center|thumb|800px|Vista panorâmica. A Piazza dei Miracoli ou Praça dos Milagres (em português) é o principal espaço público da cidade italiana de Pisa. Surgiu, historicamente associada aos seus monumentos religiosos mais importantes, três deles localizados no centro do espaço, a Catedral (Duomo), o Baptistério e a Torre Sineira (Campanile), e os outros dispostos ao longo dos seus limites, o Camposanto ("cemitério")), o Hospital, o Museu da Catedral (Museo del’Opera del Duomo) e as instalações da instituição, que eram originalmente para a construção e hoje servem para a manutenção e conservação, de todo este conjunto, a Opera del Duomo.
O início
A criação do duomo da catedral começou no século XI com a criação da nova catedral na mesma área onde a anterior catedral paleo-cristã foi criada com o seu baptistério, sendo este complexo religioso circundado por um cemitério. A área da Catedral era fora da cidade mas ligada a esta pela Porta dos Leões. left|thumb|230px|A catedral e o campanário inclinado. Pisa vivia, nesta altura, um grande desenvolvimento urbano e demográfico, no culminar das suas vitórias comerciais, políticas e militares e, assim, a Catedral tornou-se um símbolo do poder de uma cidade que se auto-denominava a “nova” Roma. A Catedral foi conceptualizada por Buscheto entre 1064 e 1110 e este novo templo de mármore branco merecia uma ligação diferente com a cidade, também em expansão. Assim, pela rua que corria ao longo das antigas muralhas na direcção do rio Arno, foi aberta uma rua lateral, a Via Santa Maria, que entrava na área da Catedral, emoldurando o corpo Este do complexo. Em paralelo, a fronteira sul entre a área sagrada e o novo espaço urbano em expansão foi sendo definida com uma claridade crescente: a rua do arcebispo saiu das muralhas, cruzando-se com a Via Santa Maria e continuando para Oeste.
Uma transformação mais relevante na área deu-se quando foi decidido aumentar a catedral, uma operação que marcou a primeira fase de um grande projecto que testemunhou a criação de um espaço monumental antes do fim do século, causado pela fundação do novo baptistério e torre sineira. A Catedral foi aumentada para Oeste em dezesseis metros e recebeu uma nova fachada, foi construído o novo baptistério, cuja posição parece determinada pelo desejo se criar um espaço, entre os dois monumentos, proporcional às suas dimensões.
No espaço de alguns anos a área estava incluída no circuito amuralhado que começava das partes do Oeste e Norte da Catedral. Com a abertura da Porta dos Leões, o portão correspondente à rua que chega de Liguria, a Praça tornou-se o ponto de acesso preferido à cidade. Neste espaço existia também uma rede de estradas interna. A primeira fase da criação do complexo monumental completou-se em 1173, com a fundação da torre sineira no inicio do século XIII.
A área que circundava a Catedral assumiu as características de uma praça, em 1214 a canónica foi demolida, tendo os cânones ido para a Catedral até terem sido transferidos a Opera do Duomo e a construção da torre sineira foi interrompida devido a uma instabilidade que causaria a sua permanente inclinação.
Na segunda metade do século XIII importantes intervenções nos edifícios contribuíram para a definição dos limites do que seria a praça. No Sul do “arringo” foram construídos o novo hospital e a Igreja de Santa Clara, impondo um estreitamento da estrada e a reabertura do pequeno portão perto do de Leone.
O único obstáculo para a formação de uma Praça era a expansão dos túmulos que iam desde o Sul da Catedral até à Porta dos Leões, limitando a acessibilidade à igreja. A única solução era construir um novo cemitério e, com isto em vista, o terreno a norte da catedral foi doado à Opera del Duomo. No entanto, só na segunda metade do século XIV foi possível transferir os túmulos para o novo cemitério.
Algumas décadas depois a área ia sofrendo uma mudança radical, quando Doge Giovanni dell’Agnello, que governava a cidade, tentou fortificar a área da Catedral, transformando a Porta dos leões numa espécie de castelo. No entanto, em 1369, no dia seguinte à vitória sobre o Imperados Carlos IV, que havia tentado entrar na cidade através da Porta del Leone, os habitantes da cidade derrubaram a fortificação. Deste modo a Catedral tornou-se num espaço público grande e unificado.
Quando as tropas Florentinas entraram em Pisa em 1406 encontraram uma cidade abandonada, cujos monumentos eram apenas testemunho do antigo esplendor. Apesar das intervenções levadas a cabo ao longo do século XV não terem causado grandes alterações no plano original da praça, no século seguinte o importante papel que Pisa assumiu na política dos Medici, determinou uma reorganização do espaço monumental.
A catedral
miniaturadaimagem|Foto da Catedral de Pisa (Duomo di Pisa, em Italiano) , situado na cidade de Pisa, Itália. A catedral é de planta cruciforme e tem um corpo central muito longo, dividido em cinco naves por duas filas duplas de colunas com uma cabeceira semicircular no seu fim. O transepto que intersecta o corpo principal é dividido por duas colunatas em três naves. A Catedral foi construída com o mármore branco das montanhas de S. Giuliano.
As absides e a fachada são coroadas por colunas com capiteis, suportando um arco redondo e assim fazendo um modulo que vai organizar todas as superficies da catedral. Deste modo, este modulo vai ser repetido numa escala menor nas restantes paredes exteriores, compondo as ordens superiores da fachada e da cabeceira, galerias, decoradas com motivos em baixo relevo policromado. O portal é um trabalho sumptuoso em bronze da autoria de Bonanno de Pisa. No timpano da cabeceira estava colocado um grifo em bronze, provavelmente adquirido depois de uma vitória sobre os Sarracenos.
De cada lado da nave principal estão colocadas duas filas de colunas feitas de granito da ilha de Elba. A nave principal é flanqueada por quatro naves menores, divididas por colunatas mais pequenas. As colunas apresentam capiteis clássicos, alternados com elementos retirados de obras anteriores. Sobre as naves laterais, com cobertura em abobadas cruzadas, e viradas para a nave central, existem galerias. Estas são separadas em naves por colunatas e abrem-se para a nave central através de janelas duplas e quádruplas. A cobertura da nave principal é numa estrutura de asnas de madeira.
O baptistério miniaturadaimagem|Perspectiva aérea da Piazza del Duomo, criada a partir de dados de escaneamento a laser. Embora nominalmente chamada de românica, a Catedral de Pisa (1064-1110) exibe aspectos da influência arquitetônica romana, islâmica, bizantina e transalpina. Em termos de estilo, é inédita. Inscrições em sua fachada de mármore branco descrevem a história da catedral e as circunstâncias de sua construção. A catedral tem planta cruciforme e está situada em um eixo leste-oeste, com a abside principal voltada para o leste. A planta tem um caráter mais paleocristão, ou mesmo romano, do que românico. Cada braço do transepto tem sua própria abside, como duas pequenas basílicas anexadas a uma maior. Colunas clássicas recicladas foram utilizadas para sustentar o interior. Como a catedral, o baptistério é rodeado por arcadas colunadas e é feito de mármore branco ladeado por bandas cinzentas. Os baixos relevos no portal principal emoldurados por colunas com motivos florais e a galeria em arcada imitam a Catedral. O baptistério foi complete no período gótico por Nicola e Giovanni Pisano com arcadas e pináculos que compõem as ordens superiores.
Dentro, oito colunas monolíticas, competindo em peso com as da Catedral, estão alternadas com quarto pilares formando uma área central na qual está colocada uma fonte baptismal octogonal. Uma escadaria em espiral, que se tornou um elemento repetido na Torre, leva para a galeria superior. A cobertura é uma composição de duas cúpulas. A cúpula interior é uma pirâmide dodecagonal truncada enquanto que a exterior é uma cúpula simples. Isto é uma estrutura única e muito original que contribui para o aspecto harmonioso do complexo monumental e reflecte as influencias bizantinas e islâmicas, assim como o estilo gótico nos trabalhos de Nicola e Giovanni Pisano.
A torre
A torre sineira tem oito andares exteriores chamados ordens; o embasamento, seis arcadas sobrepostas e a cabeça. Toda a estrutura assenta numa base de pedra que faz a superfície envolvente ao rés-do-chão. As colunas são de mármore e granito, encimadas por grandes capiteis coríntios. Cada arcada inclui um losango de motivos policromados com um relevo no centro em mármore rosa. A parede estrutural é perfurada por várias janelas e pela porta de acesso no sentido Oeste. As primeira e terceira arcadas apresentam um motivo decorativo floral com três pétalas brancas num fundo cinzento que se transforma em elementos geométricos a partir da quarta arcada. A cornija, nas primeira, segunda e quinta ordens é simples, sendo, nas outras, mais decorada.
A base é rodeada por seis galerias em arcada. da mesma altura (excluindo o último) que decrescem em profundidade. Cada arcada consiste em trinta pequenas colunas encimadas por arcos de volta redonda. Os capiteis das colunas diferem em estilo, sendo, nas duas primeiras arcadas, clássicos e com formas simples de folhas, e na terceira arcada quase completamente decorados com cabeças humanas ou animalescas. Os capiteis das arcadas superiores são ocasionalmente figurativos, principalmente com formas de folhas e imitando o estilo gótico. Praticamente todos os capiteis foram substituídos durante as intervenções que se deram, quer no passado ou no presente não sendo, assim, possível determinar se a posição actual dos capiteis segue a original ou não.
Na sétima ordem (sexta arcada) a parede estrutural abre-se em seis grandes arcadas, nas quais, presumivelmente, os sinos estavam antes da construção da cabeça actual.
O diâmetro da cabeça que constitui a oitava ordem é menor que o do corpo principal do edifício. É caracterizada por um padrão bicolor recorrente que difere do resto da torre, e por uma estrutura mais complexa. A construção da cabeça da torre em volta do espaço central inclui doze colunas com capitel e seis cachorros que suportam dezoito pequenos arcos que são o remate superior do edifício. Entre as colunas estão situadas seis grandes arcadas (correspondendo a duas arcadas mais pequenas) São concebidas para sinos maiores e outras seis arcadas mais pequenas para sinos menores.
A Praça dos Milagres A Praça dos Milagres da cidade de Pisa, tendo começado por se localizar fora das muralhas, com a expansão da povoação no século XIII até ao século XX manteve-se na zona menos construída da cidade, o canto Noroeste, como se pode verificar pelas cartas da cidade que ainda em 1626 representam a região povoada por quintas, e muito vazia em 1750.
Os monumentos religiosos que constituem a base da sua existência são visíveis de fora, e marcaram durante muito tempo a entrada principal da cidade, na direcção do porto. É muito visível a vontade de conferir uma grande autonomia ao espaço marcando visualmente a sua presença à distância, e encerrando a praça, sendo os edifícios que a delimitam durante séculos os únicos naquela área dentro das muralhas. A praça existe como uma entidade própria, representativa da cidade.
O fundamental da vivência da praça é visual e, para esta funcionar, os edifícios são colocados no fundo dos edifícios limítrofes, obtendo assim uma composição que lhe confere um carácter único, A Catedral é o maior edifício central, estando no centro do espaço da praça. O comprimento do edifício é igual ao do espaço entre o seu topo Leste e o ponto mais a Leste da Praça, e este é um principio estruturador do espaço em que se situa.