miniaturadaimagem|Urna funerária pertencente a Cultura Marajoara encontrada na ilha do Marajó, Brasil

, em arqueologia, é qualquer objeto feito ou modificado por seres humanos. Esses objetos fornecem, através de pesquisas e análises arqueológicas, diversas informações sobre as sociedades humanas a qual pertenceram ou pertencem, indo desde características de sua tecnologia a aspectos de suas culturas. Um conjunto de artefatos forma uma cultura arqueológica ou cultura material.

Caraterização miniaturadaimagem|Artefatos militares soviéticos e alemães-orientais à venda em um antiquário. Os artefatos podem possuir diversas formas e tamanhos, além das mais variadas funções, sendo necessário um cuidado minucioso dos profissionais de arqueologia para não os confundir com os ecofatos. Os ecofatos ou biofatos são quaisquer materiais orgânicos que não sofreram alterações tecnológicas humanas encontrados em sítios arqueológicos, podendo ser originário da flora ou da fauna. Alguns exemplos são ossos de animais, sementes de plantas, insetos, moluscos, raízes, pólen, entre outros. Mesmo que não tenham sido modificados por seres humanos, o estudo desses materiais em conjunto com o estudo dos artefatos pode contribuir bastante para a pesquisa arqueológica.

Os artefatos podem incluir, mas não se limitar:

As ferramentas líticas, conhecidas também como ferramentas de pedra; As ruínas de construções; As peças cerâmicas, como as urnas funerárias e vasos; As ferramentas talhadas em ossos; Os itens de adorno pessoal, como as joias e peças de vestuário; Os monumentos megalíticos; Os documentos escritos; A Arte Rupestre, representada por pinturas e gravuras; Os objetos feitos à base de metais, como armas de fogo, facas, moedas, armaduras, talheres, entre outros; As peças de cerâmica; As estátuas e estatuetas; As obras de arte; As construções como casas, castelos, templos, muralhas, barragens, pontes, entre outras; Veículos de transporte. Vale ressaltar que os artefatos nem sempre serão um objeto individual, eles também podem ser um conjunto de objetos. São exemplos dessa categoria as cidades e a própria paisagem, que é constantemente modificada e ressignificada pelos seres humanos. Além disso os artefatos estudados pela arqueologia não precisam ser necessariamente relacionados as civilizações do passado, mesmo que esse seja o foco da maioria de suas pesquisas, a arqueologia também estuda a cultura material das civilizações do presente, ou seja, da sociedade moderna.

Os artefatos são encontrados em locais denominados de sítios arqueológicos, e podem vir de qualquer contexto arqueológico ou fonte, tais como:

Sepultamentos; Sambaquis; Naufrágios; Obras de construção; Cavernas; Abrigos sob rocha; Locais de pouso prolongado ou aldeamento Para os profissionais de arqueologia os artefatos possuem uma importância extrema, sendo eles um dos principais focos da pesquisa arqueológica, pois são a representação material do comportamento humano socialmente padronizado. Estes podem ser classificados em duas categorias inicialmente: os instrumentos/ferramentas (facas, agulhas, rolamentos, entre outros) e as facilidades (roupas, adornos, abrigos, potes, entre outros).

O arqueólogo Lewis Binford propôs uma divisão dos artefatos em três classes com funções econômicas, sociais e ideológicas. Os “tecnômicos”, usados diretamente em interações com o ambiente físico, os “sociotécnicos” que possuem uma função social simbólica e “ideotécnicos” que estão relacionados com as ideologias sociais. Seguindo essa linha de raciocínio um machado seria um artefato tecnômico, pois é utilizado para interagir com o meio ambiente ao extrair madeira, a coroa de um monarca é um artefato sociotécnico pois simboliza uma posição social e seu poder politico, e uma estatueta religiosa seria um artefato ideotécnico por representar a ideologia de uma doutrina.

A forma como o artefato encontrado em um sítio arqueológico vai ser analisado e estudado dentro de uma investigação arqueológica vai depender do tipo do artefato em questão. Os matérias líticos exigem uma analise com metodologias de pesquisa próprias, bem como as louças, a arte rupestre, a cerâmica, os monumentos e as ruinas. Essas metodologias podem ser adaptadas para melhor atender à necessidade investigativa da pesquisa em desenvolvida. O estudo arqueológico funciona em uma perspectiva interdisciplinar, contando com conhecimentos e metodologias de pesquisas de diversas áreas da ciência, que são aplicadas desde os trabalhos realizados em campo, na escavação arqueológica, até a investigação feita dentro dos laboratórios.

Artefatos líticos miniaturadaimagem|Pontas de seta lascadas pertencentes à Tradição Umbu Um artefato lítico ou ferramenta de pedra]], é no sentido mais geral, qualquer ferramenta feita parcial ou totalmente utilizando pedra como matéria-prima. Embora sociedades e culturas dependentes de ferramentas de pedra ainda existam na atualidade, a maioria das ferramentas de pedra está associada a culturas pré-históricas (particularmente da Idade da Pedra ) que foram extintas. Os arqueólogos frequentemente estudam essas sociedades pré-históricas e se referem ao estudo de ferramentas de pedra como análise lítica. A etnoarqueologia tem sido um campo de pesquisa valioso para aprofundar a compreensão e as implicações culturais do uso e fabricação de ferramentas de pedra.

A pedra foi usada para fazer uma grande variedade de diferentes ferramentas em toda a história, incluindo pontas de seta, pontas de lança e moinhos. A maioria das ferramentas foram feitas para ajudar na sobrevivência e colheita de materiais. A mais antiga ferramenta de pedra registrada foi encontrada na Turquia, revelando que os seres humanos passaram pela portal da Ásia para a Europa muito antes do que se pensava anteriormente, há cerca de 1,2 milhões de anos.

Artefatos cerâmicos miniaturadaimagem|Cerâmica Tupi-Guarani. Peças do acervo do Museu da UFRGS A cerâmica existe desde as mais antigas épocas, sendo parte da humanidade desde o início. A palavra vem do grego "keramiké", derivado de "keramos" que significa "argila queimada".Hans Thurnauer: "Ceramics"; in: "Dielectric Materials and Applications", edited by A. R. von Hippel, published jointly by The Technology Press of M.I.T. and John Wiley & Sons, 1954Callister, Jr William D. Ciência e Engenharia de Materiais: Uma Introdução. 5ª edição, 2002, pp 266) A cerâmica é a técnica de manufatura mais antiga da história, tendo o resultado de uma mistura de barro com água, que depois de moldada é endurecida no fogo, acompanhando a história do homem, mostrando registros sobre civilizações e culturas que existiram milhares de anos antes. Nas tumbas de faraós egípcios foram encontrados vários vasos cerâmicos, na China antiga aparecem estátuas de guerreiros.

Os artefatos cerâmicos são encontrados com frequência no contexto arqueológico dos sítios e passaram a caracterizar as técnicas de compreensão das dimensões culturais das sociedades do passado. As cerâmicas são referências arqueológicas de conteúdo socioeconômico que podem ser utilizadas para distinguir culturas e como identificador de grupos étnicos.Santos, A. G. ; Silva, J. C. . História Escrita na Cerâmica Arqueológica. 2012. (Apresentação de Trabalho/Comunicação).

Embora restos de rocha e materiais cerâmicos possam ser comparados etnograficamente e arqueologicamente em termos de propriedades, classificação, continuidade e variabilidade, é difícil encontrar comparações arqueológicas para produtos de penas, fibras vegetais, tecidos e outros materiais orgânicos. Mas todas essas coisas fazem parte da experiência humana, e estudá-las ajuda a entender a relação entre o homem e a matéria.

Os estudos cerâmicos apresentam vários elementos técnicos que possibilitam a identidade de um grupo de ceramistas. Outros fatores de formação de identidade incluem a distribuição espacial dos grupos e o tipo de enterro. A arqueologia estuda o passado usando artefatos e outras evidências físicas como fonte primária de dados. Isso permite o estudo de pessoas onde se tem ausência de escrita, bem como civilizações letradas. A cerâmica é verdadeiramente universal. Os vasos de cerâmica têm sido um item básico desde que os humanos começaram a fazer a transição de um estilo de vida nômade para um totalmente sedentário. Principalmente associada ao lar, a cerâmica sempre desempenhou um papel importante nas famílias e comunidades.Fleming, M. I. D. A.. Cerâmica grega e arqueologia. 2006. (apresentação de trabalho/simpósio).

Fazer cerâmica a partir de argila cozida é a mais amplamente utilizada de todas as técnicas antigas e pode ser feita em uma variedade de formas e funções. Recipientes de cerâmica foram usados ​​para armazenar substâncias tanto secas quanto líquidas, onde podiam ser usados para cozinhar, comer e beber. No mundo greco-romano, como em muitos outros povos, a cerâmica não era apenas usada, tinha o seu reconhecimento. Este é um método que pode ser visto não apenas em santuários e túmulos, mas também em contextos domésticos.

Artefatos cerâmicos no Brasil No Brasil existem peças cerâmicas de civilizações muito antigas, como por exemplo, o assentamento dos Tupi-guarani em Pernambuco,que vem sendo estudado desde a década de 1980, com estudos caracterizando seu perfil técnico, padrões de assentamento, mobilidade e dispersão. Sítios localizados em diferentes contextos ambientais divididos por diferentes regiões geográficas do estado foram selecionados para enfatizar a importância do estudo da iconografia indígena, especialmente dos grupos de peças cerâmica tupi-guarani do estado de Pernambuco.Costa, G.S.da; Castro, V.M.C.de; Medeiros, R.P.de. A Iconografia cerâmica como marcador Identitário dos Grupos Pré-Históricos Tupiguarani em Pernambuco

Apesar de estarem em diferentes contextos ambientais, as peças se assemelham à decoração policromada da cerâmica e mostram fragmentos de vasos com desenhos pictóricos, levando os estudiosos a concluir que eram característicos desse grupo indígena. Essa tendência está relacionada à visão de que esses grupos seguem regras construídas culturalmente, o que sugere que a reprodução dessas características é uma marca da tradição tupiguarani.Os sítios selecionados pertencem a diferentes municípios e estão subdivididos pela mesorregião, Sertão (Araripina)

Artefatos de matéria-prima animal

Os artefatos provenientes de matéria-prima faunística são frequentemente encontrados no registro arqueológico, principalmente quando são associados aos grupos caçadores coletores. O grupo desse tipo de artefatos é compostos por tecidos duros como dentes, ossos, ovos, chifres, conchas, e ótolitos.

thumb|Artefatos de ossos encontrados no sítio arqueológico Lapa do Santo, Brasil

Esses tipos de artefatos são estudados por uma área de pesquisa especifica da arqueologia, denominada de zooarqueologia. O objetivo da zooarqueologia é estudar as relações dos animais com as sociedades humanas, evidenciando a exploração desse recurso na vida cotidiana e suas relações econômicas, politicas e sociais. Essa área de pesquisa recebe contribuições de conhecimentos de outras ciências como a paleobotânica, bioarqueologia, biologia, zoologia, química e geologia.

Através do estudo dos vestígios faunístico é possível obter informações sobre a subsistência humana, a paleoecologia e os processos de formação dos Sítios Arqueológicos.

Artefatos de ossos Os ossos humanos e de animais foram utilizados como fonte de matéria-prima na confecção de ferramenta por vários povos. A manufatura de artefatos feitos com ossos é diversa, indo desde ornamentos de dentes a ossos pendurados em colares associados principalmente a confecção de acompanhamentos funerários.

Na Pré-história, a sua utilização dessas ferramentas de ossos, geralmente, estava ligada as praticas de caça. Esses instrumentos foram feitos de formas especificas, com ossos específicos e para usos específicos e para os mais diversos fins.