Gran Torino é um filme de drama de 2008 produzido e dirigido por Clint Eastwood, que também estrela no papel principal. Kyle Eastwood e Michael Stevens compuseram a trilha sonora, enquanto Jamie Cullum e Clint Eastwood forneceram a faixa principal.

Ambientado na cidade de Highland Park, no estado americano do Michigan, o filme acompanha Walt Kowalski (Eastwood), um veterano da Guerra da Coreia recém viúvo e afastado de sua família. Quando o vizinho de Kowalski, Thao Vang Lor, é pressionado por seu primo a roubar o valioso Ford Torino de Walt como iniciação em uma gangue, Walt impede o roubo e desenvolve um amizade com o garoto e sua família. Gran Torino apresenta um elenco significativo de americanos de origem hmong, sendo a primeira produção de Hollywood a realizar este feito.

O longa estreou através de um lançamento limitado nos cinemas estadunidenses em 12 de dezembro de 2008, antes de ganhar um lançamento amplo em todo o país em 9 de janeiro do ano seguinte. Arrecadou cerca de US$ 269 milhões em todo o mundo, tornando-se o segundo filme de maior bilheteria de Eastwood até hoje. Também recebeu críticas geralmente positivas, com destaque para a direção e atuação de Eastwood, embora tenha recebido algumas críticas por sua representação imprecisa da comunidade Hmong.

Enredo Walt Kowalski, recentemente viúvo, é um veterano da Guerra da Coreia e ex-operário da Ford Motor Company. Temperamental e preconceituoso, vive sozinho em um bairro da cidade de Highland Park, na região industrial de Detroit, que passou por um processo de decadência e se tornou predominantemente habitado por imigrantes hmong. A violência entre gangues é frequente na região, incluindo uma liderada por Aranha, primo de seu vizinho Thao Vang Lor. Distante de seus filhos e netos, Walt rejeita a sugestão de se mudar para uma casa de repouso e prefere permanecer em sua residência, acompanhado apenas de sua idosa cadela Daisy. Fumante inveterado, sofre de tosse e ocasionalmente expele sangue durante as crises. O padre Janovich, que havia prometido à falecida esposa de Walt que cuidaria dele, tenta convencê-lo a se confessar na igreja, mas é constantemente rejeitado.

Como parte de um ritual de iniciação da gangue, Thao é coagido a tentar roubar o Ford Gran Torino 1972 pertencente a Walt. O idoso surpreende o jovem durante o ato e impede o roubo, fazendo com que Thao fuja de sua garagem. Posteriormente, quando membros da gangue tentam forçar Thao a se juntar ao grupo, Walt os afugenta com seu rifle M1 Garand. O episódio faz com que ele ganhe o respeito de parte da comunidade hmong. Como punição pelo envolvimento no roubo, a mãe de Thao determina que ele passe a trabalhar para Walt, realizando diversos serviços em sua casa e no bairro. Embora inicialmente mantenham uma relação hostil, os dois desenvolvem gradualmente uma relação de respeito mútuo. Walt passa a dar conselhos de vida a Thao e o ajuda a conseguir um emprego na construção civil. Walt também intervém quando Sue, irmã de Thao, é assediada por três jovens afro-americanos. Apesar de seus preconceitos, ele se aproxima cada vez mais da família Vang Lor. Enquanto isso, sua saúde continua a se deteriorar. Após consultar um médico, Walt recebe um diagnóstico preocupante, mas decide ocultá-lo de sua família e de seus conhecidos.

Certo dia, membros da gangue agridem Thao quando ele retorna para casa após o trabalho. Em resposta, Walt agride um dos integrantes do grupo e o adverte para que a gangue não volte a atacar o jovem. A gangue reage atacando a família de Thao: Sue é espancada e estuprada, enquanto Thao é ferido durante um tiroteio drive-by contra a casa dos Vang Lor. Temendo novas represálias, a família decide não denunciar os crimes às autoridades. No dia seguinte, Thao procura Walt e pede sua ajuda para se vingar da gangue. Walt, porém, pede que ele volte mais tarde. Enquanto isso, Walt compra um terno, corta o cabelo e procura o padre Janovich, a quem finalmente confessa seus pecados. Quando Thao retorna, Walt o leva ao porão de sua casa e lhe entrega sua Estrela de Prata. Ele revela que é atormentado pela lembrança de ter matado, durante a Guerra da Coreia, um jovem soldado inimigo que tentava se render. Por isso, não deseja que Thao se envolva em um ato de violência. Walt então tranca o rapaz no porão e parte sozinho para confrontar os integrantes da gangue.

Ao chegar à residência dos criminosos, Walt os confronta verbalmente e chama a atenção dos moradores da vizinhança. Os integrantes da gangue sacam suas armas. Walt coloca um cigarro na boca, leva lentamente a mão ao bolso do paletó e a retira de forma repentina. Interpretando o gesto como uma tentativa de sacar uma arma, os membros da gangue atiram contra ele. Walt cai morto e sua mão se abre, revelando que segurava apenas um isqueiro Zippo com o emblema da 1.ª Divisão de Cavalaria. Seguindo as instruções deixadas por Walt num telefonema horas antes, Sue liberta Thao do porão, e os dois seguem até o local do confronto. Um policial informa que Walt estava desarmado no momento em que foi morto e que os integrantes da gangue foram presos por seu assassinato. Segundo o policial, as testemunhas que presenciaram o ocorrido permitiram que os criminosos fossem responsabilizados pelo crime.

O padre Janovich celebra o funeral de Walt, que reúne sua família, seu barbeiro e integrantes da comunidade hmong. Posteriormente, seu testamento é lido. Para surpresa e descontentamento de seus familiares, Walt deixa sua casa para a igreja e seu Gran Torino para Thao, com a condição de que o jovem não faça modificações no veículo. Algum tempo depois, Thao dirige o automóvel pela Avenida Jefferson, em Detroit, acompanhado por Daisy.

Elenco Clint Eastwood como Walt Kowalski Bee Vang como Thao Vang Lor, um adolescente hmong vizinho de Walt Ahney Her como Sue Lor, a irmã mais velha de Thao Christopher Carley como Padre Janovich Doua Moua como Fong "Aranha", primo de Thao e líder da gangue de hmongs Sonny Vue como Smokie, o braço direito de Aranha na gangue. Elvis Thao como um dos membros da gangster hmong Brian Haley como Mitch Kowalski, o filho mais velho de Walt. Brian Howe como Steve Kowalski, o filho mais novo de Walt. Geraldine Hughes como Karen Kowalski, esposa de Mitch Dreama Walker como Ashley Kowalski, filha mais velha de Mitch e Karen Michael E. Kurowski como Josh Kowalski, filho mais novo de Mitch e Karen John Carroll Lynch como Martin, um barbeiro ítalo-americano amigo de Walt. Chee Thao como a avó dos Vang Lor, a matriarca da família de Thao Choua Kue como Youa, interesse amoroso de Thao Scott Eastwood como Trey, o ficante de Sue. Xia Soua Chang como Kor Khue, o xamã da família Vang Lor

Após realizar testes de elenco em Fresno, Califórnia; Detroit, Michigan; e Saint Paul, Minnesota, Eastwood selecionou dez atores hmong para papéis principais e coadjuvantes. Destes, apenas um não era ator estreante. Do elenco hmong, cinco, incluindo Bee Vang, uma das atrizes principais, eram do estado de Minnesota. Ahney Her é de Lansing, Michigan. A agência de atores Pound & Mooney recrutou trinta atores e mais de quinhentos figurantes. A empresa recrutou muitos atores hmong de um torneio de futebol no Condado de Macomb, também no Michigan. Sandy Ci Moua, uma atriz hmong que residia nas "cidades gêmeas" (Minneapolis e St. Paul), auxiliou na seleção de atores hmong para o filme.

Produção miniaturadaimagem|243x243px|Modelo Ford Gran Torino, que dá nome ao filme. Gran Torino foi escrito por Nick Schenk e dirigido por Clint Eastwood. Foi produzido pela Village Roadshow Pictures, Media Magik Entertainment e Malpaso Productions para ser distribuído pela Warner Bros. Pictures. Eastwood coproduziu a produção com seus sócios da Malpaso, Robert Lorenz e Bill Gerber. O diretor afirmou que gostou da ideia "de que [o filme] tratava de preconceito, de que nunca é tarde demais para aprender".

As filmagens começaram em julho de 2008. Vários membros de etnia hmong foram empregados no filme atuando como assistentes de produção, consultores e figurantes. O filme foi rodado ao longo de cinco semanas. Os editores Joel Cox e Gary D. Roach editaram o filme para que tivesse menos de duas horas de duração. A equipe gastou mais de 10 milhões de dólares somente nas filmagens em Detroit.

No início da década de 1990, Schenk familiarizou-se com a história e a cultura dos hmong enquanto trabalhava em uma fábrica em Minnesota. Ele aprendeu como eles se aliaram às forças do Vietnã do Sul e seus aliados americanos durante a Guerra do Vietnã, apenas para acabar em campos de refugiados, à mercê das forças comunistas do Vietnã do Norte, quando as tropas americanas se retiraram e as forças governamentais foram derrotadas. Anos depois, ele estava decidindo como desenvolver uma história envolvendo um veterano viúvo da Guerra da Coreia tentando lidar com as mudanças em sua vizinhança quando decidiu colocar uma família hmong ao lado e criar um choque cultural. Ele e Dave Johannson, colega de quarto do irmão de Schenk, criaram um esboço para a história. De acordo com Schenk, todas as noites ele usava caneta e papel para escrever o roteiro enquanto estava num bar no nordeste de Minneapolis chamado Grumpy's depois de trabalhar em seus empregos diurnos. Ele se lembrou de ter escrito 25 páginas em uma única noite no bar e de ter pedido opiniões ao garçom, que era seu amigo, sobre o andamento da história. Alguns membros da indústria disseram a Schenk que um filme estrelado por um personagem principal idoso não poderia ser produzido, pois a história não seria facilmente vendida, especialmente com um personagem principal idoso que usava linguagem sugerindo que ele tinha visões racistas. Por meio de um amigo, Schenk enviou o roteiro ao produtor da Warner Bros., Bill Gerber. Eastwood pôde dirigir e estrelar o projeto, já que as filmagens de Invictus foram adiadas para o início de 2009, deixando tempo suficiente para rodar Gran Torino durante o verão anterior. Eastwood disse que teve um "papel divertido e desafiador, e que [o filme] é uma história peculiar".

Segundo Schenk, além de mudar as referências a Minneapolis para referências a Detroit, a produção liderada por Eastwood "não mudou uma única sílaba" no roteiro. Schenk acrescentou que o conceito de os produtores não fazerem revisões substanciais a um roteiro submetido "nunca acontece". Eastwood disse que parou de fazer revisões significativas depois de tentar mudar o roteiro de Unforgiven (1992) ​​e, posteriormente, decidir retornar à revisão original, acreditando que suas mudanças estavam "emasculando" o produto.

Escolha de Detroit para produção e ambientação O roteiro original foi inspirado na comunidade de Minneapolis, Minnesota, no nordeste dos Estados Unidos, mas os cineastas optaram por filmar em Michigan, tornando-se uma das primeiras produções a aproveitar a nova lei estadual que oferecia pacotes de incentivos lucrativos para produções cinematográficas. O político americano Bill Huizenga, de Zeeland, Michigan, que já atuou na Câmara dos Representantes de Michigan, ajudou a redigir e coordenar o pacote de incentivos do Estado de Michigan para os criadores do filme. A produção de Gran Torino acabou recebendo um crédito tributário de 42%. Bruce Headlam, comentarista do The New York Times, escreveu: "Isso ajudou a facilitar para a Warner Bros. aprovar o financiamento do filme, algo que nem sempre foi garantido na relação do estúdio com o diretor".