miniaturadaimagem|A bandeira moderna da Ucrânia, adotada em 1991. Esta é a história da Ucrânia desde a pré-história, passando pelo surgimento do primeiro Estado eslavo oriental na região correspondente ao atual território ucraniano. Há um breve período de independência (1917-1921). Após a Revolução Russa, seguiu-se a absorção da Ucrânia pela União Soviética em 1922. As atuais fronteiras foram fixadas apenas em 1954. Recuperou sua independência em 1991, com a desintegração da URSS.
Primórdios
Os primeiros casos de assentamento humano na Ucrânia recuam à quase 6.450 AP. A Cultura Cucuteni-Trypillian do Neolítico tardio surge em torno de 4.500-3.000 a.C. As populações da Cultura Cucuteni-Trypillian durante a Idade do Cobre, residiam na porção oeste do que hoje é a atual Ucrânia, enquanto que a Cultura Sredny Stog se localizava mais a leste, sendo que esta foi sucedida posteriormente no início da Idade do Bronze pela Cultura Yamna ("Kurgan") das estepes e pela cultura das catacumbas no terceiro milênio a.C.
Durante a Idade do Ferro, outros povos emergiram na região como os Dácios, Cimérios, Citas, Sármatas e outras tribos nômades. O Reino Cita existiu nessa região entre 750-250 a.C. Juntamente com as colônias da Grécia Antiga fundadas no na costa nordeste do Mar Negro, as colônias de Tiras, Ólbia e Hermonassa, continuaram como cidades do Império Romano e Império Bizantino até o
No , os Godos chegaram nas terras da Ucrânia em torno de 250-375, o qual eles chamaram de Aujo, correspondente á cultura arqueológica Cherniacove. Os Ostrogodos se estabeleceram na área, mas sob a influência dos Hunos a partir de 350 d.C. Ao norte do reino ostrogodo havia a Cultura de Kiev, florescendo entre os séculos II ao V, quando foram expulsos pelos Hunos. Após eles terem ajudado a derrotar os Hunos na Batalha de Nedau em 454, os Ostrogodos foram permitidos a se estabelecerem na Panónia.
Com o grande vácuo criado entre o fim do governo Huno e Godo, as tribos eslavas, possivelmente emergiram a partir da Cultura de Kiev, começando a expandir sobre o atual território da Ucrânia durante o e para os Bálcãs no .
No , o território da moderna Ucrânia era o centro do estado dos Protobúlgaros (também referido como Grande Bulgária Antiga) com sua capital na Fanagória. Ao final do , a maior parte das tribos búlgaras migraram para diversas regiões e os que ficaram no estado foram absorvidos pelos Cazares, um povo semi-nômade da Ásia Central.
Os Cazares fundaram o Canato Cazar no sudeste do que hoje é parte da Europa, perto do Mar Cáspio e o Cáucaso. O reino incluía o oeste do Cazaquistão, parte do leste da Ucrânia, Azerbaijão, sul da Rússia e a Crimeia. Em torno de 800 d.C., o reino converteu ao Judaísmo.
A Rússia de Kiev (800–1100)
Durante os séculos X e XI, o território da Ucrânia tornou-se o centro de um Estado poderoso e prestigioso na Europa, a Rússia de Kiev, o que estabeleceu a base das identidades nacionais ucraniana e das demais nações eslavas orientais nos séculos subsequentes (ex.: russos, ucranianos e bielorrussosGuia del Mundo 2007, em espanhol, acessado em 21 de março de 2014.). A capital do principado era Kiev, conquistada dos cazares por Ascoldo e Dir por volta de 860. Conforme a Crônica Nestoriana, a elite do principado era formada, de início, por varegues provenientes da Escandinávia que foram mais tarde assimilados à população local de modo a formar a dinastia ruríquida.
thumb|250px|esquerda|Rússia de Kiev
A Rússia de Kiev era formado por diversos domínios governados por príncipes ruríquidas aparentados. Kiev, o mais influente de todos os domínios, era cobiçada pelos diversos membros da dinastia, o que levava a enfrentamentos frequentemente sangrentos. A Era Dourada do principado coincide com os reinados de , que aproximou o seu Estado do cristianismo bizantino, e seu filho , que viu o principado atingir o zênite cultural e militar.
No ocorreu um processo de fragmentação, apesar dos esforços em contrário durante os reinados de e de seu filho , após a morte daquele último, o território se desintegrou, com o surgimento de principados separados com sede em Kiev, Czernicóvia, Galícia e Vladimir-Susdália.
A invasão tártara-mongol do conferiu ao principado o golpe de misericórdia, do qual nunca se recuperaria.
A Comunidade Polaco-Lituana (1300 - 1600)
Na região correspondente ao atual território da Ucrânia, sucedeu a Rússia de Kiev os Principados de Galícia e de Volínia, posteriormente fundidos no Estado de Galícia-Volínia. Em meados do , o Estado foi conquistado por Casimiro IV da Polônia, enquanto que o cerne da antiga Rússia de Kiev - inclusive a cidade de Kiev - passou ao controle do Grão-Ducado da Lituânia. O casamento do Grão-Duque Jagelão da Lituânia com a Rainha Edviges da Polônia pôs sob controle dos soberanos lituanos a maior parte do território ucraniano (Czernicóvia, Novogárdia Sevéria, Podólia, Kiev e uma grande parte da Volínia).
thumb|250px|Mapa da República das Duas Nações com as principais subdivisões maiores depois da Paz de Deulino em 1618.
Nessa época, a parte sul da Ucrânia (incluindo a Crimeia) era regida pelo Canato da Crimeia, enquanto que as terras a oeste dos Cárpatos eram dominadas pelos magiares desde de o . No , o povo ucraniano se distingue dos outros povos eslavos orientais (ex. russos e bielorrussos), que tiveram origem comum na Rússia de Kiev, eram o povo que habitava a região da fronteira (krai) com os poloneses.
Por força da União de Lublim, de 1569, que criou a Comunidade Polaco-Lituana, uma porção considerável do território ucraniano passou do controle lituano para o polonês, transferido para a coroa da Polônia. Sob pressão de um processo de "polonização", a maior parte da elite rutena (isto é, eslava ou eslavizada, mesmo que de origem lituana) converteu-se ao catolicismo. O povo, porém, manteve-se fiel à Igreja Ortodoxa, o que levou ao surgimento de tensões sociais demonstradas, por exemplo, pela União de Brest, de 1596, pela qual Sigismundo III Vasa tentou criar uma Igreja Católica Grega Ucraniana vinculada à Igreja Católica Romana. Os plebeus ucranianos, vendo-se sem a proteção da nobreza rutena - cada vez mais convertida ao catolicismo romano - voltou-se para os cossacos (fervorosamente ortodoxos) em busca de segurança.
Os cossacos (1600 - 1800)
Ver: Razões que levaram os cossacos a revoltarem-se contra a República das Duas Nações e Revolta de Khmelnitski
Os cossacos em sua origem eram servos fugitivos de origem russa ou polonesa que se estabeleceram na Ilha de Hortitsa (ou Khortytsia) no Rio Dniepre, que entravam em constantes conflitos com as autoridade polonesas.Crimea: Whose land is this? Part 1, em inglês, acesso em 22 de março de 2014.
Em meados do , já existia um quase-Estado cossaco, o Zaporozhian Sich, foi criado pelos cossacos do Dniepre e pelos camponeses rutenos que fugiam da servidão polonesa. A Polônia não tinha o controle efetivo daquela área, hoje no centro da Ucrânia, que se tornou então um Estado autônomo militarizado, ocasionalmente aliado à Comunidade. Entretanto, a servidão do campesinato pela nobreza polonesa, a ênfase da economia agrária da Comunidade na exploração da mão-de-obra servil e, talvez a razão mais importante, a supressão da fé ortodoxa terminaram por afastar os cossacos e a Polônia. Assim, os cossacos voltaram-se para a Igreja Ortodoxa Russa, o que levaria eventualmente à queda da Comunidade Polaco-Lituana.
Em 1648, os cossacos, liderados por Bogdán Jmelnitski (ou Khmelnitski), deram início a uma grande rebelião (Insurreição de KhmelnitskiEnciclopédia do Mundo Contemporâneo, 3ª Ed. rev e atualizada - São Paulo Publifolha, Rio de Janeiro: Editora Terceiro Milênio, 2002, p 577) contra o Rei João II Casimiro, que levou à partilha da Ucrânia entre a Polônia e a Rússia, consolidada pelo Tratado de Pereiaslav (1654), no qual o czar se comprometeu a proteger o leste da Ucrânia dos poloneses.
Nas antigas terras dos Cossacos zaporojianos destruídas pelo governo russo em 1775, surgiu a Nova Rússia, na qual surgiram novas cidades nos locais de antigos assentamentos cossacos: Ekaterinoslav (1776), Elisavetgrad, Kherson (1778), Odesa (1794) К. М. Корольков «Столетний юбилей города Екатеринослава (1787 — 9-го мая — 1887)» (Екатеринослав, 1887).Місто і люди. Єлисаветград — Кіровоград, 1754—2004. Ілюстрована енциклопедія., Кіровоград: , «Імекс-ЛТД», 2004, 303 стор.Бобух А.І. Херсон: Путівник. — Херсон : Степ, 1994. — 60 с.Балабанова Д. А., Веприцкая В. Н. Становление адвокатуры в Южноукраинских губерниях Российской империи в первой половине XIX века (на примере Одессы) // Раціональний та почуттєво-емоційний аспекти правосвідомості та поведінки суб’єктів права. — 2012. . Na segunda metade do , o sul da Ucrânia tornou-se uma das principais fontes de trigo para o Império Russo. Todo o arquivo dos cossacos ucranianos liquidados, que consistia em 30.000 documentos que testemunham a história da Ucrânia nos séculos 16-18, foi armazenado por muito tempo na Fortaleza de Santa Isabel, até ser evacuado para Kiev em 1918. Foi desta fortaleza no final de maio de 1775 que um exército de 100.000 homens saiu e destruiu durar Sich (Fortificação cossaca) em 15 de junho. A Imperatriz Catarina II, em seu manifesto de 3 de agosto de 1775, anunciou que os cossacos ucranianos não existiam mais Исторія Малой Россіи, со временъ присоединенія оной къ Россійскому государству при царѣ Алексѣѣ Михайловичѣ, съ краткимъ обозрѣніемъ первобытнаго состоянія сего края. Часть четвертая. — : Въ Типографіи Семена Селивановскаго, 1822. — С. 297−303. [https://dozor.kr.ua/post/1-lipnya-den-zasnuvannya-fortetsi-svyatoi-elisaveti-nevivchena-istoriya-neunikalnoi-fortetsi-2035.html 1 липня – день заснування фортеці святої Єлисавети: Невивчена історія неунікальної фортеці.
Em 1783, o Canato da Crimeia foi anexado pela Rússia, que encerrou a dominação tártara na região.
Entre 1793 e 1795 ficou definida a partilha da Polônia entre a Prússia, a Áustria e a Rússia, que ficou inicialmente com os territórios situados à leste do Rio Dniepre,Formação do território da Ucrânia atual , acesso em 23 de março de 2014. enquanto que a Aústria ficou com a Ucrânia Ocidental (com o nome de província da Galícia).
Em 1796, a Rússia passou a dominar também territórios a oeste do Rio Dniepre
Em que pese o fato de que as promessas de autonomia da Ucrânia conferidas pelo tratado de Pereiaslav nunca se materializaram, os ucranianos tiveram um papel importante no seio do Império Russo, participando das guerras contra as monarquias europeias orientais e o Império Otomano e ascendendo por vezes aos mais altos postos da administração imperial e eclesiástica russa. Posteriormente, o regime tzarista passou a executar uma dura política de "russificação", proibindo o uso da língua ucraniana nas publicações e em público.
A partilha e o advento dos soviéticos
Por meio do Tratado de Brest–Litovski, assinado no início de 1918, a União Soviética abriu mão de exercer soberania sobre grande parte do território ucraniano, mas esse Tratado foi anulado com a derrota dos Impérios Centrais, ao final da Primeira Guerra Mundial, e o território passou a ser disputado na Guerra Polaco-Soviética.Maps: How Ukraine became Ukraine, em inglês, acesso em 12 de março de 2015.
O colapso dos Impérios Russo e Austríaco após a Primeira Guerra Mundial, bem como a Revolução Russa de 1917, permitiram o ressurgimento do movimento nacional ucraniano em prol da auto-determinação em boa parte da Ucrânia.
Em fevereiro de 1917, com o fim do czarismo, o poder começou ser disputado entre o Governo Provisório de São Petersburgo e a Rada Central de Kiev. Em dezembro, após a tomada do poder pelos bolcheviques, o primeiro Congresso dos Sovietes da Ucrânia proclamou o domínio sobre as regiões mais a leste da Ucrânia, com sede em Carcóvia. Por outro lado, a Rada se aliou às tropas austro-alemãs que invadiram o país, na primavera de 1918.