Taiaçupeba é um distrito do município brasileiro de Mogi das Cruzes, que integra a Região Metropolitana de São Paulo.

Características Conhecida por sua ampla região de mata nativa, Taiaçupeba se destaca como o 'Distrito Natureza" da cidade de Mogi das Cruzes. Dentre seus muitos pontos turísticos se encontra o Parque das Neblinas, que "é uma reserva ambiental da Suzano Papel e Celulose, gerida pelo Instituto Ecofuturo, onde são desenvolvidas atividades de ecoturismo, educação ambiental, pesquisa científica, manejo e restauração florestal, e participação comunitária" (Instituto Ecofuturo).

O bairro sede Capela do Ribeirão, assim como os bairros adjacentes do distrito, ainda preservam muitas características históricas que contrastam com a modernidade.

Um dos prédios históricos, a Igreja Matriz de Santa Cruz, benta aos 06 de junho de 1864. Outro templo histórico de Taiaçupeba está a Igreja de São Sebastião, no bairro de mesmo nome, que guardam, em um bom estado de preservação, pinturas sacras do artista José Benedicto da Cruz, o JBC (ou Zé Santeiro, como era conhecido na região). Dentre natureza e história, também está a culinária local, com pizzarias, restaurantes e padarias conhecidas por quem visita o distrito.

História "1864. A 6 de junho, a pedido do protetor e zelador Cipriano Branco da Silva, o Vigário Padre Manoel Constantino de Camargo benze a nova Capela de Sta. Cruz do Campo Grande".

Origem alt=Esta igreja foi abençoada no dia 6 de junho de 1864, data que foi tomada como fundação do bairro.|miniaturadaimagem|260x260px|Matriz da Paróquia Santa Cruz da Capela do Ribeirão, em Taiaçupeba. Autor: Dorival Martins Jr. Ano: 2021 A sua colonização iniciou-se quando o local passou a ser utilizado por bandeirantes para repouso e acampamento, sendo que na época tinha o nome de Campo Grande, e seu território compreendiam a dos atuais distritos de: Taiaçupeba, Biritiba-Ussu, Jundiapeba e Quatinga.

No inicio do século XIX o bairro tem um crescimento exponencial em número de habitantes, movidos pela atividade agrícola. Acredita-se que por volta desta época a primeira capela em devoção a Santa Cruz é erguida, próximo às margens de um Ribeirão, nos arredores do povoado. Daí surge o nome do bairro: Capela do Ribeirão. A nomenclatura é utilizada ainda hoje para denominar o bairro sede do distrito de Taiaçupeba. miniaturadaimagem|260x260px|Vista do centro de Taiaçupeba. Bairro Capela do Ribeirão. Autor: Dorival Martins Jr. Ano: 2021 Com o passar dos anos a pequena capela, as margens do ribeirão, já não atendiam a crescente população. Outro motivo para ter sido abandonada se dá pelas altas do ribeirão inundarem a construção. Todavia, por volta da metade do século XIX a atual Igreja de Santa Cruz começa a ser erguida. Esta construção, em taipa de pilão, é considerado um marco na fundação do povoado.

Fundação Aos 6 de junho de 1864, a pedido do benfeitor do bairro, Cypriano Branco da Silva, a nova Igreja de Santa Cruz da Capela do Ribeirão é sagrada, dando início aos ofícios religiosos. Deste dia em diante, esta data foi tomada como fundação do bairro de Capela do Ribeirão, sede do distrito de Taiaçupeba.

Durante anos as igrejas de Taiaçupeba estavam sob direção dos frades carmelitas do Convento de Nossa Senhora do Carmo, em Mogi das Cruzes. Com a criação da Diocese de Mogi das Cruzes em 1962 a Paróquia de Santa Cruz da Capela do Ribeirão é criada, tornando o templo erguido no século XIX a Igreja Matriz desta paróquia que conta com as comunidades:

miniaturadaimagem|260x260px|Igreja do Bairro São Sebastião, em Taiaçupeba. Vista frontal. Autor: Dorival Martins Jr. Ano: 2021São Sebastião, localizada no bairro São Sebastião. Igreja fundada por Pedro Thiago Franco Martins e José Nunes entre o fim do século XIX e início do século XX, decorada com as pinturas de José Benedicto da Cruz, o Zé Santeiro ou J.B.C..

Nossa Senhora da Imaculada Conceição, localizada no bairro da Vargem Grande. Igreja datada da década de 1940, em taipa de pilão.

Santa Teresinha do Menino Jesus, localizada no Bairro dos Pintos.

Santo Antônio, localizada no bairro de Aroeiras.

Nossa Senhora das Brotas, localizada no bairro do Barroso. Construção datada entre o fim do século xIX e início do século XX. Erguida em taipa de pilão, o templo guarda a imagem de Nossa Senhora das Brotas em madeira, confeccionada por J.B.C. (José Benedicto da Cruz), conhecido pela alcunha de Zé Santeiro.

Nossa Senhora da Piedade, localizada no distrito de Quatinga.

Formação administrativa Pela Lei nº 2.257 de 31/12/1927 é criado o distrito de Taiaçupeba, com sede no bairro da Capela do Ribeirão, município de Mogi das Cruzes. Em 16/03/1929 é criado o distrito policial de Taiaçupeba. Pela Lei n° 8.092 de 28/02/1964 perdeu terras para o novo município de Brás Cubas, posteriormente extinto.

Pedidos de emancipação

O distrito tentou a emancipação político-administrativa e ser elevado à município, através de processos que deram entrada na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo nos anos de 1963, 1979 e 1991, mas como nenhum deles atendia os requisitos necessários exigidos por lei para tal finalidade, os processos foram arquivados.

Etimologia O distrito tem esse nome devido à grande quantidade de Queixadas (Tayassu pecari), espécie de porcos selvagens que os índios chamavam de TAI (dentes) ASSU (grande) PEBA (largo/achatado), que existiam nas margens do Rio Jundiaí, que corta a região e que deságua no rio Tietê na divisa entre Mogi das Cruzes e Suzano.

Estas terras já foram conhecidas por diversos nomes, dentre eles: Campo Grande, Capela do Ribeirão, Tayassupeva, e por fim, Taiaçupeba (variação moderna da nomenclatura anterior).

Campo Grande: de origem topográfica. Era um nome quase genérico para a época, onde diversas regiões de vastos campos ganhavam tal nomenclatura. Acredita-se que o nome venha do atual distrito de Jundiapeba, bairro Santo Ângelo, e usada para denominar a região onde atualmente se encontram os distritos de Jundiapeba, Taiaçupeba, Quatinga e Birituba-Ussú. De acordo com o historiador local e pesquisador Dorival Martins, o nome Campo Grande é encontrado em documentos de compra e venda de terrenos na região de Taiaçupeba, datados do fim do século XIX e início do século XX.

Capela do Ribeirão: usada ainda nos dias de hoje para identificar o bairro sede do Distrito. Acredita-se que por conta do acesso a Capela de Santa Cruz se dar passando por um ribeirão, o local assim foi denominado. Já que na época referiam-se aos lugares por suas capelas como: Capela do São Sebastião, Capela do Barroso, Capela do Ribeirão etc. A atual Igreja Matriz de Taiaçupeba, sede da Paróquia local manteve o histórico nome de Santa Cruz da Capela do Ribeirão.

Taiaçupeba: de origem indígena, também deu nome ao Rio Taiaçupeba (localizado na região). Refere-se a uma espécie de porco do mato, os Queixadas. Os indígenas chamavam este mamífero que habitavam a região de tãi wa'su (dente grande), ãya, "dente", e gwa'su, "grande". Distingue-se taiaçu no sentido de 'mamífero', do tupi tãi wa'su (dente grande), de taiaçu no sentido de 'ave', arataiaçu. Hans Staden registra esta palavra (sob a forma teygasu dattu) num livro em alemão de 1557; outros registros encontrados são: em 1618 teasu, e em 1777 taiassú e taititu. De acordo com os autores Eduardo Navarro, autor do Dicionário de tupi antigo (2013), e Moacyr Ribeiro de Carvalho, autor do Dicionário de Tupi (1987), a palavra "peba" significa achatado (chato, pequeno, largo). Portanto, Taiaçupeba é uma referência ao porco-do-mato Queixada, sendo uma das variações deste nome. Entre outras variações estão: taiaçupytá, taiaçutiriká, taiaçueté (porco legítimo). Grafava-se Taiassupeba, quando o bairro foi elevado a categoria de distrito. "Pela Lei Estadual n.º 2.257, de 31-12-1927, é criado o distrito de Taiassupeba e anexado ao município de Mogi das Cruzes." O fotografo Benedicto Fittipaldi fotografa o distrito, chamando-o Tayassupeva (provavelmente na década de 1940). Pelo Decreto-Lei Estadual nº: 14.334, de 30-11-1944, o distrito de Santo Ângelo passou a denominar-se Jundiapeba o distrito de Taiassupeba passou a ser grafado Taiaçupeba. Já o nome Jundiapeba é a junção do nome de dois rios da região, o Rio Jundiaí e Rio Taiaçupeba.

Geografia População urbana

População total Pelo Censo 2010 (IBGE) a população total do distrito era de .

Área territorial A área territorial do distrito é de .

Serviços públicos Administração Regional Representação regional da Prefeitura de Mogi das Cruzes, é o órgão responsável da Secretaria de Serviços Urbanos pela manutenção do distrito de Taiaçupeba. Responde pelos serviços de conservação de ruas e estradas, que inclui tapa-buraco, nivelamento e cascalhamento das vias. Também controla a limpeza pública, fiscalizando a empresa que presta serviços na referida área, e faz a manutenção de praças e áreas verdes. Além disso, realiza a limpeza das galerias de águas pluviais, garantindo o escoamento e evitando alagamentos.

Registro civil Atualmente é feito no próprio distrito, pois o Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais ainda continua ativo.

Infraestrutura Transportes miniaturadaimagem|260x260px|Trecho da Rodovia Prefeito Francisco Ribeiro Nogueira (SP-102) no distrito de Taiaçupeba. Rodovias O distrito possui acesso pelas rodovias Mogi-Bertioga (SP-98), Mogi-Taiaçupeba (SP-102) e pela Estrada das Varinhas (SP-39). Está localizado há cerca de 25 quilômetros do centro do município.

Saneamento O serviço de abastecimento de água é feito pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP).

Energia A responsável pelo abastecimento de energia elétrica é a EDP São Paulo, antiga Bandeirante Energia.

Comunicações No setor de telefonia o distrito era atendido pela Companhia Telefônica da Borda do Campo (CTBC), que inaugurou a central telefônica utilizada até os dias atuais. Em 1998 esta empresa foi vendida juntamente com a Telecomunicações de São Paulo (TELESP) para a Telefônica, que em 2012 adotou a marca Vivo para suas operações.

O distrito tem sua própria rádio FM chamada Rádio Caramelo Taia.

No dia 12 de Novembro de 2019, a cantora e artista Pabllo Vittar gravou o clipe Amor de Que na praça Cipriano Branco, no centro do distrito.

Atividades econômicas O distrito se desenvolveu através da agricultura, e ainda tem fortes produtores rurais. Entre eles está o Orgânicos Direto da Serra. Muitos outros produtores de legumes e hortaliças estão inseridos na região.

A região é muito conhecida pela produção de Cambuci, fruta típica desta região da Mata Atlântica. Com esta fruta são feitos sucos, mousses, doces, e a conhecida cachaça curtida com Cambuci.

Um outro ponto de atividade econômica são os comércios locais que recebem atividade local e visitantes. O distrito conta com mercados, restaurantes bares, pizzarias, padarias, cafés e lanchonetes. Além de atividades que envolvem turismo ecológico, como a Fazenda Rio Grande.

No distrito, ainda que incipiente, há implantação e desenvolvimento de novas culturas fomentado pela Sociedade Frutícola de Taiaçupeba tais como a pomicultura, a viticultura, o cultivo de Avelãs, o cultivo de berries como Mirtilos (Blueberries) e Framboesas. Sendo promissores o cultivo das berries e a vitivinicultura.

Símbolos Bandeira miniaturadaimagem|260x260px|Bandeira do Distrito de Taiaçupeba. Arte de Dorival Martins Jr. tomada como base uma imagem no extinto jornal "Capela do Ribeirão". A bandeira original foi desenhada por Milton Rabelo dos Santos, sua esposa Terezinha de Souza Lima Rabelo e a professora Henny Camargo. No dia 06 de junho do ano de 1961 (ou 1962, não se sabe ao certo), é apresentado ao distrito de Taiaçupeba em ocasião das festividades de aniversário do distrito a bandeira de Taiaçupeba. Feita as pressas para ser apresentada, hoje carrega um simbolismo que representa todo um distrito.