Vanderlei Luxemburgo da Silva (Nova Iguaçu, 10 de maio de 1952) é um ex-treinador, político e ex-futebolista brasileiro que atuava como lateral-esquerdo.
É o técnico com mais títulos do Brasileirão (cinco conquistas; empatado com Lula), sendo também o treinador mais vitorioso da competição, com 356 vitórias. Treinou grandes equipes do futebol brasileiro e a Seleção Brasileira, além de uma curta passagem pelo Real Madrid. Considerado o introdutor do esquema tático 4-1-4-1 no futebol brasileiro, foi eleito em 1999 o melhor treinador de Seleções do mundo pela IFFHS.
Lidera a lista de treinadores ganhadores de campeonatos estaduais no século XXI, com nove conquistas, empatado apenas com Givanildo Oliveira. Na carreira, possui 14 campeonatos estaduais (além de uma copa estadual), empatando com Maurício Simões e atrás somente de Givanildo. Foi campeão em todos os quatro estados do Sudeste, sendo o maior campeão de estaduais da região (treze títulos) e do Paulistão (nove títulos).
Carreira como jogador A carreira de jogador de futebol não foi tão marcante como a de técnico. Despontou no futebol como lateral-esquerdo no time de juvenis (atual Sub-20) do Flamengo de 1971, que revelaria também os zagueiros Rondinelli e Jayme de Almeida, o goleiro Cantareli e ninguém menos do que Zico. Subiu aos profissionais do Flamengo em 1972, e permaneceu na equipe carioca até 1978. Neste período, teve como grande concorrente na posição o lateral Júnior, revelado em 1974 também nos juvenis do rubro-negro, considerado um dos maiores jogadores da história do Flamengo e da Seleção Brasileira.
Depois de deixar a equipe rubro-negra e atuar pelo Internacional em 1978, teve uma passagem pelo Botafogo, onde jogou até 1980, quando uma contusão no joelho o afastou dos gramados.
Carreira como treinador Primeiros trabalhos Graduou-se em educação física em 1983 pela Universidade Castelo Branco, ali concluindo a pós-graduação (Lato sensu) como técnico de futebol no mesmo ano.
O início como treinador ocorreu no Campo Grande, do Rio de Janeiro, em 1983. No mesmo ano seguiu para o Rio Branco, onde conquistou o título do Campeonato Capixaba de 1983.
Bragantino Depois de passagens por outros clubes brasileiros e do futebol árabe, foi no Bragantino que conseguiu seu primeiro grande feito, conquistando dois títulos: a Série B do Campeonato Brasileiro de 1989 e o Campeonato Paulista de 1990.
Palmeiras Sua primeira conquista em um grande clube como técnico aconteceu em 1993, quando foi campeão do Campeonato Paulista pelo Palmeiras, encerrando um jejum de 17 anos do alviverde no estadual. O título, alcançado com uma vitória por 4–0 sobre o maior rival da equipe alviverde, o Corinthians, foi um dos mais importantes da história do clube, pois interrompeu um jejum de 16 anos sem títulos. No mesmo ano, Luxemburgo levaria o Palmeiras aos títulos do Torneio Rio-São Paulo e do Campeonato Brasileiro.
Em 1994, foi bicampeão paulista e brasileiro.
Breves passagens por Flamengo, Paraná e retorno ao Palmeiras Depois de breves passagens por Flamengo e Paraná, em 1995, retornou no mesmo ano ao Palmeiras, conquistando em 1996 mais um título do Campeonato Paulista, este marcado pela maior campanha de uma equipe no estado na era profissional, com um ataque arrasador de mais de 100 gols marcados.
Santos (primeira passagem) Em fevereiro de 1997, já pelo Santos, conquistou o Torneio Rio-São Paulo.
Corinthians miniatura|300px|Luxemburgo e seu auxiliar Antônio Mello durante um treino no Corinthians
No ano seguinte foi contratado pelo Corinthians, onde levantou o título do Campeonato Brasileiro. O Timão comandado por Luxa contava com grandes nomes, como Carlos Gamarra, Sylvinho, Vampeta, Freddy Rincón e Marcelinho Carioca.
Seleção Brasileira Ainda em 1998 foi convidado para ser o técnico da Seleção Brasileira, onde conquistou a Copa América de 1999.
Apesar de passagens vitoriosas nos times com grandes jogadores montados, teve problemas no período que treinou a Seleção, sofrendo ao ser flagrado utilizando documentação falsa e com um processo de sonegação fiscal. Por esta razão, deixou de usar o nome Wanderley (artístico) e voltou a usar Vanderlei (original). Sua saída da Seleção Brasileira ficou marcada pela eliminação da equipe nas Olimpíadas de 2000, quando o Brasil foi derrotado por Camarões nas quartas de final.
Retorno ao Corinthians Em 2001, de volta ao Corinthians, levou a equipe alvinegra a mais um título do Campeonato Paulista.
Palmeiras (terceira passagem) Teve uma passagem rápida e conturbada pelo Palmeiras em 2002, sendo responsabilizado por parte da torcida pela queda da equipe para a segunda divisão do futebol brasileiro, em virtude da dispensa de alguns jogadores de posições importantes logo no início do Campeonato Brasileiro, pouco antes de sua saída do clube para o Cruzeiro.
Cruzeiro Chegou ao Cruzeiro no dia 13 de agosto de 2002. Comandou sua primeira partida oficial no dia 18 de agosto, num empate por 0–0 contra o Botafogo, válido pela primeira fase do Campeonato Brasileiro.
Em 2003, no comando da equipe mineira, venceu o Campeonato Mineiro, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro, feito que ficou consagrado como tríplice coroa.
Seu último jogo foi um empate de 0–0 contra o Uberaba em casa. Após a partida, em que o time celeste esteve muito mal, Luxemburgo disse que havia problemas internos e que faltava sintonia no clube. No dia 27 de fevereiro de 2004, teve sua demissão anunciada.
Santos (segunda passagem) Acertou seu retorno ao Santos no ano de 2004, sendo anunciado oficialmente no dia 8 de maio e assinando contrato até o fim do ano seguinte. Em sua reestreia, a equipe venceu a LDU por 2–0 na Vila Belmiro, no jogo de volta das oitavas de final da Libertadores. Como havia perdido por 4–2 na ida, o resultado levou a partida para os pênaltis — o clube santista não desperdiçou nenhuma cobrança e venceu o time equatoriano por 5–3.
Apesar da eliminação para o Once Caldas nas quartas de final da Libertadores, o treinador obteve êxito no Campeonato Brasileiro e conquistou a competição com o Alvinegro da Vila. Além dos atacantes Robinho e Deivid, os principais destaques da equipe foram os meias Diego e Elano.
Real Madrid Deixou o time do Santos no final de 2004, sendo anunciado oficialmente pelo Real Madrid no dia 30 de dezembro.
Sua estreia aconteceu no dia 5 de janeiro de 2005, numa partida atípica, de apenas sete minutos contra a Real Sociedad, jogo que foi a continuação de uma partida adiada por causa de uma suspeita de bomba, em dezembro. A partida havia sido interrompida com o placar de 1–1 e, na continuação, Luxemburgo armou um esquema e conseguiu o gol da vitória, após um pênalti cobrado por Zinédine Zidane.
O primeiro fracasso a frente do Real aconteceu ainda no seu primeiro mês, quando o clube foi eliminado nas oitavas de final da Copa do Rei pelo Valladolid, ao empatar no Santiago Bernabéu em 1–1. Já pela Liga dos Campeões, a equipe merengue acabou sendo eliminada pela Juventus em março, nas oitavas de final. Na ocasião, Luxemburgo substituiu Ronaldo no jogo de ida e Zidane no jogo de volta. Após a eliminação, o astro francês se queixou pessoalmente com o treinador brasileiro: "Senhor, você não trabalha no futebol europeu. Caso contrário, não teria tirado de campo eu e o Ronaldo porque saberia que os adversários têm medo de nós. Com essas mudanças, eles perderam o respeito que tinham".
Nas 22 partidas que realizou na sua primeira temporada passada do Campeonato Espanhol, que ficou com o vice-campeonato, terminou a competição com 16 vitórias, três empates e apenas três derrotas.
Seu último jogo no comando do time foi em dezembro, numa vitória por 1–0 sobre o Getafe, em que foi vaiado pela torcida e discutiu com o presidente Florentino Pérez. Segundo Luxemburgo, o dirigente desceu das tribunas e cobrou uma melhor atuação da equipe, mas o treinador respondeu que "queria ganhar o jogo". Diante das queixas, Luxemburgo encerrou a discussão: "Presidente, deixe-me falar um negócio para o senhor: não estou gostando muito disso, não. Não pedi ao senhor para vir para cá, você que foi no Brasil me contratar. Não vim para cá por favor, não. Vim para cá por que você foi no Brasil e me contratou, então vou fazer o que achar que tiver que fazer. Ele não falou mais nada. No dia seguinte, eu estava despedido".
Em um ano no clube espanhol, Luxemburgo obteve 28 vitórias, sete empates e dez derrotas em 45 partidas.
O lateral-esquerdo Roberto Carlos alegou que Luxemburgo perdeu a moral no Real Madrid após cortar a bebida da concentração:
Em 2020, o meio-campista Luís Figo alegou que Luxemburgo foi o pior técnico que ele já pôde trabalhar.
Santos (terceira passagem) Dez dias após deixar o clube espanhol, foi anunciado o retorno do técnico à equipe santista. Em seu retorno ao Santos, conquistou nos dois anos seguintes o título do Campeonato Paulista.
No ano de 2006, um caso folclórico: num clássico contra o Corinthians, para confundir o técnico adversário, além de não divulgar a escalação do time, Luxa mandou a campo com 12 jogadores. O zagueiro Domingos e o atacante Geílson entraram mudos em campo. Nenhum dos dois falou quem jogaria. Os jogadores ficaram ao lado do mesário mentindo que assinavam a súmula. Esse "teatro" só foi encerrado quando o juiz exigiu que o Santos ficasse com 11 em campo: Geílson foi para o banco de reservas e Domingos seguiu no gramado.
Em 2007 levou a equipe às semifinais da Copa Libertadores da América, mas foi eliminado pelo Grêmio — o clube gaúcho venceu por 2–0 na ida e o Peixe venceu por 3–1 na volta, mas acabou sendo eliminado pelo critério do gol fora de casa. A falta de uma conquista de torneio internacional interclubes é justamente uma das maiores frustrações do técnico.
Deixou o clube no dia 13 de dezembro, após não chegar a um acordo com a diretoria.
Palmeiras (quarta passagem) O treinador acertou seu retorno ao Palmeiras em dezembro de 2007, sendo esta a sua quarta passagem pelo clube. Logo de cara, encerrou um jejum de títulos e conquistou o Campeonato Paulista de 2008. A equipe alviverde não vencia um campeonato desde 2000, e não conquistava o torneio estadual desde 1996. Com o título, Luxemburgo chegou ao seu oitavo título paulista na carreira.
No decorrer de 2008, Luxa mandou um time reserva para o jogo de volta das quartas de final da Copa Sul-Americana, contra o Argentinos Juniors, fora de casa, poupando em razão do Campeonato Brasileiro. O diferente é que, além não ter viajado junto à equipe, o treinador comentou a partida na transmissão da TV Globo. O Palmeiras, que havia sido derrotado por 1–0 no Brasil, perdeu por 2–0 em Buenos Aires e foi eliminado sob o comando do auxiliar técnico Nei Pandolfo. Apesar da eliminação na Sula, a equipe terminou o ano em quarto lugar no Brasileirão e classificou-se para a Copa Libertadores da América.
Já em 2009, com foco total na Libertadores, o Palmeiras classificou-se em segundo na fase de grupos e eliminou o Sport nas oitavas de final, numa dramática disputa por pênaltis após uma derrota por 1–0 na Ilha do Retiro. O Verdão viria a ser eliminado para o Nacional, nas quartas de final, por conta do critério do gol fora de casa. As duas equipes empataram em 1–1 no jogo de ida, realizado no Palestra Itália, e empataram em 0–0 no jogo de volta.