Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho (Rio de Janeiro, 17 de julho de 1930 — Rio de Janeiro, 5 de fevereiro de 1994), conhecido como Sérgio Macaco, foi um militar da FAB, integrante do esquadrão paraquedista de resgate Para-Sar.

Dados biográficos Considerado um dos mais obstinados e admirados oficiais da unidade, em 1968 "Ele se recusou a cumprir ordens do brigadeiro João Paulo Moreira Burnier, que tinha o plano de explodir o gasômetro do Rio de Janeiro e dinamitar uma represa. Apenas a explosão do gasômetro, planejada para ocorrer na hora do rush, mataria em torno de 10 mil pessoas. A culpa seria atribuída aos comunistas, o que legitimaria uma verdadeira “caça às bruxas”, com o apoio da opinião pública, que seria devidamente preparada para apoiar esse endurecimento do regime. Perguntado por Burnier se concordava com o plano, Sérgio Macaco respondeu:

— Não. Não concordo. E enquanto eu estiver vivo isso não acontecerá. (...). Não me calo e darei conhecimento de tais fatos ao ministro.

Na lista dos alvos, estavam Carlos Lacerda, Juscelino Kubitschek, dom Hélder Câmara e o líder estudantil Vladimir Palmeira." A denúncia foi repercutida pelo jornal Correio da Manhã, e Sérgio conquistou o apoio do brigadeiro Eduardo Gomes.1968 - Eles queriam mudar o mundo. Regina Zappa, Ernesto Soto. Jorge Zahar Editor Ltda. ISBN 9788537805930 O caso, no entanto, foi ignorado pela Aeronáutica e Sérgio Carvalho acabou reformado pelo Ato Institucional Número Cinco, perdendo a patente e o meio de vida.Ministério do silêncio. Lucas Figueiredo. Editora Record. ISBN 9788501069207 (2005)

Em 1985, recebeu a primeira homenagem pública desde que foi cassado, tendo o título de "Cidadão Benemérito do Rio de Janeiro" concedido a ele pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. A cerimônia, realizada no dia 12 de junho daquele ano, contou ainda com a presença de Luís Carlos Prestes.1985, o ano em que o Brasil recomeçou, pág. 111. Edmundo Barreiros, Pedro Só. Singular Digital. ISBN 9788500018473 (2005)

Envolveu-se na política, tendo assumido como suplente o mandato de deputado federal pelo PDT do Rio de Janeiro durante três ocasiões da legislatura 1987-1991: de 3 de janeiro de 1989 a 3 de abril de 1990, na vaga do deputado Edésio Frias; de 1º de julho a 30 de outubro de 1990, na vaga do deputado Lysâneas Maciel; e em 9 de janeiro de 1991, quando foi efetivado na vaga do deputado Doutel de Andrade."Conheça os Deputados". Portal da Câmara dos Deputados

Em 1992 o Supremo Tribunal Federal reconheceu os direitos do capitão, estabelecendo que ele devia ser promovido a brigadeiro – posto que teria alcançado se tivesse permanecido na Aeronáutica. O então ministro da Aeronáutica, o brigadeiro Lélio Viana Lobo, ignorou a decisão da corte, sendo o Supremo Tribunal Federal obrigado a mandar um ofício exigindo o cumprimento da lei. Lobo novamente se recusou, transferindo o problema para o presidente da República, à época Itamar Franco, que por sua vez protelou a decisão até que Sérgio morreu de câncer em 1994, sem ver sua patente restabelecida ou receber a promoção a que tinha direito."Itamar fez um governo decente, mas carrega mancha na biografia: o caso do capitão 'Sérgio Macaco'". Veja, 12 de janeiro de 2010"Plano de explosão deu fama ao Gasômetro". Folha Online, 13 de setembro de 2000 Em 1997, a família de Sérgio foi indenizada pelo governo com o valor relativo às vantagens e soldos que ele deixou de receber entre os anos de 1969 e 1994."Filha de capitão do caso 'Para-Sar' ganha indenização". Folha Online, 4 de maio de 1997

Ver também Caso Para-Sar Atentado do Riocentro

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