João Dornas dos Santos Filho (Itaúna, 7 de agosto de 1902 – Belo Horizonte, 11 de dezembro de 1962) foi um escritor, historiador, folclorista, poeta e ensaísta brasileiro. Participou do modernismo mineiro e foi um dos diretores do periódico Leite Criôlo, publicado em Belo Horizonte em 1929.
Foi membro da Academia Mineira de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Sua produção, composta por obras literárias, biografias e estudos históricos, etnográficos e sociais, abordou temas como a história de Minas Gerais, a escravidão, as relações raciais, os povos indígenas e os ciganos no Brasil.
Biografia
João Dornas Filho nasceu em Itaúna, filho de João Dornas dos Santos e Maria Eugênia Viana Dornas. Posteriormente, transferiu-se para Belo Horizonte, onde estudou no Ginásio Mineiro. Casou-se com Maria Efigênia Dornas, com quem não teve filhos.
Na capital mineira, colaborou com jornais e revistas publicados em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Sua produção compreendeu poesia, contos, ensaios, biografias e estudos de história e folclore.
Dornas Filho morreu em Belo Horizonte em 11 de dezembro de 1962, aos 60 anos.
Modernismo mineiro
Dornas Filho integrou os círculos literários ligados à renovação modernista em Minas Gerais. Em 1929, fundou e dirigiu, juntamente com Achilles Vivacqua e Guilhermino César, o periódico Leite Criôlo.
O primeiro número de Leite Criôlo circulou em 13 de maio de 1929 como um tabloide distribuído gratuitamente. Os números seguintes foram publicados como suplemento dominical do jornal Estado de Minas, entre junho e setembro daquele ano. A publicação contou com dezenove números e reuniu trabalhos de autores como Carlos Drummond de Andrade, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Luís da Câmara Cascudo, João Alphonsus e Abgar Renault.
O periódico discutia a identidade nacional e a influência da cultura africana na formação brasileira. Estudos posteriores, contudo, apontaram uma abordagem ambígua: ao mesmo tempo que destacava a matriz negra da cultura nacional, também reproduzia concepções racialistas presentes no ambiente intelectual da época.
A poesia de Dornas Filho publicada nesse contexto utilizava formas e temas associados ao modernismo, como a linguagem coloquial, a valorização de elementos culturais brasileiros e as representações da identidade mineira e nacional.
Produção intelectual
A partir da década de 1930, Dornas Filho concentrou grande parte de sua atividade na pesquisa histórica, na biografia e nos estudos sociais. Sua primeira obra em livro foi Itaúna: contribuição para a história do município, publicada em 1936 e dedicada à história de sua cidade natal.
No mesmo ano, publicou uma biografia do republicano Antônio da Silva Jardim, lançada pela Companhia Editora Nacional na coleção Brasiliana. Outros trabalhos biográficos foram dedicados aos irmãos José Bonifácio, Antônio Carlos e Martim Francisco de Andrada, além de Júlio Ribeiro, Antônio Torres e de uma comparação entre Eça de Queirós e Camilo Castelo Branco.
Parte de sua produção tratou da formação social brasileira. Em A escravidão no Brasil, publicado em 1939, e A influência social do negro brasileiro, de 1943, abordou a escravidão e a presença da população negra na sociedade brasileira. Também publicou estudos sobre povos indígenas e sobre a história dos ciganos em Minas Gerais.
Entre seus trabalhos dedicados à história econômica e social de Minas Gerais estão Capítulos da sociedade brasileira, O ouro das Gerais e a civilização da capitania e estudos sobre atividades econômicas do período colonial.
Academia Mineira de Letras
João Dornas Filho foi eleito para a Academia Mineira de Letras em 26 de setembro de 1945, para ocupar a cadeira 12, cujo patrono é o poeta Alvarenga Peixoto. Sucedeu o escritor Carlindo Lélis.
Sua posse ocorreu em 16 de novembro de 1948, ocasião em que apresentou um estudo sobre Alvarenga Peixoto.
Também integrou o Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, em cuja revista publicou trabalhos sobre história, etnografia e folclore.
Acervo
O fundo pessoal de João Dornas Filho encontra-se sob a guarda do Arquivo Público Mineiro. A documentação abrange o período de 1925 a 1972 e reúne documentos pessoais, textos literários e históricos, correspondências, recortes de jornais, periódicos, desenhos, fotografias, cartões-postais e outros materiais relacionados à sua trajetória intelectual.
O conjunto iconográfico contém 409 fotografias, 52 desenhos, 24 cartões-postais e um mapa. Parte do acervo foi doada ao Arquivo Público Mineiro ainda em 1959, durante a vida do escritor, e posteriormente complementada com outros documentos.
Obras selecionadas
O Arquivo Público Mineiro atribui a Dornas Filho a autoria de 28 obras. Entre as publicações identificadas estão:
Itaúna: contribuição para a história do município (1936) Silva Jardim (1936) Os Andradas na história do Brasil (1937) O padroado e a Igreja brasileira (1938) A escravidão no Brasil (1939) Bagana apagada (1940), contos A influência social do negro brasileiro (1943) Eça e Camilo (1945) Júlio Ribeiro (1945) Antônio Torres (1948) Os ciganos em Minas Gerais (1949) Figuras da província (1949) Efemérides itaunenses (1952) Discurso de recepção à Academia Mineira de Letras (1952) Capítulos da sociedade brasileira (1955) O ouro das Gerais e a civilização da capitania (1957)
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