Vicente Franz Cecim (Belém, 7 de agosto de 1946 - Belém, 14 de junho de 2021) foi um escritor, poeta e jornalista brasileiro.
Biografia Seus avós paternos foram libaneses e italianos que imigraram para a Amazônia no início do século XX. Da mãe brasileira, paraense nascida em Santarém, a escritora Yara Cecim, herdou o gosto pelo mundo natural. Foi jornalista.
Bibliografia A literatura de Vicente Franz Cecim é multifacetada como a sua origem. Marcada pela presença da natureza, nela vemos a Amazônia transfigurada na região metafísica de Andara. Sempre unindo extremos, o autor chama de livros visíveis os livros que escreve, mas os reúne na obra imaginária Viagem a Andara oO livro invisível, que não escreve e só existe na alusão de um título. Segundo Cecim, Andara é literatura fantasma. E à medida que sua obra se faz e desfaz, ela contamina a própria noção de realidade, interrogando o que se oculta sob a aparência do mundo. O escritor fez um apelo à insurreição da Amazônia em seu Manifesto Curau, lançado durante o Congresso da SBPC - Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, de 1983, realizado em Belém. Ao longo dos seus livros a progressiva depuração da linguagem o levou a declarar: - Já não faço Literatura. Faço Escritura.
Obra literária 1979: com A asa e a serpente (ed. Semec, Belém), primeiro livro individual de Andara, inicia a criação de Viagem a Andara oO livro invisível. 1980: o segundo, Os animais da terra (ed. Semec, Belém), recebe (junto com O cego e a dançarina de João Gilberto Noll) o Prêmio Revelação de Autor da APCA. 1981: Os jardins e a noite (ed. Semec, Belém). A noite do Curau, versão resumida deste terceiro livro de Andara, é Menção Especial no Prêmio Internacional Plural, no México. 1983: Lança Flagrados em delito contra a noite/Manifesto Curau (edição do autor, Belém), por uma insurreição poética e política do Imaginário Amazônico. 1984: Terra da sombra e do não (ed. Semec, Belém), quarto livro individual de Andara. 1988: Viagem a Andara (ed. Iluminuras, São Paulo), reunindo os 7 primeiros livros, recebe o Grande Prêmio da Crítica da APCA., acessado em 13 de abril de 2008</ref> 1995: Silencioso como o Paraíso (ed. Iluminuras, São Paulo), com quatro novos livros, prossegue a Viagem a Andara. 2001: a invenção de Andara já havendo ultrapassado duas décadas, publica Ó Serdespanto (ed. Íman, Lisboa) com dois novos livros em Portugal, apontado pelo jornal O Público (Lisboa) como um dos melhores do ano. 2004: segunda edição dos primeiros 7 livros visíveis de Andara, em novas versões, transcriados e agora reunidos nos volumes A asa e a serpente (ed. Cejup, Belém) e Terra da sombra e do não (ed. Cejup, Belém). No mesmo ano, Música do sangue das estrelas/Música de la sangre de las estrellas (Poetas de Orpheu, Brasil/Espanha), reunião de poemas e cantos extraídos de Ó Serdespanto. 2005: primeira edição, em Portugal, de K O escuro da semente (ed. Ver o Verso, Lisboa), primeiro livro visível de Andara em Iconescritura, mesclando palavras e imagens. 2006: sai a edição brasileira de Ó Serdespanto (ed. Bertrand Brasil, Rio de Janeiro). 2008: oÓ: Desnutrir a Pedra (ed. Tessituras, Minas Gerais). 2014: Breve é a febre da terra (Prêmio Iap de Romance, Belém) 2015: Fonte dos que dormem (ed. Córrego, São Paulo) 2016: edição brasileira de K O escuro da semente (ed. Letra Selvagem, São Paulo) 2020: edição em Obra Completa (1238 pags) de Viagem a Andara oO livro invisível (contendo os 3 inéditos: oO Círculo suas Rendas de Fogo/coisas escuras procurando a luz com dedos finos cheios de hervas/ Oniá
kinemAndara Antes de iniciar sua obra literária, Cecim realizou em super-8 nos anos 70 o ciclo de filmes kinemAndara, agora exibidos em versão digital. E suas reflexões sobre o cinema evocam a permanente tensão de sua escrita entre o visível e o invisível. Voltou a filmar quase trinta anos depois, em 2007, para fazer com seu filho Marráa Yaí Makúma - Aquele que dorme sem sono, disponível no You Tube e no Vimeo entre outros vídeos do fotojornalista e cineasta Bruno Cecim. Entre seus filmes mais recentes constam: A Lua é o Sol, Fonte dos que dormem e K+afka. O emprego da Imagem é também uma característica da sua obra literária. Sob a forma de ícones, antes silenciosos e imóveis: Iconocanto, mesclando som e movimento virtuais publica o poema Não é a água (O) que se bebe.
Carreira Com sua literatura, Vicente Cecim conquistou o público e a crítica, gravando sua marca na cultura brasileira e levando seus leitores a uma viagem metafísica, em uma representação da Amazônia encantada.
Foi agraciado em 1981 com a Menção Especial no Prêmio Internacional Plural e em 1988, com duas premiações no Grande Prêmio da Crítica da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte). Cecim também foi um dos autores homenageados na 24ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes e esteve presente no pré-lançamento do evento, em dezembro de 2020.
Morte O escritor faleceu na tarde de 14 de junho de 2021, no Hospital Ophyr Loyola, em Belém. Segundo familiares, ele estava internado desde o dia 11 de junho, apresentando sintomas da COVID-19 e também se encontrava acometido por um câncer, do qual havia se submetido a uma cirurgia até então.
Homenagens Em nota, a Secretaria de Cultura do Estado do Pará (Secult) lamentou a morte do escritor e poeta e informou o relançamento de sua obra Os Animais da Terra, ocorrido no mesmo ano.
Filmografia Matadouro, 1975. Permanência, 1976. Sombras, 1977. Malditos Mendigos, 1978. Rumores, 1979. Marráa Yaí Makúma - Aquele que dorme sem sono, com Bruno Cecim, 2007. A Lua é o Sol, 2009. Fonte dos que dormem, 2009 K+afka, 2010/2015 Série Gaia (e outros - entre os quais longe, e Silêncio, realizados como cinema sem câmera)
Ligações externas
TriploV: Vicente Franz Cecim
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