O Parque Estadual da Água Branca (oficialmente Parque Fernando Costa) é um parque localizado no distrito da Barra Funda, na cidade de São Paulo, Brasil. O local possui 136.765.41m², e fica na Avenida Francisco Matarazzo no bairro da Água Branca. Idealizado pela Sociedade Rural Brasileira (SRB), entidade representativa da agropecuária brasileira, o Parque começou as ser formado em 1905 e foi inaugurado em 2 de junho de 1929 pelo Secretário de Agricultura Dr. Fernando de Sousa Costa, responsável por fornecer novas vertentes à indústria animal, criando também o Departamento de Lacticínios da Indústria Animal. Com o objetivo de abrigar exposições e provas zootécnicas, o parque foi criado em um período em que a Avenida Água Branca sequer havia sido asfaltada. O parque foi tombado em 1996 pelo Condephaat como patrimônio cultural, histórico, arquitetônico, turístico, tecnológico e paisagístico do estado de São Paulo, e em 2004 pelo CONPRESP, por seu valor histórico, arquitetônico e paisagístico-ambiental.
O local abriga o Fundo Social de São Paulo, (antigo Fundo de Assistência Social do Palácio do Governo). A sede do Fundo funcionava em um palacete antigo da avenida Rio Branco, em Campos Elísios, em frente ao Palácio dos Campos Elísios, o antigo palácio do governo paulista. Em 1980, na administração de Paulo Maluf, a sede foi transferida para o atual endereço, no Parque Fernando Costa (Água Branca). O Parque também abriga diversas associações de criadores de raças de equinos e bovinos e a AAO (Associação dos Agricultores Orgânicos de São Paulo), além do Instituto de Pesca e o Museu Geológico Valdemar Lefèvre, entre outras instituições.
Além de seu valor histórico e cultural, o Parque Estadual da Água Branca é um importante espaço de lazer e convivência para a população paulistana. Com suas áreas verdes, lago com peixes e aves, playgrounds e locais para piquenique, o parque oferece atividades de recreação para todas as idades. Há também feiras de produtos orgânicos, eventos culturais e atividades educativas voltadas para a sustentabilidade e o meio ambiente, reforçando o papel do parque como um espaço de aprendizado e contato com a natureza em meio à cidade de São Paulo.
História Antecedentes Em 1890 foi criado o serviço agronômico em São Paulo, que reunindo legislações já existentes, definiu atividades e codificou a ação oficial do Departamento de Agricultura Estadual. Já em 1896, surgiu o Instituto Agronômico, que em 1898 teve suas funções reorganizadas e ampliadas, como o Posto Zootécnico, anexo ao Instituto e responsável por realizar estudos sobre animais domésticos e suas aptidões e emprego na agricultura. Naquela época, assim como a cultura do algodão, a industria animal se tornava muitas vezes desprezada ou restringida por depender de inúmeros fatores. Alguns anos depois, o período entre 1904 e 1908 ficou marcado por grandes mudanças e pela participação oficial da indústria animal, responsável pelo desenvolvimentos da cidade e por melhorias nos rebanhos paulistas. O então prefeito de São Paulo, Antônio da Silva Prado, reconhecendo que a atividade agrícola se encontrava em estágio inicial, onde a população abastecia-se de produtos em pequenas hortas e galinheiros, assim como em áreas periféricas, notou que era hora de oferecer novas perspectivas ao setor.
thumb|Entrada principal do Parque da Água Branca, na Avenida Francisco Matarazzo
Com isso, o Parque da Água Branca passou a ser formado em 1905, quando a lei 811 de 14 de março daquele ano autorizou a Prefeitura de São Paulo a possuir um terreno de João Batista de Souza e também de outras pessoas. A área total do local era de 91.781,27 m², destinada à Escola Municipal de Pomologia e Horticultura, criada pelo então prefeito Antônio da Silva Prado para que pessoas pudessem se dedicar profissionalmente à agricultura. A escola funcionou até 1911. Após a escola ser desativada, o local passa um período desativado, embora fosse conhecido pela população como um viveiro de plantas da Prefeitura. Nos anos seguintes, ampliações do terreno foram realizadas, como em 24 de dezembro de 1912, com o espaço de 1.742 m² e em 25 de setembro de 1913, com a aquisição de terrenos remanescentes de 31.211, 87 m² pertencentes a João Batista de Souza. Com isso, nos anos 20 o Parque possuía uma área de 126.556,14 m².
O ano de 1911 marcou um grande retrocesso e atraso do setor da pecuária, com a Diretoria de Indústria Animal se transformando em uma Seção da Diretoria de Agricultura, que passou a ser chamada de Diretoria de Agricultura e Indústria Pastoril. Em 1928 O governador de São Paulo, Júlio Prestes, que tinha Dr. Fernando de Souza Costa como Secretário da Agricultura, decidiu transferir as dependências de Produção animal e de Exposições da Mooca para o bairro da Água Branca, criando o "Pavilhão de Exposições de Animais", que no futuro passaria a se chamar Parque Estadual "Dr. Fernando Costa"
O Posto Zootécnico Central, criado em 1905 na Mooca, onde permaneceu até 1929 e depois transferiu-se para o Parque da Água Branca foi suprimido. Em 1918 o Posto foi restabelecido.
A inauguração e ampliação de território thumb|Portão de acesso ao Parque da Água Branca em 1920 thumb|Tanque de peixes e tartarugas para contemplação dos visitantes na área central do Parque No dia 2 de junho de 1929, o Parque foi oficialmente inaugurado, pertencendo à Secretaria de Agricultura e Abastecimento, com o objetivo de abrigar o Recinto de Exposições e Provas Zootécnicas. Em suas dependências haviam estábulos, pavilhão de equinos, tanques para peixes, além de estufas e pomares, tornando-se também um local para passeios. O Parque surgiu em uma época de desenvolvimento agropecuário, tornando-se um patrimônio nesse setor. As feiras e exposições de animais que aconteciam no local se tornavam acontecimentos marcantes para a sociedade paulistana.
Uma das grandes atrações na época era visitar o local à noite, para ver os prédios projetados e construídos pelo engenheiro Mário Wathely no estilo Normando, construções que usam elementos comuns à arquitetura típica da região da Normandia, na França. O parque também foi palco para o cinema mudo, passeio famoso entre os visitantes, e também permaneceu ocupado por militares durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Também foi usado para venda de queijos, frios e manteigas. Com a inauguração do Parque, também foram criadas as Seções de Veterinária, Defesa Sanitária Animal e de Caça e Pesca, e a atual sede do Departamento de Produção Animal. Além disso, foram instalados pavilhões de administração, recintos para exposições, estações de laticínio, tanques e escadas de peixes.
No dia 25 de abril de 1928 a área do Parque da Água Branca foi transferida ao Estado pela Prefeitura, que recebeu como permuta um terreno "da Fazenda do Estado", situado no Parque do Ibirapuera. Com isso, o Estado ampliou o terreno em mais 35.000 m². Com o apelo de criadores e fazendeiros para a criação de um recinto de exposições e um local para sediar o antigo Departamento de Produção Animal, em 1928 o então governador do Estado de São Paulo, Júlio Prestes, que tinha como secretário da Agricultura Fernando Costa, decidiu transferir o antigo Departamento e Parque de exposições da Mooca para a Água Branca, local que ficou conhecido por um tempo como Pavilhão de Exposições de Animais, até ganhar o seu nome oficial. No período de 1939 a 1942 foram adquiridos pelo governo do Estado de São Paulo mais 12.022,27 m², totalizando a área atual do parque, de 136.765.41 m2².
Novos projetos thumb|Espaço Cultural Tattersa, utilizado até 1970 para exposições de gado. Atualmente abriga eventos culturais gratuitos. No ano de 1976, a Secretaria da Agricultura do Estado propôs a construção de um pequeno centro comercial, com pista de patinação, lanchonetes e choperias, além de dois estacionamentos com capacidade para setecentos carros, mas acabou não sendo bem aceito pelos frequentadores e moradores da região. Em seguida, no ano de 1979, alguns departamentos foram transferidos e as exposições passaram a ser realizadas no recinto de Exposições da Barra Funda, tornando o Parque da Água Branca mais amplo para o uso dos visitantes. Em 1981 foi fundada a Associação de Ambientalistas e Amigos do Parque da Água Branca (ASSAMAPAB), formada por um grupo de frequentadores do parque, para preservar o patrimônio social, histórico e arquitetônico do local. O grupo promovia ações socioambientais, de consumo consciente e qualidade de vida. Em 1983, foi iniciado o processo de tombamento do Parque, que foi concluído em 1996.
No ano de 1998, o Centro Histórico e Pedagógico da Agricultura Paulista foi oficializado, e teve como função promover eventos agropecuários, exposições e provas zootécnicas, proporcionar atividades de cultura, arte e lazer, além de receber e catalogar o acervo de peças e documentos de valor histórico da atuação da Secretaria de Agricultura e Abastecimento e pesquisar e divulgar a história da evolução da agricultura paulista. Em setembro de 2003, o viveiro de mudas "André Franco Montoro" foi criado com o objetivo de desenvolver atividades relacionadas à produção de pesquisas, informações e análises nas áreas de Produção Vegetal e Animal. Já em março de 2006 foi inaugurado o Centro de Referências em Educação Ambiental, uma biblioteca pública com inúmeras literaturas da área ambiental disponibilizadas aos visitantes do parque.
Arquitetura thumb|Sede do Parque Água Branca (FUSSSP)
Além do Estilo Normando, com referências românticas típicas das duas primeiras décadas do século XX definidas pela simetria da entrada principal do parque, também é possível admirar em seu portal de entrada vitrais com motivos rurais, criados pelo pintor Antônio Gonçalves Gomide, em 1929, no estilo Art déco, e também com uma busca por temas brasileiros. Anos depois, a restauração dos vitrais foi realizada pela Dra. Regina Lara.
Ao longo do tempo, foram construídas outras edificações em diversos estilos, e atualmente o conjunto abriga mais de 30 prédios e pavilhões de diversos formatos. A vegetação existente no Parque foi introduzida ao longo dos anos, sem um projeto de paisagismo ou planejamento de distribuição. Anos depois, isso acabou comprometendo algumas estruturas próximas de árvores de grande porte.
Espaços thumb|Arena para cavalos, onde são realizadas aulas de equitação
Desde sua criação, o Parque possui dois lagos artificiais de 700 e 750 m², destinados à criação de peixes e tartarugas. Os dois são abastecidos por uma das duas nascentes existentes na parte mais elevada do parque, que funciona com um sistema de tanques e bombeamento para a oxigenação dos peixes. Casa do Caboclo, construção de pau a pique
Além disso, o Parque possui Playground,Observatório de pássaros, Mini Zoo, estacionamento, biblioteca, arquibancada e arena onde são realizadas exposições de equinos e bovinos.
Reforma Em agosto de 2010 a então primeira-dama do estado, Deuza Goldman, empreendeu uma profunda reforma no parque, derrubando diversas palmeiras, árvores antigas e vegetação espontânea ("mato") do bosque. Também foi retirado o banco de sementes, fazendo no local uma trilha de cascalho para caminhadas. Os gatos, saguis, galinhas, patos e pavões que viviam no local foram eliminados, o que desagradou a Associação de Amigos do Parque, além do restante dos frequentadores. A criação de uma praça de alimentação ameaçava o café da manhã orgânico que era servido três vezes por semana. Foi necessário pedir reforço da Polícia Militar para conter os protestos e seguir com a derrubada de árvores decidida pela primeira-dama, sem consulta a órgãos ambientais. Em setembro do mesmo ano, foi realizada uma vistoria para apurar possíveis danos cometidos contra o patrimônio. Frequentadores passaram a reclamar das árvores derrubadas sem necessidade, animais que sumiram, das construções realizadas ao lado das nascentes, da iluminação artificial que poderia prejudicar os animais, entre outros.