de 100 km/h a leste do Cabo Hatteras, Carolina do Norte. Seguindo sobre águas mais frias, Cristobal começou a se enfraquecer. Em 22 de Julho, a tempestade, ao sul de Nova Escócia, Canadá, começou a perder suas características tropicais, tornando-se totalmente extratropical no dia seguinte.
Antes do sistema se tornar uma depressão tropical, a área de baixa pressão precursora de Cristobal provocou fortes chuvas isoladas em algumas porções da Flórida. Já como uma tempestade tropical, o sistema causou chuvas moderadas em porções da Carolina do Norte. Seus remanescentes extratropicais causaram chuvas moderadas a fortes em associação a uma frente quente em Nova Escócia, Canadá. Apesar de provocar algumas enchentes isoladas, Cristobal não causou danos significativos em sua trajetória.
Furacão Dolly
Uma área de distúrbios meteorológicos associada a uma onda tropical que anteriormente havia cruzado o Atlântico tropical e praticamente todo o Caribe ganhou organização e tornou-se a tempestade tropical Dolly em 20 de Julho a leste da península de Iucatã. No dia seguinte, Dolly fez landfall na península e seguiu para o golfo do México, onde gradualmente se intensificou e tornou-se um furacão em 22 de Julho. Seguindo continuamente para oeste-noroeste e noroeste, Dolly continuou a se fortalecer gradualmente antes de fazer landfall no extremo sul do Texas com ventos máximos sustentados de 140 km/h. Após seguir sobre terra, Dolly enfraqueceu-se gradualmente e tornou-se uma tempestade tropical ainda em 23 de Julho e uma depressão tropical no dia seguinte. A área de baixa pressão remanescente continuou a seguir para noroeste e norte antes de dissipar totalmente em 27 de Julho.
Assim que Dolly se formou em 20 de Julho, suas bandas externas de tempestades e trovoadas afetaram a América Central, principalmente a Guatemala, deixando ao menos 17 mortos devido às severas enchentes e deslizamentos de terra. Dolly, apesar de ser uma tempestade tropical, causou apenas danos mínimos na península de Iucatã. A costa do vale do Rio Grande foi atingida por Dolly em 22 de Julho, que causou enchentes costeiras devido à maré de tempestade, além de causar fortes ventos e severas enchentes devido às suas fortes chuvas. No Texas, Dolly causou fortes danos, estimados em mais de 1,5 bilhão de dólares; no entanto, nenhuma fatalidade foi registrada no estado. No estado mexicano de Tamaulipas, vizinha ao Texas, foi relatada uma fatalidade. Além disso, correntes de retorno causados pelo furacão causaram um afogamento no Panhandle da Flórida. Chuvas torrenciais causadas pela área de baixa pressão remanescente de Dolly causaram severas enchentes em Ruidoso, Novo México, causando a morte de duas pessoas.
Tempestade tropical Edouard