thumb|200px|Exercitia spiritualia (1548) Primeira Edição por Antonio Bladio (Roma) (158x108 mm) Exercícios Espirituais, segundo o santo católico Inácio de Loyola, são "qualquer modo de examinar a consciência, meditar, contemplar, orar vocal ou mentalmente e outras atividades espirituais […] Porque, assim como passear, caminhar e correr são exercícios corporais também se chamam exercícios espirituais os diferentes modos de a pessoa se preparar e dispor para tirar de si todas as afeições desordenadas e, tendo-as afastado, procurar e encontrar a vontade de Deus, na disposição de sua vida para o bem da mesma pessoa". Inácio de Loyola (1948). 1.a anotação. Exercícios Espirituais. Edições Loyola, São Paulo, 1990. O livro dos Exercícios Espirituais (em espanhol) encontra-se no Wikisource. Basta clicar na caixa ao lado.

Partindo deste pressuposto e baseado em sua própria experiência espiritual, Inácio de Loyola escreveu um roteiro a fim de ajudar os outros em seu crescimento espiritual: o livro dos Exercícios Espirituais. Consistem em um modo e um roteiro, totalmente fundamentado na experiência do santo, para ajudar as pessoas a perceber e acolher a íntima ação de Deus em sua vida, e acolhê-la em uma dinâmica de uma participação cada vez mais efetiva na Vida e na Missão de Jesus Cristo.

A prática dos exercícios espirituais tem exercido influência significativa na vida da Igreja Católica ao longo dos séculos. Em 1922, Pio XI declarou e constituiu Santo Inácio de Loyola "Patrono celestial de todos os Exercícios Espirituais e, por conseguinte, de todos os institutos, associações e congregações de qualquer classe que ajudam e atendem aos que praticam Exercícios Espirituais".

O Papa Pio XI publicou, em 1929, a Encíclica "Mens nostra: Sobre os Exercícios Espirituais", na qual comunicava aos fiéis a sua decisão de estabelecer anualmente um retiro baseado nos Exercícios Espirituais para o Papa e membros da Cúria Romana.

Após os Exercícios Espirituais na Quaresma de 2008, o Papa Bento XVI desejou que "junto a outras formas louváveis de retiro espiritual, não diminua a participação nos Exercícios Espirituais, caracterizados por esse clima de silêncio completo e profundo que favorece o encontro pessoal e comunitário com Deus e a contemplação do rosto de Cristo"."Exercícios Espirituais, "forte experiência de Deus", explica Papa

Origem

Em 20 de maio de 1521, o então nobre cavaleiro Iñigo Lopez de Loyola, foi gravemente ferido na perna por uma bala de canhão, na Batalha de Pamplona. Durante o longo período de recuperação, Iñigo procura ler livros para passar o tempo, e começa a ler a "Vita Christi", de Rodolfo da Saxônia, e a Legenda Áurea, sobre a vida dos santos, de Jacopo de Varazze, monge cisterciense que comparava o serviço de Deus com uma ordem cavalheiresca.

Inácio se entusiasma com o testemunho heróico dos santos, a partir daí, decide imitar sua vida austera. Aos poucos começa a encontrar sua liberdade espiritual. Refletindo sobre o que se passava no seu íntimo, foi percebendo que os pensamentos sobre Deus e sobre os santos custavam a entrar no seu coração, mas depois deixavam-no contente e com muita paz. Pelo contrário, as vaidades do mundo entravam facilmente, mas depois o deixavam frio e descontente. Inácio começou então a ter a experiência de "discernimento espiritual", isto é: saber distinguir entre a ação de Deus nele e a influência do mal e da própria fraqueza humana, forças que na terminologia da espiritualidade inaciana são denominadas moções.

Já totalmente recuperado, em fevereiro de 1522, Inácio retira-se para Manresa para uma gruta, às margens do Rio Cardoner, nos arredores de Barcelona. A partir de então, passa a anotar os sentimentos que experimentava durante meditações e contemplações e esses registros tornaram-se a base de um pequeno livro chamado Exercícios Espirituais. Dentre as leituras que fez em Manresa, destaca-se Imitação de Cristo, um pequeno livrinho que é editado até hoje em dia.

Os Exercícios Espirituais são fruto dessa conversão de Santo Inácio: propõem os assuntos sobre os quais ele refletiu, meditou e contemplou, como a indicação de atitudes e procedimentos que o moveram a mudar de vida e entregar-se a Deus.

Santo Inácio percebeu que isto poderia ser útil para outras pessoas e por isso anotou tudo o que lhe parecia mais importante. Portanto, o que aparece em seu livro são frutos de suas experiências.

A força dos Exercícios Espirituais reside no fato de que o livro, com cerca de 200 páginas, apresenta um modo e um roteiro, totalmente fundamentado na experiência de Santo Inácio de Loyola, para a pessoa se dispor e se preparar para perceber e acolher a íntima ação de Deus em sua vida e acolhê-la na dinâmica de uma participação cada vez mais efetiva na Vida e na Missão de Jesus Cristo.

Os Exercícios Espirituais são, portanto, um processo, uma metodologia para uma experiência espiritual que tem como ferramenta principal a oração, e como meta o discernimento. Essa experiência deve ser vivida no núcleo mais intimo de cada pessoa, sua afetividade.

O início do processo dos Exercícios Espirituais busca libertar o exercitante dos "afetos desordenados" que o impedem de conhecer e colocar em prática a vontade de Deus.

A meta dos Exercícios é um conhecimento profundo da pessoa de Jesus, a partir da meditação e contemplação de suas palavras e ações, conhecidas a partir da leitura de trechos dos Evangelhos, aliás deve-se dizer que a essência do método é Orar com as Escrituras. Os Exercícios Espirituais conduzem a uma união com o Senhor Jesus, percebida afetivamente, pelo que Santo Inácio chama de consolação espiritual Nesta situação o que faz os Exercícios Espirituais se sente atraído e movido para aderir ao Senhor Jesus participando assim na Sua vida e na realização da Sua missão. Não se trata de um voluntarismo e ascetismo frio, mas, sim de uma união mística e amorosa com o Senhor e Sua missão.

A experiência da união com o Cristo leva o exercitante participar da missão de Jesus em sua própria vida. A experiência do amor de Deus será estendida à realidade: onde o egoísmo humano houver levado ódio, injustiça, e discórdia, o exercitante buscará, sob a bandeira de Cristo, transformar tal realidade, para que os homens possam viver como irmãos, reconhecendo a vontade do Pai Comum (Deus) em relação às realidades que os cercam.

A Pessoa que os Exercícios Espirituais pretendem formar

Uma pessoa que se sente chamada, atraída, movida, conquistada por Jesus Cristo, e, agradecida e com toda liberdade e determinação adere a Ele, numa comunhão de vida e de missão, colocando-se à disposição para trabalhar sob sua bandeira, para recriar nosso mundo e formar uma humanidade nova, que se caracterize pela solidariedade e pela fraternidade, tomando como modelo de vida o próprio Jesus Cristo. Uma pessoa que, pela graça de Deus, dinamizada pelos Exercícios Espirituais, experimentou-se pecador, num mundo pecador, porém se sente amado e resgatado pela obra de Jesus e, agradecido, se sente também atraído e movido para O acompanhar na Sua Missão Redentora. Uma pessoa que, experimentando o amor extremado e efetivo do Cristo, que viveu em si mesmo a condição do pecador e de todo o pecado do mundo, e o vence pela sua morte e ressurreição, sente o desejo e é levada, com muito amor, a seguir vitalmente o Senhor Jesus no seu aniquilamento, na sua pobreza e na sua dedicação para o resgate de todos os seres humanos e de toda a criação. Esta pessoa assume tudo isso não contando nem pensando nas suas próprias forças e disposições, mas sentindo-se abraçada e conquistada por Jesus, atraída e movida por Ele, confiando na graça d´Ele, e dispõe-se a segui-Lo vitalmente na sua vida de opróbrios e exclusões, estando disposta a viver na pobreza e enfrentar os conflitos decorrentes de tal decisão. Uma pessoa que conhece Jesus Cristo intimamente, O ama e deseja ardentemente segui-Lo, identificando-se com seu modo de ser e Sua Missão. Uma pessoa que saiba discernir e que tome as suas resoluções, menores ou maiores, na hora oportuna, baseando-se, sobretudo, não em critérios humanos e normas regulamentares, mas na própria experiência do encontro e da união com o Senhor Jesus caracterizada pela paz, pela fé, esperança e caridade, numa palavra, pela consolação espiritual. Uma pessoa seduzida por Jesus Cristo, envolvida no Seu amor e com o desejo de corresponder a este amor vivendo com Jesus no desempenho de sua missão. Assim, relativiza todos os meios, usando-os tanto quanto forem úteis para a construção do Reino de Deus, desapegando-se de tudo que não conduz a viver de acordo com a vontade do Pai. Esta pessoa sabe que a tarefa na construção do Reino é um Dom de Deus. Uma pessoa que acolhe o Senhor Jesus na Sua totalidade de enviado do Pai para resgatar o ser humano, identificando-se até com o mais excluído e miserável (quanto mais excluído e miserável, mais divino) e admiravelmente restaurando-o para a totalidade do ser humano (quando mais humano, mais divino). Uma pessoa que se reconhece conquistada pelo Senhor e que, conscientemente se entrega totalmente a Ele, e com Ele e n´Ele à Sua missão, e assim, descobre Deus em todas as coisas, se incorpora na ação que Deus está executando no mundo, sendo um contemplativo na ação. Uma pessoa que descobre o Senhor Jesus presente e atuante de diversas maneiras em todas as pessoas e também na natureza, e que se sente chamada a viver e agir no Senhor Jesus não sozinha, mas em conjunto com todas as outras pessoas integradas no Senhor Jesus e com a mesma criação.

Modalidades nas quais os Exercícios Espirituais podem ser feitos

Os exercícios espirituais são oferecidos por organizações religiosas e leigas de inspiração inaciana. Todas as províncias da Companhia de Jesus mantêm suas casas dedicadas aos retiros inacianos em suas diversas modalidades.

Na modalidade original e oferecidos integralmente, os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola são dados em retiro, a saber, em regime de internato, num período de 30 dias corridos. Santo Inácio de Loyola dava os Exercícios Espirituais de modo personalizado, a cada pessoa em particular, geralmente indo o santo à casa onde o que fazia os exercícios se encontrava. Logo foi introduzido também a modalidade de Exercícios Espirituais para grupos de pessoas.

Existe também a modalidade dos Exercícios Espirituais serem dados em três etapas de 8 a 10 dias, geralmente nas férias de janeiro e julho. Esta modalidade visa atender aos leigos que dificilmente poderão dispor de 30 dias corridos para fazem os Exercícios Espirituais. É muito frequente também a modalidade dos Exercícios Espirituais condensados em 8 dias, em regime de internato, quer para grupos quer de modo personalizado. Estes Exercícios Espirituais condensados em 8 dias poderão também ser feitos em 4 etapas de 4 fins de semanas. Ha também os Exercícios Espirituais de Inaciação realizados num fim de semana ou mesmo no período de um feriado prolongado.