miniaturadaimagem|A bandeira genderqueer em Valência, escrita "o futuro não é binário" em castelhano alt=contém cores roxa, branca, amarela e preta|miniaturadaimagem|Bandeira da visibilidade não-binária miniaturadaimagem|Símbolo de gênero não-binário, proposto como alternativa aos símbolos masculino (♂) e feminino (♀), com um asterisco no lugar das seta e cruz Não-binariedade ou identidade não binária é um termo guarda-chuva para identidades de gênero que não são estritamente masculinas ou femininas, estando portanto fora do binário de gênero e da cisnormatividade. Academicamente, a não-binariedade costuma ser associada à inconformidade de gênero.
Dentro da sigla LGBTQIAPN+, a não binariedade é incluída na letra N, outras vezes no T, de transgênero, ou no sinal de mais (+).
Algumas identidades miniaturadaimagem|Uma bandeira do orgulho não-binário em um desfile em Paris dizendo "" () Pessoas não binárias podem classificar a sua identidade de gênero de várias maneiras, entre as quais:
Agênero (ausência total de gênero) Neutrois (identidade de gênero neutra) Bigênero (identidade de gênero dupla ou ambígua) Poligênero (identidade de gênero plural ou múltipla) Gênero-fluido (identidade de gênero fluida) Intergênero (identidade de gênero identificada como interligada a uma variação intersexo) Demigênero (identidade de gênero parcial) Trigênero (identidade de gênero tripla) Pangênero (identidade de gênero infinita)
Diferenças entre conceitos
A identidade de gênero não binária não tem qualquer correlação com alguém ser, ou não, intersexo.
O sexo biológico refere-se às características sexuais, primárias ou secundárias, sendo tipicamente identificado à nascença por médicos com base nos genitais independentemente da identidade de gênero que o bebê possa vir a ter. O sexo é classificado como endossexo (completamente masculino ou feminino), intersexo (entre o feminino e o masculino) ou altersexo (fora dessa dicotomia). Embora existam classificações mais alternativas, que tentam se desvencilhar das terminologias tradicionais, para não generizar o sexo entre "masculino" ou "feminino", levando em conta ductos de Müller e de Wolff, classificando pessoas em ovarianas, espermatogênicas, ovogênicas/ovulogênicas, predominantemente estrogênicas ou testosteronizadas/androgênicas, vulvarianas, testiculares, ovotesticulares (ou ambigonadais), microgaméticas e megagaméticas (ou macrogaméticas), que podem, ou não, ser intersexo.
A identidade de gênero é uma questão de autopercepção e não se prende com fatores externos. Uma pessoa pode ser cis ou transgênero. Sendo trans, pode identificar-se dentro do gênero binário (homenidade ou mulheridade) ou possuir uma identidade não-binária. Um estudo conduzido por The Trevor Project evidenciou que metade dos indivíduos não binários tem a transgeneridade como sua modalidade de gênero.
Expressão de gênero resulta de uma combinação entre comportamento social e maneirismos, com aparência (penteado, roupas…) interior ou exterior, e é geralmente encarada como feminina ou masculina. Considera-se que quem não exibe um alinhamento entre o que se considera feminino ou masculino é andrógino ou inconforme de gênero.
Terminologias
miniaturadaimagem|Bótons de pronomes de gênero de um festival de arte e tecnologia de 2016 Algumas pessoas não-binárias preferem utilizar pronomes neutros ou epicenos, em inglês são conhecidos o "they/them/their" singular, os neopronomes de Spivak, ‘‘E/Em/Eir’’, ou de Elverson, "ey/em/heir", ou outros criados na comunidade trans, como "ze/hir" ou ‘‘xe/xem/xyr" equivalentes, por exemplo, a elu/e, éli/i (inspirado no neopronome élle do espanhol) e ile/e propostos neolinguisticamente, em nosso idioma, enquanto há quem prefira os pronomes pessoais convencionais "ela" ou "ele", vistos que podem ser usados com uma concordância léxica mais simples. Muitos simpatizantes costumam usar terminações em "@" ou "x" (como el@s ou elxs), mas elas podem atrapalhar leitores de tela e outros tipos de software de acessibilidade. Há ainda pessoas não-binárias que preferem que sejam referidas por pronomes alternados, variando por exemplo entre "ele" e "ela" (chamados de rolling pronouns, ou ‘‘pronomes rotativos’’), outras preferem não usar nenhum pronome.
Muitas pessoas não binárias podem preferir o uso de uma linguagem neutra adicional para tratamento, tal como os títulos em inglês "Mx." ou "Mt." em vez de "Mr." ou "Ms." (e Mrs.), equivalentes a "Sre." e "Srte." (senhore ou senhorie e senhorite), versões neutras advindas de "sr(a)." e "srt(a)." (senhor/a ou v/s.a. de «vossa» senhoria), semelhantes também a dame e done, vindos de dama/damo e dom/dona. Fiuk, enquanto esteve no BBB21, disse uma vez preferir "senhore" a "senhor" ou "senhora".
Integrantes do movimento zapatista vêm empregando as sufixações de "oa" como, por exemplo, em otroa (outroa), unoa (umoa) e loa (o/a), especificamente para designar um gênero natural para pessoas não-binárias, em vez de apenas ser uma ambiguação de gênero.
Identidades O mito do andrógino, como uma classificação, vem de Platão através de o Simpósio, como uma categorização e, numa literal tradução, visando uma neolinguagem não sexista de gênero neutro ou epiceno: "macho", "fêmea" e "andrógine". O que ele referenciou nessas três categorias poderiam ser tanto sexualidades, orientações sexuais, identidades de gênero, sexo biológico (ou aspectos de sexo) e expressão de gênero na Era Contemporânea, pois não havia diferenciação dessas identidades, naqueles tempos. "Ginandromorfe" foi usado como um termo de gênero na década de 70. Deve-se notar que o ginandromorfismo não é observado na biologia como algo humano, mas sim animal. Porém a ginandromorfia pode ser obtida através da altersexualidade, numa espécie de transumanismo. Semelhante a androgynos, termo usado no judaísmo para se referir a variações corporais intersexo."[...] pois a natureza humana original não era como o presente, mas diferente. Os sexos não eram dois como são agora, mas originalmente três em número; havia homem, mulher e a união dos dois, tendo um nome correspondente a essa dupla natureza, que já existia de verdade, mas que agora está perdida, e a palavra "andrógino" é preservada apenas como um termo de censura[...]. Neste momento os sexos eram três, e como eu os descrevi; porque o sol, a lua e a terra são três; e o homem era originalmente o filho do sol, a mulher da terra e a mulher-homem da lua, que é composta de sol e terra. Terrível era sui poder e força, e os pensamentos de seus corações eram grandes!"Androginia, no que tange a expressão de gênero, diz respeito a mescla das masculinidades e feminilidades ou, ainda, das efeminações e masculinizações (ou feminilização e virilização). Ginandria também é uma possível palavra, usada na botânica pra um uma planta hermafrodita ou, mais especificamente, monoecia, chamada de bissexuada. Note que a conceptualização de orientação sexual só veio no , sendo a separação de sexo e gênero possível no com o conceito de transgênero, através do uso de Virginia Prince, uma travesti, que ajudou a popularizar o termo. Embora muitas vezes definida como uma ambiguidade ou ambivalência, ela não é uma dubiedade ou indefinição. A imaterialidade do gênero vem com o constructo dele.
Bigênero é identificação dupla, podendo ela ser estável ou fluida. Alguns indivíduos bigênero expressam duas identidades de gênero, distintas ou semelhantes, simultâneas ou não. Não é necessariamente dois gêneros inteiros, há também duplicidade de gênero. Demiagêneros, por exemplo, possuem um gênero parcialmente nulo ou ausente, dividindo sua identidade com agênero e outro gênero.
O gênero com que a pessoa gênero-fluido se identifica varia através do tempo: às vezes pode sentir-se cis, outras vezes trans binária, outras vezes trans não-binária, noutras identifica-se com vários gêneros, parcialmente, indefinidamente ou com nenhum. A velocidade com que o gênero muda varia de pessoa para pessoa, pode ser gradual, súbita, constantes, inconstantes, mensais, anuais ou diárias, podendo ser entre gêneros totalmente opostos. Além disso, gênero fluido não é uma mudança ou uma mistura de identidades, é uma identidade própria caracterizada pelas fluências de gênero, que não precisam necessariamente abranger todo o espectro de gênero.
O gênero-fluxo, chamado de genderflux, se refere a mudança na intensidade de uma identidade, mas não uma mudança na identidade em si, podendo passar por estados negativos, positivos, neutros, ambíguos, nulos e mistos. Noutras palavras, tem a ver com às vezes se identificar completamente com algum desses aspectos, num outro período parcialmente e noutro possuir total ausência, por exemplo.
Apesar de tenderem a confundir-se agênero com neutrois e de várias pessoas aplicarem a si mesmas ambos os termos, implicam coisas diferentes. Primeiro é uma identificação-própria, relativamente aos gêneros binários, enquanto que o segundo associa-se à negação de uma identificação, certas vezes chamada de desidentificação.
Alguém neutrois identifica-se como sendo neutro em gênero. Pode ser diferente de não ter gênero, independente se é um gênero estático ou fluido. Não confundir com o gênero gramatical neutro. Agênero (ou gênero nulo) significa "sem gênero", a pessoa não se identifica com nenhum gênero.
Há conceitualizações, de acordo com perspectivas de outras pessoas do meio, de que neutro seria um equilíbrio entre todo o espectro de gênero ou uma expressão de indiferença perante o gênero, como na matemática do plano cartesiano, onde neutro seria representado por 0 (zero) e agênero por ∅ (conjunto vazio), sendo ambos permutáveis, dependendo da situação. Mas, em relação ao balanceamento, existe a possibilidade de fluir, ou oscilar, entre gêneros positivos e negativos, sendo eles seu(s) gênero(s) absoluto(s) e oposto(s), o equilíbrio uma ambivalência de gênero. Já as interpretações sobre a nulidade de gênero variam de pessoa para pessoa, mas nas descrições comuns, dá-se que é a rejeição para com a binariedade de gênero. Os gêneros não neutros são chamados de saturados. Dentro do espectro agênero, encontram-se outras identidades, como libragênero e níxique, que indicam algum tipo de conexão ou alinhamento com outro gênero ou grupo de gêneros.
Demigênero ou semigênero implica uma conexão parcial em relação a um certo gênero, sendo um termo guarda-chuva que engloba, por exemplo, demiboy (semigaroto, semimenino, semiguri, demiguri, demimoço, semimoço, demi-homem, semi-homem, demimenino ou demigaroto, alguém que se identifica parcialmente com o gênero masculino) ou demigirl (semigarota, semimoça, demimoça, demimulher, semimulher, semiguria, demiguria, semimenina, demimenina ou demigarota, alguém que se identifica parcialmente com o gênero feminino).
Poligênero ou pangênero é a identificação com vários gêneros ou todos os gêneros, dentro de sua cultura, experiência de vida, condição natural ou biopsicossocial e variação de neurotipo, simultaneamente ou fluindo, podendo haver um fluxo na intensidade ou não. Poligênero pode ser uma identidade múltipla e plural de gênero, semelhante a plurigênero e multigênero, abrangendo também pangênero. Poligênero pode ser muitas vezes intercalado com multigeneridade e plurigeneridade, sendo plurigênero mais especificamente uma experiência simultânea. Pangênero foi primariamente identificado como posse de todos os gêneros, sem levar em consideração os lugares de fala de alguém.
Também chamada de maveriquinidade, veriquinidade e maverinidade, é uma identidade de gênero caracterizada pela autonomia e independência perante o gênero masculino e feminino, tendo a convicção interior de que não seja relacionado a ou derivado de nenhum dos dois gêneros binários, também não sendo uma ausência de gênero ou apatia para com ele ao mesmo tempo que também não é um gênero neutro. O gênero também é descrito como inortodoxo e fora do convencional, sendo um subtipo de aporagênero.