António Xavier Ferreira de Azevedo (Lisboa, 6 de março de 1784 — Lisboa, 18 de janeiro de 1814) foi um poeta dramático e comediógrafo português.Innocêncio Francisco da Silva, Diccionario bibliographico portuguez.... Ed. fac-similada. Lisboa: Imprensa Nacional, Casa da Moeda, [1972-2002?]. v. 1, p. 297. Assinou algumas obras simplesmente como A.X.F.A. ou António Xavier.Teófilo Braga, Historia do theatro portuguez, Lisboa, 1870, pp. 73-78.
Biografia Nascido em Lisboa, foi um prolífico e respeitado poeta dramático, autor de algumas das peças mais apreciadas nos teatros portugueses e brasileiros das primeiras décadas do século XIX.Catálogo de teatro: a colecção do livreiro Eduardo Antunes Martinho. Biblioteca Nacional Portugal, 1996.Camilo Castelo Branco, Curso de Literatura Portuguesa. Edições Vercial, Lisboa, 2017. Muitas das suas peças nunca foram publicadas, enquanto outras apenas o foram algumas décadas após a sua morte aos 29 anos de idade. Muitas são adaptações de peças francesas e espanholas, recriadas ao gosto do público português.
António Xavier nasceu em Lisboa, a 6 de Março de 1784, filho de Vicente Ferreira de Azevedo, ao tempo meirinho geral dos contrabandos. Muito jovem, António Xavier começou por substituir o pai nos seus impedimentos e por fim sucedeu.lhe interinamente no cargo. Parece que terá exercido um cargo subalterno na Inquisição. Quando se criou o Comissariado do Exército, serviu de escriturário no Depósito dos Víveres em Alcântara, pelos anos de 1810 ou 1811. Com vida aventurosa, faleceu em Lisboa, a 18 de janeiro de 1814.Inocêncio da Silva, Dicc. Bibliographico.Teófilo Braga, Historia do Theatro Portuguez, Lisboa, 1870, pp. 78-80.
Dramaturgo muito conhecido na sua época,, é autor de mais de uma centena de dramas e farsas, entre originais e adaptações.Hessel e Raeders, O Teatro no Brasil sob Dom Pedro II, 1979, p. 37. Grande número destas obras foi encontrado em manuscrito em poder de actores e de pessoas ligadas ao teatro, sendo comparativamente poucas as que foram impressas em vida do autor.
Entre as suas obras contam-se: Palafox em Saragoça, Pedro Grande ou a Escrava de Mariemburgo, Roberto, Chefe dos Ladroes, O Marido Mandrião, Santo António livrando o pae do patíbulo, Zulmira (imitação livre de Manuel José Quintana), Manoel Mendes Enxundia, Os doudos, Ou o doudo por amor, A Parteira anatómica, O frenesi das senhoras, A sensibilidade no crime, Santo Hermenegildo, Eufemia e Polidoro, Adelli, magica, O divorcio por necessidade, A verdade triumphante, A Paz de Pruth, Os Monges de Toledo, Amor e vingança, O desertor francez, Achemet e Rakima, A inimiga do seu sexo, A mulher zelosa, O Eunucho, Os Doudos, segunda parte, O velho chorão, O Taful fóra de tempo, A viuva imaginaria, O chapeo (atribuída a D. Gastão),D. Gastão Fausto da Câmara Coutinho (1772-1852), oficial da Armada, escritor e dramaturgo português. O velho perseguido, Clementina de Vormes, A Esposa renunciada, A mulher de dois maridos e O Patriota escossez.
O repertório inclui muitas traduções, adaptações, e mesmo plágios de peças estrangeiras, especialmente francesas, sem indicação do autor original e quase sempre com o carácter melodramático acentuado. Entre as peças adaptadas mais conhecidas estão Zulmira, Akmet e Rakima, O (novo) desertor francês e as Minas da Polónia.
Zulmira é uma variante da obra El Duque de Viseo de Manuel José Quintana, obra por sua vez derivada de The Castle Spectre de Matthew Gregory Lewis (1775-1818). Ackmet e Rakima é uma adaptação de Acmet, el Magnánimo, obra de autor espanhol desconhecido impressa em 1792.Acmet el magnanimo. Comedia heroyca en tres actos, 1792. Por sua vez, O (novo) desertor francês deriva do drama Le déserteur de Louis-Sébastien Mercier, sendo classificado como «novo» para o distinguir de Le déserteur de Michel-Jean Sedaine. Quanto a As Minas da Polónia, a obra é uma tradução e adaptação de obra homónima de René-Charles Guilbert de Pixérécourt, que terá sido a primeira obra a ser classificada como um melodrama.
Teófilo Braga considera que António Xavier «não tinha cultura literária; seguia o sistema de Nicolau Luiz tomando o bom aonde o achava; a empolada linguagem dos seus dramas realçava com a declamação lamentosa e coma gesticulação ameaçadora dos velhos actores». Para aquele crítico, glória literária António Xavier são «as farsas, em que determinou a feição verdadeiramente portuguesa».
Obras Entre muitas outras obras dramáticas, em boa parte dispersas ou copiadas por terceiros, é autor das seguintes peças: Manuel Mendes Enxúndia, publicada em 1815, após a sua morte; O mau amigo (comédia-drama, sátira a José Agostinho de Macedo); O frenesi das Senhoras; O Eunuco (farsa); Achemet e Rakima A parteira anatómica: farsa Palafox em Saragoça, ou, Batalha de 10 de agosto do anno de 1808: drama em tres actos. Os doudos, ou, O doudo por amor: farça A familia do Demerarista: drama em um acto Versos mandados imprimir em honra do illustrissimo e excellentissimo Lord Wellington Zulmira, drama heroico de dous actos Catharina imparatriz da Russia ou A Paz do Pruth. Drama em 3 actos O bom amigo ou o zeloso de si mesmo, drama em 2 actos Pedro Grande, ou A escrava de Mariamburgo na Russia As minas de Polonia ou A filha das montanhas. Drama em 3 actos Adelli, e Alfeno, ou A tirania castigada drama magico em 2 actos Camila no subterrâneo O deliquente sem culpa ou o patriota escossez drama em 2 actos A inimiga do seu sexo ou O cego de chorar comedia em 2 actos Manoel Mendes (farsa) Nova farsa intitulada A parteira anatómica A parteira anatómica farça reprezentada no Theatro Nacional de S. Pedro em Leiria no dia 8 de Julho de 1836 repetida no dia 31 de Julho de 1836 Verdadeiro auto de Santo António livrando seu pai do patibulo Zulmira
Referências Teófilo Braga, Historia do theatro portuguez. Lisboa, 1870, p. 79. Joaquim Mendes dos Remédios, História da literatura portuguêsa desde as origens até a atualidade. Lumen, Lisboa, 1921, p. 438.
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