thumb|Teatro Cinearte, sede do grupo "A Barraca", durante a exibição da peça As Peúgas de Einstein, de Hélder Costa, em abril de 2011 A Barraca é uma companhia de teatro portuguesa histórica, com sede em Lisboa, fundada em 1975 por Maria do Céu Guerra e Mário Alberto.
História A companhia foi fundada em 1975 pela actriz e encenadora Maria do Céu Guerra e pelo cenógrafo Mário Alberto inscrevendo-se num movimento emergente de companhias de teatro experimental e independente, localizado sobretudo em Lisboa. Durante o ano de 1976 o grupo passou a maior parte do tempo em tournées pelo país.
Foi uma das principais companhias teatrais portuguesas do período pós-25 de Abril, sendo listada nessa qualidade pelo Europa World Year Book de 1983. O grupo foi descrito na época como a mais popular das companhias teatrais independentes em Portugal.
Desde a sua fundação a direcção da companhia tem estado a cargo de Maria do Céu Guerra e do encenador e dramaturgo Hélder Costa, o qual desde 1976 tem escrito, transcrito e encenado muitos dos espectáculos apresentados pelo grupo.
Durante o seu tempo de exílio em Lisboa, o dramaturgo brasileiro Augusto Boal participou da direcção da companhia, deixando uma forte influência no reportório do grupo. Foi também nesta companhia que se revelou o actor Mário Viegas.
Em 1976 a sede foi transferida para o cimo da Rua Alexandre Herculano, perto do Largo do Rato, em instalações de carácter precário; em 1989 foi-lhes concedido pela Câmara Municipal de Lisboa, pelo prazo de 25 anos o Teatro Cinearte, no Largo de Santos, onde também aposta na dinamização do espaço do café-concerto.
Em 4 de março de 2011 o grupo teatral comemorou 35 anos com uma festa em que foram evocadas duas das principais figuras da sua história, Augusto Boal e a actriz Fernanda Alves, e uma sessão especial da peça Angel City, de Sam Sheppard, com encenação de Rita Lello.
Produção teatral A produção teatral do grupo faz-se sobretudo numa adaptação eficaz de temas históricos e políticos ao formato popular, tradicional e moderno do teatro narrativo, focando sobretudo a produção nacional por obrigações inerentes aos subsídios estatais que lhe são atribuídos.
O grupo estreou em Março 1976 na Incrível Almadense com a Cidade Dourada, de La Candelária, peça de grande sucesso. Em Setembro do mesmo ano montou o espectáculo Histórias de fidalgotes e alcoviteiras, encenado por Hélder Costa e baseado em textos de Gil Vicente e Ruzante. Em 1977 apresentou o espectáculo "Ao qu'isto chegou! - Feira portuguesa de opinião", integrando o polinomodrama A Lei É a Lei de Luiz Francisco Rebello. No tempo em que Augusto Boal esteve na companhia, entre 1977 e 78, dirigiu três espectáculos que ficaram na história do teatro português, entre os quais Barraca conta Tiradentes (1977).
Em 1978 é apresentada a peça José do Telhado, sobre o famoso bandido português do mesmo nome, com arranjos musicais de Zeca Afonso, publicados mais tarde, em 1979, no álbum Fura, Fura.
Na década de 1980 o grupo produziu alguns dos seus maiores êxitos. Em 1980 apresenta É menino ou menina?, uma colagem de peças de Gil Vicente por Maria do Céu Guerra com direcção de Helder Costa, com uma exibição comovente, constituindo-se como uma contribuição de interesse para a história das representações dos autos de Gil Vicente. No mesmo ano o grupo deslocou-se pela primeira vez ao Brasil, apresentando Preto no branco — a sua versão para A morte acidental de um anarquista de Dario Fo. Do reportório fazia também parte a peça D. João VI, de Hélder Costa e com Mário Viegas no papel do soberano, que fez rir muito a plateia com a sua interpretação do rei comedor de frango, que andava com pedaços de galináceos no bolso. O grupo foi descrito como "grande companhia de teatro internacional", tendo limitado as representações ao Rio de Janeiro.
Em 1983 apresentou Um dia na capital do Império, baseado em textos do Chiado e encenação de Hélder Costa. Em 1984 produziu Santa Joana dos Matadouros, de Bertolt Brecht, considerada um dos maiores êxitos da companhia, e em 1986 Calamity Janes, com uma interpretação muito elogiada de Maria do Céu Guerra.
Em setembro de 2010 a companhia foi convidada a reencenar a peça O Mistério da Camioneta Fantasma, integrada no programa oficial para as Comemorações do Centenário da República.
Em 20 de julho de 2011 o grupo estreou a produção D. Maria, a Louca, com argumento do autor brasileiro António Cunha, e encenação de Maria do Céu Guerra.
O grupo estreou em 10 de abril de 2013 o texto Menino de Sua Avó, um inédito do dramaturgo Armando Nascimento Rosa, numa criação de Maria do Céu Guerra e Adérito Lopes. Esta produção participou no encerramento das Comemorações do Ano de Portugal no Brasil, apresentando-se no Teatro Dulcina - Rio de Janeiro, de 3 a 5 de maio de 2013.
Reportório 1970 - 1979 Data de estreiaNomeEncenaçãoLocal da estreiaNotasCETbase4 de março de 1976A Cidade DouradaGrupo A BARRACA coordenado por Fernanda AlvesIncrível AlmadenseEstreia do grupo2 de setembro de 1976Histórias de Fidalgotes e Alcoviteiras, Pastores e Judeus, Mareantes e outros Tratantes, sem esquecer suas Mulheres e AmantesHélder CostaI Festival de Teatro da Guarda16 de abril de 1977Barraca conta TiradentesAugusto BoalCentro Cultural Popular de S. MamedeEstreia de Mário Viegas12 de dezembro de 1977Ao Qu’Isto Chegou! – Feira Popular de OpiniãoAugusto BoalSociedade Nacional de Belas Artes20 de junho de 1978Zé do TelhadoAugusto BoalCentro de Cultura Popular de S. MamedePrémio Cau Ferrat - Melhor Contribuição Artística, Festival de Sitges19 de maio de 1979D. João VI Hélder CostaCentro de Cultura Popular de S. MamedePrémio ATADT -Melhor Texto Inédito, 1978
Prémio Santiago Rusiñol - Melhor Texto Inédito, Festival de Sitges (Barcelona), 1978
Prémio Melhor Ator - Mário Viegas, Festival de Sitges (Barcelona), 1978
Jornal do Brasil - Um dos dez melhores espectáculos do ano
1980 - 1989 Data de estreiaNomeEncenaçãoLocal da estreiaNotasCETbase29 de fevereiro de 1980Preto no Branco (Morte Acidental de um Anarquista)Hélder CostaA Barraca da Alexandre HerculanoPrémio Associação Portuguesa de Críticos - Melhor Ator: Santos Manuel
Jornal do Brasil - Um dos dez melhores espectáculos do ano
Associação Brasileira de Críticos Teatrais - 2º Melhor Espectáculo do Ano, 19805 de maio de 1980É Menino ou Menina?Hélder CostaA Barraca da Alexandre HerculanoPrémio Associação Portuguesa de Críticos - Melhor Espectáculo
Melhor Encenação: Hélder Costa
Melhor Atriz: Maria do Céu Guerra
Melhor Companhia: A Barraca18 de novembro de 1981Fernão, Mentes?Hélder CostaFestival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (4ª edição,1981)Prémio Casa da Imprensa - Melhor Espectáculo, 198220 de novembro de 1982Tudo bem! (Reflexões acerca do Homem Novo)Hélder CostaFestival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (5ª edição,1982)21 de janeiro de 1983Um dia na Capital do ImpérioHélder CostaA Barraca da Alexandre Herculano, no âmbito da Exposição de Ciência, Arte e Cultura (17ª edição,1983)Prémio da Associação Portuguesa de Críticos - Melhores Figurinos: Maria do Céu Guerra
Sete de Ouro - Melhor Encenação: Hélder Costa
Sete de Ouro - Melhor Atriz: Maria do Céu Guerra28 de julho de 1984Santa Joana dos MatadourosHélder CostaA Barraca da Alexandre HerculanoPrémio da Associação de Críticos - Melhor Partitura Musical: António Vitorino de Almeida27 de setembro de 1985Um Homem é um Homem - Damião de GóisHélder CostaTeatro Municipal Maria MatosGrande Prémio de Teatro da RTP - Melhor Texto de Inédito em 1979
Prémio da Associação Portuguesa de Críticos - Melhor Texto Português encenado em 1985
Prémio Nova Gente - Melhor texto de Teatro em 198530 de maio de 1986Calamity JaneMaria do Céu Guerra, Hélder CostaA Barraca da Alexandre HerculanoPrémio da revista Mulheres - Melhor Encenação: Hélder Costa
Prémio da revista Mulheres - Melhor Atriz: Maria do Céu Guerra23 de julho de 1986Espectáculo comemorativo da Constituição de 1911Hélder CostaAssembleia da República (Sala do Senado)14 de novembro de 1986Os PolíciasHélder CostaAssociação Cultural e Recreativa de Tondela7 de março de 1987O Diabinho da Mão FuradaHélder CostaTeatro Nacional D. Maria II11 de fevereiro de 1988O BaileHélder CostaRitz Club24 de janeiro de 1989O Menino de Sua MãeMaria do Céu GuerraSão Luiz Teatro Municipal8 de dezembro de 1989Margarida do MonteHélder CostaTeatro Cinearte
1990 - 1999 Data de estreiaNomeEncenaçãoLocal da estreiaNotasCETbaseJaneiro de 1990O AzeiteHélder CostaCastelo de São Jorge14 de janeiro de 1990Pimenta, Cravo e CanelaHélder CostaSão Luiz Teatro Municipal, no âmbito da Festa do Comércio (1990)11 de dezembro de 1990Liberdade em BremenHélder CostaTeatro Cinearte1991Cartas de AmorHélder CostaForum Picoas, cerimónia de lançamento do livro PORTUGAL EM SELOSJunho de 1991Poesia de LisboaMaria do Céu GuerraTeatro Cinearte21 de junho de 1991Que Habitação para Lisboa?Maria do Céu GuerraTivoli - LisboaApresentado no âmbito do Dia Municipal da Habitação após um debate com o mesmo nome27 de outubro de 1991O Pranto de Maria PardaMaria do Céu GuerraBiblioteca Municipal Marquesa do Cadaval - AlmeirimPrémio UNESCO para o Fomento das Artes - Melhor interpretação, Expo Sevilha 92
Prémio Interpretação no Festival Internacional do Chile em 199313 de novembro de 1991Uma Floresta de EnganosHélder CostaEncontro de Santiago de Compostela dos Escritores Galegos e Portugueses (1991)14 de novembro de 1991Play it Again, Sam!Hélder CostaFestival Internacional de Teatro Contemporâneo (Badajoz) (1991)1992A saúde no tempo dos DescobrimentosPadrão dos Descobrimentos12 de janeiro de 1992Mi RivalHélder CostaTeatro Cinearte8 de outubro de 1992A Cantora CarecaHélder CostaInstituto Franco-Português1 de junho de 1993MacbettHélder CostaTeatro Cinearte26 de outubro de 1993RinoceronteHélder CostaTeatro Cinearte12 de dezembro de 1993De Braços AbertosFernanda LapaTeatro Cinearte15 de julho de 1994Primeira PáginaHélder CostaTeatro Cinearte30 de outubro de 1994Pastéis de Nata para a AvóHélder CostaTeatro CinearteO texto de Fernando Augusto, homónimo do espectáculo, ganhou o 1º Prémio do 1º Concurso Português de Dramaturgia em 1994, levado a cabo pelo Círculo Dramatúrgico d'A Barraca, razão pela qual é encenado pela companhia15 de novembro de 1994Marly, a Vampira de OurinhosMaria do Céu GuerraTeatro Cinearte25 de dezembro de 1994As Histórias do Atchim!!!A BarracaTeatro Cinearte15 de fevereiro de 1995Não Há Nada que se Coma?Rui Luís BrásTeatro CinearteO texto do qual parte este espectáculo, da autoria de Francisco Pestana, é distinguido com uma Menção Honrosa, atribuída no âmbito do 1º Concurso Português de Dramaturgia, realizado em 1994 pelo Círculo Dramatúrgico d'A Barraca, razão pela qual é encenado pela companhia27 de abril de 1995O AvarentoHélder CostaTeatro Cinearte27 de outubro de 1995Parabéns a VocêHélder CostaFestival Internacional de Cadiz (1995)1996O Último Baile do ImpérioMaria do Céu GuerraTeatro Cinearte27 de setembro de 1996Viva la Vida!Hélder CostaTeatro Cinearte17 de abril de 1997Xeque MateMaria do Céu GuerraTeatro Cinearte13 de maio de 1997GulliverHélder CostaTeatro Cinearte30 de outubro de 1997O Bode ExpiatórioMaria do Céu GuerraCine-Teatro da Covilhã - Festival de Teatro da Covilhã (1997)21 de novembro de 1997Queres Ser Ministro?Hélder CostaTeatro Cinearte4 de abril de 1998Que Dia Tão EstúpidoHélder CostaTeatro Cinearte8 de maio de 1998O Príncipe de SpandauHélder CostaTeatro Cinearte15 de junho de 1998A Barca do MundoHélder CostaExposição Mundial de Lisboa de 1998 (Expo'98)27 de janeiro de 1999Um Dia InesquecívelHélder CostaTeatro Cinearte11 de março de 1999Fernão, Mentes?Hélder CostaTeatro CinearteRemontagem do espectáculo do mesmo nome de 198125 de abril de 1999Abril em PortugalHélder CostaGrândola, no âmbito das celebrações dos 25 anos do 25 de Abril7 de outubro de 1999Agosto - Histórias de EmigraçãoMaria do Céu GuerraJoane
2000 - 2009