Conde da Azinhaga foi um título nobiliárquico português, criado por D. Maria II, por Decreto de 18 de maio de 1849, em favor de Francisco de Paula de Saldanha Oliveira e Daun. A designação reporta-se ao antigo vínculo da Quinta da Azinhaga, instituído por Cristóvão Juzarte, cuja representação recaiu na Casa dos Morgados de Oliveira, mais tarde Marqueses de Rio Maior. O título foi concedido em vida, tendo a respectiva carta sido passada a 31 de dezembro de 1866, já no reinado de D. Luís I.

História

Francisco de Paula de Saldanha Oliveira e Daun nasceu a 21 de fevereiro de 1799 e faleceu em Lisboa a 14 de dezembro de 1881, sendo o penúltimo filho dos 1.os Condes de Rio Maior, João Vicente de Saldanha Oliveira e Sousa Juzarte Figueira e D. Maria Amália de Carvalho e Daun, filha dos 1.os Marqueses de Pombal. Foi moço fidalgo com exercício no Paço, por sucessão aos seus antepassados, e bacharel formado em Leis pela Universidade de Coimbra.

Ingressou na carreira diplomática em 1824, como adido à embaixada em Viena. Em 1828 foi nomeado secretário de legação nos Países Baixos e, em 1829, transferido para Nápoles, cargos que não chegou a exercer por se encontrar em comissão especial em Turim, entre 14 de dezembro de 1829 e o final de agosto de 1833. O serviço prestado entre 1828 e 1833 não lhe foi contado, tendo sido readmitido em 1842 como primeiro adido em disponibilidade. Foi encarregado de negócios em Copenhaga, a partir de 23 de dezembro de 1843, sendo posteriormente transferido para Bruxelas e Haia, onde foi promovido a ministro residente em 1847. Nomeado enviado extraordinário e ministro plenipotenciário em São Petersburgo, exerceu essas funções em Paris entre 1851 e 1852 e em Madrid entre 1853 e 1857.

Foi nomeado par do Reino por Carta Régia de 5 de março de 1853, tendo prestado juramento e tomado posse na Câmara dos Dignos Pares do Reino em sessão de 7 do mesmo mês. Foi comendador da Ordem de Cristo, cavaleiro da Ordem Soberana de São João de Jerusalém, grã-cruz da Ordem de Carlos III e da Real Ordem Americana de Isabel a Católica, grande-oficial da Ordem de Leopoldo e comendador da Ordem do Leão Neerlandês.

Casou a 9 de janeiro de 1867 com D. Emília Carolina Ana de Almeida Ribeiro Neves, nascida a 16 de fevereiro de 1831, filha de António Joaquim Ribeiro Neves, fidalgo da Casa Real, negociante, capitalista e proprietário, e de sua mulher, D. Maria Carolina Francisca de Almeida Grandela. Não deixou descendência.

Armas O brasão de família adoptado pelo 1.º Conde, era esquartelado, reunindo as armas dos Saldanhas, dos Sousas do Prado e Sousas Chichorros, dos Oliveiras do Morgado de Oliveira, varonia da família, e, no quarto quartel, partido, as dos Corrêas e dos Carvalhos do Morgado de Carvalho. Por timbre, uma águia de prata segurando no bico uma chave de ouro e nas garras um listel com a divisa VERITAS OMNIUM VICTRIX, alusiva à descendência de D. Maria de Bovadilha, mulher de Diogo de Saldanha, fidalgo castelhano que passou a Portugal no reinado de D. Afonso V.

Os titulares posteriores usaram as armas dos Condes e Marqueses de Rio Maior.

Conde da Azinhaga (1849)

# Titular Datas Títulos Notas Ref. 1 Francisco de Paula de Saldanha Oliveira e Daun 1799–1881 1.º Conde da Azinhaga Diplomata e par do Reino (1853). Título concedido em vida, por Decreto de 18 de maio de 1849 e Carta de 31 de dezembro de 1866. Faleceu sem descendência.

Representantes do título na República Após a implantação da República, em 1910, cessou a concessão de títulos nobiliárquicos pelo Estado. (art. 3.º, n.º 3) Desde então, reivindicaram a representação do título os seguintes membros da família: # Representante Datas Títulos pretendidos Notas Ref. 2 José Pedro de Saldanha Oliveira e Sousa 1904–1986 2.º Conde da Azinhaga Filho do 2.º Marquês de Rio Maior. Engenheiro agrónomo e publicista, pertenceu a diversas instituições, entre as quais o Instituto Português de Heráldica, a Sociedade de Geografia de Lisboa e a Cruz Vermelha Portuguesa. 3 João Vicente de Saldanha Oliveira e Sousa 1930–2025 3.º Conde da Azinhaga Filho do anterior. Engenheiro agrónomo, dedicou-se ao fomento da fruticultura e presidiu à primeira comissão administrativa da Câmara Municipal da Golegã após a revolução de 25 de Abril. 4 António Neto de Saldanha de Oliveira e Sousa n.1964 4.º Conde da Azinhaga Filho do anterior. Diretor geral da Casa Cadaval. Em setembro de 2026, participou num episódio da rubrica televisiva Sangue Azul, da SIC.

Referências

+Azinhaga +Azinhaga Categoria:Fundações em Portugal em 1849