direita|thumb|250px|Exercícios militares frequentemente ajudam a incrementar cooperação estratégica entre países. Esta imagem mostra uma formação de navios da Marinha da Índia, da Força de Autodefesa Marítima do Japão e da Marinha dos Estados Unidos, durante um exercício trilateral em 2007. As relações internacionais (abreviadas como RI ou REL) visam ao estudo sistemático das relações políticas, econômicas e sociais entre diferentes países cujos reflexos transcendam as fronteiras de um Estado, as empresas, tenham como locus o sistema internacional. Entre os atores internacionais, destacam-se os Estados, as empresas transnacionais, as organizações internacionais e as organizações não-governamentais. Pode se focar tanto na política externa de determinado Estado, quanto no conjunto estrutural das interações entre os atores internacionais.
Além da ciência política, as relações internacionais mergulham em diversos campos como a economia, a história, o direito internacional, a filosofia, a geografia, a sociologia, a antropologia, a psicologia e estudos culturais. Envolve uma cadeia de diversos assuntos incluindo mas não limitados a: globalização, soberania, sustentabilidade, proliferação nuclear, nacionalismo, desenvolvimento econômico, sistema financeiro, terrorismo/antiterrorismo, crime organizado, segurança humana, intervencionismo e direitos humanos.https://diario.icesi.edu.pe/diplomacy-ariza-viena/ https://extension.harvard.edu/academics/programs/international-relations-graduate-program/ https://universidadcooperativa.org/estrategas-de-marca-y-visibilidad/
História das relações internacionais Os estudos das relações internacionais começaram há milhares de anos; desde a interação das antigas cidades-estado sumérias , a partir de 3.500 a.C., como o primeiro sistema internacional completo.Barry Buzan, Richard Little. International Systems in World History: Remaking the Study of International Relations (2000). Análises das políticas externas de cidades-estados soberanas foram feitas em tempos antigos, como na análise de Tucídides sobre as causas da Guerra do Peloponeso entre Atenas e Esparta, bem como por Nicolau Maquiavel em O Príncipe, publicado em 1532, onde analisou a política externa da cidade-estado renascentista de Florença. O campo contemporâneo das relações internacionais, no entanto, analisa as conexões existentes entre Estados-nação soberanos. Isto faz do estabelecimento do sistema estatal moderno o ponto de partida natural da história das relações internacionais.
O estabelecimento de estados soberanos modernos como unidades políticas fundamentais remonta à Paz de Vestfália de 1648 na Europa. Durante a Idade Média anterior, a organização europeia da autoridade política baseava-se numa ordem religiosa vagamente hierárquica. Ao contrário da crença popular, a Vestfália ainda incorporava sistemas de soberania em camadas, especialmente dentro do Sacro Império Romano-Germânico. Mais do que a Paz de Vestfália, pensa-se que o Tratado de Utrecht de 1713 reflecte uma norma emergente de que os soberanos não tinham iguais internos dentro de um território definido e nenhum superior externo como autoridade final dentro das fronteiras soberanas do território. Estes princípios sustentam a moderna ordem jurídica e política internacional.Stéphane Beaulac: "The Westphalian Model in defining International Law: Challenging the Myth", Australian Journal of Legal History Vol. 9 (2004), ; Krasner, Stephen D.: "Westphalia and all that" in Judith Goldstein & Robert Keohane (eds): Ideas and Foreign Policy (Ithaca, NY: Cornell UP, 1993), pp.235–264.
O período entre aproximadamente 1500 e 1789 viu a ascensão de estados soberanos independentes , do multilateralismo e da institucionalização da diplomacia e das forças armadas. A Revolução Francesa contribuiu com a ideia de que os cidadãos de um estado, definido como nação, eram soberanos, e não um monarca ou classe nobre. Um estado em que a nação é soberana seria, portanto, denominado estado-nação, em oposição a uma monarquia ou a um estado religioso; o termo república tornou-se cada vez mais seu sinônimo. Um modelo alternativo de Estado-nação foi desenvolvido em reação ao conceito republicano francês pelos alemães e outros, que em vez de concederem soberania aos cidadãos, mantiveram os príncipes e a nobreza, mas definiram o Estado-nação em termos étnico-linguísticos, estabelecendo o raramente ou nunca cumpriu o ideal de que todas as pessoas que falam uma língua deveriam pertencer a apenas um estado. A mesma reivindicação de soberania foi feita para ambas as formas de Estado-nação. Na Europa de hoje, poucos Estados se enquadram em qualquer uma das definições de Estado-nação: muitos continuam a ter soberanos reais e quase nenhum é etnicamente homogênero. Black, Jeremy. A History of Diplomacy (2010).
O sistema europeu específico que supõe a igualdade soberana dos Estados foi exportado para as Américas, África e Ásia através do colonialismo e dos “padrões de civilização”. O sistema internacional contemporâneo foi finalmente estabelecido através da descolonização durante a Guerra Fria. No entanto, isso é um tanto simplificado. Embora o sistema de estado-nação seja considerado "moderno", muitos estados não incorporaram o sistema e são denominados "pré-modernos". Além disso, alguns Estados foram além da insistência na soberania plena e podem ser considerados "pós-modernos". A capacidade do discurso contemporâneo das relações internacionais para explicar as relações destes diferentes tipos de Estados é contestada. Os “níveis de análise” são uma forma de olhar para o sistema internacional, que inclui o nível individual, o estado interno como uma unidade, o nível internacional dos assuntos transnacionais e intergovernamentais e o nível global.
O que é explicitamente reconhecido como teoria das relações internacionais só foi desenvolvido depois da Primeira Guerra Mundial e é tratado com mais detalhes abaixo. A teoria das relações internacionais, no entanto, tem uma longa tradição de basear-se no trabalho de outras ciências sociais. Muitos citam A Arte da Guerra de Sun Tzu (século VI aC), História da Guerra do Peloponeso de Tucídides (século V aC), Artaxastra de Cautília (século IV aC), como inspiração para a teoria realista, com o Leviatã, de Thomas Hobbes, e O Príncipe, de Nicolau Maquiavel, fornecendo maior elaboração. Da mesma forma, o liberalismo baseia-se no trabalho de Immanuel Kant e Jean-Jacques Rousseau, sendo o trabalho do primeiro frequentemente citado como a primeira elaboração da teoria da paz democrática. Embora os direitos humanos contemporâneos sejam consideravelmente diferentes do tipo de direitos previstos no direito natural, Francisco de Vitória, Hugo Grócio e John Locke ofereceram os primeiros relatos do direito universal a certos direitos com base na humanidade comum. No século XX, além das teorias contemporâneas do internacionalismo liberal, o materialismo histórico dialético e os princípios internacionalistas marxistas desenvolvidos por Karl Marx e Vladimir Lenin tem tido grande relevância nas relações internacionais.Calvocoressi, Peter. World Politics since 1945 (9th Edition, 2008).
Construção do campo de estudo As relações internacionais surgem como um domínio teórico da ciência política no período imediatamente posterior à Primeira Guerra Mundial. Usualmente, se reporta ao Royal Institute of International Affairs, fundado em 1920, o pioneirismo no estudo exclusivo às relações internacionais. No mesmo período, a London School of Economics inauguraria um Departamento de relações internacionais, que posteriormente seria importante para a construção de teorias da escola inglesa de relações internacionais.
Ensino no Brasil O primeiro curso de Graduação em Relações Internacionais do Brasil foi criado em 1974, na Universidade de Brasília. O primeiro programa de doutorado em relações internacionais do Brasil foi criado em 2001 pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
As disciplinas comuns incluem teoria geral da administração, teoria das relações internacionais, história vestefaliana, ciência jurídica, direito penal internacional, teoria dos jogos, desenvolvimento sustentável, empreendedorismo, estatística, direito internacional marítimo, organizações terroristas e piratas, gestão de políticas públicas, teoria geral do estado, seguridade pública, inclusão social, direito do consumidor, direito privado, comércio internacional, microeconomia, macroeconomia, contabilidade, gestão por competências, gestão de pessoas, psicologia do trabalho, filosofia clássica, ética, antropologia cultural, receita tributária, sociologia das organizações, história nacional, marxismo e liberalismo económico. Além de simulados de concursos de autarquias como Agência Brasileira de Inteligência, Ministério das Relações Exteriores e Receita Federal.
Em 2016, 103 instituições públicas e privadas mantinham graduação em relações internacionais localizadas em apenas vinte unidades federativas; sendo 82 cursos abertos apenas a partir de 2000 e 69 cursos concentrados apenas em cinco estados: São Paulo (30) Rio Grande do Sul (14), Rio de Janeiro (12), Minas Gerais (7) e Distrito Federal (6).
Teoria
Posteriormente, desenvolver-se-iam estudos focados na ação estratégica dos Estados no intuito de conservarem e ampliarem seu poder, tendo como elemento empírico de análise essencialmente a ação diplomática e bélica dos países modernos. Esses fatores ganham relevância principalmente devido ao contexto histórico: os estudos que inauguram as R.I. como disciplina autônoma se dão durante a Guerra Fria, e seus teóricos mais eminentes dissertam em universidades americanas; de modo que o pensamento internacional daquela época refletia a doutrina política seguida pelo governo americano desses tempos. Denominou-se escola realista o grupo de acadêmicos que seguiu essa linha de pesquisa, e de Realismo sua concepção teórica. Desta corrente, destacam-se Kenneth Waltz e Hans Morgenthau.
Mais a frente, com o desenvolvimento do capitalismo no mundo liberal, consequência da tendência que se firmara a partir da década de 1960 no então chamado "Primeiro Mundo" para a internacionalização dos fluxos de capitais rumo aos espaços econômicos periféricos; conjuntura que se configurava com a proeminência do capital americano na economia internacional, surgem teóricos que questionam a validade das concepções realistas sobre as relações políticas entre os Estados inseridos no sistema internacional, que, segundo estes, baseava-se fundamentalmente na anarquia.
Esses teóricos, que viriam a ser denominados membros da escola liberal, alegavam que a crescente interdependência econômica entre os países, potencializada pelos avanços tecnológicos das telecomunicações, tornariam cada vez mais dispendioso o conflito. Os liberais indicavam a progressiva consolidação de regimes jurídicos internacionais, por meio das organizações supranacionais, bem como o aumento — considerado por eles irreversível — da autonomia de atores transnacionais — notadamente as empresas multinacionais — como fatores empíricos de uma inflexão no modus operandi do sistema internacional. Destacam-se desta escola teórica Robert Keohane e Joseph Nye.
O liberalismo e o realismo consolidaram-se, ao longo das décadas do século XX, como as principais correntes teóricas nos estudos internacionais. Ambas as correntes derivariam novos debates, a partir da revisão de seus conceitos em novos quadros analíticos. Na década de 1980, originar-se-iam dessas discussões as correntes neorrealista e neoliberal.
Vertentes e quadros teóricos