miniaturadaimagem|Retrato de Benito Mussolini, Duce do Partido Nacional Fascista Fascismo italiano, também chamado de fascismo clássico, é a ideologia fascista original, desenvolvida por Giovanni Gentile e Benito Mussolini na Itália. A ideologia do fascismo italiano está associada a uma série de partidos políticos liderados por Mussolini na Itália Fascista: o Partido Nacional Fascista (PNF), que governou o Reino da Itália de 1922 a 1943, e o Partido Republicano Fascista (PRF), que governou a República Social Italiana de 1943 a 1945. O fascismo italiano também está associado ao Movimento Social Italiano (MSI) do pós-guerra e, posteriormente, às organizações políticas neofascistas italianas.
O fascismo italiano originou-se de combinações ideológicas de ultranacionalismo e nacionalismo italiano, sindicalismo nacional, nacionalismo revolucionário, e do militarismo do irredentismo italiano para recuperar "territórios ultramarinos perdidos da Itália", esses considerados necessários para restaurar o orgulho nacionalista italiano.Aristotle A. Kallis. Fascist ideology: territory and expansionism in Italy and Germany, 1922–1945. London; New York: Routledge, 2000, p. 41. Os fascistas italianos também afirmavam que a Itália moderna era herdeira do legado imperial da Roma Antiga, e que existiam provas históricas que apoiavam a criação de uma Itália Imperial Fascista para fornecer spazio vitale (espaço vital) para a Segunda Guerra Ítalo-Senussi, onde colonos italianos estariam a caminho de estabelecer o controle hegemônico da bacia terrestre do Mar Mediterrâneo. Aristotle A. Kallis. Fascist ideology: territory and expansionism in Italy and Germany, 1922–1945. London; New York: Routledge, 2000. p. 50.
O fascismo italiano promoveu um sistema econômico corporativista, através do qual os sindicatos de empregadores e empregados estão ligados em associações para representar coletivamente os produtores económicos da nação e trabalhar em conjunto com o Estado para definir a política económica nacional. Andrew Vincent. Modern Political Ideologies. Third edition. Malden, Massachusetts; Oxford, England: Blackwell Publishers Ltd., 2009. p. 160. Este sistema econômico pretendia resolver os conflitos de classes através da colaboração entre as classes.John Whittam. Fascist Italy. Manchester; New York: Manchester University Press, 1995. p. 160.
O fascismo italiano opôs-se ao liberalismo, especialmente ao liberalismo clássico, que os líderes fascistas denunciaram como "o desastre do individualismo".Jim Powell, "The Economic Leadership Secrets of Benito Mussolini", Forbes, 22 fev 2012Eugen Weber. The Western Tradition: From the Renaissance to the present. Heath, 1972. p. 791. O fascismo opôs-se ao socialismo devido à frequente oposição deste ao nacionalismo, Stanislao G. Pugliese. Fascism, anti-fascism, and the resistance in Italy: 1919 to the present. Oxford: Rowman & Littlefield Publishers, Inc., 2004. pp. 43–44. mas também se opôs ao conservadorismo reacionário desenvolvido por Joseph de Maistre. Stanley G.Payne. A History of Fascism, 1914–45. Madison: University of Wisconsin Press, 1995. p. 214. Acreditava que o sucesso do nacionalismo italiano exigia respeito pela tradição e um sentido claro de um passado partilhado entre o povo italiano, juntamente com um compromisso com uma Itália modernizada. Claudia Lazzaro, Roger J. Crum. "Forging a Visible Fascist Nation: Strategies for Fusing the Past and Present" by Claudia Lazzaro, Donatello Among The Blackshirts: History And Modernity in the Visual Culture of Fascist Italy. Ithaca, NY: Cornell University Press, 2005. p. 13.
Originalmente, muitos fascistas italianos se opunham ao nazismo, já que o fascismo na Itália não defendia inicialmente nem o nordicismo e, inicialmente, nem o antissemitismo inerente à ideologia nazista; no entanto, muitos fascistas, em particular o próprio Mussolini, defendiam ideias racistas (especificamente o antieslavismo) que foram consagradas na lei como política oficial ao longo do governo fascista. À medida que a Itália Fascista e Alemanha Nazista se aproximaram politicamente na segunda metade da década de 1930, as leis e políticas italianas tornaram-se explicitamente antissemitas devido à pressão da Alemanha nazi (embora as leis antissemitas não fossem comumente aplicadas em Itália), incluindo a aprovação das leis raciais italianas (ver: Ditadura constitucional). Quando os fascistas estavam no poder, também perseguiram algumas minorias linguísticas na Itália. "Minority Rights Group International – Italy – Greek-speakers" . Além disso, os gregos no Dodecaneso e no Épiro do Norte, então sob ocupação e influência italiana, foram perseguidos.
Etimologia O termo italiano é derivado de , que significa "feixe de gravetos", derivado do latim "". Este era o nome dado às organizações políticas na Itália conhecidas como fascismo, grupos semelhantes a guildas ou sindicatos. Segundo o próprio relato do ditador fascista italiano Benito Mussolini, as Fasces de Ação Revolucionária foram fundadas na Itália em 1915. Em 1919, Mussolini fundou o Fasces Italiano de Combate em Milão, que se tornou o Partido Nacional Fascista dois anos depois. Os fascistas passaram a associar o termo ao antigo "fasces romano" ou "", um feixe de varas amarradas em torno de um machado, um antigo símbolo romano da autoridade do magistrado cívico, carregado por seus lictores. O simbolismo dos fasces sugeria força através da unidade: uma única haste é facilmente quebrada, enquanto o feixe é difícil de quebrar.
Antes de 1914, o símbolo do fasces era amplamente empregado por vários movimentos políticos, muitas vezes de esquerda ou liberal. Por exemplo, de acordo com Robert Paxton, "Marianne, símbolo da República Francesa, era frequentemente retratada no século XIX carregando os fasces para representar a força da solidariedade republicana contra seus inimigos aristocráticos e clericais." O símbolo frequentemente aparecia como um motivo arquitetônico, como por exemplo no Teatro Sheldonian na Universidade de Oxford e no Lincoln Memorial em Washington, D.C centro|miniaturadaimagem|321x321px|O fasces, um símbolo da República Romana, foi empregado na era moderna por vários movimentos políticos para denotar força através da unidade.
Crenças principais
Nacionalismo esquerda|miniaturadaimagem|Benito Mussolini e a juventude fascista dos camisas-negras em 1935 O fascismo italiano baseia-se no nacionalismo italiano e, em particular, procura completar o que considera o projecto incompleto do Risorgimento, incorporando a Itália Irredenta (Itália não redimida) no estado da Itália. Aristotle A. Kallis. Fascist ideology: territory and expansionism in Italy and Germany, 1922–1945. London; New York: Routledge, 2000, p. 41. Terence Ball, Richard Bellamy. The Cambridge History of Twentieth-Century Political Thought. Cambridge University Press, p. 133. O Partido Nacional Fascista (PNF), fundado em 1921, declarou que o partido deveria servir como "uma milícia revolucionária colocada ao serviço da nação. Segue uma política baseada em três princípios: ordem, disciplina e hierarquia".
Ela identifica a Itália moderna como herdeira do Império Romano e da Itália durante o Renascimento e promove a identidade cultural da Romanitas (romanidade). Terence Ball, Richard Bellamy. The Cambridge History of Twentieth-Century Political Thought. Cambridge University Press, p. 133. O fascismo italiano historicamente procurou forjar um forte Império Italiano como uma Terceira Roma, identificando a Roma antiga como a Primeira Roma e a Itália da era renascentista como a Segunda Roma. O fascismo italiano emulou a Roma antiga e, em particular, Mussolini emulou os antigos líderes romanos, como Júlio César como modelo para a ascensão dos fascistas ao poder e ago o como modelo para a construção de impérios. Claudia Lazzaro, Roger J. Crum. "ago us, Mussolini, and the Parallel Imagery of Empire" by Ann Thomas Wilkins, Donatello Among The Blackshirts: History And Modernity in the Visual Culture of Fascist Italy. Ithaca, NY: Cornell University Press, 2005. p. 53. O fascismo italiano promoveu diretamente o imperialismo, como na Doutrina do Fascismo (1932), escrita por Giovanni Gentile em nome de Mussolini:O Estado fascista é uma vontade de poder e império. A tradição romana é, aqui, uma força poderosa. De acordo com a Doutrina do Fascismo, um império não é apenas um conceito territorial, militar ou mercantil, mas também espiritual e moral. Pode-se pensar em um império, isto é, uma nação, que guia direta ou indiretamente outras nações, sem a necessidade de conquistar um único quilômetro quadrado de território. Benito Mussolini e Giovanni Gentile, ''A Doutrina do Fascismo'' (1932)
Irredentismo e expansionismo O fascismo enfatizou a necessidade da restauração da tradição do Risorgimento Mazziniano que se seguiu à unificação da Itália, que os fascistas alegavam ter sido deixada incompleta e abandonada na Itália da era Giolittiana . Fabio Fernando Rizi, Benedetto Croce and Italian Fascism. University of Toronto Press, 2003. p.249 O fascismo buscava a incorporação de territórios reivindicados como "não redimidos" na Itália. esquerda|miniaturadaimagem|Regiões étnicas italianas reivindicadas na década de 1930. Saboia e Corfu foram reivindicadas posteriormente.