thumb|280x280px|Percursos de ciclones tropicais do Atlântico Sul nomeados desde 2004 Ciclones do Atlântico Sul refere-se aos ciclones tropicais, subtropicais ou extratropicais que se formam no sul do Oceano Atlântico. Ciclones tropicais são extremamente raros nesta região do planeta, pois há fortes ventos de cisalhamento (que impedem a formação destes fenômenos) e há ausência de perturbações tropicais ou de uma zona de convergência intertropical.
Na era dos satélites geoestacionários, foram registrados apenas cinco ciclones tropicais que tiveram força equivalente a uma depressão tropical ou mais nesta região, embora haja controvérsias, principalmente por partes dos meteorologistas brasileiros, quanto a suas naturezas tropicais. Como em outras partes do Hemisfério Sul, se um ciclone tropical se formar no sul do Atlântico, provavelmente será entre dezembro e maio, período no qual as águas do Oceano Atlântico ficam quentes nesta região. Ciclones subtropicais e extratropicais são comuns no Atlântico Sul e dezenas deles foram registrados na região nos últimos anos, incluído a Tempestade subtropical Yakecan, a decima-sexta a ser nomeada depois do furacão Catarina em 2004.
Nomeação Em março de 2023 a Marinha do Brasil divulgou uma nova lista de nomes para nomear ciclones subtropicais ou tropicais que se formassem ou entrassem na METAREA V. A relação, com 32 nomes em tupi-guarani, entrou em vigor em 1.º de março e foi publicada em portaria do Ministério da Defesa e da Diretoria de Hidrografia e Navegação. A escolha dos nomes foi feita em conjunto com o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a Força Aérea Brasileira, o CPTEC (Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos) e o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Os ciclones extratropicais não recebem nome nesta região do planeta, ao contrário do que acontece na Europa, mas muitos deles têm impactos severos na região, como o de junho e o de setembro de 2023.
Nomes Akará (Espécie de peixe)Reri (Ostra)Juru (Foz)Biguá (Ave marinha)Sumé (Deus da agricultura)Katu (Bondade)Caiobá (Habitante da mata)Tupã (Deus do trovão)Murici (Arbusto do cerrado)Endy (Luz do fogo)Upaba (Lagoa)Oryba (Felicidade)Guarani (Guerreiro)Ybatinga (NuvemPeri (Planta d'água)Iguaçú (Rio grande)Aratu (Caranguejo)Reia (Realeza)Jaci (Lua)Buri (Palmeira)Samburá (Cesto indígena)Kaeté (Mata virgem)Caiçara (Cerca)Taubaté (Pedras altas)Maracá (Instrumento indígena)Esapé (Iluminar)Uruana (Tartaruga do mar)Okanga (Madeira)Guaí (Pássaro)Ytu (Cachoeira)Poti (Camarão)Itã (Concha)
Em dezembro de 2026 o Centro de Hidrografia da Marinha do Brasil deixará de monitorar ciclones tropicais e subtropicais na METAREA V por determinação da Organização Meteorológica Mundial. Em seu lugar, a entidade escolhida é o Departamento de Controle Aeroespacial da Força Aérea Brasileira e pela primeira vez as medições serão padronizadas com os registros de outras bacias, além de ter uma própria "Tropical Cyclone Advisory Center" ou TCAC. Entretanto os nomes dos ciclones que alcancem no mínimo 65 km/h ou 35 nós continuarão com os nomes pré-definidos pela Marinha até uma nova reunião. Com este fato, os boletins de ciclones serão feitos a cada 3 horas e institutos de meteorologia da Argentina e do Uruguai também deverão repassar dados ao DECEA pois as bacias dos 2 países também foram inclusas no monitoramento. https://www.icao.int/ru/filebrowser/download/42026?fid=42026
Tempestades tropicais conhecidas
Tempestade tropical de Angola em 1991
Em 10 de abril de 1991, um sistema de baixa pressão formou-se ao largo da costa de Angola, evoluindo para uma depressão tropical no dia 11. Na manhã de 12 de abril, o ciclone intensificou-se para uma tempestade tropical, atingindo sua intensidade máxima no dia 13. No dia 15, enfraqueceu para uma depressão tropical, que eventualmente se dissipou, tornando-se uma baixa remanescente, no dia 16 de abril de 1991.
Esta tempestade tropical deslocou-se geralmente de leste para oeste em uma trajetória em forma de U e é o único ciclone tropical registrado na era dos satélites no Atlântico Sudeste.
Tempestade tropical Samba
Uma pequena área de convecção formou-se em Janeiro de 2004, próximo à costa da Bahia, Brasil. Este sistema se organizou e tornou-se uma depressão tropical em 18 de Janeiro, A depressão moveu-se para oeste atingindo a costa da Bahia, perto de Salvador, ainda bem organizado em 20 de Janeiro e dissipou-se logo em seguida. O ciclone foi apelidado de Samba por pesquisadores que analisaram o sistema. Esta foi a primeira vez que dois ciclones tropicais no Atlântico sul formaram-se no mesmo ano, fazendo um princípio da temporada de furacões no Atlântico sul de 2003-04. Os meteorologistas brasileiros consideraram o sistema apenas como um vórtice de baixos níveis, sem características tropicais, embora visivelmente, por meio de imagens de satélite, que as áreas de convecção preenchiam todo o centro da tempestade. O sistema causou chuvas intensas, que causaram inundações e deslizamentos de terra, além de ventos constantes de 55 km/h em Salvador.
Furacão Catarina
Em Março de 2004, um ciclone tropical extraordinariamente raro formou-se próximo à costa de Santa Catarina, Brasil. Este ciclone tropical atingiu a costa de Santa Catarina em 28 de Março com força equivalente a um furacão de categoria 2 na Escala de furacões de Saffir-Simpson.
Tempestade tropical Anita
O sistema internacional de monitoramento de ciclones tropicais da Marinha dos Estados Unidos classificou, o ciclone na costa catarinense e gaúcha. A tempestade no mar respondeu pelo código Invest90Q pela Marinha norte-americana e Invest90L pelo NOAA. Há quatro anos, nenhum ciclone recebia classificação Invest na costa do Sul do Brasil. Do ponto de vista científico e de previsão, a grande notícia é que com a classificação, os olhos do mundo se voltam para este sistema na nossa costa e passa a surgir uma enormidade de dados indisponíveis antes e em tempo real. O ciclone enquadra-se como tropical ou que seria melhor, no nosso entendimento, como uma Tempestade tropical (ciclone tropical) e que chegou a formar um olho nas imagens de satélite, o que é absolutamente incomum nos ciclones que atuam em nosso litoral.
De acordo com o Serviço Norte Americano de monitoramento de furacões com a velocidade que o ciclone atingiu durante a madrugada ele pode ser classificado como Tempestade Tropical. De acordo com o Instituto quando a força dos ventos atinge velocidade entre 34 e 63 nós o fenômeno passa a receber essa classificação. E de acordo com o monitoramento da NOAA o fenômeno tem força de 50 nós, ou seja, 85 km/h.
Tempestade tropical Iba
Uma depressão tropical se formou durante uma monção em 23 de março de 2019, na costa da Bahia. No dia 24 de março, a depressão ganhou força e se tornou uma Tempestade Tropical, nomeada "Iba" pelo Centro de Hidrografia da Marinha do Brasil. Nesta data os ventos máximos eram de 35 nós (~ 65 km/h) e a pressão central estimada em 1 008 hpa. No dia 27 de março, a tempestade perdeu força e foi reclassificada novamente como depressão tropical. Em 28 de março, o fenômeno perdeu as suas características de ciclone tropical e se transformou em um centro de baixa pressão comum em alto-mar.
Tempestade tropical 01Q
Tempestade Tropical Akará
Em 16 de fevereiro de 2024, o CHM informou em sua carta sinótica a formação de uma depressão subtropical na costa do Rio de Janeiro.https://www.marinha.mil.br/chm/dados-do-smm-avisos-de-mau-tempo Entretanto, dois dias depois, o ciclone adquiriu características tropicais na costa por conta de cisalhamento do vento e águas mais quentes. O único registro catalogado de ciclone tropical registrdo na costa do Sul do Brasil, foi a do furacão Catarina vinte anos atrás. Na madrugada de 19 de fevereiro, segundo carta sinótica da Marinha do Brasil, o ciclone evoluiu para tempestade tropical, recebendo assim, o nome Akará.https://www.marinha.mil.br/chm/dados-do-smm-cartas-sinoticas/cartas-sinoticas?field_data_value[value][day]=19&field_data_value[value][month]=2&field_data_value[value][year]=2024&field_horario_value=00HMG
Tempestades subtropicais conhecidas
Tempestade subtropical de janeiro de 2009
Tempestade subtropical Arani
Tempestade subtropical Bapo
Tempestade subtropical Cari
Tempestade subtropical Deni
Tempestade subtropical Eçaí
Tempestade subtropical Guará
Tempestade subtropical Jaguar
Tempestade subtropical Kurumí
Tempestade subtropical Mani
Tempestade subtropical Oquira
Tempestade subtropical Potira
Tempestade subtropical Raoni (Invest N1)
Tempestade Subtropical Ubá
Segundo a Marinha do Brasil, na costa do Sul do Brasil uma área de baixa pressão deu origem a uma depressão subtropical no dia 10 de dezembro. Na manhã do mesmo dia a depressão evoluiu para uma tempestade subtropical e assim, recebeu o nome "Ubá".
No dia 11, a Metsul reportou que o Ubá era "um dos maiores ciclones no planeta no final desta semana".
Foi a décima-quinta tormenta a se formar depois do furacão catarina em 2004.
Tempestade Subtropical Yakecan
Tempestade Subtropical Biguá
Os estragos da tormenta foram grandes e, apesar de não ter deixado mortes, após sua passagem visualizou-se que, no total, 230 mil pessoas ficaram sem luz. Em geral, foi uma tempestade com poucas chuvas, porém ao longo de cidades como Arroio Grande (sudeste do RS) houve chuvas que levaram a alagamentos, além de acumulados em 24 horas em algumas cidades, terem chegado a casa dos 80 milímetros.
Tempestade Subtropical Caiobá
O Centro de Hidrografia da Marinha do Brasil informou em seu site sobre a formação de uma nova depressão subtropical na tarde de 1 de março de 2026, e junto com a depressão subtropical 01Q, os sistemas coexistiram na Metarea V sendo algo inédito para as medições. A tendência era que nas próximas horas após sua formação ele evolísse para tempestade subtropical caso alcançasse 35 nós (65 km/h) de ventos sustentados. https://www.climatempo.com.br/noticia/ciclone/possibilidade-de-ciclone-subtropical-na-costa-do-sudeste O sistema conseguiu este feito um dia depois, na manhã de 2 de março de 2026.https://metsul.com/caioba-se-forma-na-costa-do-brasil-ciclone-e-primeiro-atipico-desde-2024/
Tempestades extratropicais conhecidas
Ciclone extratropical no Sul do Brasil em julho de 2020 miniaturadaimagem|O ciclone-bomba em 1.º de julho
O ciclone bomba no Sul do Brasil foi uma ciclogênese explosiva que atingiu os estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná entre 30 de junho e 1.º de julho de 2020. Ele começou como um centro de baixa pressão, que depois de avançar pelo Norte da Argentina, Uruguai e Rio Grande do Sul, se transformou num ciclone-bomba no Oceano Atlântico.
Ele foi classificado como um ciclone extratropical e segundo a Metsul, "foi o mais grave episódio de vento a atingir o Sul do país já documentado e teve saldo mais grave que o furacão Catarina".
Ciclone extratropical no sul do Brasil em junho de 2023
thumb|Ciclone na tarde de 16 de junho, com seu centro bem visível
Na manhã de 15 de junho o INMET emitiu um alerta laranja, de perigo, para chuvas intensas que poderiam chegar a 100 milímetros (mm) em 24h com ventos de até 100 km/h para áreas do Rio Grande do Sul (RS)e Santa Catarina (SC). À tarde, este alerta foi elevado para vermelho, de grande perigo, sendo que o "acumulado de chuva pode superar os 100 milímetros (mm) em 24h, com ventos". O portal especializado Metsul chamava a situação de "perigosa".
Na noite de 15 de junho a sistema começou a se formar, causando chuvas intensas e ventania em toda região nordeste do Rio Grande do Sul e em algumas cidades mais a sudeste de Santa Catarina. Segundo o INMET, até o início da manhã do dia 16 havia chovido 206,2 mm em Teutônia, no RS, e ventos de 112 km/h em Bom Jardim da Serra (SC) e de 102 em Tramandaí (RS) haviam sido registrados.