Sobrado (designada originalmente por Santo André de Sobrado) é uma vila portuguesa sede da Freguesia de Sobrado do Município de Valongo, pertencendo à Área Metropolitana do Porto. A freguesia tem 20,54 km² de área e 6.268 habitantes (2021), tendo, por isso, uma densidade de 305,2 hab/km².

A povoação de Sobrado foi elevada à categoria de vila em 19 de Abril de 2001.

A existência de Sobrado é conhecida desde os primórdios da nacionalidade portuguesa. É ainda uma vila conhecida nacionalmente pela Festa de São João de Sobrado (Bugiada e Mouriscada), pelo ciclismo, pela antiga fábrica de indústria CIFA e pela actual empresa de vinhos e lacticínios Quinta das Arcas. Possui um rico património, maioritariamente religioso e agrícola.

História Já é referida a existência de Sobrado em 1258, segundo as Inquirições Gerais ordenadas pelo Rei D. Afonso III. Sabe-se que por esta altura, Sobrado pertencia ao Arcediago de Aguiar de Sousa e era atravessada por uma via que ligava Porto a Guimarães. A Igreja estava isenta de direitos relativamente à coroa e o maioral local era D. Gil Martins que era já bastante idoso, estando associado à família de Riba de Vizela. Possuía muitos casais (propriedades), tendo constituído honra e parte do Padroado da Igreja Paroquial de Sobrado.

Este Padroado (ou seja, direito de apresentação do pároco ou abade de uma determinada paróquia) passou para a família Baldaia (de mercadores da Cidade do Porto), que por sua vez, no seguimento dos séculos, o legou aos seus descendentes- os Viscondes de Beire e a Família Pamplona, terminando no século XIX com a abolição dos Padroados.

Os primeiros registos paroquiais de Sobrado remontam ao ano de 1588, no reinado de Filipe I de Portugal.

Já no período seiscentista procedeu-se, em 1671, à construção da nova Igreja Matriz de Santo André de Sobrado, nos terrenos e a expensas da família Baldaia, no actual Largo do Passal. Da igreja anterior, nada resta, sabendo-se, no entanto, que estava situada na Aldeia de Sobrado, antigo centro da freguesia. A igreja permanece quase inalterada, com a excepção da torre sineira, que não existia, sendo um acrescento do século XIX.

A Família Baldaia era tão importante para esta freguesia que até alguns elementos da família foram abades de Sobrado. Devido a este apreço mútuo, esta família cedeu as suas propriedades em Sobrado à paróquia, inclusive a sua residência (que assumiu a função de residência paroquial até ao momento). Deste modo, a Quinta dos Baldaias, passa a ser a Quinta do Abade, e todo o Largo do Passal passa a pertencer à Igreja. Assim sendo, para além dos deveres religiosos, os abades de Sobrado tinham ainda o dever de cuidar da sua quinta.

A agricultura sempre foi a base económica da povoação e junto ao Rio Ferreira, as terras eram e continuam a ser bastantes férteis, bastando que os aluviões de Inverno tornassem esses solos mais próprios à agricultura, contudo, o mesmo não acontecia com os terrenos mais afastados e mais altos da freguesia. Deste modo, impunha-se a necessidade de inventar um novo sistema de irrigação, e só os párocos reuniam as condições para o fazer.

Em 1821 é extinto o concelho de Aguiar de Sousa, passando Sobrado a pertencer ao Julgado de Penafiel.

A 23 de Setembro de 1824, Manuel Pamplona Carneiro Rangel Veloso Barreto de Miranda e Figueiroa (1774-1849), descendente e herdeiro da família Pamplona e do Morgadio dos Baldaia, padroeiro de Santo André de Sobrado foi agraciado com o título de Visconde de Beire.

Durante a guerra entre Liberais e Absolutistas, Sobrado esteve ocupada por tropas de D. Miguel.

Em 1834 foi criado o Concelho de Baltar, constituído por 9 freguesias onde se incluía Sobrado. Este concelho duraria cerca de dois anos. Em 1836, D. Maria II cria o Concelho de Valongo e Sobrado passa a integrar este novo concelho. Neste período, inicia-se por todo o país, a separação da Igreja do Estado, passando os párocos a assumirem a vertente puramente religiosa, ainda que numa freguesia essencialmente rural, o peso da igreja permaneça forte.

Em 1860, a Fábrica de Fiação da Balsa inicia a sua produção. Constitui um marco da indústria portuguesa, especialmente da região Norte porque foi equipada com máquina de vapor que utilizava as águas do rio Ferreira como força motriz. É uma das primeiras unidades do género no norte do país e a primeira no concelho de Valongo. Em 1867, António Martins de Oliveira patrocina a construção do Cemitério Público de Sobrado (que é ampliado em 1889), junto da Igreja. Devido a esta sua atitude, ao seu carácter e nobreza de espírito, bem como à beneficência no Hospital Maria Pia no Porto, D. Luís I concede-lhe o título de Visconde de Oliveira do Paço. O seu jazigo familiar encontra-se situado, ainda hoje, no centro da parte antiga do cemitério, mantendo o seu brasão. A Capela de Nossa Senhora das Necessidades (na aldeia de Sobrado) foi reedificada nos anos de 1868 e 1869, tendo a sua bênção decorrido no mesmo dia da bênção do cemitério (9 de setembro de 1869).

Em 1874 procede-se à construção da torre sineira da Igreja Matriz sob o patrocínio do benemérito Jozé dos Santos Ferreira, que se tornou Comendador da Ordem de Cristo, após intercessão da Junta da Paróquia de Sobrado junto da Coroa Portuguesa.

O ano de 1893 terá sido, porventura, o mais áureo de toda a história de Sobrado, uma vez que Sua Majestade Fidelíssima, o Rei D. Carlos esteve em Sobrado por ocasião dos exercícios militares que decorreram no lugar da Balsa. Este acontecimento decorreu entre 19 e 20 de setembro deste ano.

Com a Implantação da República, Sobrado estagnou, tornando-se na freguesia mais rural do concelho de Valongo. A transição política e social entre a monarquia e a república foi fortemente conturbada. O novo regime político não estava seguro da sua posição dominante, uma vez que os Monárquicos não desistiam de tentar recuperar o poder (pelo menos até à Monarquia do Norte em 1919). Neste período a Igreja Católica sofre perseguição política contra o seu património, benefícios e até autoridade religiosa, sendo deste período a legislação da separação da Igreja do Estado. O Padre Mendes Moreira, pároco de Sobrado neste período tão conturbado acaba por ser envolvido numa situação protagonizada pelo Padre António Antunes, pároco de Ermesinde, a 29 de setembro de 1911 quando se preparava uma revolta monárquica apoiada por parte do clero português.

A 25 de março de 1946, iniciou-se a construção da Companhia Industrial de Fibras Artificiais, SARL, junto da Capela de São Gonçalo. Começou a laborar três anos depois, no dia 17 de março de 1949. Empregou centenas de homens e mulheres e incrementou o desenvolvimento económico da freguesia. Encerrou em 1983.

Em meados dos anos 50 a Fábrica de Fiação da Balsa, que havia sido fundada em 1860 e que se dedicava à fiação e torcedura de algodão, encerrou as suas portas. Foi uma fábrica inovadora porque utilizava as águas do Rio Ferreira como força motriz da sua produção. Para uso particular desta indústria, existiu ainda uma central termoelétrica que já funcionava em 1928 produzindo energia até 1943.

Nos anos 80 inaugura-se a Casa do Senhor, onde local onde outrora estava localizada a sede da Junta de Freguesia de Sobrado, que acolherá as salas dedicadas ao serviço catequético.

Em abril de 1981 é inaugurada a nova capela de São Gonçalo, erigida pelos populares. Durante a festa em honra do santo, visitou Sobrado o Governador Civil do Porto, Coronel Rocha Pinto, e o Presidente da Câmara Municipal de Valongo, Brigadeiro Aires Martins.

Nos anos 90 procede-se ao restauro da Residência Paroquial, outrora residência da família Pamplona, dignificando-a e modernizando-a. Mantém as suas funções de residência paroquial e acolhe ainda salas de catequese e o cartório.Em 2004, o Bispo do Porto inaugura o Centro Social e Paroquial de Sobrado. Nos últimos anos, a presença dos senhores Bispos do Porto tem sido recorrente, devido à vivacidade da Comunidade Sobradense e à imponência da Festa de São João de Sobrado.

Entre 2010 e 2011, procederam-se as obras de requalificação da Igreja Matriz de Sobrado, que bem merecia e necessitava. Restauraram-se e inventariaram-se os azulejos setecentistas, restauraram-se os altares principal e laterais, requalificou-se o baptistério, expandiu-se o coro e o presbitério. Retiraram-se os azulejos da fachada, construiu-se os acessos exteriores ao coro, sagrou-se um novo altar e inaugurou-se o órgão de tubos adquirido na Alemanha.

De 2013 a 2025, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, Sobrado esteve junto com Campo na União das Freguesias de Campo e Sobrado.

Este pequeno pedaço de terra, atravessado pelo Rio Ferreira e rodeado de montes e floresta, sempre assegurou o seu futuro aproveitando os recursos de que dispunha. A agricultura aproveitou a riqueza da terra, a fábrica da Balsa utilizou as águas do Ferreira como força motriz e a fábrica da CIFA aproveitou-se do conhecimento e experiência que já existia da fábrica da Balsa e a indústria do mobiliário cresceu tendo como suporte os concelhos de Paredes e Paços de Ferreira, que são especialistas neste sector. Por mais obstáculos e dificuldades que possam abalar Sobrado, esta vila sempre saberá encontrar horizontes propícios para o seu futuro. A história de Sobrado e da sua paróquia não terminará certamente, aspirando-se a que se escrevam páginas douradas e distintas nos séculos futuros.esquerda|miniaturadaimagem|170x170px|Brasão dos Baldaia

Família Baldaia: Padroeiros de Sobrado A família Baldaia foi, ao longo dos tempos, detentora do padroado da Igreja Matriz de Sobrado e senhora de grande parte das terras desta freguesia. O padroado terá iniciado nos finais do século XV e prolongou-se até à segunda metade do século XIX.

Ficam aqui os detentores do padroado: Fernão Alvares Baldaia (a partir de finais do século XV); João Baldaia; Fernão Beliagoa Baldaia; Gil Baldaia; António Baldaia Carneiro Beliagoa; André Baldaia Carneiro; Antónia Teresa de Andrade Baldaia Beliago; Tomé da Silva Baldaia; Francisca Antónia Baldaia; Maria Clara Baldaia de Tovar; José Pamplona Carneiro Rangel de Tovar e por fim Manuel Pamplona Carneiro Rangel Veloso Barreto de Miranda e Figueiroa (no século XIX).

Património Sobrado sempre foi uma localidade predominantemente rural. Deste modo, o seu maior legado patrimonial assenta em três pilares: o religioso (igrejas, capelas e nichos), rural/ civil (núcleos habitacionais e casas nobres) e o industrial (com as duas grandes fábricas da balsa e da CIFA):

+Património da Vila de SobradoDesignaçãoCategoriaTipologiaDescriçãoFotografiaIgreja Matriz de SobradoArquitectura ReligiosaIgrejaA Igreja Matriz de Sobrado é um templo barroco, construído em 1671 a expensas da família Baldaia (padroeira deste edifício e desta povoação), sendo dedicado ao apóstolo Santo André. De uma só nave, constitui-se como a mais antiga igreja edificada neste concelho e uma verdadeira obra prima do barroco. A torre sineira neoclássica foi acrescentada posteriormente e data de 1874.

A sua fachada resoluta é composta por um belo frontão triangular interrompido pelas armas papais, dois nichos com imagens de S. Francisco e de Santo André e ainda dois óculos.

No seu interior destacam-se os magníficos azulejos seiscentistas do tipo maçaroca, o retábulo-mor e o teto abobadado em talha dourada, conjugando-se de uma forma perfeita o barroco joanino e o rococó. No remate do retábulo-mor avistam-se as alegorias à fé, caridade e esperança, sobrepostas pelo olho da divina providência. Destaque ainda para a enigmática lápide epigrafada situada no arco-cruzeiro.miniaturadaimagemCapelas de S. GonçaloArquitectura ReligiosaCapelasExistem duas capelas em honra de S. Gonçalo.