A Associação Cultural Chegou o Que Faltava (ou simplesmente Chegou O Que Faltava) é uma escola de samba brasileira do município de Vitória, que desfila no Carnaval Capixaba, mais precisamente no Grupo Especial. Está sediada no bairro de Goiabeiras. Ao longo de sua trajetória, a escola conquistou posições de destaque, como o vice-campeonato do Grupo Especial em 1987, além de apresentar enredos memoráveis que marcaram o carnaval, entre eles “Forrobodó, folclore mágico nordestino” em 1984, “Guerra das Estrelas” em 1987 e “Quem te viu, quem TV – Ferreira Neto” em 2015. Apesar de alternar entre o Grupo Especial e o Grupo de Acesso, a Chegou o Que Faltava manteve presença constante nos desfiles, sempre trazendo criatividade e inovação em seus enredos e apresentações.
A escola também enfrentou momentos de crise, como a disputa judicial em 2009 que a afastou do carnaval daquele ano e a falta de recursos em 2012 que impediu a realização de um enredo sobre a Índia. Mesmo diante das dificuldades, conseguiu se reerguer e voltou com força nos anos seguintes, reafirmando sua tradição e importância no cenário carnavalesco capixaba. Mais do que uma agremiação, a Chegou o Que Faltava desempenha um papel social relevante, promovendo oficinas de ritmistas, cursos de corte e costura, confecção de fantasias e atividades culturais que fortalecem a identidade da comunidade de Goiabeiras e bairros vizinhos.
Atualmente, a escola segue organizada e ativa, com liderança e talentos que mantêm viva sua tradição. Sob a presidência de Rafael Cavalieri, com o carnavalesco Roberto Monteiro, o intérprete Igor Vianna, o mestre de bateria Jorginho Alcino e a rainha de bateria Thalita Zampirolli, a Chegou o Que Faltava continua a representar a força da comunidade e a paixão pelo samba. Sua história é marcada por altos e baixos, mas sempre pautada pela criatividade, pela resistência e pelo compromisso com a cultura popular, consolidando-se como um verdadeiro patrimônio cultural de Vitória.
Fundação A Chegou o Que Faltava é uma das escolas de samba mais tradicionais de Vitória, Espírito Santo, e carrega consigo uma história marcada por resistência cultural e forte ligação comunitária. Sua origem remonta ao Bloco Hi-Fi, criado em 1973 por moradores do bairro Goiabeiras, que dois anos depois foi registrado oficialmente em cartório. Em 1976, o grupo desfilou pela primeira vez no Carnaval de Vitória como Bloco Chegou o Que Faltava, e o entusiasmo foi tão grande que, em 1982, o bloco se transformou em escola de samba. Conhecida como “A Tricolor de Goiabeiras”, por suas cores azul, rosa e branco, a agremiação se consolidou como símbolo da cultura popular capixaba.
História Década de 2000 2008: "Chegou o Que Faltava no Paraíso das Montanhas Encantadas" Em 2008, com o enredo "Chegou o Que Faltava no Paraíso das Montanhas Encantadas", a escola terminou na penúltima colocação do Grupo B.
2009: período de ausência Em 29 de janeiro de 2009, teve fim uma intensa disputa judicial entre a antiga diretoria e a nova, dando a esta última o direito de assumir a agremiação. Esta, por sua vez, concluiu que seria impossível organizar o desfile em 15 dias e pediu licenciamento na liga, se ausentando do Carnaval de 2009.
Década de 2010 2010: "Docete Omnes Gentes: A Academia vai ao Samba" A Chegou O Que Faltava abriu os desfiles no Sambão do Povo em 2010 e trouxe a academia para o samba com o enredo "Docete Omnes Gentes: A Academia vai ao Samba". Na passarela, a agremiação da Grande Goiabeiras contou a história de um menino que sonha em passar no vestibular, as dúvidas em escolher o curso e as famosas farras universitárias. A escola terminou na décima terceira e última colocação do Grupo Especial, sendo rebaixada para o Grupo de Acesso.
2011: "Despertar" A escola retornou em 2011 com o enredo "Despertar", abrindo o desfile do Grupo de Acesso do Carnaval de Vitória e terminando na terceira colocação.
2012: "Índia: de Todos os Deuses, Todas as Cores e do Espírito Santo" Em 2012, a Chegou O Que Faltava não desfilou por falta de verba.
2013: "Quadrilhas nas Festas Juninas" De volta ao carnaval capixaba em 2013, a escola decidiu contar a história das quadrilhas nas festas juninas, terminando na terceira colocação.
2014: "Joga-se Búzios, Cartas e Tarô. Traz Seu Amor de Volta em 5 Dias" Com cerca de 700 integrantes, a Chegou O Que Faltava levou ao Sambão do Povo cartas, tarôs, búzios, bruxas e duendes, em 10 alas e dois carros alegóricos que encheram a avenida de poesia e sabedoria popular. O samba não funcionou como o esperado, a comissão de frente inovou com os integrantes em cima de pernas de pau, mas tornou-se ineficiente, e outro ponto negativo foi a falta de beleza plástica nas alegorias e fantasias. A escola terminou na terceira colocação do Grupo B.
2015: "Homenagem a Ferreira Neto" No desfile de 2015, homenageando o carismático apresentador Ferreira Neto, a Chegou O Que Faltava se apresentou de forma tímida e plasticamente muito simples, com alegorias que apresentavam graves problemas de leitura e acabamento. O grande destaque da escola foi o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, que realizou apresentações técnicas de enorme sincronia. A escola terminou como vice-campeã do Grupo B, conquistando o acesso ao Grupo de Acesso A para o carnaval seguinte.
2016: "Caboclo Bernardo, Herói do Povo para o Povo" A Chegou O Que Faltava abriu os desfiles do Grupo de Acesso com o enredo "Caboclo Bernardo, Herói do Povo para o Povo", contando a história de Bernardo José dos Santos, um pescador da Vila de Regência que salvou centenas de pessoas de um naufrágio em 1887 no litoral de Linhares. A agremiação retratou a trajetória do Caboclo Bernardo e de sua terra natal, Regência Augusta, distrito da cidade de Linhares, no norte do Espírito Santo. A escola terminou na sétima colocação do Grupo de Acesso.
2017: "Lendas e Mistérios da Água" Em 2017, a escola teve como tema as lendas e mistérios da água, passando pelos mitos criados pelo homem, a água nas religiões e a importância da preservação.
2018: "Pra Nivelar a Vida em Alto Astral. Nobre Pérola, Jovelina" No desfile de 2018, a Chegou O Que Faltava entrou na avenida com o enredo "Pra Nivelar a Vida em Alto Astral. Nobre Pérola, Jovelina", homenagem à Jovelina Pérola Negra (1944–1998), uma das grandes damas do samba brasileiro. As alas e alegorias da escola vieram repletas de referências à "partideira", exaltando sua importância no samba carioca. A escola terminou na terceira colocação do Grupo de Acesso A, com 173,60 pontos.
2019: "A Lenda da Pedra Menina" A Chegou O Que Faltava levou para a avenida o enredo "A Lenda da Pedra Menina", prestando homenagem ao Caparaó. O enredo contou a história da índia da tribo dos Puris que foi transformada em pedra para se proteger de invasores que vieram de além-mar para escravizar os índios. A escola contagiou o público e desfilou com 1.200 componentes, 13 alas e três carros alegóricos. Os carnavalescos responsáveis pela criatividade da agremiação foram Vanderson Cesar e Jorge Mayko. A escola terminou na segunda colocação do Grupo de Acesso, consagrando-se vice-campeã.
Década de 2020 2020: "Que Comecem as Apostas: Sorte ou Azar, Só o Tempo Dirá" Vice-campeã do Grupo de Acesso em 2019, a Chegou O Que Faltava foi a quinta agremiação a entrar no Sambão do Povo com o enredo "Que Comecem as Apostas: Sorte ou Azar, Só o Tempo Dirá", apostando na sorte ao colocar patuás, figas e trevos em seu samba. A agremiação contagiou o público e trouxe para a avenida 1.000 componentes divididos em 17 alas e três carros alegóricos. As alas brincaram com a sorte dos componentes ao retratar cara ou coroa, bingo, caça-níquel, jogo de cartas e dados, além de um cassino com as croupies. Na apuração, a escola terminou em segundo lugar no Grupo de Acesso A, ficando a apenas um décimo da campeã São Torquato.
2022: "Chegou a Realeza dos Campos Dourados que Alimentam a História — Sustento de Vida" A terceira escola a entrar na avenida pelo Grupo A, a Chegou O Que Faltava apresentou o enredo "Chegou a Realeza dos Campos Dourados que Alimentam a História. Sustento de Vida", exaltando o milho como alimento de relevância econômica e social. Durante o desfile foram lembrados quitutes como a pipoca, a canjica, a broa e o bolo de fubá, além das palhas de milho que se transformam nas mãos das artesãs. A cor dourada predominou na avenida, e bonecos de palha animaram o Sambão do Povo. Com 179,80 pontos, a escola conquistou o título de campeã do Grupo de Acesso A, garantindo o retorno ao Grupo Especial a partir de 2023.
2023: "O Tesouro que Faltava" Em seu primeiro ano de volta ao Grupo Especial, os carnavalescos Jorge Mayko e Vanderson Cesar levaram para a avenida o enredo "O Tesouro que Faltava", desfilando os tesouros do Espírito Santo no Sambão do Povo e valorizando também a própria agremiação e a comunidade que fez e faz a história da escola. A escola encerrou os desfiles do Grupo Especial, com a presença de Evelyn Bastos, rainha de bateria da Estação Primeira de Mangueira, como musa. A apresentação destacou o canto forte da comunidade e rendeu à escola a quarta colocação na classificação final.
2024: "Bravo! Abram-se as Cortinas, o Glória em Cena" Com o enredo "Bravo! Abram-se as Cortinas, o Glória em Cena", a escola levou para o Sambão do Povo a história do Teatro Glória, um dos principais monumentos do Centro de Vitória, cuja construção data de 1931–1932. O desfile contou com 22 alas, três alegorias e 1.200 componentes. A apresentação se destacou pelas alegorias volumosas e por uma estética mais contida nas fantasias, rendendo a segunda melhor avaliação dos jurados, apesar das penalizações. A escola terminou na quarta colocação, com 178,10 pontos.
2025: "Da lama sai muito barulho" Com o título "Da Lama Sai Muito Barulho!", a escola homenageou o bairro de Goiabeiras, seus saberes e tradições que emergem do manguezal, simbolizando a essência cultural da região. O desfile tinha um significado extra: a homenagem ao bairro marcou os festejos do cinquentenário da tricolor — 50 anos de história celebrados na própria avenida. A agremiação foi vice-campeã do Carnaval de Vitória 2025 — o melhor resultado da história da escola até então, alcançado justamente no ano do seu cinquentenário.
2026: "Orí: sua cabeça é seu guia" No Carnaval de 2026, a Chegou O Que Faltava desfilou no Sambão do Povo com o enredo "Orí: sua cabeça é seu guia", assinado pelo carnavalesco Roberto Monteiro — estreante na escola, mas com longa trajetória em agremiações cariocas como Salgueiro e Viradouro — e pelo enredista Osmar Filho. O tema foi considerado pioneiro no Carnaval de Vitória, sendo a primeira vez que uma escola se aprofundou de forma tão abrangente numa temática africana e religiosa do início ao fim do desfile. A escola terminou na quarta colocação na classificação final do Grupo Especial.
2027: "Pedras que cantam" Para o Carnaval de 2027, a Chegou O Que Faltava definiu o enredo "Pedras que cantam", desenvolvido pelo carnavalesco Roberto Monteiro — que segue à frente da escola — e pelo enredista Leonardo Antan. A agremiação levará para a avenida uma narrativa que une realismo mágico, ancestralidade e a força cultural de Itaúnas, no extremo norte do Espírito Santo.
Segmentos Presidentes MandatoNomeGetúlio Marques2015-2018Nizete Marques "Nega"2019-presenteRafael Cavalieri
Diretores CarnavaisDiretor de CarnavalDiretor geral de harmoniaRef.2016Carlão2017Alexandre Junior, Fernanda Bulhões, Jocinete Carvalho, Jorge Mayko e Vanderson Cesar2018Alexandre Junior, Fernanda Bulhões, Elder Alves e Kleyson Faria2019Elder AlvesAlexandre Júnior, Fernanda Bulhões e Kleyson Faria2020Elder AlvesAlexandre Júnior, Fernanda Bulhões, Kleyson Faria, Leonardo Cavalieri e Thatiana Barbosa2024Rislany Rosa e Lorena de BonaElder Alves 2025-2026Rislany Rosa e Lorena de BonaJonatha Luiz e Weslley Barcelos2027Jonatha Luiz e Weslley Barcelos
Intérpretes