A Quinta-feira Santa, também chamada Quinta-feira de Endoenças ou Quinta-feira da Ceia do Senhor, é uma celebração cristã móvel realizada na quinta-feira da Semana Santa. Nesse dia recordam-se, de modo particular, o Lava-pés e a Última Ceia de Jesus com seus apóstolos, ocasião em que, segundo os Evangelhos canônicos, foi instituída a Eucaristia. A celebração marca o início do Tríduo Pascal.

É o quinto dia da Semana Santa, sucedendo a Quarta-feira Santa e antecedendo a Sexta-feira Santa. A sua data varia a cada ano, em função do cálculo da Páscoa, conforme o calendário gregoriano ou o calendário juliano, adotado por diferentes tradições cristãs. Em diversas Igrejas orientais, que seguem o calendário juliano ou o calendário juliano revisado, a celebração pode ocorrer em datas distintas das observadas no Ocidente.

A Missa celebrada na tarde ou noite da Quinta-feira Santa, tradicionalmente chamada Missa da Ceia do Senhor, encerra o tempo da Quaresma e introduz o Tríduo Pascal, período central do ano litúrgico cristão, que compreende a recordação da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. Esse tríduo inclui ainda a Sexta-feira Santa e o Sábado Santo, culminando na celebração da Vigília Pascal e do Domingo de Páscoa. A celebração ocorre geralmente no final da tarde, em consonância com a tradição judaica de iniciar o novo dia ao pôr do sol, em referência ao contexto da Última Ceia, descrita nos Evangelhos como uma refeição pascal judaica (Sêder). Durante a liturgia, em muitas comunidades realiza-se o rito do Lava-pés, evocando o gesto de serviço praticado por Jesus aos seus discípulos.

Liturgia

Cristianismo ocidental thumb|Jesus lavando os pés dos apóstolos, gravura na Basílica de Nossa Senhora Aparecida. A Quinta-feira Santa é notável por ser o dia no qual é celebrada a Missa na Ceia do Senhor, que recorda de forma especial a Última Ceia.

A cerimônia do lava-pés é um componente tradicional da celebração em muitas igrejas cristãs, incluindo a Armênia, a Etíope, Católicas Orientais, grupos batistas, Menonitas e a Igreja Católica Romana. Além disso, o rito está se tornando cada vez mais popular na liturgia da Quinta-feira Santa () na Igreja Anglicana, Episcopal,Episcopal and the African Methodist Episcopal Church Book of Occasional Services, p. 93 (1994) Luterana, Metodista e Presbiteriana além de várias outras denominações protestantes. Nas igrejas católicas e anglicanas, a Missa na Ceia do Senhor começa de forma tradicional, mas o Glória é acompanhado pelo soar de sinos, que permanecerão em silêncio até a Vigília Pascal. Depois da homilia, realiza-se então o lava-pés onde a cerimônia é realizada. Na missa católica, o Santíssimo Sacramento permanece exposto até que o serviço se conclua com uma procissão para levá-lo até o local onde ele será depositado. O altar-mor e todos os demais são limpos de toda decoração, com exceção do Altar da reposição. Até 1969, o missal romano previa este rito sendo realizado de forma cerimonial acompanhado do canto dos salmos 21 e 22,Missale Romanum 1962 , p. 161 uma prática que ainda permanece em muitas igrejas anglicanas. Em outras denominações cristãs, como as luteranas e metodistas, a limpeza do altar e do presbitério ocorre como preparativo para a solene e mais sombria ação litúrgica da Sexta-feira Santa pois nesse dia não se celebra missa. thumb|Missa do Crisma em Roma Também celebra-se neste dia em todas as dioceses da Igreja Católica Romana a Missa do Crisma (ou "Missa da Unidade"). Geralmente celebrada na catedral da diocese, nesta missa o santos óleos são abençoados pelo bispo para serem utilizados na crisma, na unção dos enfermos e como óleo dos catecúmenos. O primeiro e o último serão utilizados no Sábado de Aleluia, durante a Vigília Pascal, para batizar e confirmar os que entram para a igreja.

Cristianismo oriental Na Igreja Ortodoxa e nas Igrejas Católicas Orientais de rito bizantino, o dia é conhecido como "Grande e Sagrada Quinta-feira" ou "Grande Quinta-feira". Na Igreja Ortodoxa, as cores litúrgicas são mais brilhantes, comumente brancas. É apenas neste dia que se relaxa o jejum da Semana Santa para se permitir o consumo de vinho e azeite.

A leitura da manhã é o primeiro evangelho da paixão ( até ), conhecido como "Evangelho do Testamento", e muitos dos hinos normais da liturgia são substituídos. É normal a realização da cerimônia do lava-pés em catedrais e mosteiros. Quando há necessidade de consagrar mais óleo para crisma, a cerimônia é realizada pelos patriarcas e outros líderes das diversas igrejas autocéfalas. À noite, depois da liturgia, todas as decorações e vestes são trocadas por outras de cor negra ou escura, um sinal do início da paixão.

A partir da Grande e Sagrada Quinta-feira, os serviços em memória dos mortos estão proibidos até o dia seguinte ao Domingo de Tomé.

Data A Quinta-feira Santa é um feriado nacional na Colômbia, Costa Rica, Dinamarca, Islândia, México, Noruega, Paraguai, Filipinas, Espanha (com exceção das regiões da Catalunha e Valência) e Venezuela. Quinta-Feira Santa Ano Data 2025 17 de abril20262 de abril202725 de março202813 de abril202929 de março203018 de abril

Visita a sete igrejas A tradição de visitar sete igrejas na Quinta-feira Santa é uma prática antiga originada provavelmente em Roma. Em diversos países da América Latina, a visita às sete igrejas geralmente ocorre à noite.

Instituição da Eucaristia A Quinta-feira Santa está tradicionalmente associada à instituição da Eucaristia, conforme narrado nos Evangelhos sinóticos (; ; ) e na Primeira Carta aos Coríntios (). Segundo esses relatos, durante a Última Ceia com os apóstolos, Jesus tomou o pão e o vinho e os ofereceu aos discípulos, pronunciando palavras que a tradição cristã compreende como fundacionais do sacramento: “Isto é o meu corpo” e “Este cálice é a nova aliança no meu sangue”.

Na teologia católica, esse gesto é entendido como a instituição do sacramento da Eucaristia, no qual, sob as espécies do pão e do vinho, se torna real e substancialmente presente o próprio Cristo. A celebração da Missa é considerada a atualização sacramental desse evento, não como repetição histórica, mas como memorial (anamnese) que torna presente, de modo sacramental, o único sacrifício de Cristo. Assim, a Última Ceia é vista como antecipação sacramental da Paixão e fundamento do culto eucarístico na Igreja.

Além do seu significado sacramental, a instituição da Eucaristia é também compreendida como elemento constitutivo da vida e da identidade da comunidade cristã. Desde os primeiros séculos, a “fração do pão” () ocupou lugar central na reunião dos fiéis, sendo entendida como sinal de comunhão com Cristo e entre os membros da Igreja. A Quinta-feira Santa, ao recordar esse acontecimento, destaca o vínculo entre Eucaristia, sacrifício pascal e unidade eclesial.

Referências

Ligações externas

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