thumb|300px||Fronteira de Vilar Formoso, o principal ponto de passagem entre Portugal e Espanha.
thumb|250px|Fronteira entre Espanha e Portugal, nos municípios de Tui (Pontevedra) e Valença (Viana do Castelo). A fronteira Portugal-Espanha, conhecida pelo epíteto de A Raia (; ), é a linha que divide os territórios da República Portuguesa e do Reino de Espanha. É a fronteira mais antiga da Europa, com alguns limites estabelecidos desde o tempo do Condado Portucalense e do Reino de Leão. Encontra-se livre de controlos de passagem desde 26 de março de 1995 (entrada em vigor do Acordo de Schengen), com algumas exceções temporárias.
De uma forma mais ampla, a raia é igualmente o espaço geográfico, de um e de outro lado da fronteira política, em que as populações partilham elementos históricos, linguísticos, culturais e económicos.
Localização A fronteira luso-espanhola estende-se desde a foz do rio Minho, a norte, até à foz do rio Guadiana, a sul, ao longo de mais de 1200 km. Acompanha cursos de água (raia húmida), ou é assinalada em terra por pontos notáveis ou marcos fronteiriços (raia seca).
Distritos portugueses raianos, do noroeste para sul: 20px Viana do Castelo 20px Braga 20px Vila Real 20px Bragança right|thumb|250px|Estuário do rio Guadiana. 20px Guarda 20px Castelo Branco 20px Portalegre 20px Évora 20px Beja 20px Faro
Províncias espanholas raianas, de norte para sul: Pontevedra (25px Galiza) Ourense (25px Galiza) Zamora (25px Castela e Leão) Salamanca (25px Castela e Leão) Cáceres (25px Estremadura) Badajoz (25px Estremadura) Huelva (25px Andaluzia)
Rios da raia
História thumb|right|200px|Marco fronteiriço n.º 198, Soutelinho da Raia. thumb|right|200px|Marco fronteiriço 713B, em Marco A história da raia está associada à história da Reconquista na parte ocidental da Península Ibérica. Os acontecimentos determinantes são o Tratado de Zamora, em 1143, que assinala o nascimento de Portugal como reino independente, e o Tratado de Alcanizes, em 1297, que estabelece no essencial as fronteiras de Portugal.
No século XIX e início do século XX, as demarcações definitivas da fronteira estipularam-se através de dois grandes acordos. O Tratado de Limites de 1864 resolveu a situação do norte da fronteira ao extinguir o microestado do Couto Misto e os povos promíscuos na raia seca, além de encerrar as disputas territoriais nas contendas de Arronches e de Ouguela. Posteriormente, o Convénio de Limites de 1926 resolveu a questão da Contenda de Moura.
No entanto, estes tratados bilaterais não fixaram a linha fronteiriça no setor centralizado em torno de Olivença e Táliga, cuja soberania passou para Espanha após a Guerra das Laranjas (Tratado de Badajoz de 1801) — uma anexação não reconhecida formalmente pelo Estado português, que mantém a sua reclamação histórica sobre estes territórios à luz do Congresso de Viena (1815).
Devido a este impasse jurídico, a Comissão Mista de Limites suspendeu os trabalhos nesta secção da fronteira, pelo que continuam por colocar os marcos delimitadores com a numeração de 802 a 899, deixando a linha de fronteira oficialmente por traçar no troço do rio Guadiana compreendido entre a confluência do rio Caia e a da ribeira de Cuncos. Esta anomalia traduz-se numa assimetria cartográfica atual: enquanto as cartas militares oficiais de Portugal (como a folha 441-A à escala 1:25 000 do Centro de Informação Geoespacial do Exército) omitem por completo o traço de fronteira neste retângulo do Guadiana, os mapas topográficos espanhóis do Instituto Geográfico Nacional aplicam uma simbologia secundária e sem legenda sobre o eixo do rio, alterando o padrão visual e omitindo o sombreado rosa de delimitação internacional que usam no resto do país.
Tratados importantes Tratado de Zamora (1143) Tratado de Badajoz (1267) Tratado de Alcanizes (1297) Tratado de Badajoz (1801) Congresso de Viena (1815) Tratado de Lisboa (1864) Convénio de Limites (1926)
A língua portuguesa na raia
Outras línguas e dialectos raianos Mirandês Barranquenho
Povoações transraianas Rio de Onor, em Trás-os-Montes Marco, no Alto Alentejo Soutelinho da Raia, em Trás-os-Montes Cambedo, em Trás-os-Montes Lama de Arcos, em Trás-os-Montes Castro Laboreiro, no Alto Minho Caia (Elvas), no Alto Alentejo
Fortalezas e castelos raianos
Os castelos medievais foram os primeiros marcos fronteiriços. Somente a partir do século XVI passou a haver um registo centralizado dos limites efectivos do reino.
Pontes da raia Ponte Internacional do Baixo Guadiana Ponte Internacional do Guadiana Ponte Rodo-Ferroviária de Valença
Bibliografia GARCÍA, Eusebio Medina. "Orígenes históricos y ambiguedad de la frontera hispano-lusa (La Raya)". Revista de Estudios Extremeños, 2006 Tomo LXII. Número II Maio-Agosto MARTÍN, José Luis Martín. "La tierra de las contiendas: notas sobre la evolución de la raya meridional en la Edad Media". Norba. Revista de historia, 2006. Volume 16
Ligações externas Revista de Estudios Extremeños Hablas de Extremadura en la red Portal de la Raya Alentejano-Extremeña Blogue Fronteiras Marcos de Fronteira, IGeoE