As seguintes tabelas descrevem os principais acontecimentos que marcam a História de Macau, por ordem cronológica.
Antes do século XVI 160px|right|thumb|Templo de Kun Iam thumb|right|160px|Templo de A-Má
Século Evento(s) ~ XL a XX a.C. Provável início do estabelecimento de habitantes chineses em Macau ~ V d.C. Navios mercantes chineses de Cantão que comerciavam com povos do Sudeste Asiático começaram a parar muitas vezes em Macau ou perto dele para se abastecerem de água e de comida. XIII Chegada a Macau de muitos apoiantes da Dinastia Sung, fugindo dos invasores mongóis. O Templo de Kun Iam, considerado como o templo mais antigo de Macau, foi construído em Mong-Há (localizado no Norte da Península de Macau). XIV a XVI Durante a Dinastia Ming, grupos de pescadores oriundos de Cantão e de Fujian estabeleceram-se em Macau e foram eles que construíram o famoso Templo de A-Má.
Século XVI right|thumb|200px|Matteo Ricci, um célebre missionário católico jesuíta que, tal como muitos outros missionários, usou Macau como ponto de partida para a China.
thumb|right|200px|Igreja de Sto. António, cujos últimos restauros ocorreram em 1940.
Ano Evento(s) 1513 Jorge Álvares é o primeiro português a alcançar o Sudeste da China, mais precisamente o porto chinês de Tamau. O começo da frequência e do estabelecimento, muitas vezes ilegal e provisoriamente, de comerciantes e navegadores portugueses nesta zona. 1517 O Imperador chinês proibiu o comércio com os portugueses, mas, apesar disso, os mandarins da zona do delta do Rio das Pérolas, subornados pelos portugueses, permitiu, ilegalmente, aos últimos instalarem-se na ilha de Sanchoão para continuarem o seu negócio. 1542 Os portugueses estabeleceram-se em Liam Pó. 1545 Cerca de 3000 portugueses, por imprudência dum dos moradores, foram expulsos de Liam Pó por 60 mil chineses. 1553 ou 1554 Os portugueses desembarcaram (ilegalmente) pela primeira vez em Macau, sob o pretexto de secar a sua carga. 1557 Os portugueses foram autorizados pelas autoridades chinesas a estabelecerem-se permanentemente em Macau e foi-lhes concedido um considerável grau de autogovernação. Eles rapidamente sedentarizaram-se, construindo uma povoação no Sul da Península de Macau. 1557 a 1565 Início e conclusão da construção das Igrejas de S. Lourenço, de S. Lázaro, de Sto. António e da Madre de Deus. Esta última foi construída em anexo ao Colégio de S. Paulo, considerado como a primeira instituição universitária de tipo ocidental no Oriente e fundado pelos jesuítas. 1569 Fundação da Santa Casa da Misericórdia, a primeira instituição europeia de beneficência e de caridade em Macau, por D. Belchior Carneiro Leitão SJ. 1573 Os portugueses começaram a serem obrigados de pagarem o aluguer anual de Macau e certos impostos chineses, visto que as autoridades chinesas defendiam que Macau fazia ainda parte do Império chinês. Possivelmente neste ano, as Portas do Cerco foi construída para separar Macau da China Continental, por incentivo das autoridades chinesas. 1576 Foi criada a Diocese de Macau, no dia 23 de Janeiro. 1580 A Espanha anexou Portugal Foi criado o cargo de Ouvidor, o primeiro magistrado enviado por Lisboa para Macau, sob o pretexto de pôr fim às rivalidades existentes na povoação. 1583 Fundação do Leal Senado, um organismo municipal e senatorial para tratar dos assuntos e problemas quotidianos de Macau. É considerado o símbolo da autoridade e do poder local. 1586 ou 1587 Macau foi elevado a cidade, sob a designação de "Cidade do (Santo) Nome de Deus de Macau", nome que reteve até 1999.
Século XVII right|thumb|200px|Uma pintura da autoria de George Chinnery (1774—1852), representando a Igreja da Madre de Deus, onde se destaca a sua imponente fachada e escadaria. thumb|right|200px|Mapa onde mostra Macau e a sua posição nas principais rotas comerciais portuguesas e espanholas, no seu período mais próspero (finais do século XVI e princípios do século XVII).
Ano Evento(s) 1595 a 1602 Período considerado por alguns como o apogeu da "idade de ouro" da Cidade de Macau, alcançada à custa do seu papel de entreposto comercial no Extremo Oriente. Conclusão da reconstrução da Igreja da Madre de Deus, mas a sua imponente fachada só foi concluída em 1640. 1622 A mais famosa das tentativas (todas elas falhadas) de invasão holandesa, ocorrida entre os dias 22 e 24 de Junho. O dia da vitória (24 de Junho) tornou-se desde então o Dia da Cidade de Macau, feriado mantido até 1999. 1623 A chegada do primeiro Governador de Macau, embora tal facto não afectasse a grande autonomia e o papel fundamental na administração da Cidade desempenhado pelo Leal Senado. 1638 a 1639 Os portugueses foram expulsos do Japão, pondo fim ao lucrativo comércio "Macau-China-Japão", abalando fortemente a economia da Cidade. 1648 Estabelecimento de um posto militar com 500 soldados chineses na aldeia de Qianshan (chamado pelos portugueses de "Casa Branca"), muito próxima das Portas do Cerco, para vigiar a Cidade de Macau. 1654 O Rei D. João IV, após de restaurar a independência e soberania de Portugal no ano de 1640, concedeu a Macu o título NÃO HÁ OUTRA MAIS LEAL. A partir daí, o nome oficial da Cidade de Macau, durante a administração portuguesa, é CIDADE DO (SANTO) NOME DE DEUS DE MACAU, NÃO HÁ OUTRA MAIS LEAL. 1685 Fim do monopólio dos portugueses no comércio com a China, abalando mais ainda Macau, que já sofria muitas dificuldades económicas. 1688 As autoridades chinesas estabeleceram em Macau uma alfândega chinesa, o "Ho-pu".
Século XVIII thumb|right|200px|O Edifício do Leal Senado.
Ano Evento(s) 1728 Criação do Seminário de São José pelos jesuítas. 1736 As autoridades chinesas impuseram um mandarim residente permanentemente em Macau, sob a designação de "tchó-t'óng" (ou Tso-tang). 1760 Os comerciantes europeus não-portugueses começaram a formar pequenas mas abastadas comunidades em Macau, devido ao levantamento das restrições de comércio e residência aos estrangeiros pelas autoridades de Macau. Esta cidade tornou-se então no posto avançado da Europa na China. 1762 A expulsão dos jesuítas de Macau. Eles contribuíram muito para o desenvolvimento, principalmente nas áreas de cultura e educação, de Macau e para a evangelização no Extremo Oriente. 1783 Através das providências régias (ou reais), o Governador viu os seus poderes e funções aumentarem, em detrimento do Leal Senado. 1784 Foi criada uma alfândega portuguesa em Macau. O Edifício do Leal Senado foi construído para albergar o Leal Senado. 1797 O Tso-Tang, que reside no Norte da Península de Macau, passou a exercer plena autoridade.
Século XIX right|thumb|200px|Ruínas da antiga Igreja da Madre de Deus. right|thumb|200px|Uma das primeiras fotografias de Macau. Foi tirada em 1844 por Jules Itier. thumb|right|200px|O Arco das Portas do Cerco (edifício de cor amarela), inaugurado em 1871 pelo Governo de Macau, onde estão gravadas as datas do assassínio do Governador (22 de Agosto de 1849) e da Batalha do Passaleão (25 de Agosto de 1849). thumb|right|200px|Vue générale de Macao, uma pintura sobre Macau do século XIX, da autoria de Auguste Borget (1808-1877).
1807 Robert Morrison chegou em Macau, tornando-se assim no primeiro missionário protestante nesta cidade. 1834 O Leal Senado foi reduzido a uma mera câmara municipal, perdendo assim a sua antiga glória e poder. 1835 A Igreja da Madre de Deus e o adjacente Colégio de São Paulo foram destruídos por um violento incêndio. Só restou a imponente fachada da Igreja, que tornou-se uma parte das actuais Ruínas de São Paulo. 1841 A importância do porto de Macau foi reduzida drasticamente, quando Hong Kong se tornou numa colónia britânica e, mais tarde, no porto ocidental mais importante na China. 1844 Reafirmação do Governador como o principal órgão político-administrativo da Cidade, pondo oficialmente fim à autoridade e às esperanças de recuperação de poder do Leal Senado. Macau foi ingressado finalmente na organização administrativa ultramarina portuguesa, formando uma província ultramarina autónoma conjunta com Timor Português e Solor. 1845 Portugal declarou Macau um porto franco. 1846 a 1849 O Governador João Ferreira do Amaral ordenou o fim do pagamento do aluguer anual e dos impostos chineses e a expulsão dos mandarins de Macau. João Amaral ordenou também a abolição, em 1849, da alfândega chinesa (o Ho-pu) e da alfândega portuguesa. Este corajoso governador acabou por ser assassinado pelos chineses, no dia 22 de Agosto de 1849 Batalha do Passaleão, que ocorreu no dia 25 de Agosto de 1849, perto das Portas do Cerco. Anos 50 Início da legalização do Jogo, levado a cabo pelo Governador Isidoro Francisco Guimarães. 1851 Ocupação total da Taipa pelos portugueses. 1862 Assinatura do "Tratado de Tianjin" pelos chineses, no qual reconhecia que Macau era uma colónia portuguesa. 1864 O Tratado de Tianjin não foi ratificado pelos chineses, porque estes defendiam que Macau não podia deixar de ser considerado um território chinês. Ocupação de Coloane pelos portugueses. 1865 Construção do Farol da Guia, o primeiro farol do mar do Sul da China. 1871 Inauguração do Arco das Portas do Cerco. 1883 Macau tornou-se numa província ultramarina conjunta com Timor Português em relação a Goa. 1887 O "Tratado de Amizade e Comércio Sino-Português", que reconhecia e legitimizava a ocupação perpétua de Macau pelos portugueses, foi firmado com as autoridades chinesas. Mas, ainda não foi feita a demarcação de fronteiras de Macau. 1890 Ocupação oficial da Ilha Verde pelas autoridades portuguesas. 1893 Criação do Liceu de Macau, uma importante instituição de ensino de língua portuguesa. 1896 Timor Português desmembra-se da Província de Macau.
Século XX thumb|right|200px|Mapa da Colónia Portuguesa de Macau (composta pela Península de Macau, ilhas da Taipa e de Coloane) emitida em 1912. A oeste dela localiza-se as ilhas de Lapa, Dom João e Montanha. thumb|right|200px|Hotel e Casino Lisboa de Macau, um dos maiores casinos de Macau e de Stanley Ho.
1901 O Governo de Macau, querendo criar a sua própria moeda oficial, autorizou o Banco Nacional Ultramarino (BNU) a emitir notas com a denominação de patacas. 1906 a 1907 As primeiras notas impressas de patacas começaram a entrar em circulação. 1923 Devido aos aterros, a Ilha Verde foi totalmente absorvida pela Península de Macau. 1928 Foi criado o Concelho das Ilhas, após a extinção do Comando Militar da Taipa e Coloane, que outrora administrava militarmente as Ilhas. 1938 Ocupação oficial portuguesa das ilhas de Lapa, Dom João e Montanha, anteriormente já frequentadas por missionários e religiosos portugueses e já semi-protegidas pelas autoridades portuguesas de Macau. 1939 a 1945 Segunda Guerra Mundial em Macau. Esta cidade manteve-se neutra. Em 1940, as obras de restauro do Edifício do Leal Senado foram concluídas, tomando o seu actual aspecto. Em 1941, as ilhas de Lapa, Dom João e Montanha foram ocupados pelos japoneses. No final da Guerra, em 1945, os portugueses não conseguiram reocupá-las, sendo por isso restituídas à China. 1951 Macau tornou-se numa província ultramarina, deixando de ser uma colónia. 1952 Deu-se o Incidente das Portas do Cerco. 1954 Foi realizado a 1ª edição anual do Grande Prémio de Macau. 1962 Foi concedido o monopólio no sector do Jogo para a companhia chinesa de Stanley Ho, a Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM). 1966 Motim 1-2-3, ocorrido no dia 3 de Dezembro e efectuado por chineses pró-comunistas inspirados pela Revolução Cultural de Mao Tsé-tung. 1967 Como consequência do Motim 1-2-3, Portugal renunciou a sua ocupação perpétua sobre Macau e reconheceu o poder e o controlo de facto dos chineses sobre Macau, marcando o princípio do fim do período colonial desta cidade. 1968