A eleição presidencial de 1989 no Brasil foi realizada em dois turnos. O primeiro aconteceu em uma quarta-feira, 15 de novembro de 1989, e o segundo em um domingo, 17 de dezembro de 1989. Foi a primeira eleição presidencial do país após a promulgação da Constituição Federal de 1988. No total, 22 candidatos a Presidente e 22 a Vice-presidente do Brasil concorreram na eleição. Os principais candidatos à presidência foram: o economista liberal Fernando Collor de Mello (PRN, atual Agir), o sindicalista social-democrata Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o engenheiro trabalhista Leonel Brizola (PDT), o engenheiro social-democrata Mário Covas (PSDB), e o engenheiro conservador Paulo Maluf (PDS, atual Progressistas). Foi a primeira eleição direta brasileira em que presidente e vice-presidente da República foram eleitos juntos, norma mantida nos pleitos seguintes e que continua até hoje.
Contexto histórico Em 15 de janeiro de 1985, Tancredo Neves venceu a eleição para presidente da República do Brasil no Colégio Eleitoral, encerrando a ditadura militar no país. Entretanto, Tancredo morreu, e quem assumiu o cargo foi seu vice, José Sarney, visto com suspeita pela população, pois faz parte de uma dissidência da Aliança Renovadora Nacional (rebatizada de Partido Democrático Social em 1980), o partido dos militares, que mais tarde formaria o Partido da Frente Liberal (atual União Brasil). Isso sem contar que havia dúvidas constitucionais sobre se era Sarney ou o então presidente da Câmara dos Deputados, Ulysses Guimarães, quem deveria assumir o cargo; foi decisivo o apoio do general Leônidas Pires Gonçalves, indicado por Tancredo como ministro do Exército, para que a posse de Sarney se concretizasse. Entretanto, conforme prometido, o governo Sarney redemocratizou o país e, em 1986, ocorreram eleições para formar a Assembleia Nacional Constituinte, que promulgou uma nova constituição em 5 de outubro de 1988. A Constituição determinava a realização de eleições diretas para presidente no ano seguinte. Durante o governo Sarney, partidos até então clandestinos, como o PSB, o PCB e o PCdoB, foram legalizados.
A contenção do aumento inflacionário, herança do Regime Militar, foi outro desafio que teve de ser enfrentado pelo governo de José Sarney. Para tal, foram feitos sucessivos programas econômicos que não solucionaram o problema da inflação, pelo contrário, agravando ainda mais a crise inflacionária do país. O primeiro plano foi proposto pelo ministro da Fazenda Dílson Funaro, que consistiu na criação de uma nova moeda por meio do Plano Cruzado, o congelamento dos salários e preços, o incentivo à produção. Apesar dos resultados positivos no início, as taxas de inflação anuais chegaram ao índice de mais de 367%, entre 1986 e 1987. Também se estimulou o consumidor a controlar os preços. Os chamados “fiscais do Sarney” denunciavam ao governo os estabelecimentos que não cumpriam com os preços indicados aos produtos, assim os produtos começaram a sumir dos mercados e a inflação continuou a aumentar.
Em novembro de 1986, foi anunciado o Plano Cruzado II, que congelou os preços muito acima da realidade do mercado. Em maio de 1987 a inflação já ultrapassava a casa dos 20% ao mês. O fracasso do plano provocou a queda do ministro da Fazenda. Dois novos planos econômicos foram implantados no governo Sarney, o Plano Bresser, sob a orientação do novo ministro Luís Carlos Bresser Pereira, e o Plano Verão, anunciado em janeiro de 1989, sob a orientação do último ministro da Fazenda do governo Sarney, Maílson da Nóbrega. Como os demais planos, ambos não conseguiram os resultados pretendidos.
Durante esta época de crise econômica o militar Jair Bolsonaro (futuro presidente da república) escreveu o artigo O salário está baixo para a revista Veja criticando os baixos salários dos militares, que, segundo Bolsonaro na época, estavam defasados por conta da inflação e falta de reajuste. O artigo teve repercussão e tornou Bolsonaro imagem pública, posteriormente levando-o a ser preso por 15 dias. Um ano depois, a mesma revista o acusou de planejar plantar bombas em unidades militares, o que ele negou. Após ser condenado em primeira instância, o Superior Tribunal Militar o absolveu dessa acusação em 1988.
A Internet chega ao Brasil em 1988 por decisão inicial da sociedade de estudantes e professores universitários paulistanos (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, liderada por Oscar Sala) e cariocas (Universidade Federal do Rio de Janeiro e Laboratório Nacional de Computação Científica). No entanto, será somente a partir de 1996, no governo de Fernando Henrique Cardoso, que a Internet brasileira passará a ter seus backbones próprios inaugurados por provedores comerciais, iniciando assim o desenvolvimento dessa rede de telecomunicações.
Assim sendo, chega-se ao ano das eleições presidenciais. As eleições de 1989 foram as primeiras desde 1960 em que os cidadãos brasileiros aptos a votar escolheram seu presidente da república. Por serem relativamente novos, os partidos políticos estavam pouco mobilizados e vinte e duas candidaturas à presidência foram lançadas. Essa quantidade expressiva de candidatos mantém o recorde de eleição presidencial com mais candidatos - número que passaria a 23 caso o ex-presidente Jânio Quadros, cujo nome foi cogitado para a disputa, não abdicasse de sua pré-candidatura em decorrência de seus problemas de saúde. Foi também a primeira eleição na qual uma mulher disputou o posto mais elevado da República — Lívia Maria, do Partido Nacionalista (PN).LARANJEIRA, Leandro. "Mulheres podem fazer história nas eleições de 2010" . Diário do Grande ABC. 10 de agosto de 2009. Acesso em: 28 de junho de 2010. Como nenhum candidato obteve a maioria absoluta dos votos válidos, isto é, excluídos os brancos e nulos, a eleição foi realizada em dois turnos, conforme a então nova lei previa. O primeiro foi realizado em 15 de novembro de 1989, data que marcava o centésimo aniversário da proclamação da República, e o segundo em 17 de dezembro do mesmo ano. Foram para o segundo turno os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva, da coligação encabeçada pelo Partido dos Trabalhadores, e Fernando Collor de Mello, da coligação encabeçada pelo PRN.
Diversos veículos de imprensa noticiaram forte favorecimento por parte da Rede Globo (ver Críticas à Rede Globo) no debate presidencial do segundo turno a Collor, em relação a Lula. Em 2009, Collor admitiu que teve vantagem na disputa. miniaturadaimagem|Cédulas de votação para Presidente do 1º e 2º Turno das Eleições de 1989.
Candidatura de Silvio Santos
Em novembro de 1989, com a campanha presidencial em andamento, Silvio Santos foi anunciado como candidato à presidência pelo PMB no lugar do pastor evangélico Armando Corrêa, que era o candidato oficial do partido, e para a vice-presidência, foi escolhido o deputado federal paraibano Marcondes Gadelha. Também foi cogitada renúncia do candidato Aureliano Chaves, do PFL, um partido maior e mais poderoso, para que Silvio o substituísse. Silvio chegou a fazer algumas gravações para a propaganda eleitoral, pedindo votos para o número 26, do PMB, com insistência, pois não haveria tempo para mudar o nome impresso nas cédulas de votação.
A alguns dias da eleição, Silvio Santos teve seu registro de candidatura impugnado pelo Tribunal Superior Eleitoral, por irregularidades no registro do PMB (o partido fizera convenções partidárias em apenas 5 estados, em vez de 9). O apresentador e empresário filiou-se em seguida ao PFL e ensaiou participar de outras eleições, mas as brigas entre grupos políticos e os acordos e negociações inerentes à política fizeram Silvio continuar cuidando exclusivamente de seus negócios. O PMB sofreu a punição mais grave: teve seu registro cancelado pelo TSE.
Candidaturas
Movimento Brasil Novo (PRN, PSC, PTR e PST) 85x85px Partido da Reconstrução NacionalPresidenteVice Presidente303x303px303x303px55º Governador de Alagoas (1987–1989)Senador por Minas Gerais (1975–1990)Campanha
Frente Brasil Popular (PT, PSB e PCdoB) 85x85px Partido dos Trabalhadores85x85px Partido Socialista BrasileiroPresidenteVice Presidente303x303px303x303pxDeputado federal por São Paulo (1987–1991)Senador por Rio Grande do Sul (1987–1995)Campanha A campanha eleitoral de Lula da Silva em 1989 foi suportada pela Frente Brasil Popular (FBP), que foi uma coligação partidária composta por 3 partidos: Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Socialista Brasileiro (PSB).
Até julho de 1989, o Partido Verde (PV) era o quarto partido da frente. Este, por sua vez, lançara o escritor e atualmente ex-deputado federal Fernando Gabeira como pré-candidato a vice-presidente na chapa de Lula. Todavia, a vaga também era disputada pelo senador José Paulo Bisol (PSB-RS), que teve seu nome confirmado em julho do ano em curso, forçando assim a saída dos verdes da coligação, bem como o lançamento forçado da candidatura própria de Gabeira ao Palácio do Planalto. O PV era contra a indicação de Bisol para vice na chapa do petista. Disputaram o sindicalista e então deputado federal Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na cabeça-de-chapa e Bisol (PSB) como candidato a vice-presidente.
Lula fora para o segundo turno e acabou derrotado pelo ex-governador alagoano Fernando Collor de Mello, do Movimento Brasil Novo (PRN/PSC/PTR/PST), obtendo 46,97% dos votos válidos.
Em setembro de 2015, diversos partidos políticos, movimentos sociais, sindicatos e personalidades lançaram uma coalizão homônima, também de viés de esquerda.
PresidenteCargo político anteriorVice-presidenteNúmero eleitoralTempo de horário eleitoral (diário)Tempo de horário eleitoral (por bloco)CandidatoPartidoCandidatoPartidoAffonso Camargo Neto(Campanha) PTBSenadorpeloParaná(1987–1995)José Roberto Faria Lima PTB1410 minutos5 minutosAfif Domingos(Campanha) PLDeputado federalporSão Paulo(1987–1991)Aluísio Pimenta PDCAliança Liberal Cristã(PL, PDC)2210 minutos5 minutosAntônio Pedreira(Campanha) PPBOrestes Ferreira Alves PPB1630 segundos15 segundosArmando Corrêa(Campanha) PMBAgostinho Linhares de Souza PMB265 minutos2 minutos e 30 segundosAureliano Chaves(Campanha) PFLMinistrodasMinas e Energia(1985–1988)Cláudio Lembo PFL2516 minutos8 minutosCelso Brant(Campanha) PMNDeputado federalporMinas Gerais(1985–1988)José Natan Emídio Neto PMN3330 segundos15 segundosEnéas Carneiro(Campanha) PRONALenine Madeira de Souza PRONA5630 segundos15 segundosEudes de Oliveira Mattar(Campanha) PLP Dante Lazzaroni JúniorPLP5530 segundos15 segundosFernando Collor(Campanha) PRNGovernadordeAlagoas(1987–1989)Itamar Franco PRNBrasil Novo(PRN, PSC, PST, PTR)2010 minutos5 minutosFernando Gabeira(Campanha) PVMaurício Lobo Abreu PV4330 segundos15 segundosLeonel Brizola(Campanha) PDTGovernadordoRio de Janeiro(1983–1987)Fernando Lyra PDT1210 minutos5 minutosLívia Maria Pio(Campanha) PNArdwin Retto Grünewald PN2730 segundos15 segundosLuiz Inácio Lula da Silva(Campanha) PTDeputado federalporSão Paulo(1987–1991)José Paulo Bisol PSBFrente Brasil Popular(PT, PSB e PCdoB)1310 minutos5 minutosManoel Antonio de Oliveira Horta(Campanha)PDCdoBJorge Coelho de SáPDCdoB5730 segundos15 segundosMário Covas(Campanha) PSDBSenadorporSão Paulo(1987–1995)Almir Gabriel PSDB4513 minutos6 minutos e 30 segundosMarronzinho(Campanha) PSPReinaldo Valim PSP4230 segundos15 segundosPaulo Gontijo(Campanha)PPLuiz PaulinoPP5430 segundos15 segundosPaulo Maluf(Campanha) PDSDeputado federalporSão Paulo(1983–1987)Bonifácio Andrada PDS1110 minutos5 minutosRoberto Freire(Campanha)PCBDeputado federalporPernambuco(1979–1995)Sérgio AroucaPCB235 minutos2 minutos e 30 segundosRonaldo Caiado(Campanha) PSDCamilo CalazansPDNUnião Cidade Campo(PSD, PDN)515 minutos2 minutos e 30 segundosUlysses Guimarães(Campanha) PMDBDeputado federalporSão Paulo(1951–1992)Waldir Pires PMDB1522 minutos11 minutosZamir José Teixeira(Campanha) PCNWilliam Pereira da Silva PCN3130 segundos15 segundos