Gavião é a denominação dada em português a vários grupos indígenas do Brasil. Estes grupos são reconhecidos por compor diferentes grupos linguísticos, como o Jê-timbira e Tupi-mondé ou Tupi antigo, porém, são constantemente generalizados e categorizados como um único povo, chamado "Gaviões". Ignorando que apresentem culturas e idiossincrasias próprias. Em expedições da primeira metade do século XX, foram estudados e qualificados de gaviões "ocidentais", "do oeste" ou "da mata" pelo grande antropólogo alemão, Curt Nimuendajú. Entretanto, atualmente, são reconhecidos com mais distinção. No sentido de que os nomes utilizados cientificamente, passaram por rebatismo, em nome da representatividade local. Deixando os nomes genéricos e de marca estrangeira para trás. Preterindo-se pelas autodenominações, nomes escolhidos pelo próprio povo em si. Entretanto, a serviço de facilitar o entendimento, vamos operar ambos os termos. Dentre os grupos estão:

Gavião-Parkatêjê miniaturadaimagem|Jovem Indígena Parkatêjê sorrindo para a câmera miniaturadaimagem|245x245px|Líder diplomata KrohokrenhumO O grupo gavião do oeste (ou gavião da montanha, ou gavião-Parkatêjê) fala dialetos da língua timbira. Esse grupo vive na Terra Indígena Mãe Maria, localizada no município de Bom Jesus do Tocantins, no sudeste do Estado do Pará. Distribuindo-se e subdivindo-se, no início do século XX, em três unidades locais autodenominadas conforme a posição que ocupavam na bacia do rio Tocantins. Sendo conhecidos então: kyikatejê-gavião, paracatejê-gavião e akrãtikatêjê-gavião. Respectivamente, kyikatejê significa "povo do montante", paracatejê significa "povo do jusante", e akrãtikatêjê é "turma da montanha". Embora, desde 1976, todas estejam reunidas sob a "Comunidade Indígena Parkatêjê", ainda permanecem caracteres de sua distinção social.

Localidade Desde o século XIX e o começo do seguinte, ocupavam as cabeceiras dos rios Jacundá e Moju, onde tiveram suas primeiras e grandes aldeias. Entrentanto, sendo posteriormente levados para dentre os Igarapés flecheiras e Jacundá, devido ao fato de serem obrigados a se interiorizar mata a dentro no território nacional, para fugir das consequências ambientais do extrativismo vegetal (caucho, óleo de copaíba e castanha-do-pará) e da ampliação da cidade de Marabá, contando com a rodovia PA-70 (atualmente trecho da BR-222), de 1967, que liga a cidade à rodovia Brasília-Belém, além da famosa Rodovia Transamazônica, também de 1967. Em 1977, o limite sudoeste da Terra Indígena foi tocado pela construção de uma outra rodovia, a PA-150, que parte de Morada Nova — km 12 da PA-70 — em direção a Castanhal, município já próximo a Belém. E Mais tarde, a terra indígena foi ainda cortada pela linha de transmissão da Eletronorte, originada na Usina Hidroelétrica de Tucuruí, e, em 1982, pela Estrada de Ferro Carajás.

Linguagem e cultura Sua língua timbira foi preservada ao contato com o estrangeiro, principalmente em nome das ocasiões ritualísticas, cantos e discurso. Apesar disso, a partir de 1981, com maior troca cultural com outros segmentos da sociedade e o funcionamento da escola sistema do posto FUNAI, ocorre a entrada do uso cotidiano do português. Sua cultura cultua o ciclo agrícola e a transição social dos membros da comunidade. Dentre seus principais rituais e tradições estão: 1 - "Takaha" que se baseia numa corrida de toras a qual homens e mulheres competem a fim de demonstrar sua virilidade física e solidariedade coletiva. 2 - "Amji jin" ou festa do milho e da mandioca que festejam o ano novo timbira e a fertilidade. 3 - Uso de máscaras de palha de buriti em suas cerimônias para simbolizar ancestrais espirituais e criaturas da floresta. 4 - A participação ativas das mulheres na produção econômica e liderança para subsistência do povo.

Questões socieconômicas e políticas

A aldeia principal, Kaikoturé, foi erguida somente em 1984, após uma fase de relativa "pacificação" diplomática com o estrangeiro. Tendo essa fase ocorrida nos anos 70, a qual perderam 70% de sua população para ação violenta dos grupos extrativistas e da população da sociedade nacional localizada naquelas redondezas.

Uma das maiores figuras políticas e representativas da história do povo Parkatêjê foi Krohokrenhum que lutou pelos direitos políticos do povo contra a ameaça dos castanheiros, representantes da Eletronorte e CVRD e grupos agropecuários que buscavam explorar a região, além de negociar indenizações públicas por parte do ministério do interior pela evasão territorial, perdas humanas. alt=Escola de samba da Gavioes da Fiel homenageando o passado nativo do Brasil e sua organização|miniaturadaimagem|313x313px|Escola de samba da Gavioes da Fiel homenageando o passado nativo do Brasil e sua organização

Inspiração multicultural para a sociedade brasileira Seus nomes (gaviões-Parkatêjê) foram bastante circulados pela mídia nacional entre as décadas de 60 e 70, segundo sua relevância política e social em participação nos protestos, negociações públicas, os quais foram disseminadas em rede nacional. Apareciam frequentemente em noticiários, que atualizavam a expansão rumo a fronteira verde e norte, os quais denunciavam as violências acometidas contra os povos locais. Tais divulgações causaram enorme impacto social e despertaram a solidariedade da sociedade brasileira. Inclusive, em São Paulo e por todo o Brasil, sendo homenageados pela torcida do clube Sport Club Corinthians Paulista e de sua organizada chamada Gaviões da Fiel, a qual, na escolha de seu nome original e de batismo em meio ao processo de organização e fundação de sua torcida organizada em 1969, optou pelo nome de Gaviões. Com base na causa dos indígenas gaviões-Parkatêjê, sendo então reconhecidos até os dias atuais por esse nome: Gaviões da Fiel.

Pykopjê-Gavião O grupo pucobié-gavião ou pykopjê-gavião fala um dialeto da língua timbira e vivia na Terra Indígena Governador, no Maranhão, na microrregião de Imperatriz. Foram chamados de gaviões do leste ou Iromcatejê pelos seus vizinhos nativos, Kritaci. Sendo que na atualidade estão com poucos remanescentes (577 habitantes), residentes em três aldeias: Riachinho, Governador e Rubiácea.

Problemas habitacionais e adaptações Decréscimo populacional acentuado do final do século XIX até a década de 1960, efetuado pelo agressivo impacto da expansão das frentes pastoril e agrícola (dados contabilizados por Curt Nimuendajú, mostram números de 1600 pessoas antes de 1929). Com pequena subida abrupta de crescimento populacional, na década de 70, devido à maior participação e assistência médica da FUNAI e seu posto de segurança.

A FUNAI finalmente pôde definir os limites territoriais dos povos pucobié-gavião a partir do ano de 1982, apesar da decisão ser efetuada em 77, pôde apenas homologar em 82. Impedindo com que houvesse expropriação por fazendeiros do sul da Bahia, Minas Gerais e São Paulo. E mais recentemente, nos anos 2000, enviaram súmulas para a União, reivindicando o pagamento de débitos pelos danos à suas vidas pela negligência pública.

Cultura e modos de vida Seu modo de vida está fortemente ligado ao tempo e a mudança das estações: da seca e a chuvosa. Além da sequência de climas de "ta'ti" ou inverno e o "amcró" ou verão. Tendo a estação seca reservada para a iniciação de jovens na vida adulta e a chuvosa dedicada a rituais do ciclo anual. Comemoram também a festa do peixe, à entrega da dignidade/assunção (menino ou menina para com indivíduo da aldeia do sexo oposto), do ciclo vital do indivíduo e seu período de latência para casar-se. Sempre com a presença de um cantador (incrercatê) e de provisões cedidos por outros membros.

Gavião-Ikolen O grupo gavião de Rondônia ou Ikolen (que significa literalmente gavião) fala língua Tupi Mondé integrante do tronco tupi e vivendo o estado de Rondônia, mais especificamente na bacia do Igarapé Lourdes e afluentes do rio Machado, perto da cidade de Ji-Paraná, e por fim, próximo à divisa com Mato Grosso. Assim, dando nome a sua terra: Terra Indígena Igarapé Lourdes. Até o início dos anos 40, ocupavam regiões do rio branco, na bacia do rio Aripuanã, porém foram expulsos por ataques de tribos rivais (Paiter e Cinta-Larga), ademais, os ataques de estrangeiros agropecuários, borracheiros (ciclo da borracha de 40) e madereiros (nos anos 70). Fugindo, assim, para sua localização atual na Serra da Providência. alt=Apresentação com instrumentos Mawaca do povo Ikolen|miniaturadaimagem|374x374px|Apresentação com instrumentos Mawaca do povo IkolenRealizam fortes laços sociais de inter-relações e intercasamentos com tribos aliadas como os Zoró e os Karo. Aldearam-se em seis domínios: Igarapé Lourdes, Ikolen, Cacoal, Nova Esperança, Castanheira e Ingazeira. Contando com uma população bastante juvenil pela alta taxa de mortandade e baixa expectativa de vida pelos perigos com o contato com não-indígenas, desde a década de 40. Além de sofrerem com diversas epidemias trazidas por estrangeiros: gripe, sarampo, malária e pneumonia.

Intervenções estrangeiras Tiveram intervenções em seu modo de viver com a vinda de missionários da Missão Novas Tribos do Brasil em 1965 que tentaram envagelizar seus membros. E em 1964, contou com a vinda do Serviço de Proteção aos Índios (SPI) para realdeamento forçado. Mais tarde, resistiram ao Programa de Integração Nacional (PIN) do Governo federal e a construção da rodovia BR-364 que justificavam um maior aprofundamento da ocupação estrangeira das terras em quesito de produzir maior economia e coligação territorial. Na década de 1980, o Programa Integrado de Desenvolvimento do Noroeste do Brasil (Polonoroeste), que era investido pelo Banco Mundial e o Governo brasileiro, acirrou os conflitos políticos e causou inúmeras mortes. Para corrigir o "erro", entre 1991 e 2001, o Banco mundial produziu o Plano Agropecuário e Florestal de Rondônia (Planaforo) o qual delimitava as terras indígenas propriamente, dava saúde e educação às populações locais e projetava desenvolvimentos de planos futuros com a comunidade.

Cultura e hábitos alt=Cacique Catarino, líder religioso dos Ikolen|miniaturadaimagem|414x414px|Cacique Catarino, líder religioso dos IkolenEm sua cultura, o artesanato é extremamente tradicional; o casamento é matrilocal, ou seja, o casal e a criança nascida dessa união pertence à ambas as famílias de parentes. Porém, ao contrário da cultura ocidental, passam a maior parte do tempo inicial da gestação e criação na casa dos parentes da mulher e posteriormente do homem. No fenômeno religioso, o xamanismo é predominante, lutando contra as tentativas de bloqueio da tradição pelos missionários ou grupos da FUNAI; conta com "encontros de pajés" nos dias de "jogos indígenas" no dia do Índio (marca da miscigenação cultural com o estrangeiro); culto ao semi-deus "Gora", responsável pela criação da natureza e por ser a divindade reinante sobre os espíritos da natureza ou "Gonjan-ei", os donos das coisas.

Gavião-Anajé O grupo Gaviões-boa-vista ou Anajé que significa Gavião de Rapina em tupi antigo atualmente, fala o português, mas estão reaprendendo a língua Tupi e vive junto a outros grupos indígenas no complexo étnico da Serra das Matas, no estado do Ceará, no município de Monsenhor Tabosa. Descendentes dos gaviões-Parkatêjê, contando com pouquíssimos membros, apenas 56, e atualmente apresentam-se poucas informações a seu respeito.

Ligações externas Acervo Etnográfico Museu do Índio - Gaviões Povos indígenas sobreviventes Gavião Parkatêjê Ikolen

Categoria:Timbiras