Amor à Queima-Roupa () é um filme policial norte-americano de 1993, dirigido por Tony Scott e estrelado por Christian Slater, Patricia Arquette, Christopher Walken, Dennis Hopper e Gary Oldman, com participações de Val Kilmer, Brad Pitt, Michael Rapaport, Bronson Pinchot, Chris Penn, Tom Sizemore, James Gandolfini e Samuel L. Jackson. O roteiro foi escrito por Quentin Tarantino com base em uma história de 80 páginas escrita por Roger Avary em 1985.

O filme narra a história de Clarence Worley (Christian Slater), um aficionado por Elvis Presley e histórias em quadrinhos que se envolve com Alabama Whitman (Patricia Arquette), uma prostituta contratada pelo chefe de Clarence como presente de aniversário. Os dois se apaixonam e se casam, mas a tentativa de Clarence em tirar Alabama das ruas acaba fazendo com que o casal termine de posse de uma mala cheia de cocaína que pertence à máfia. Guiado por conselhos recebidos em aparições de Elvis (Val Kilmer), Clarence e Alabama planejam vender a droga para um figurão de Hollywood, enquanto Vincenzo Coccotti (Christopher Walken), braço direito de um chefe da máfia, passa a persegui-los para recuperar a sua droga.

True Romance estreou nos Estados Unidos em 10 de setembro de 1993, tendo um desempenho medíocre nas bilheterias: o filme arrecadou pouco mais de doze milhões de dólares, tornando-se o terceiro filme de pior bilheteria do diretor Tony Scott.Tony Scott Movie Box Office em Box Office Mojo. Página visitada em 24 de agosto de 2012. Promovido como "Bonnie and Clyde dos 90", críticas à época de seu lançamento foram em sua maioria positivas; o filme também goza de apreço junto aos fãs de cinema, tendo eventualmente se tornado um filme cult.Cult Films - Examples (em inglês). filmsite.org. Página visitada em 24 de agosto de 2012. True Romance também alavancou a carreira de Quentin Tarantino: com a venda do roteiro, ele foi capaz de angariar recursos para a produção de Reservoir Dogs, primeiro filme de sua carreira.

Enredo

Clarence Worley (Slater) é funcionário de uma loja de histórias em quadrinhos e um aficionado por cinema e Elvis Presley. No seu aniversário, ele vai a um cinema de Detroit para assistir a uma produção tripla do cineasta Sonny Chiba. Lá, ele (aparentemente por acaso) conhece Alabama Whitman (Arquette); os dois vão a um restaurante para comer torta e conversar sobre o filme antes de irem para o apartamento de Clarence. Depois de fazerem sexo, ela confessa ser uma garota de programa contratada pelo chefe de Clarence como um presente de aniversário. Porém, ela se apaixona por Clarence, e ele por ela.

No dia seguinte, os dois se casam. O cafetão de Alabama, Drexl Spivey (Oldman), porém, não parece estar satisfeito com o ocorrido. Clarence, então, vê uma aparição de seu ídolo, Elvis Presley (Kilmer), que lhe aconselha a matar Drexl, para "tornar o mundo um lugar melhor". Clarence conta a Drexl que se casou com Alabama e que ela não tem mais negócios para com o cafetão. Os dois, eventualmente, brigam; Clarence saca uma arma e mata Drexl e seu guarda-costas. Ele deixa o local com pressa e pega uma bolsa, a qual ele acredita conter as roupas de Alabama. Quando Clarence conta a ela que matou Drexl, ela soluça e afirma que aquilo foi "tão romântico".

Abrindo a bolsa, os dois descobrem que, ao invés das roupas de Alabama, ela está cheia de cocaína roubada por Drexl. Clarence e Alabama decidem deixar a Califórnia imediatamente; porém, eles antes passam na casa de Clifford Worley (Hopper), pai de Clarence, um ex-policial que agora trabalha como segurança. Clarece quer se assegurar de que ele não é suspeito da morte de Drexl, e seu pai lhe conta que a polícia acredita tratar-se de um assassinato por conta de drogas.

Clarence e Alabama partem para Los Angeles, onde eles planejam se encontrar com Dick Ritchie (Rapaport), um antigo amigo de Clarence que mantém planos de ser ator. De volta a Detroit, Clifford recebe a visita de Vincenzo Coccotti (Walken), que quer a droga roubada por Drexl de volta. Clifford se recusa a revelar o paradeiro de seu filho e, após insultar Coccotti, este opta por matá-lo; logo em seguida, ele encontra um bilhete na geladeira que contém o endereço de Clarence em Los Angeles.

A intenção de Clarence é utilizar os contatos de Ritchie com um ator chamado Elliot (Pinchot) para vender a cocaína para um produtor cinematográfico chamado Lee Donowitz (Rubinek). Elliot pega uma porção da cocaína para si e, por excesso de velocidade, é parado pela polícia e, eventualmente, preso por posse de drogas.

Enquanto isso, Alabama é encontrada sozinha no hotel onde ela e Clarence estavam hospedados por Virgil (Gandolfini), um dos capangas de Coccotti. Ele a interroga, mas ela se recusa a responder às perguntas dele; os dois iniciam uma sangrenta briga que termina com Alabama o matando.

Os detetives Nicholson (Sizemore) e Dimes (Penn) chegam à conclusão de que a cocaína apreendida com Eliott era parte de uma transação de drogas que estava prestes a acontecer. Os detetives prometem a Eliott que ele não será preso caso colabore e plantam uma escuta nele. Neste ínterim, os capangas de Coccotti descobrem onde a transação será efetuada por intermédio de Floyd (Pitt), o maconheiro companheiro de quarto de Ritchie, de modo que todos vão para a suíte de Donowitz no Hotel Ambassador.

Clarence e Donowitz, prestes a fechar o negócio, são surpreendidos com as emboscadas da polícia e dos mafiosos, que chegam ao local quase ao mesmo tempo. Estabelece-se um impasse mexicano; Donowitz percebe que Elliot é o informante e arremessa um pote de café quente nele, enquanto Nicholson atira em Donowitz, iniciando o tiroteio. Ritchie abandona as drogas e foge; Clarence é baleado assim que sai do banheiro; Dimes encontra um dos guarda-costas de Coccotti seriamente ferido e o mata por ter atirado em Nicholson; Alabama, então, atira em Dimes por ter atirado em Clarence.

Enquanto Alabama chora sobre o corpo de Clarence, o qual ela acredita que está morto, ela descobre que o tiro de Dimes passou de raspão, errando o seu olho por pouco. Clarence e Alabama escapam com o dinheiro de Donowitz enquanto a polícia isola a área ao redor do hotel. O casal é mostrado em uma praia em Cancún, com um filho chamado Elvis.

Elenco Christian Slater — Clarence Worley Patricia Arquette — Alabama Whitman Michael Rapaport — Dick Ritchie Bronson Pinchot — Elliot Blitzer Saul Rubinek — Lee Donowitz Dennis Hopper — Clifford Worley James Gandolfini — Virgil Gary Oldman — Drexl Spivey Christopher Walken — Vincenzo Coccotti Chris Penn — Nicky Dimes Tom Sizemore — Cody Nicholson Brad Pitt — Floyd Val Kilmer — Elvis Presley Samuel L. Jackson — Big Don Ed Lauter — capitão Quiggle (não creditado)

Produção Desenvolvimento do roteiro

A origem do roteiro de True Romance remonta a 1985, quando Quentin Tarantino e Roger Avary trabalhavam em uma videolocadora em Manhattan Beach, na Califórnia. Avary escreveu um roteiro de 80 páginas intitulado "The Open Road", centrado em torno de Clarence Worley, um aficionado por histórias em quadrinhos, e Alabama Whitman, sua esposa. Worley escreve um roteiro sobre dois assassinos em série chamados Mickey e Mallory, que atravessam os Estados Unidos matando pessoas. Com o aval de Avary, Tarantino se apropriou de "The Open Road" e o reescreveu, dividindo-o em duas histórias separadas: a história de Clarence e Abalama tornou-se True Romance, enquanto Mickey e Mallory tornaram-se os personagens principais de Natural Born Killers, que viria a ser filmado por Oliver Stone em 1994. Ademais, "alguns pedaços [de 'The Open Road'] viriam a integrar outros roteiros (...) eventualmente encontrariam seu caminho em Natural Born Killers, Pulp Fiction e provavelmente muitos outros filmes de Quentin Tarantino".

Tarantino, então, levou os roteiros de True Romance e Reservoir Dogs para o diretor Tony Scott, que estava filmando The Last Boy Scout. Para chamar a atenção de Scott, ele alterou a primeira página do roteiro de True Romance. Posteriormente, o diretor relembrou a leitura dos roteiros: "Ele [Tarantino] me entregou dois roteiros: True Romance, que era o primeiro, e Reservoir Dogs. Eu sou um leitor terrível, mas eu li ambos em um voo para a Europa. Quando eu aterrissei, eu queria transformar os dois em filmes. Quando eu disse isso a Quentin, ele disse, 'Você só pode fazer um'."

O roteiro de True Romance foi vendido por trinta mil dólares; este dinheiro foi utilizado por Quentin Tarantino para financiar a produção de Reservoir Dogs, seu primeiro filme. O roteiro, então, foi reescrito. Tarantino havia apresentado uma narrativa não-linear, dividindo a história em três atos; Scott reordenou a ordem dos acontecimentos, transformando a história em um ato único, linear. Outra mudança, esta mais significativa, foi feita no final do roteiro: na versão original de Tarantino, Clarence morria e Alabama fugia com o dinheiro das drogas. Scott convocou Roger Avary para reescrever o final, afirmando que "Eu simplesmente me apaixonei por essas duas personagens e não queria vê-los morrer. Eu os queria juntos"; a opção do diretor, porém, não agradou Tarantino: "Eu tentei pra caramba convencer Tony a deixar Clarence morrer, porque isso foi o que eu escrevi e isso não estava aberto para discussão. (...) ele me convenceu 100% de que estava fazendo isso por razões comerciais. Quando eu assisti ao filme, eu percebi que Tony estava certo. Ele sempre viu isso como um conto de fadas de amor (...) Mas no meu mundo Clarence está morto e Alabama está na dela. Se ela voltar a aparecer em algum dos meus roteiros, Clarence ainda estará morto."

Posteriormente, Tarantino afirmou que o personagem de Clarence foi amplamente baseado em si próprio: "True Romance é provavelmente o meu roteiro mais pessoal, porque o personagem do Clarence era eu à época em que escrevi. Ele trabalha em uma loja de histórias em quadrinhos — eu trabalhava em uma videolocadora. Quando os meus amigos daquela época assistem a True Romance, eles ficam melancólicos; traz de volta uma certa época para nós. Foi esquisito quando eu assisti ao filme pela primeira vez porque estava parecendo uma versão de grande orçamento dos meus filmes caseiros, ou memórias."

Escolha do elenco Christian Slater estava filmando Untamed Heart quando recebeu o roteiro de True Romance, definindo o texto como "um dos melhores roteiros que eu já li" e o seu personagem como "excêntrico". Posteriormente, Tarantino — que não participou de nenhum processo de produção do filme, com exceção da escrita do roteiro — revelou que pensara em Robert Carradine para o papel, justificando que "Para a maioria dos escritores de primeira viagem, o personagem principal é o seu dublê. Clarence era eu. Se você me perguntasse à época se Christian Slater era o ideal para o papel, eu diria que não — ele era bonito demais". Slater revelou que conhecera Tarantino durante um dos ensaios, afirmando que tivera "visões de caras como Quentin que trabalhavam em videolocadoras e são enérgicos sobre filmes, mas nunca poderiam ser Charles Bronson". Scott revelou que Val Kilmer queria o papel de Clarence, mas o diretor "tinha uma visão diferente" e Kilmer pediu para interpretar Elvis.

Tarantino também revelou que, para ele, "a Alabama ideal" seria Joan Cusack; Tony Scott, por sua vez, queria Drew Barrymore para o papel. Patricia Arquette foi escolhida após um encontro de Scott e Slater com ela; o diretor relembrou que "Christian teve uma queda na primeira vez que a viu. Isso tornou a minha vida muito fácil. A crença do espectador de que eles estão apaixonados vem da química deles. Patricia se apaixonou por Christian, e ele por ela". Sobre sua personagem, Arquette posteriormente relatou que "não gostava quando Alabama era meio racista. Atualmente nós estamos acostumados com o tom de Quentin, mas à época eu estava meio que chocada com aquilo".