O termo fogo de artifício (grafia anterior ao AO 1990: fogo-de-artifício) designa explosivos de efeito pirotécnico ou sonoro feitos para fins de entretenimento, efeitos estéticos ou visuais. Geralmente são utilizados em festividades, eventos, celebrações ou para efeitos especiais e visuais em apresentações, concertos, peças de teatro ou afins.
O termos "artifício" vem do latim artificium (artificial, não natural), entretanto, seu uso no termo "fogos de artifício" tem outro significado: artifício é algo usado para detonar uma carga explosiva, como um isqueiro ou pavio. Logo, os elementos usados para acender o céu com explosões de sons e luzes através de efeitos pirotécnicos são os "artifícios".
Fogos de artifício são utilizados nas mais diversas ocasiões, principalmente em ocasiões festivas, feriados e festas religiosas. Eles também podem ter diversos tipos, formatos e efeitos diferentes: os mais comuns são os fogos de estampido e fogos de efeitos visuais que são divididos em diversos tipos (bombas, foguetes, rojões, fontes, etc), classificações (tipos, efeitos e categorias) e níveis de restrição (leis, regulamentos, licenças para soltá-los, etc.).
O Brasil atualmente é o segundo maior produtor de fogos de artifício do mundo, perdendo apenas para a China. A cidade de Santo Antônio do Monte, no estado de Minas Gerais é a sede do polo brasileiro de fabricação de fogos de artifício.
História
miniaturadaimagem|O show dos Fogos de Artíficio Reais no rio Tâmisa em Londres, na Inglaterra em 1749. A pirotecnia teria surgido na Ásia no período da pré-história há mais de 2000 anos quando alquimistas estudavam fórmulas e a partir da mistura de salitre, enxofre e carvão, inventaram a pólvora. Os fogos de artifício não tem uma origem em um local ou período específico, os alquimistas do Islã teriam desenvolvido maneiras de criar chamas coloridas com seus sais oxidantes de potássio no século VII. Também datam de há cerca de 1000 anos os primeiros registros de tiros coloridos de morteiros para fins militares na China, a fim de avisar e comemorar vitórias nas guerras.
Por volta do século XIV, os fogos de artifício fabricados na China começaram a aparecer nos bazares na Arábia e nos países europeus, não se sabe ao certo se por intermédio dos comerciantes árabes ou por expedições realizadas por diversos exploradores como Marco Polo. Nesta época, as exibições de fogos de artifício encantavam os europeus.
No mesmo século, diversos países, principalmente europeus dentre eles a Itália e a Espanha passaram a se aperfeiçoar nas técnicas de produzir os fogos, tendo até hoje diversas fábricas e famílias tradicionais produzindo os artefatos. Os fogos de artifício se tornaram populares no ocidente a partir do século XVII.
Com o tempo, foram surgindo novas tecnologias e estudos para melhorar os produtos, apesar do processo de fabricação se manter artesanal devido ao risco de acidentes com a carga explosiva.
Fogos de artifício no Brasil No Brasil, os primeiros registros de fabricação e uso de fogos de artifício datam de um período entre os séculos XVIII e XIX, se popularizando principalmente neste último devido a chegada da família real portuguesa ao país e ao período da consolidação do Império do Brasil. Em 1859, surgem os primeiros registros da produção de fogos de artifício na cidade de Santo Antônio do Monte, em Minas Gerais, que viria a se tornar anos mais tarde, o principal polo produtor de pirotecnia do Brasil.
Ao longo dos anos seguintes, a quantidade de fábricas de fogos de artifício na região mineira e no país crescia cada vez mais, surgindo neste período, diversas empresas tradicionais como a Fogos Record, a Fogos Caramuru, a Adrianino, a Inbrasfogos, dentre outras centenas de fabricantes pirotécnicas espalhadas pelo país, estando situadas principalmente nas regiões Sudeste e Nordeste do Brasil.
No Brasil também existem diversas entidades de classe associadas aos comerciantes, fabricantes e especialistas em fogos de artifício para representa-los e auxiliar o governo em relação as regulamentações, fiscalização e novas legislações referentes ao assunto, as principais são a Associação Brasileira de Pirotecnia (ASSOBRAPI), a Associação da Indústria e Comércio de Fogos de Artifício do Paraná e o Sindicato da Indústria de Explosivos no Estado de Minas Gerais (SINDIEMG), sendo este último o responsável pela realização anual da Feira Nacional de Pirotecnia (FENAPI), um evento realizado pela indústria de fogos de artifício e componentes para exibir e demonstrar seus produtos e tecnologias.
Composição pirotécnica
miniaturadaimagem|O cobre quando queimado forma as cores azul ou verde-azulado nos fogos de artifício. As cores e efeitos pirotécnicos presentes nos fogos de artifícios são geradas por componentes conhecidos como "baladas" - que produzem uma luz intensa quando entram em ignição. Estas baladas são produzidas com quatro componentes químicos básicos:
Um combustível (geralmente pólvora negra) Um oxidante (que em conjunto com o combustível produz calor) Minerais e sais para cor (quando o combustível em si não gera a cor) Um aglutinante (para manter todos os componentes juntos)
As cores são definidas por uma variedade de sais e minerais que ao serem queimados geram diferentes cores (conferir imagem ao lado). Na tabela a seguir, estão listados os principais minerais e sais utilizados para formar cores em fogos de artifício. CorMetalComponentesVermelhoEstrôncio (vermelho intenso) Lítio (vermelho mediano)SrCO3 (carbonato de estrôncio) Li2CO3 (carbonato de lítio), LiCl (cloreto de lítio)LaranjaCálcioCaCl2 (cloreto de cálcio)AmareloSódioNaNO3 (nitrato de sódio)VerdeBárioBaCl2 (cloreto de bário)AzulHaletos de cobreCuCl2 (cloreto de cobre), em baixa temperaturaIndigoCésioCsNO3 (nitrato de césio)VioletaPotássio Rubídio (violeta avermelhada)KNO3 (nitrato de potássio) RbNO3 (nitrato de rubídio)DouradoCarvão mineral ou ferroBrancoTitânio, alumínio, berílio ou pó de magnésio
Efeitos
Visuais
Anel miniaturadaimagem|Uma candela romana por dentro. Efeito visual em formato circular, podendo formar imagens no céu como anéis, corações ou até mesmo, desenhos tipo smiley.
Candela romana A candela romana é um tubo com diversas baladas ou projéteis organizados com um pequeno intervalo entre eles, conectados pelo pavio para disparar os componentes sequencialmente.
Crackling Efeito sonoro similar a um estalo produzido por baladas pequenas. Geralmente se utilizam vários para se produzir uma sequência de estalos.
Crossette Baladas maiores que se espalham e se transformam em baladas menores após a explosão do morteiro, geralmente se rompem em quatro partes causando um efeito onde as baladas se cruzam.
Crisântemo Uma explosão esférica com baladas coloridas deixando um rastro visível de efeitos tipo flash. miniaturadaimagem|Um exemplo de efeito kamuro.
Kamuro Também conhecido como kamurro, é composto por baladas que deixam um rastro dourado e prateado bem intenso e brilhante quando explode.
Mina Também conhecidos como pot à feu ou repuxitos, são tubos curtos com uma carga múltipla de baladas, serpentinas, confetes ou componentes pirotécnicos que são atirados para cima em uma curta distância. São muito utilizados como efeitos especiais para apresentações.
Múltiplos projéteis Podem ser utilizados de duas maneiras: como morteiros (que possuem outras bombas ou morteiros menores dentro, sendo soltos e explodindo no céu após a explosão principal, podendo ser coloridos ou somente para estampido) ou como foguetes/rojões de múltiplos tiros (tubos com uma carga de pólvora propulsora e múltiplas bombas com pavios diferentes para explodir sequencialmente após ser disparado para o céu).
Palmeira Efeito visual similar ao kamuro, porém com baladas mais coloridas e traçantes de outras cores.
Peônia Efeito visual mais comum de fogos de artifício coloridos, são espalhadas baladas de uma cor após a explosão, porém, ao contrário do kamuro ou da palmeira, não possui efeito traçante.miniaturadaimagem|Efeito spider ou aranha em festival de fogos no Japão.
Spider Também conhecido como aranha, é frequentemente confundido com o kamuro, porém sem efeitos flash e com característica mais traçante e encorpada. Tende a marcar uma série de linhas radiais no céu, dando um aspecto de patas de aranha.
Sonoros Segundo a Associação Brasileira de Pirotecnia (ASSOBRAPI), há cinco tipos de efeitos sonoros e barulhos emitidos pelos fogos de artifício conforme definições do engenheiro pirotécnico japonês Takeo Shimizu.
No livro "Fireworks - The Art, Science and Technique" publicado em 1981, os efeitos sonoros causados pelos fogos de artifício são:
Disparo Barulho causado por fogos de artifício disparados a partir de um tubo ou morteiro no momento em que são acionados, é resultado do disparo inicial que lança os projéteis que causarão efeito ou explodirão no céu.
Abertura Similar ao tiro ou estampido, geralmente é emitido por um morteiro ou projétil explosivo para abrir o efeito visual no céu.
Tiro ou estampido Efeito sonoro mais comum de fogos de artifício, tecnicamente um estouro alto causado por explosivos geralmente compostos de pólvora branca.
Zumbido Efeito sonoro similar ao som de abelhas, geralmente é produzido pelo efeito da propulsão ou da liberação de gases de dentro do dispositivo pirotécnico.
Apito Efeito sonoro bem agudo de apito produzido pela ressonância dos gases. Geralmente são produzidos com a mistura de compostos como benzoato ou salicilato e um oxidante como o potássio.
Legislação e classificações
No Brasil A regulamentação para fogos de artifício e produtos pirotécnicos no Brasil é feita pelo decreto-lei nº 4238, de 8 de abril de 1942 que regulamenta a venda, fabricação e a utilização destes produtos no país. Pela lei, existem quatro classes de fogos de artifício diferentes, sendo elas:
Classe A: venda e uso livre para qualquer pessoa, incluindo menores de idade. Classe B: venda livre somente para maiores de 16 anos de idade, uso proibido próximo à escolas e hospitais. Classe C: venda livre somente para maiores de 18 anos de idade, uso somente com licença de autoridade competente em hora e local previamente designados. Classe D: venda livre somente para maiores de 18 anos de idade, uso permitido somente com licença prévia de autoridade competente.
A lei também proíbe a venda de fogos de artifício em casas e comércios que não possuam autorização legal para isto, proíbe a soltura, fabricação e venda de balões juninos e fogos que possuam dinamite em sua composição.
Em Portugal A regulamentação para fogos de artifício e produtos pirotécnicos em Portugal é feita pelo decreto-lei nº 34/2010, que autoriza a compra de fogos de artifício por particulares e o uso dos mesmos em áreas privadas de acordo com os termos da lei. Os fogos de artifício são divididos nas seguintes categorias:
Categoria 1: venda e uso livre para maiores de 16 anos, podendo ser de utilização interna ou externa, respeitando uma distância segura recomendada de 1 metro. Categoria 2: venda e uso livre para maiores de 18 anos, apenas para utilização externa, respeitando uma distância segura recomendada de 8 metros. Categoria 3: venda e uso livre para maiores de 18 anos, apenas para utilização externa, respeitando uma distância segura recomendada de 15 metros. Categoria 4: venda e uso restritos apenas a pessoal capacitado e habilitado para uso profissional, respeitando regras de distanciamento e segurança específicas.
A lei também prevê especificações de segurança para os fogos de artifício, estabelecimentos de venda e outras informações e especificações técnicas.
Uso em festas populares