Uma unidade militar é uma organização que integra a estrutura operacional ou administrativa das forças armadas. As unidades militares são ocasionalmente também referidas como "unidades orgânicas" ou "corpos militares". O ramo da ciência militar que estuda a organização das unidades militares é conhecido como "orgânica".

Todas as forças armadas têm que operar de modo a nunca perder o controlo sobre as ações levadas a cabo pelos seus componentes orgânicos. Assim, para existir uma maior flexibilidade de ação, cada força armada é dividida num determinado número de unidades que podem operar com um certo grau de autonomia, o que permite que os objetivos táticos possam ser atingidos mais facilmente do que seriam através de um único controlo centralizado. Cada unidade militar, por sua vez subdivide-se em unidades militares menores designadas "subunidades". O nível — em termos de dimensão e de graduação do militar que a comanda — de cada unidade é designado "escalão". Cada unidade militar serve portanto de ligação entre a unidade de escalão imediatamente superior da qual depende e as suas subunidades. Quanto menor é o escalão de cada unidade, menores são as suas capacidades operacionais.

Em sentido lato, o termo "unidade militar" aplica-se a unidades terrestres, navais ou aéreas, de todos os escalões. Contudo, em sentido restrito, o termo pode referir-se apenas às unidades terrestres, sendo as navais e aéreas referidas, respetivamente, como forças navais e unidades aéreas. Em algumas forças armadas, o termo "unidade" pode também ser usado em sentido restrito para se referir apenas às unidades militares que formam a base da sua organização territorial e administrativa.

No Brasil, quando se fala de Unidade, é a referência para o escalão Batalhão (Infantaria e outras), Regimento (Cavalaria) ou Grupo (Artilharia).

Escalões das unidades nos exércitos modernos Tradicionalmente, as unidades militares terrestres dividem-se em grandes unidades, unidades e subunidades, sendo as primeiras de comando de oficial general e as restantes de comando de militar de posto inferior. Nas grandes unidades incluem-se normalmente as unidades dos escalões grupo de exércitos, exército, corpo de exército, divisão e brigada. Nas unidades incluem-se as unidades de escalão regimento, batalhão e grupo. As subunidades são as companhias, constituídas por pelotões, bem como por frações menores. Em algumas armas, as subunidades têm designações especiais, como são o caso das de escalão companhia da artilharia e da cavalaria, tradicionalmente designadas, respetivamente, "baterias" e "esquadrões".

Os teatros de operações não são normalmente considerados unidades militares, mas sim grandes comandos territoriais responsáveis pela totalidade das forças a operar numa determinada área, as quais podem variar significativamente em termos de número de efetivos. Os grupos de exércitos e os exércitos são grandes unidades, cuja força também pode variar significativamente conforme as forças armadas que integram.

Nesta hierarquia de unidades militares, podem ser saltados escalões intermediários. Isso acontece, por exemplo, na maioria dos exércitos da OTAN em que a brigada se subdivide diretamente em batalhões, sem existir o escalão regimento e acontecia nos exércitos da Segunda Guerra Mundial e do ex-Pacto de Varsóvia em que a divisão se dividia diretamente em regimentos sem existir o escalão brigada. Símbolo Designação Efetivo Subunidades Posto do comandante XXXXXX Teatro de operações + 4+ grupos de exércitos Marechal-general, generalíssimoou general do Exército XXXXX Grupo de exércitos + 2+ exércitos Marechal ou coronel-general XXXX Exército –+ 2–4 corpos de exército General ou general de exército XXX Corpo de exército – 2+ divisões General, general de exército,general de corpo de exércitoou tenente-general XX Divisão – 2–4 brigadas ou regimentos General, tenente-general,general de divisão ou major-general X Brigada – 2+ regimentos ou 3+ batalhões Major-general, general de brigada,brigadeiro-general ou brigadeiro III Regimento – 2+ batalhões Coronel II Batalhão ou grupo 300– 2–6 companhias, bateriasou esquadrões Tenente-coronel ou major I Companhia, bateriaou esquadrão 70–250 2–8 pelotões Major ou capitão ••• Pelotão 25–60 2+ secções Tenente, primeiro-tenente, segundo-tenente,alferes ou sargento •• Secção/seção ou grupo de combate 8–12 2+ esquadras Sargento ou furriel • Esquadra 8–16 2+ equipe Sargento, furriel ou cabo Ø Equipe 2–5 Não tem Sargento, furriel, cabo ou soldado

Origem das unidades militares As origens das unidades militares perdem-se no início da história.

Nos Reinos Bárbaros, os guerreiros aparecem como estando agrupados por país de origem. As unidades militares ali referidas constituem múltiplos grupos de guerreiros que combatem em conjunto, sendo portanto diferentes das unidades orgânicas atuais.

O exército do antigo Egipto estava já organizado em grandes e complexas unidades no século XIII a.C. Na Batalha de Kadesh, o facto da Divisão Ra ter colapsado sem afetar o resto do exército egípcio prova que as suas grandes unidades podiam operar de forma independente, demonstrando a existência já nessa altura de uma organização militar complexa em campanha.

No Extremo Oriente, a divisão dos exércitos em unidades menores é já referida por Sun Tzu no século VI a.C., o que pode ser considerado como uma prática em uso nos estados chineses da época. Sun Pin — que viveu no século seguinte — refere a existência de vários tipos de unidades diferentes, cada uma destinada a desempenhar uma função específica.

Unidades militares na época clássica Mundo grego thumb|400px|Formação típica de uma falange hoplita, incluindo os peltastas (A), os hoplitas (B) e a cavalaria (C). A primeira unidade militar organizada de que há notícia no Ocidente nos tempos clássicos é a falange hoplita das cidades-estado da Grécia antiga. A falange subdividia-se unidades menores que, em Esparta, eram a enomoto — composta por 23 hoplitas — e a lóchos. Quatro enomotíae formavam uma lóchos que se dispunha em oito linhas. Na época de Xenofonte, cada lóchoi passou a ser composta por 144 homens, com cada quatro lóchoi a formarem uma mora. A totalidade do exército de Esparta era formado por seis morae ou seja, cerca de 3600 hoplitas. É precisamente com o surgimento da falange hoplita que nasceu o conceito de unidade militar (táxis), no qual cada componente tem uma função relacionada com o tipo de soldado que a integra (eutaxía). Após a Guerra do Peloponeso, nos flancos e na retaguarda da falange hoplita aparecem unidades de cavalaria e de infantaria ligeira (peltastai).

Com algumas excepções como a Batalha de Leuctra, o choque entre falanges resumia-se a empurrões entre as primeiras linhas dos contendores, sendo que as linhas posteriores não dispunham de armas capazes de atingir o inimigo (a arma do hoplita era uma lança com apenas 2 m de comprimento). A Macedónia dotou os seus soldados de uma lança muito mais longa, de modo a que mesmo as linhas atrás das duas ou três primeiras pudessem atingir o inimigo. A nova lança (sarissa) tinha cerca de 6 m de comprimento e não podia ser segura com apenas uma mão, o que obrigou à redução do peso do escudo e da proteção geral de cada soldado. A falange hoplita deu assim lugar à falange macedónica. A táxis — unidade básica de infantaria com doze linhas de guerreiros — era uma máquina perfeita na defensiva capaz de quebrar qualquer ataque frontal, mas na ofensiva era lenta e extremamente vulnerável nos flancos o que obrigou à criação, no flanco dos táxis, de unidades de infantaria ligeira (hypastài) e de cavalaria (hetàiroi) que atacassem os flancos do inimigo e o empurrassem para as lanças da infantaria pesada. Por sua vez, a táxis dividia-se em subunidades (decharchia, lóchos e pentacosiarchia) com funções mais administrativas do que táticas. Desta forma, a falange tornou-se na primeira unidade de armas combinadas a aparecer nos exércitos ocidentais, com uma proporção entre infantaria e cavalaria de aproximadamente 2 para 1 na época de Alexandre Magno. Estas características tornaram a falange macedónica na unidade militar mais avançada da época, sendo praticamente invencível nas planícies da Ásia Menor. No reinado dos diádocos, a falange evoluiu organicamente com a introdução de unidades de cavalaria ligeira e até de elefantes, mas o seu emprego tático não foi tão brilhante como originalmente, resumindo-se progressivamente a simples choques frontais entre táxis, com um aumento progressivo da relação da infantaria em relação à cavalaria.

Império Romano Enquanto no Mediterrâneo oriental as unidades militares evoluíram segundo aqueles canónes, na Península Italiana, a evolução ocorria sob o impulso de Roma. Nas Guerras Samnitas, os romanos tinham já apreciado a facilidade com a qual os Samnitas foram capazes de se organizar em terrenos difíceis, graças à sua capacidade de operar pequenas unidades independentes, como no famoso episódio da Batalha das Forcas Caudinas onde os romanos sofreram uma pesada derrota em virtude da maior flexibilidade das unidades samnitas. A necessidade de operar com formações menos cerradas que as das falanges, forçou os romanos a alterar a estrutura do seu Exército, organizando-o em legiões de cerca de homens, divididas em quatro linhas, das quais as primeiras três já não estavam armadas com uma longa lança, mas sim com um dardo (pilo) que era lançado na primeira fase do combate e com uma espada (gládio) para as fase seguinte em que se combatia corpo a corpo. Somente a quarta linha (triários, com cerca de 1200 soldados) se manteve armada com lança, sendo utilizada como reserva tática para romper definitivamente a frente inimiga ou como cobertura em caso de retirada da legião. Assim, na legião inicial da República Romana, menos de um terço dos soldados estava armado de pique, estando a maioria deles armado apenas de gládio e dardo ligeiro (vélites) ou de gládio e pilo (hastados e príncipes). O facto revolucionário em tudo isto foi a divisão de todos os escalões de infantaria pesada em dez manípulos, que dispondo-se em quincôncio, permitia um apoio recíproco, fazendo avançar e retroceder hastados e príncipes à medida das necessidades táticas. A legião, enquanto grande unidade de armas combinadas, dispunham já de um contingente de cavalaria (alas) e contingentes especializados de aliados (sócios).

400px|thumb|Estrutura da legião romana, por volta do século I a.C.

Na realidade, a legião foi sofrendo uma evolução contínua, passando da organização acima descrita — usada até à Batalha de Canas — até a uma organização concebida por Cipião, o Africano, na qual, apesar de se manter a mesma orgânica, as três linhas (hastados, príncipes e triários) operavam como subunidades independentes, permitindo ações nos flancos inimigos por parte dos príncipes e triários, enquanto que a sua frente era bloqueada pelos hastados. Forma estas inovações táticas que permitiram às legiões recuperar na Segunda Guerra Púnica e obterem a vitória final contra Cartago. No plano do armamento, esta modificação tática e orgânica levou ao abandono do pique por parte dos triários, que passaram a ter maiores funções de combate em ordem cerrada. Na mesma altura, foi realizada uma modificação orgânica na legião, com a introdução da coorte, uma unidade intermédia entre a legião e o manípulo, cada qual agrupando três manípulos das três diferentes ordens (hastados, príncipes e triários). Inicialmente, a coorte utilizou os triários (ainda armados de pique) na primeira linha, de modo a criar uma formação compacta armada com armas longas e espadas que se pudessem opôr ao ímpeto dos guerreiros celtiberos e lusitanos que tinham criado inúmeras dificuldades às forças regulares romanas na Ibéria.