Valongo é uma cidade portuguesa localizada na sub-região da Área Metropolitana do Porto, pertencendo à região do Norte e ao Distrito do Porto.
É sede do Município de Valongo que tem uma área total de 75,12 km2,Instituto Geográfico Português, Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013 (ficheiro Excel zipado) 98.930 habitantes em 2025 e uma densidade populacional de 1.317 habitantes por km2, subdividido em 5 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Santo Tirso, a nordeste por Paços de Ferreira, a leste por Paredes, a sudoeste por Gondomar e a oeste pela Maia.
História Antecedentes Populada desde o Paleolítico, a região de Valongo foi ocupada por diversos povos que deixaram as suas marcas, tornando-se parte do Condado Portucalense no século IX. Já nesse século, existiria, a atual freguesia de Campo (então conhecida por S. Martinho de Valongo) e incluiria a atual freguesia de Valongo (incluindo a "aldeia de Susão"), que se tornaria uma freguesia separada nos séculos seguintes. Durante este tempo, o Rio Ferreira, que atravessa o atual território do concelho, terá servido de linha de fronteira entre o território de Anégia e o território de Portucale.
Pelas Inquirições de 1295, sabe-se que o atual concelho se repartia à data entre o Julgado de Aguiar de Sousa – que incluía São Martinho de Campo e Sobrado – e o Julgado da Maia – onde se incorporavam São Vicente da Queimadela (Alfena), Valongo e São Lourenço de Asmes (Ermesinde).
Criação do concelho e resto do século XIX No dealbar do século XIX, Valongo vive as vicissitudes da presença das tropas de Napoleão, aquando das Invasões Francesas. Uma divisão instala-se em Valongo, transforma a igreja em cavalariça e saqueia valores a particulares e à igreja. Em 1832, a região é palco das Guerras Liberais – Constitucionais e Miguelistas enfrentam-se na Batalha da Ponte Ferreira. Em Ermesinde, o antigo Convento de Nª. Srª. do Bom Despacho (Stª. Rita), torna-se hospital militar das forças absolutistas e no adro da igreja são enterrados em vala comum muitos dos que pereceram no Cerco do Porto. Finda a guerra, o valonguense António Dias de Oliveira exerce a sua influência com a rainha D. Maria II para criar o concelho de Valongo, o que é oficializado por decreto publicado a 29 de novembro de 1836, contando com as freguesias de Sobrado, Campo e Gandra (que pertenciam ao extinto concelho de Aguiar de Sousa) e Alfena, Ermesinde e Valongo (que pertenciam ao concelho da Maia). A freguesia de Valongo é nesta altura a mais populosa, com 40% dos fogos de todo o concelho, ainda antes da saída de Gandra, em 1837.
centro|miniaturadaimagem|350px|Batalha de Ponte Ferreira A 18 de maio de 1852, decorreu um almoço na Travagem oferecido pela C.M. Valongo à Família Real composta pela Rainha D. Maria II, o Rei D. Fernando II e os príncipes D. Pedro (futuro D. Pedro V) e D. Luís (futuro D. Luís I). Este almoço decorreu na última visita de D. Maria II ao norte de Portugal em forma de agradecimento pela criação do Concelho de Valongo em 1836.
Anos mais tarde, haveria nova visita real, desta vez por D. Luís e D. Maria Pia. "Durante muito tempo, falou-se ainda com grande admiração dos gigantescos e belos arcos que foram feitos em muitos lugares de passagem do cortejo e que deram aos festejos um esplendor admirável."
Contudo, num plano mais geral, recrudescem os fatores de desenvolvimento que se vinham observando. É entre os finais do século XVIII e os inícios do século XX que se constroem as grandes casas de lavoura em todas as povoações cujo cariz rural permanecerá por mais tempo. Adensa-se e multiplica-se a rede viária dentro dos limites do concelho, que passa a ser servido por transportes como o carro elétrico e o comboio. Sucede-se a abertura de estabelecimentos comerciais, com particular relevo para a principal artéria de Valongo e outros locais de Ermesinde. Os agregados populacionais alongam sucessivamente os seus termos com a chegada contínua de gentes vindas do interior.
Assiste-se também à instalação de várias indústrias. Aindao século XIX, começa a exploração sistemática de ardósia e extrai-se ainda do subsolo antimónio. Nos limites de Ermesinde implantam-se grandes fábricas de cerâmica, resineira, têxtis e metalurgia. Campo e Sobrado conservam um maior pendor de ruralidade. Domina o regime de minifúndio com produções tradicionais – a vinha, o milho e as forragens, a que está ligada a produção de leite. Têm surgido culturas novas como a kiwicultura e a hortifloricultura.
A 8 de dezembro de 1883, é inaugurada a iluminação pública na vila, mas esta é interrompida em 1885 devido ao seu elevado custo, só sendo retomada em 1888, durante a presidencia de António Oliveira Zina. Em 1887, já tinha sido inaugurada a Estação Telégrafo-Postal da vila.
Em 1889, Oliveira Zina submete um desenho para o brasão de armas, que é aprovado por unanimidade.
Em 1893, Sobrado acolhe os exercícios militares da Balsa, bem como a visita do Rei D. Carlos que passa a noite na Residência Paroquial. O rei terá sido entusiasticamente saudado no trajeto entre a Estação de Valongo (uma vez que veio de comboio) até Sobrado.
Implantação da República 200px|miniaturadaimagem|direita|Valongo, em 1906 O executivo municipal liderado por António Mendes Moreira, abade de Sobrado, procedeu à proclamação da República Portugueza a 10 de Outubro de 1910 estando lavrado em ata que ”(…) este município congratula-se com o notável acontecimento que há-de ficar registado em letras douradas paginas da historia pátria e declara solennemente proclamada a Republica Portugueza.” No dia seguinte, Mendes Moreira (provavelmente monárquico) é substituído na presidência do executivo camarário de Valongo por Joaquim da Maia Aguiar, defensor do republicanismo.
A proclamação da República em Valongo fez-se no dia 10 de Outubro. O ainda presidente da Câmara Municipal de Valongo, António Mendes Moreira (abade de Sobrado) disse: «Tendo sido implantada pelo exército e pelo povo da Capital, a Republica Portuguesa e abolidas as instituições monárquicas, a este município compete também pronunciar-se sobre tão glorioso acontecimento de que se esperam resultados úteis e profícuos para o progresso e prosperidade da pátria. (...) Que não pode Vallongo deixar de aderir também ao novo regime, que, estamos convencidos, é para bem de todos os portugueses e vem marcar uma nova e luminosa era de regeneração e de prosperidade para a pátria. Que em nome, deste município, congratula-se com o notável acontecimento há-de ficar registado em letras de ouro das páginas da história pátria e declara solenemente proclamada a Republica Portuguesa. (...)" No dia seguinte, 11 de Outubro de 1910, reuniu pela 1.ª vez a Comissão Municipal Republicana de Valongo, liderada por Joaquim da Maia Aguiar (substituindo o abade de Sobrado, que provavelmente nutria um ideal monárquico). Seguiu-se a proclamação da república nas restantes freguesias: Ermesinde (27 de outubro), Alfena (4 de novembro), Valongo (28 de outubro), Sobrado (28 de outubro) e Campo (30 de outubro).
Em 29 de Setembro de 1911, rebentou no Porto e em alguns concelhos vizinhos uma conspiração que tentou repor a monarquia mas sem sucesso. Em 3 de Outubro, o Administrador do Concelho, Dr. Maia Aguiar solicita ao Comissário Geral da Polícia Civil do Porto a captura do Reverendo Paulo António Antunes, abade de Ermesinde sob a acusação de que o mesmo teria contactado os párocos de Alfena, Valongo e Sobrado, convidando-os […] para o auxiliarem n´um movimento revolucionário, pedindo-lhes para mandarem tocar os sinos a rebate, quando fosse de madrugada, aliciando o povo e seguindo com elle para a sede do concelho, a fim de tomarem conta da Camara e administração, ficando elle administrador. Neste período grande parte dos párocos deste concelho foram expulsos das residências paroquiais, tiveram que se exilar ou foram presos. Foi um momento conturbado, caracterizado pela perseguição republicana à Igreja católica.
A 19 de janeiro de 1919 é proclamada no Porto a restauração da monarquia que durou apenas 25 dias, até 13 de fevereiro de 1919. Todo o norte de Portugal aderiu a esta revolução (incluindo Valongo), excluindo Chaves que se manteve republicano.
Nos anos 40-50 surge na vila o fascínio do hóquei em patins, depois do grande resultado da equipa portuguesa nos campeonatos mundias, culminando com a fundação da Associação Desportiva de Valongo em 1955.
Atualidade thumb|Área Metropolitana do Porto à noite, vista do espaço (Valongo no topo) Após a restauração da república, Valongo desenvolve-se gradualmente, influenciado pelo crescimento industrial e económico da Cidade do Porto. O comboio e posteriormente as excelentes acessibilidades rodoviárias propiciam um crescimento populacional e económico extraordinários. Valongo é hoje um município empenhado em cumprir um desenvolvimento harmonioso e equilibrado, em que o crescimento económico terá de conviver com a preservação dos bens culturais e naturais, sendo essa uma dualidade que, segundo a gestão do município, garantirá sempre a qualidade de vida. Esta aposta refletiu-se no facto de a cidade de Valongo ter sido uma das duas cidades da UE (a outra foi a cidade neerlandesa de Winterswijk) que receberam o prémio European Green Leaf - distinção atribuída pela Comissão Europeia - de 2022. Valongo é a segunda cidade portuguesa a receber o prémio, depois de Torres Vedras, que o recebeu em 2015.
Demografia O município de Valongo tinha, em 2025, um total de 98.930 habitantes e 75,12 km2 de área, sendo 58,3% desse território áreas florestais, estando a zona urbana maioritariamente localizada numa faixa central que percorre o município na direção sudeste-noroeste.
Em 2023, havia 2 922 estrangeiros com estatuto legal de residência no município, sendo que 1 909 tinham nacionalidade brasileira. Em 2024, os estrangeiros eram já 5 399.
População Número de habitantesInstituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes 1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021 8 511 9 450 11 188 11 853 13 811 14 763 17 239 23 568 27 939 33 300 41 265 64 234 74 172 86 005 93 858 94 672 (Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.)
Número de habitantes por Grupo EtárioINE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021 0-14 Anos 4 305 5 186 5 420 6 019 8 596 9 646 12 259 15 380 19 503 16 466 15 349 15 539 12 74615-24 Anos 2 229 2 475 2 901 3 589 4 112 5 392 5 627 6 840 11 913 13 937 13 060 10 480 10 31325-64 Anos 4 570 5 272 5 713 6 876 9 447 11 421 13 788 16 960 28 969 38 470 49 173 55 353 53 208= ou > 65 Anos 633 633 605 782 1 051 1 390 1 626 2 085 3 849 5 299 8 423 12 486 18 405 (Obs: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente)
Freguesias miniaturadaimagem|Freguesias do município de Valongo O município de Valongo é composto por 5 freguesias:
Alfena Ermesinde Campo Sobrado Valongo
Património O Município possui um vasto património natural e histórico, que inclui vestígios da ocupação romana, do desenvolvimento industrial dos séculos XIX e XX, e estruturas de carácter religioso.
miniaturadaimagem|Ponte de S. Lázaro, Alfena Alfena Ponte, capela e parque de São Lázaro Ponte dos Sete Arcos Portal do Ribeiro Portal das Telheiras Igreja Matriz de Alfena Capela de S. Roque (ligada ao Caminho de Santiago)
Campo miniaturadaimagem|Igreja Matriz de Campo Capela de Nª Sra da Encarnação Empresa de Lousas de Valongo Igreja Matriz de Campo Quinta do Visconde do Paço Ponte e Aqueduto dos Arcos Ponte da Milhária Ponte de Luriz