Glenda May Jackson CBE (Birkenhead, 9 de maio de 1936 – Londres, 15 de junho de 2023) foi uma atriz e política britânica nascida na Inglaterra. Ao longo de sua distinta carreira, recebeu inúmeros prêmios, incluindo dois Óscares de Melhor Atriz, três Emmys e um Tony, tornando-se uma das poucas artistas a conquistar a " Tríplice Coroa da Atuação ". Também conquistou outros prêmios importantes tais como o Globo de Ouro, o BAFTA e o de melhor atriz no Festival de San Sebastián e no Festival de Montreal.

Jackson estudou na Royal Academy of Dramatic Art (RADA) e estreou na Broadway em Marat/Sade (1966). Durante a primeira metade da década de 70, foi agraciada com o Oscar de Melhor Atriz duas vezes, pelos filmes românticos Mulheres Apaixonadas (1969) e Um Toque de Classe (1973), mas não compareceu pessoalmente para receber nenhum dos prêmios. Outros filmes notáveis ​​em sua carreira incluem: a versão cinematográfica de Marat/Sade (1967), Delírios de Amor (1971), Mary, Rainha da Escócia (1971), As Criadas (1975), Hedda (1975), A Incrível Sarah (1976), Um Viúvo Trapalhão (1978), Stevie (1978) e O Retorno do Soldado (1980). Ela ganhou dois Primetime Emmy Awards por sua interpretação da Rainha Elizabeth I na aclamada série de 1971 da BBC, Elizabeth R.

Em seu retorno triunfal aos palcos, após uma aposentadoria que abrangeu mais de duas décadas e na qual dedicou-se em representar os eleitores de Hampstead e Kilburn em Londres como deputada trabalhista, Jackson conquistou o Prêmio Tony de Melhor Atriz em Peça Teatral e o Drama Desk Award de Melhor Atriz em Peça Teatral por seu papel na remontagem de Three Tall Women, de Edward Albee (2018), além de ter sido agraciado com o BAFTA e o Emmy Internacional por sua atuação em Elizabeth Is Missing de (2019).

Ao lado de Vanessa Redgrave, Judi Dench, Maggie Smith, Eileen Atkins, é uma das grandes damas do teatro e cinema britânico.

Biografia Glenda Jackson nasceu em Birkenhead, Wirral, Cheshire (agora Merseyside), onde seu pai era um pedreiro. Sua mãe lhe deu o nome em homenagem à estrela de cinema de Hollywood Glenda Farrell. Foi educada na West Kirby Grammar School for Girls, e logo em seguida trabalhou por dois anos em uma filial da farmácia Boots em West Kirby, antes de se candidatar à Royal Academy of Dramatic Art (RADA), recebendo uma bolsa da prefeitura para que pudesse mudar para Londres, onde começaria seus estudos, em 1955.

Carreira artística 1957-1968: Primeiros anos Após formar-se pelo RADA, em Bloomsbury, em 1957 Glenda Jackson iniciou sua carreira no teatro com a peça "Separate Tables" de Terence Rattingan. De 1958 a 1961, Jackson passou por um período de dois anos e meio em que não conseguiu encontrar trabalho como atriz. Após realizar alguns testes sem sucesso para a Royal Shakespeare Company (RSC), foi aceita finalmente como membro da companhia teatral em 1963, tornando-se, na ocasião, integrante na temporada Theatre of Cruelty do diretor Peter Brook, que a dirigiu na peça Marat/Sade (1965), de Peter Weiss, na qual a atriz interpretou uma das internas do hospício, onde a história era ambientada. A produção estreou na Broadway em 1965 e em Paris, e conquistou a primeira indicação de Glenda para o Tony Awards, nesta feita, como atriz coadjuvante. No mesmo ano, ela interpretou Ofélia na produção de Hamlet de Peter Hall. A crítica Penelope Gilliatt a descreveu a performance de Jackson como "a única Ofélia pronta para interpretar o próprio Hamlet".

Estreou no cinema seis anos depois com o filme "This Sporting Life" de 1963. Mais Tarde trabalhou com Peter Brook na adaptação de "Marat Sade" para o cinema.

1969-1979: Aclamação artística

Já reconhecida no teatro, ganhou fama internacional ao protagonizar dois filme de Ken Russell: "Mulheres Apaixonadas" (Women in Love), onde interpreta a escultora e artista plástica Gudrun Brangwen, filme que lhe valeu seu primeiro Oscar de melhor atriz; e depois "Delírio de Amor" (The Music Lovers), no papel de Antonina Miliukova esposa do compositor romântico russo Tchaikovsky, interpretado por Richard Chamberlain.

Por aceitar papéis controversos que muitas atrizes recusavam, Glenda Jackson adicionou à sua imagem a fama de fazer qualquer sacrifício pela sua arte. Provou isso ao interpretar a Rainha Elizabeth I em "Elizabeth R". série produzida pela BBC em 1971. Para o filme, Glenda teve que raspar a parte da frente do cabelo, fazendo com que se parecesse mais com a rainha, sendo sua interpretação nesta série considerada "o retrato mais real da amada Elizabeth I da Inglaterra". Recebeu dois Emmys por esse seu trabalho. Ainda em 1971, Glenda interpretaria a Rainha Elizabeth I mais uma vez no filme Mary, Rainha da Escócia, contracenando ao lado de Vanessa Redgrave no papel título; e também receberia sua segunda indicação ao Oscar, bem como um BAFTA de Melhor Atriz, por seu papel em Domingo Maldito, de John Schlesinger.

Vendo em Glenda potencial para comédias, após sua breve aparição como Cleópatra em um esquete de comédia para o programa da BBC Morecambe and Wise Show, o diretor e roteirista Melvin Frank ofereceu-lhe o papel com o qual ela ganharia o segundo Oscar de melhor atriz na comédia romântica de 1973 "Um Toque de Classe" (A Touch of Class), coestrelada por George Segal.

Ela continuou trabalhando no teatro, retornando à Royal Shakespeare Company (RSC) para o papel principal em "Hedda Gabler" , do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen. Uma versão cinematográfica posterior, dirigida por Trevor Nunn, foi lançada sob o título de "Hedda" (1975), pela qual Jackson conseguiu sua quarta, e última, indicação ao Oscar. Escrevendo ao The New York Times, o crítico Vincent Canby elogiou a performance de Glenda: “Esta versão de Hedda Gabler é toda a Hedda da Srta. Jackson e, devo dizer, muito divertida de assistir... O virtuosismo técnico da Srta. Jackson é particularmente adequado a uma personagem como Hedda. Seu domínio da voz e do corpo, bem como os maneirismos de Jackson, têm o efeito de separar a atriz da personagem de uma maneira muito curiosa."

Em 1978, ela estrelou a comédia romântica Um Viúvo Trapalhão (House Calls), contracenando com Walter Matthau, com o filme passando duas semanas em 1º lugar nas bilheterias dos EUA. House Calls marcou sua estreia em Hollywood e foi o maior sucesso de bilheteria de sua carreira nos Estados Unidos. Naquele ano, ela foi condecorada com a Ordem do Império Britânico (CBE). Jackson e Matthau se uniram novamente na comédia Um Espião Trapalhão (Hopscotch) (1980), que estreou em 1º lugar em seu fim de semana de estreia nas bilheterias dos EUA, permanecendo também em primeiro lugar durante sua segunda semana.

1980–1991: Atriz consagrada Quinze anos após a temporada de Marat/Sade em Nova York , Jackson retornou à Broadway em Rose (1981), de Andrew Davies, contracenando com Jessica Tandy; ambas as atrizes receberam indicações ao Tony por seus papéis. Em setembro de 1983, o Teatro Glenda Jackson em Birkenhead foi nomeado em sua homenagem, mas foi demolido em 2003 para dar lugar a construção de um campus próprio para estudantes.

Em novembro de 1984, Jackson interpretou o papel principal na tradução inglesa de Robert David MacDonald da obra Fedra, de Racine, encenada no Old Vic. A peça foi concebida e dirigida por Philip Prowse, que também desenhou o icônico figurino usado por Jackson o qual, atualmente encontra-se em exibição no Victoria and Albert Museum.

Em 1985, ela interpretou Nina Leeds em uma remontagem de Strange Interlude (Interlúdio Estranho), do dramaturgo americano e Nobel de Literatura Eugene O'Neill, no Nederlander Theatre, em uma produção que havia estreado em Londres no ano anterior e ficou em cartaz por oito semanas. Pelo papel, Glenda seria indicada novamente ao Tony de Melhor Atriz.

Entre seus últimos trabalhos no cinema, televisão e teatro antes de sua prolongada aposentadoria, estão: "The Rainbown" (1989), de Ken Russell, na qual interpreta Anna Brangwen, mãe de Gudrun, papel pelo qual havia ganhado seu primeiro Oscar vinte anos antes; "A Casa de Bernarda Alba", adaptação da peça espanhola de Federico Garcia Lorca, no qual interpreta a personagem título; e o papel principal em "Scenes from an Execution" de Howard Barker como Galactia, uma artista veneziana do século XVI, encenado Teatro Almeida em 1990.

2015-2023: Retorno à atuação

Em 2015, Jackson retornou à atuação após uma ausência de 23 anos, tendo se aposentado da política. Ela assumiu o papel principal de Dide, a matriarca ancestral, em Blood, Sex and Money, uma série de radiodrama baseada na série de romances "Les Rougon-Macquart" de Émile Zola, e transmitida pela Radio 4 de novembro de 2015 a outubro de 2016. .

Glenda retornou aos palcos no final de 2016, interpretando o papel-título em Rei Lear, de William Shakespeare , no Old Vic Theatre, em Londres, em uma produção que ficou em cartaz de 25 de outubro a 3 de dezembro. Ela ganhou o prêmio Natasha Richardson de Melhor Atriz no Evening Standard Theatre Awards de 2017 por sua performance..

Em 2018, Jackson retornou à Broadway em uma remontagem de "Três Mulheres Altas" (Three Tall Women), de Edward Albee, atuando ao lado de Laurie Metcalf e Allison Pill. O papel lhe rendeu o Prêmio Tony de Melhor Atriz em Peça. Marilyn Stasio, da Variety, escreveu: "Assistir Glenda Jackson em ação teatral é como olhar diretamente para o sol. Seu rosto expressivo registra seus pensamentos enquanto protege seus sentimentos. Mas é a voz que realmente emociona. Grave e cristalina, é a voz imponente de uma autoridade severa.".

Posteriormente, Glenda retornou ao papel principal de Rei Lear na Broadway em uma produção que estreou em abril de 2019. O diretor Sam Gold comentando sobre os preparativos para a estreia da peça ao The New York Times, disse: "Glenda vai fazer algo muito intenso, muito especial, muito grandioso. Ela vai passar por algo que a maioria das pessoas não passa. Todos vocês estão convidados. Glenda Jackson vai suportar isso, e vocês vão testemunhar."

Em 2019, após uma ausência de 27 anos, Jackson retornou ao drama televisivo, interpretando uma avó idosa lutando contra a demência em Elizabeth Is Missing na BBC One , baseado no romance de mesmo nome de Emma Healey, pelo qual ela ganhou o BAFTA TV Award de Melhor Atriz e o Emmy Internacional de melhor atriz.

Em fevereiro de 2021, foi noticiado que Jackson estrelaria com Michael Caine em The Great Escaper , um filme que conta a história real da fuga de Bernard Jordan de seu lar de acolhimento para comemorar o 70º aniversário do Dia D, na França. Caine interpretaria Jordan, e Jackson, sua esposa, René. Jackson concluiu as filmagens de The Great Escaper em setembro de 2022; este seria seu último filme.

Carreira política Em 1992 abandonou a carreira de atriz para ser política, tendo sido eleita deputada do distrito eleitoral de Hampstead and Highgate em Camden pelo Partido Trabalhista em 1992. E em 1997 foi nomeada ministra do transporte pelo primeiro-ministro britânico Tony Blair. Após mudanças nos limites das circunscrições eleitorais, passou a representar Hampstead e Kilburn a partir de 2010. Nas eleições gerais de 2010 , sua maioria de 42 votos, confirmada após uma recontagem, representou a margem de vitória mais apertada da Grã-Bretanha.

Em 10 de abril de 2013, Jackson fez um discurso na Câmara dos Comuns após a morte de Margaret Thatcher, que posteriormente se tornou viral. Ela acusou o Thatcherismo de tratar "vícios como virtudes" e afirmou que, por causa do Thatcherismo, o Reino Unido estava suscetível a taxas de desemprego e de pessoas sem-teto sem precedentes, escolas e serviços públicos cronicamente subfinanciados e ao fechamento de hospitais psiquiátricos.

Jackson aposentou-se da politica cargo nas eleições gerais de 2015 e retornou à carreira de atriz.

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