Suicídio é o ato de causar a própria morte de forma intencional.Durkheim, 1982 Os factores de risco incluem perturbações mentais e psicológicas, como depressão, perturbação bipolar, esquizofrenia e a toxicodependência, que engloba alcoolismo, abuso de benzodiazepinas e/ou de outras drogas. Outros suicídios resultam de actos impulsivos devido ao stress e/ou dificuldades económicas, problemas de relacionamento ou bullying. As pessoas com antecedentes de tentativas de suicídio estão em maior risco de vir a realizar novas tentativas. As medidas de prevenção do suicídio passam pela restrição do acesso a métodos, como armas de fogo, armas brancas, drogas ou venenos, pelo tratamento de perturbações mentais e da toxicodependência, por noticiar de forma correta os casos de suicídio na imprensa e pela melhoria das condições económicas da população. Embora seja comum a existência de linhas telefónicas de prevenção do suicídio, não existem dados suficientes que comprovem a sua eficácia.

Os métodos de suicídio mais comuns diferem de país para país e estão em parte relacionados com a disponibilidade de meios e incluem enforcamento, envenenamento por pesticidas e armas de fogo. Em 2015 suicidaram-se em todo o mundo pessoas, um ligeiro aumento face aos suicídios em 1990. Em 2015, o suicídio foi a décima principal causa de morte em todo o mundo.

O suicídio é a causa de cerca de 0,5% das mortes. Em cada ano, 12 em cada pessoas morrem por suicídio. Três quartos dos suicídios ocorrem nos países em desenvolvimento. As taxas de suicídios consumados são geralmente mais elevadas nos homens do que nas mulheres. Em países em desenvolvimento suicidam-se 1,5 vezes mais homens do que mulheres e em países desenvolvidos suicidam-se 3,5 vezes mais homens do que mulheres. Na generalidade dos países, o suicídio é mais comum entre os maiores de 70 anos. No entanto, em alguns países o grupo etário de maior risco é aquele com idades compreendidas entre os 15 e 30 anos. Estima-se que em todo o mundo haja anualmente entre 10 a 20 milhões de tentativas de suicídio não fatais. As tentativas de suicídio – gestos autodestrutivos não fatais – podem provocar lesões e incapacidade a longo prazo. No mundo ocidental, as tentativas são mais comuns nos jovens e pessoas do sexo feminino.

Os pontos de vista sobre o suicídio têm sido influenciados por temas existenciais como religião, filosofia, psicologia, honra e o sentido da vida. As religiões abraâmicas, por exemplo, consideram o suicídio uma ofensa contra Deus devido à crença religiosa na santidade da vida. Durante a era samurai, no Japão, existia uma forma de suicídio conhecida como seppuku (harakiri), que era respeitada como uma forma de expiação do fracasso ou como uma forma de protesto ou pena de morte frente à desonra por um crime, delito ou por outro motivo que os envergonhasse. O sati é uma antiga prática proibida pelo Raj Britânico, no qual a viúva se autoimola na pira funerária do seu marido, seja voluntariamente ou por pressão da família e/ou das leis do país. O suicídio e o suicídio tentado, apesar de anteriormente ter sido considerado ilegal, hoje já não o é na maioria dos países ocidentais, embora nalgumas jurisdições ainda possa ser considerado crime. Nos séculos XX e XXI, o suicídio foi usado em raras ocasiões como forma de protesto, ou na forma de kamikaze e de atentados suicidas como uma táctica militar ou terrorista. O termo tem origem no latim suicidium.

Definições A palavra "suicídio", provém do latim suicidium,(sui, de si próprio; caedere, matar) "o ato de tirar a própria vida".

Assassinato-suicídio

Assassinato-suicídio refere-se a uma situação em que o autor de um homicídio se suicida após a morte da(s) vítima(s). O que parece ser um pacto geralmente é na realidade um assassinato, os pactos são frequentemente feitos por mulheres ou casais idosos. Um caso especial disso é o suicídio prolongado, em que o assassinato é motivado ao ver as pessoas assassinadas como uma extensão de si.

Ataque suicida Um ataque suicida é quando um atacante comete um ato de violência contra outros (geralmente um grande número de pessoas), normalmente para atingir um objetivo militar ou político, que resulta em sua própria morte. Os atentados suicidas são muitas vezes considerados como um ato de terrorismo, os exemplos históricos incluem o assassinato do czar , o Bombardeamento do Hotel Shamo, o Atentado suicida do Dizengoff Center, os ataques kamikazes por pilotos aéreos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial e os Ataques de 11 de setembro de 2001. Entre 2000 e 2007 ocorreram 140 ataques suicidas em Israel que mataram 542 pessoas e feriram milhares.

Autoagressão

O dano intencional direto de tecido do corpo, realizado sem a intenção de cometer suicídio é chamado de autoagressão, automutilação ou autolesão Outros termos como "automutilação" ou "autolesão" são usados para qualquer comportamento auto-prejudicial, independentemente da intenção suicida.

Indução de suicídio

Induzir, estimular, dar dicas ou apoiar de qualquer outra forma o suicídio de outra pessoa é um crime em vários países ocidentais, considerado como uma forma de homicídio doloso (intenção de matar). Essa punição leva em conta inclusive quando o estímulo é feito na internet. No Brasil o artigo 122 do Código Penal prevê reclusão de dois a seis anos para quem induz, instiga ou ajuda alguém a cometer suicídio, ou reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave.

Eutanásia

A eutanásia é quando uma pessoa assume um papel ativo na morte de uma pessoa.

Suicídio assistido

Suicídio assistido é quando um indivíduo ajuda o outro a causar sua própria morte indiretamente, providenciando conselhos ou os meios para o fim.

Ortotanásia

O termo "ortotanásia" significa "morte correta" e se refere ao tratamento dado ao fim da vida de um paciente, aliviar seu sofrimento, sem acelerar ou retardar sua morte. No Brasil essa prática está sendo discutida no Congresso Nacional. Em 2010, o PLS 116/2000 foi aprovado pelo Senado e em seguida remetido à Câmara dos Deputados, onde aguarda votação.

Suicídio coletivo e pacto suicida

Certos suicídios são realizados sob pressão social ou de um grupo. Os suicídios coletivos ou em massa, podem ocorrer apenas entre duas pessoas, como um "pacto suicida", ou com um número muito maior. Um exemplo é o suicídio em massa que ocorreu por membros do Peoples Temple, uma seita estadunidense liderada por Jim Jones em 1978 na Guiana que levou a morte de 918 pessoas incluindo 270 menores de idade.Hall, John R. (1987). Gone from the Promised Land: Jonestown in American Cultural History. New Brunswick, New Jersey: Transaction Publishers. p. 282. ISBN 978-0-88738-124-9.

Outro exemplo ocorreu em janeiro de 2012, na China. Trezentos funcionários da Foxconn, fabricante do Xbox 360, ameaçaram um suicídio coletivo se as reivindicações do grupo não fossem atendidas. O protesto terminou com um acordo entre a empresa e os funcionários.

Suicídio metafórico É o sentido metafórico de "destruição intencional de um autointeresse", como o suicídio político.

Fatores de risco Os fatores que afetam o risco de suicídio incluem transtornos mentais, uso indevido de drogas, estados psicológicos, situações culturais, familiares e sociais, genética e experiências de trauma ou perda. Transtornos mentais e uso indevido de substâncias frequentemente coexistem. Outros fatores de risco incluem ter tentado suicídio anteriormente, a pronta disponibilidade de um meio de tirar a própria vida, um histórico familiar de suicídio ou a presença de lesão cerebral traumática. Por exemplo, verificou-se que as taxas de suicídio são maiores em famílias com armas de fogo do que naquelas sem.

Problemas socioeconômicos como desemprego, pobreza, falta de moradia e discriminação podem desencadear pensamentos suicidas. O suicídio pode ser mais raro em sociedades com alta coesão social e objeções morais contra o suicídio. Veteranos de guerra têm um risco maior de suicídio devido, em parte, a taxas mais altas de doenças mentais, como distúrbios do estresse pós-traumático e problemas de saúde física relacionados à guerra. A genética parece ser responsável por entre 38% e 55% dos comportamentos suicidas. Suicídios também podem ocorrer como um cluster local de casos. (ver também Carta de suicídio)

Doença mental A doença mental está frequentemente presente no momento do suicídio, com estimativas variando de 27% a mais de 90%. Naqueles que foram hospitalizados por comportamento suicida, o risco de suicídio completo na vida é de 8,6%. Comparativamente, pessoas não suicidas hospitalizadas por distúrbios afetivos têm um risco de suicídio de 4% ao longo da vida. Metade de todas as pessoas que morrem por suicídio podem ter transtorno depressivo maior; ter este ou um dos outros transtorno de humor como transtorno bipolar aumenta em 20 vezes o risco de suicídio. Outras condições implicadas incluem esquizofrenia (14%), transtorno de personalidade (8%), transtorno obsessivo-compulsivo, e transtorno de estresse pós-traumático. Aqueles com transtorno do espectro autista tentam e consideram o suicídio com mais frequência.

Outros estimam que cerca de metade das pessoas que completam o suicídio podem ser diagnosticadas com um distúrbio de personalidade, sendo o mais comum o transtorno de personalidade borderline. Cerca de 5% das pessoas com esquizofrenia morrem de suicídio. O transtorno alimentar é outra condição de alto risco.

Entre aproximadamente 80% dos suicídios completos, o indivíduo procurou um médico no ano anterior à sua morte, incluindo 45% no mês anterior. Aproximadamente 25 a 40% dos que completaram o suicídio tiveram contato com serviços de saúde mental no ano anterior. Os antidepressivos do tipo ISRS parecem aumentar a frequência de suicídio entre crianças, mas não alteram o risco entre os adultos. A falta de vontade em obter ajuda para problemas de saúde mental também aumenta o risco.

Transtornos psicológicos associados ao risco de suicídio Segundo a OMS, os transtornos psicológicos que estão mais associados com o risco de suicídio são Transtornos de humor (depressão maior, distimia e transtorno bipolar) Psicoses (esquizofrenia, transtorno esquizoafetivo, transtornos delirantes) Transtornos de ansiedade (transtorno de estresse pós-traumático, transtorno obsessivo-compulsivo e transtorno de ansiedade generalizada) Demências (como alzheimer, demência vascular e mal de Parkinson). Transtorno de personalidade (especialmente borderline, antissocial, transtorno de personalidade histriônica e esquiva)

Tentativas anteriores e autoagressão Uma história anterior de tentativas de suicídio é o preditor mais preciso do suicídio completo. Aproximadamente 20% dos suicídios tiveram uma tentativa anterior e, dos que tentaram suicídio, 1% completam o suicídio dentro de um ano e mais de 5% morrem por suicídio em 10 anos. Atos de autoagressão geralmente não são tentativas de suicídio e a maioria dessas pessoas não corre alto risco de suicídio. Alguns que se autoagridem, no entanto, podem terminar sua vida com suicídio pois o risco de autoagressão e suicídio podem se sobrepor.

Abuso de substâncias

O abuso de substâncias é o segundo fator de risco mais comum para suicídio após a depressão maior e o transtorno bipolar. O uso indevido de substâncias crônicas e a intoxicação aguda são também associados. Quando combinados com sofrimento pessoal, como o luto, o risco aumenta ainda mais.O abuso de substâncias também é associado a distúrbios de saúde mental.