A temporada de furacões no Atlântico de 2006 ou estação de furacões no Atlântico de 2006 ou ainda época de furacões no Atlântico de 2006 foi um evento anual do ciclo de formação de ciclones tropicais. A temporada foi incomum pelo fato de nenhum furacão ter atingido os Estados Unidos, a primeira vez desde a temporada de 2001. A temporada começou em 1 de junho de 2006 e terminou em 30 de novembro de 2006. Estas datas delimitam convencionalmente o período de cada ano quando a maioria dos ciclones tropical forma-se na bacia do Atlântico.
Um sistema, a tempestade tropical Zeta, da temporada de 2005, continuou ativo no começo de janeiro. Na história, até então, isto tinha ocorrido apenas uma vez. A tempestade tropical Alberto foi responsável por duas mortes indiretas quando o sistema atingiu a Flórida. O furacão Ernesto causou chuvas torrenciais no Haiti e matou 7 pessoas no país e também nos Estados Unidos diretamente. Quatro furacões formaram-se após Ernesto, incluindo os mais fortes da temporada, os furacões Gordon e Helene. Entretanto, nenhum ciclone tropical formou-se em outubro. Esta foi a primeira vez desde a temporada de 1994.
Seguindo a atividade intensa da temporada de 2005, os meteorologistas previram que a temporada de 2006 deveria ser muito ativa, embora não tanto quanto a da temporada de 2005. Entretanto, a formação rápida do El Niño, combinada com a grande presença de Calima, massas de ar do Saara carregados de poeira fina, sobre o Oceano Atlântico e também pela presença de uma área de alta pressão secundária, a chamada Anticiclone dos Açores que estava localizada sobre as Bermudas. Estes fatores contribuíram para a baixa atividade tropical e para que a temporada se encerrasse praticamente dois meses antes da data oficial.
Previsões para a temporada Previsões para a atividade de furacões são emitidas antes de cada temporada de furacões pelos grandes especialistas Philip J. Klotzbach, pelo Dr. William M. Gray e seus associados na Universidade do Estado do Colorado (UEC). Suas previsões são separadas àquelas feitas pela National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA).
A equipe de Klotzbach (liderada formalmente pelo Dr. Gray) definiu a média de números de tempestades formadas por temporada (definida entre 1950 e 2000) em 9,6 tempestades tropicais, 5,9 furacões e 2,3 grandes furacões (sistemas que igualam ou ultrapassam a intensidade de um furacão de categoria 3 na escala de furacões de Saffir-Simpson). Uma temporada normal, como definida pela NOAA, tem em média 9 a 12 tempestades tropicais, 5 a 7 furacões e 1 a 3 grandes furacões. +Previsões para a atividade tropical da temporada de 2006FonteDataTempestadesnomeadasfuracõesGrandesfuracõesUECMédia (1950–2000)9,65,92,3NOAAMédia6–144–81–3Máxima atividade28158Mínima atividade420UEC5 de dezembro de 20051795UEC4 de abril de 20061795NOAA22 de maio de 200613–168–104–6UEC31 de maio de 20061795UEC3 de agosto de 20061573NOAA8 de agosto de 200612–157–93–4UEC1 de setembro de 20061352UEC3 de outubro 20061162Atividade final 10 5 2
Previsões feitas antes da temporada Em 5 de Dezembro de 2005, a equipe de Klotzbach emitiu a sua primeira previsão para toda a temporada de 2006, prevendo uma temporada acima da média (17 tempestades tropicais, 9 furacões e 5 grandes furacões).
Semelhante à temporada de 2005, a equipe previu uma alta possibilidade de pelo menos um grande furacão atingir diretamente os Estados Unidos: a previsão indicava 81% de chance de pelo menos um grande furacão atingir os Estados Unidos continental, que incluía 64% de chance de pelo menos um grande furacão atingir a Costa Leste dos Estados Unidos, incluindo a Península da Flórida, e 47% de chance de pelo menos um grande furacão atingir a Costa do Golfo dos Estados Unidos. Além do mais, a possibilidade para atividade de grandes furacões no Caribe estava acima da média. Alguns meses depois, em 4 de Abril de 2006, A Universidade do Estado do Colorado emitiu outra previsão reafirmando a previsão feita em Dezembro.
Em 22 de Maio de 2006, a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) liberou a sua primeira previsão para a temporada de 2006. Eles previram 13 a 16 tempestades nomeadas, 8 a 10 furacões e 4 a 6 grandes furacões.
Em 31 de Maio de 2006, a equipe de Klotzbach emitiu sua última previsão para a temporada antes que ela começasse, novamente confirmando seus números.
Previsões feitas durante a temporada Em 3 de Agosto de 2006, a equipe de klotzbach abaixaram a sua estimativa para 15 tempestades nomeadas, 7 furacões e 3 grandes furacões. Eles observaram que as condições atmosféricas estavam menos favoráveis para a formação de ciclones tropicais do que eles tinham previsto anteriormente. A pressão atmosférica ao nível do mar e a atividade de ventos estavam acima do normal. Ao mesmo tempo, a temperatura da superfície do mar começava a diminuir.
Em 8 de Agosto de 2006, a NOAA também abaixaram a sua estimativa para 12 a 15 tempestades nomeadas, 7 a 9 furacões e 3 a 4 grandes furacões. Eles atribuíram a sua redução na estimativa devido às condições ambientais menos favoráveis, uma diminuição na intensidade da La Niña e a ausência de uma "área de alta pressão" sobre o leste dos Estados Unidos e sobre o noroeste no Oceano Atlântico.
Em 1 de Setembro, a equipe de Klotzbach abaixaram sua estimativa novamente para 13 tempestades nomeadas, 5 furacões e 2 grandes furacões, citando a grande quantidade de calima e a intensificação do El Niño no Oceano Pacífico. Eles novamente abaixaram sua estimativa em 3 de Outubro para 11 tempestades nomeadas, 6 furacões e 2 grandes furacões, citando o El Niño que já estava em andamento.
Resumo sazonal
Sistemas Tempestade tropical Zeta (2005)
A tempestade tropical Zeta formou-se em 30 de dezembro de 2005 e dissipou-se em 6 de Janeiro de 2006. Embora a maior parte de seu período de existência fosse em 2006, Zeta é oficialmente uma tempestade que faz parte da temporada de furacões no Atlântico de 2005, pois se formou naquele ano. Zeta foi o segundo ciclone tropical a existir em dois anos distintos; o outro foi o furacão Alice em 1954.
Tempestade tropical Alberto
Em 10 de Junho, uma área de distúrbios meteorológicos associada a uma grande área de baixa pressão próximo da costa de Belize organizou-se sobre as águas quentes do Mar do Caribe e tornou-se a primeira depressão da temporada. Ventos de cisalhamento do sudoeste esteve constante em praticamente toda a existência da tempestade, mas assim que o sistema se aproximava da Flórida, a depressão fortaleceu-se para uma tempestade tropical na manhã de 11 de Junho. Passando sobre as águas profundas e quentes da Corrente de Loop, parte da grande Corrente do Golfo, a tempestade rapidamente se intensificou e alcançou o pico de intensidade com ventos constantes de 115 km/h, ligeiramente abaixo da classificação de um furacão. Logo depois, a tempestade começo a se enfraquecer assim que começou a mover-se sobre as águas frias da plataforma continental norte-americana.
Alberto atingiu a costa da Flórida por volta do meio-dia, a cerca de 85 km a sudeste de Tallahassee, Flórida, com ventos constantes de aproximadamente 70 km/h. Alberto provocou uma maré de tempestade de 1,5 m na costa da Flórida, numa área conhecida como Big Bend, inundando áreas de Cedar Key e Cristal River. O grande sistema se enfraqueceu lentamente sobre a Geórgia e As Carolinas antes de ser "rebaixado" para uma depressão tropical no começo da madrugada de 14 de Junho. Alberto tornou-se um ciclone extratropical naquela manhã enquanto movia-se rapidamente para a costa. Como um ciclone extratropical, Alberto fortaleceu-se rapidamente próximo à costa na Nova Inglaterra e das Províncias Marítimas, Canadá, tornando-se uma tempestade oceânica na tarde de 15 de Junho. Os danos nos Estados Unidos causados por Alberto foram calculados em $565.000 dólares.
Tempestade tropical sem nome
Em análises pós-tempestade, uma tempestade tropical foi identificada a partir de uma área de baixa pressão extratropical produzida pelo mesmo sistema frontal que gerou a tempestade tropical Beryl na Corrente do Golfo em 17 de Julho, ao sul da Ilha Nantucket. O sistema tornou-se brevemente uma tempestade tropical antes de se tornar uma área de baixa pressão remanescente em 18 de Julho sobre o Canadá Atlântico com chuvas e vento. Nenhuma casualidade ou danos foi atribuído ao sistema. Se a tempestade tivesse sido descoberto operacionalmente, ele teria sido nomeado de Beryl. O sistema dissipou-se a nordeste de Cape Race, Terra Nova.
Tempestade tropical Beryl
Na metade do mês de Julho, uma frente fria moveu-se sobre a costa leste dos Estados Unidos e ficou estacionada. esta frente gerou várias áreas de baixa pressão. Devido à ausência de correntes de vento, a perturbação tropical mais ao sul do sistema frontal seguiu para o sul e gradualmente ficou mais bem organizado. neste momento, o sistema encontrava-se a algumas centenas de quilômetros a leste da costa da Carolina do Norte. Na manhã de 18 de Julho, esta área de baixa pressão foi classificada como sendo a segunda depressão tropical da temporada de 2006. Naquela tarde, a depressão foi classificada como sendo a tempestade tropical "Beryl".
Beryl continuou a se deslocar para o sul até 20 de julho, quando começo a seguir para nordeste. Beryl começou a mover-se paralelamente à Costa Leste dos Estados Unidos e atingiu a Ilha Nantucket antes de se tornar um ciclone extratropical a sudoeste de Nova Escócia em 21 de Julho.
Tempestade tropical Chris
Em 26 de julho, uma forte onda tropical formou-se próximo da costa ocidental da África e moveu-se lentamente para oeste. A onda tropical desenvolveu-se lentamente, principalmente devido às condições ambientais desfavoráveis e em 31 de julho, a onda tornou-se uma depressão tropical a cerca de 260 km a leste de Antígua e Barbuda. A depressão logo de fortaleceu e tornou-se a tempestade tropical Chris seis horas depois. Os meteorologistas no Centro Nacional de Furacões liberaram alguns modelos computadorizados, que diziam sobre a rápida dissipação de Chris prevista. A tempestade tropical Chris moveu-se para noroeste e se intensificou gradualmente, contrariando os modelos de previsão, alcançando o pico de intensidade em 2 de Agosto, com ventos constantes de 100 km/h, assim que Chris estava localizado a nordeste das Ilhas Virgens Americanas. Foi previsto então que a tempestade iria se fortalecer para um furacão assim que se aproximaria de Bahamas. Entretanto, Chris começou a ser afetado por ventos de cisalhamento e ficou desorganizado. A tempestade se enfraqueceu para uma depressão tropical em 4 de Agosto e se dissipou assim que se aproximava da costa de Cuba.
Em resposta a previsão de que Chris iria entrar no Golfo do México, o preço do petróleo cru subiu na New York Mercantile Exchange em Londres. O preço do gás natural subiu consideravelmente também no New York Mercantile Exchange em 2 de Agosto. A antecipação de uma ameaça de um possível furacão Chris em conjunção com a onda de calor são citados como razões para a subida dos preços. Em 2 de agosto, cerca de 600 turistas tiveram que deixar as ilhas de Vieques e Culebra assim que um aviso de tempestade tropical foi emitido. Navios de cruzeiros tiveram que se desviar de suas rotas originais devido à tempestade. Em Porto Rico, as chuvas torrenciais da tempestade transbordaram o Rio Fajardo. A enchente causada pelo rio fechou temporariamente uma auto-estrada no norte da ilha. A precipitação chegou a 50 mm em porções na ilha de Hispaniola, Turcas e Caicos, Bahamas e no leste de Cuba; em algumas áreas montanhosas destas ilhas, choveu mais de 100 mm.
Tempestade tropical Debby