miniatura|Septimânia em 537 Septimânia (em occitano Septimània, em Septimanie) é uma região histórica banhada pelo golfo de Leão que corresponde aproximadamente aos departamentos franceses de Gard, Hérault, Aude e da Catalunha do Norte, que depois de 747 se estendeu até ao Ebro. Em época romana, era a parte ocidental da província da Narbonense.
Período visigótico
O nome Septimânia começou a ser utilizado a partir da conquista visigótica em 462 e abrangia sete cidades episcopais: Narbona, Béziers, Agde, Maguelone, Lodève, Nîmes e Uzès, e, a partir do , também Elne, sendo possível que o nome derive deste facto. Outra possível origem do nome provém da cidade de Béziers, que no período romano se denominava Colonia Julia Septimanorum Baeterrae, aludindo ao estabelecimento de veteranos da Sétima Legião Romana na cidade.
Período islâmico
Durante a conquista muçulmana da Hispânia, o rei visigodo dissidente Ardão resistiu na Septimânia até 720: o ualia Al-Samh ibn Malik al-Khawlani dirigiu uma campanha contra a Septimânia, o último reduto visigótico, que caiu depois de a capital, Narbona, ter sido cercada, constituindo-se assim o valiado de Narbona. Contudo, os sarracenos foram vencidos pelos francos em 721, na batalha de Toulouse, pela primeira vez, e na batalha de Poitiers (732), de forma definitiva, iniciando-se assim a contraofensiva cristã liderada por Carlos Martel. Cinco anos mais tarde, Carlos empreendeu uma campanha contra a Septimânia para restabelecer o domínio sobre os territórios francos invadidos: cercou Avinhão e Narbona e derrotou os exércitos muçulmanos na batalha do Berre, mas regressou à França sem assumir o controlo da Septimânia.
Período franco
Após a morte de Carlos Martel, o seu filho Pepino, o Breve empreendeu a conquista definitiva da Septimânia em 752, no mesmo ano da sua coroação. Nîmes, Agde, Béziers e Maguelone renderam-se pacificamente, mas Narbona foi cercada e só caiu em 759. A Septimânia esteve, portanto, durante quarenta anos sob domínio islâmico; contudo, a Reconquista franca não parou aí, prosseguindo para sul, e assim foram conquistadas Girona em 785 e Barcelona em 801. Durante este período, refugiaram-se na Septimânia numerosos hispanos do sul dos Pirenéus que fugiam do domínio islâmico. Estabeleceram-se em vilas e colaboraram com os francos na reconquista das suas antigas terras, e os chefes de família dos seus dirigentes tornaram-se condes ao longo das gerações. Assim, tanto na época carolíngia como durante o Reino de Toledo, os contactos com a Tarraconense foram muito intensos, e foi deste modo que os contactos entre a Catalunha e a Occitânia perduraram até à Baixa Idade Média.
A partir da conquista carolíngia, o termo adquiriu maior importância, por se tratar de um novo território que nunca estivera sob domínio franco, passando então frequentemente a confundir-se com o território da Gótia, que, em sentido estrito, também incluía os territórios carolíngios a sul de Albères, e, por sua vez, estas entidades eram frequentemente consideradas parte do território conhecido como Marca Hispânica. Durante a época carolíngia, a Septimânia foi erigida em ducado e governada por condes (e duques) que geralmente eram os titulares dos diversos condados que a integravam: Uzès, Nîmes, Melgueil (Maguelone), Lodève, Agde, Béziers, Narbona, Carcassona, Razès, Conflent, Barcelona e Roussillon. Como estes condados eram geralmente governados por viscondes, muitos converteram-se em viscondados: Narbona, Béziers, Agde, Nîmes e, mais tarde, Carcassona. Os condes que governavam os condados fronteiriços da Septimânia eram também marqueses. Um dos duques mais importantes da Septimânia foi Bernardo de Septimânia, que acumulou um grande número de domínios por toda a Gótia, em ambos os lados dos Pirenéus, durante a primeira metade do .
Sobrevivência Dada a ausência de qualquer entidade política com validade jurídica que correspondesse à Septimânia, o termo caiu em desuso e, com o tempo, foi substituído pelo novo termo Languedoc, ao qual corresponde parcialmente.
Recentemente, o termo Septimânia foi proposto para designar a região francesa do Languedoc-Roussillon. Contudo, o governo regional teve de renunciar à alteração devido à rejeição que provocava na Catalunha do Norte, onde era considerado um termo que ignorava o caráter diferenciado desta zona em relação ao Languedoc dentro da região, pelo que a proposta fracassou.
Referências
Bibliografia
Categoria:Ducados de França Categoria:Regiões de França na Occitânia Categoria:Regiões históricas Categoria:Gótia Categoria:Subdivisões do Império Romano Categoria:Gália Narbonense