são apêndices queratinizados filiformes e coniformes da pele dos mamíferos que possuem diversas funções, entre as principais estão a termorregulação, a camuflagem e a comunicação. No homem a principal função está ligada a proteção da luz solar direta e também a de diminuir fricção nas axilas e partes íntimas.Semiologia Médica Integral. Antioquia, 2006. ISBN 958-655-915-7
Desenvolvimento thumb|right|221x221px|1. Pelo2. Superfície da pele3. Sebo4. Folículo piloso5. Glândula sebácea
Os pelos de mamíferos são uma estrutura queratinizada de origem epidérmica. O folículo piloso é constituído por componentes epiteliais e mesenquimais.Dhouailly D. (2009) A new scenario for the evolutionary origin of hair, feather, and avian scales. J. Anat. (2009) 214, pp587–606Wu P., Hou L., Plikus M., Hughes M., Scehnet J., Suksaweang S., Widelitz R., Jiang T. & Choung C. (2004) Evo-Devo of Amniote Integuments and Appendages. Int J Dev Biol. 2004 ; 48(0): 249–270 O seu desenvolvimento é convencionalmente dividido em três etapas: indução, morfogênese e diferenciação. Durante o estágio de indução, o placode (fase embrionária inicial no desenvolvimento de um órgão)embryology.med.unsw.edu.au epidérmico aparece primeiro como um espessamento da epiderme. Simultaneamente, ocorre a agregação das células mesenquimais (células indiferenciadas da mesoderma que origina uma espécie de tecido conjuntivo inicial) que se dá abaixo do placode. Após o espessamento, o placode epidérmico cresce em direção a derme (que está abaixo da epiderme) para iniciar a formação do germe capilar.
No estágio de morfogênese, os agregados mesenquimais condensam-se para formar as papilas dérmicas (na qual, acredita-se que controle a formação de pelos). O germe capilar se reorganiza para envolver a papila dérmica resultando em uma cavilha para o pelo em direção ao interior da derme. A parte inferior da cavilha se transforma na matriz do pelo que começa a formar a bainha radicular interna (BRI), enquanto a parte periférica da base e a parte superior da cavilha se transformam na bainha radicular externa (BRE). A BRE é contínua com a epiderme na superfície da pele e se estende para baixo até o bulbo do folículo piloso.
Por fim, durante o estágio de diferenciação, a proliferação de células na matriz do pelo formam as fibras capilares que formará a haste do pelo. A haste do pelo aparece como uma proeminência distinta na porção superior da BRE, na qual esta região abriga células-tronco. A haste do pelo continua a crescer até se projetar acima da superfície da pele.
Em porção transversal podemos distinguir três regiões no folículo piloso: a medula, o córtex e a cutícula. A medula é a região germinativa que começa o processo de queratinização que formará a haste dentro do folículo. Já na região do córtex temos a presença de melanócitos que dão cor ao pelo. Já a região da cutícula é uma porção escamosa do pelo.Martin T., Marugán-Lobón J., Vullo R., Martín-Abad H., Luo Z. & Buscalioni A. (2015) A Cretaceous eutriconodont and integument evolution in early mammals. Nature 526, 380-384 (2015)Kardong, Kenneth V. Vertebrados: anatomia comparada, função e evolução. - 7. ed. (pp. 344-355). Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016
Os cromatóforos no córtex do pelo contribuem com grânulos de pigmento para a haste do pelo, conferindo-lhe cor. À medida que os seres humanos (e muitos outros mamíferos) envelhecem, seus pelos ficam cinzentos, perdendo sua cor original. Isso ocorre porque as células tronco especiais responsáveis pela cor dos pelos dentro do folículo piloso começam a morrer. No início da vida, essas células-tronco se diferenciam em melanócitos especializados que elaboram os pigmentos dos pelos e da pele. Porém, conforme cada indivíduo envelhece, essas células morrem, eliminando uma fonte de pigmentos e deixando a haste do pelo sem acréscimo de cor, de modo que ela permanece apenas com sua cor acinzentada ou prateada intrínseca.
Ao longo do crescimento da haste, o pelo segue um ciclo de atividade em três estágios: crescimento, degeneração e repouso. Durante o crescimento, há proliferação ativa de células na base do folículo piloso, produzindo o acréscimo sucessivo à haste do pelo, que emerge e continua a se alongar. No final do estágio de crescimento, as células produtoras de pelo se tornam inativas e morrem, entrando no estágio de degeneração. Em seguida, o folículo entra no estágio de repouso, que pode durar várias semanas ou meses. Por fim, as células-tronco na papila produzem um novo folículo e o estágio de crescimento recomeça. Mais ou menos ao mesmo tempo, a haste do pelo antigo cai e é substituída pela haste nova em crescimento.
Composição química
De modo geral, os pelos são filamentos delgados de queratina que se formam pelo processo de queratinização. No qual, possui duas porções: a raiz e a haste. A raiz de um pelo se encontra imersa na derme, já a porção da haste se projeta acima da superfície da pele. Os principais constituintes da haste de um pelo são as queratinas e as proteínas associadas à queratina. As alfas-queratinas são as principais proteínas estruturais dos pelos - mamíferos não possuem beta-queratina, pois houve a perda de tecido beta-queratogênico no grupo de amniotas basais que deram origem a linhagem dos mamíferos.
Dentro dessas, temos também famílias de queratinas do tipo I (ácidas) e do tipo II (básicas), com diversas combinações que são expressas em uma ampla variedade de epitélios. As queratinas do tipo I e do tipo II se ligam formando uma estrutura helicoidal por ligação de seus domínios centrais. Por meio de interações hidrofóbicas e iônicas, esses dímeros realizam, em última análise, a formação de filamentos intermediários.Eckhart L, Valle LD, Jaeger K, et al. (2008) Identification of reptilian genes encoding hair keratin-like proteins suggests a new scenario for the evolutionary origin of hair. Proc. Natl. Acad. Sci. USA Nov 10 Além disso, queratinas de pelos contêm numerosos resíduos de cisteína, que são usados para formação de pontes dissulfeto intermoleculares durante o endurecimento do eixo do pelo.
Tecidos duros, como pelos, unhas e garras, contêm alfas-queratinas com alta porcentagem de trico-hialina e outras proteínas associadas, particularmente proteínas com alto teor de enxofre, que aumentam sua resistência mecânica. Todas as queratinas associadas aos pelos são expressas na haste capilar, e alguns também são expressos em garras e unhas, na superfície queratinizada da língua, e dentro dos corpos de Hassall do timo.
Tipo de pelos
Existem diversos tipos de pelos, e os principais são a pelagem e as vibrissas. A pelagem, geralmente uma cobertura espessa de pelos que recobre todo o corpo, é composta por pelos de guarda e os inferiores mais próximos da pele. Os pelos de guarda, ásperos e maiores, são mais evidentes na superfície externa da pelagem. A pelagem inferior fica sob os pelos de guarda e, em geral, é muito mais fina e curta.
Ambos funcionam em grande parte como forma de isolamento. Ademais, temos também os pelos secundários. Dos quais, temos três tipos principais: Auchene, ziguezague e awl. Em muitos casos, os pelos secundários formam um grande revestimento de pelos que possuem funções específicas dependendo da espécie.
As vibrissas, que são encontradas na região facial e são comumente referidas como “bigodes”, são muito longas e duras. A estrutura folicular das vibrissas é diferente dos pelos da pelagem. O folículo vibrânico das vibrissas é circundado por grandes seios sanguíneos envoltos por uma cápsula de colágeno espessa. Ademais, vibrissas são vastamente inervadas por terminações nervosas sensoriais dos nervos trigêmeos. Já na maioria dos mamíferos marinhos, a pelagem inferior é reduzida ou inexistente, sendo evidentes apenas os pelos de guarda. Além disso, os pelos tem posição, ou seja, eles são assentados em uma direção particular, para resistir a choques. Ocorre uma exceção nas toupeiras, que não têm espaço ao seu redor e precisam voltar nos túneis que escavam. O pelo delas pode se inclinar para frente ou para trás sem muita diferença na posição. Também vale salientar que alguns pelos são altamente especializados. Por exemplo, os espinhos do porco-espinho são pelos rígidos especializados para a defesa.
Funções Os pelos são os principais constituintes do tegumento dos mamíferos. A principal função dos pelos certamente é a termorregulação. Os pelos também podem estar distribuídos pelo corpo do animal com uma especificidade regional para outras funções, tais como, comunicação, proteção contra a luz solar direta, percepção sensorial, camuflagem ou até atração sexual. Em humanos, os cabelos protegem contra os raios solares; as sobrancelhas impedem suor ou sujeiras da testa de cair no olhos; os pelos do ouvido retém partículas de sujeira, bactérias e insetos e ajudam a lubrificar o canal auditivo; nas narinas, são um filtro natural que limpa impurezas e nos impedem de inalar sujeiras e bactérias; nas axilas, diminuem a fricção e retém o suor para evitar que escorra, como acontece nas costas; e os pelos pubianos regulam a temperatura e previnem o desenvolvimento de bactérias, isso reduz a possibilidade de contrair infecções e doenças.
As vibrissas tem como principal função a sensorial, não qual possibilita sentir o ambiente imediato do animal. Além disso, o músculo eretor do pelo, uma faixa delgada de músculo liso ancorada na derme, está inserido no folículo e faz o pelo se eriçar em resposta ao frio, medo ou raiva. Ou seja, alguns animais também conseguem transmitir sensações através dos pelos.
Origem
A origem e a história seletiva dos pelos não são tão claras. Os pelos não se fossilizam bem e, portanto, não são abundantes no registro fóssil. Por esse motivo, a evolução do tegumento dos mamíferos permanece em grande parte desconhecida. Acredita-se que tanto penas de aves como pelos de mamíferos evoluíram a partir de escamas epidérmicas queratinizadas em um ancestral reptiliano comum dos dois grupos. Infelizmente, no registro paleontológico, ainda não foram encontrado fósseis que nos informem sobre a história evolutiva que ocorreu entre as escamas reptiliana para os pelos dos mamíferos.
Ruben e Jones (2000), acreditam que entre a metade do Permiano ao início do Triássico, surgiram os primeiros répteis que podem ter desenvolvido um tegumento capaz, tanto de limitar a perda de água, como também de proporcionar proteção ao ambiente mais frio. Maderson (1972; 2003) levantou a hipótese de que os pelos surgiram de apêndices sensoriais reptilianos localizados nas articulações.Maderson PFA (1972) When? Why? And how? Some speculations on the evolution of the vertebrate integument. Am Zool 12, 159–171 Rowe (1988), por outro lado, hipotetiza que alguns sinapsídeos basais que continham espinhos alongados no dorso em forma de “vela” que acomodavam vasos sanguíneos, tais como, os da linhagem dos Pelicossauros, podem ter desenvolvidos pelos. E isso está ligado ao fato dessas “velas”, aparentemente, os auxiliar na regulação da temperatura corporal. Menos classicamente, também tem sido proposto que os pelos se originaram de estruturas queratinizadas cônicas inervadas de anfíbios basais, ou de um componente de um aparelho de glândula sebácea.