The Ten Commandments é um filme épico bíblico norte-americano de 1956, produzido, dirigido e narrado por Cecil B. DeMille, distribuído pela Paramount Pictures e fotografado em VistaVision e cores por Technicolor. Estrelado por Charlton Heston como Moisés e Yul Brynner como Ramessés, o filme também reúne Anne Baxter, Edward G. Robinson, Yvonne De Carlo, Debra Paget, John Derek, Cedric Hardwicke, Nina Foch, Martha Scott, Judith Anderson, Vincent Price e John Carradine.

O roteiro, escrito por Aeneas MacKenzie, Jesse L. Lasky Jr., Jack Gariss e Fredric M. Frank, utiliza como ponto de partida principalmente o Livro do Êxodo, complementando a narrativa bíblica com os romances Prince of Egypt, de Dorothy Clarke Wilson, Pillar of Fire, de Joseph Holt Ingraham, e On Eagle's Wings, de A. E. Southon, além de tradições e textos antigos associados a autores como Fílon de Alexandria, Flávio Josefo e Eusébio de Cesareia.

A narrativa acompanha a vida romanceada de Moisés desde seu resgate das águas do Nilo, sua educação como príncipe do Egito e a descoberta de sua origem hebraica até o exílio, a revelação divina no Monte Sinai, o confronto com o faraó, as dez pragas, o Êxodo, a travessia do Mar Vermelho e a entrega dos Dez Mandamentos. O filme termina com Moisés contemplando a Terra Prometida à distância e transferindo a liderança dos israelitas a Josué, de acordo com o episódio final do Deuteronômio, no qual Moisés vê a terra, mas não entra nela.

É uma refilmagem temática e ampliação de The Ten Commandments, também dirigido por DeMille em 1923. Diferentemente da produção muda, cuja narrativa bíblica ocupa apenas a primeira parte do filme e serve de prólogo a uma história contemporânea, a versão de 1956 dedica-se integralmente à vida de Moisés.

Com orçamento superior a US$ 13 milhões, The Ten Commandments esteve entre as produções cinematográficas mais caras realizadas até então. Foi também o último filme dirigido por DeMille e uma das maiores produções de sua carreira. A produção recebeu sete indicações ao 29.º Oscar, incluindo melhor filme, e venceu o prêmio de melhores efeitos especiais, atribuído a John P. Fulton.

Em 1999, foi selecionado pela Biblioteca do Congresso para preservação no National Film Registry dos Estados Unidos. O American Film Institute posteriormente o classificou entre os dez principais épicos do cinema norte-americano e incluiu sua representação de Moisés entre os heróis de sua lista AFI's 100 Years...100 Heroes & Villains.

Enredo Antes do início da narrativa, Cecil B. DeMille aparece diante de uma cortina e explica ao público que pretende representar a vida de Moisés e a origem da ideia de liberdade sob a lei de Deus.

No Egito, o faraó Ramessés I ordena a morte dos meninos hebreus recém-nascidos após ser informado de uma profecia segundo a qual um libertador surgiria entre os escravos. Para salvar o filho, Yochabel coloca o bebê Moisés em um cesto no Nilo. A criança é encontrada por Bithiah, filha do faraó, que decide criá-la como seu próprio filho apesar das suspeitas de sua serva Memnet.

Anos depois, Moisés tornou-se um príncipe de grande prestígio. Ele e Ramessés, filho de Seti I, disputam tanto a sucessão ao trono quanto o amor de Nefretiri. Quando Moisés retorna vitorioso de uma campanha na Etiópia, Seti lhe confia a construção de uma cidade monumental. Ao observar as condições dos trabalhadores hebreus, Moisés começa a demonstrar compaixão pelos escravizados e entra em conflito com autoridades egípcias como Baka e Datã.

Yochabel, Aarão e Miriã tentam impedir que Moisés descubra sua verdadeira origem. Memnet, contudo, revela a Nefretiri que ele nasceu hebreu. Nefretiri mata Memnet para proteger o segredo, mas Moisés percebe que alguma informação lhe foi ocultada. Ele procura Yochabel e acaba reconhecendo-a como sua mãe biológica. Abandona temporariamente sua posição privilegiada e passa a trabalhar entre os escravos para compreender a vida de seu povo.

Ao matar Baka para salvar Josué, Moisés torna pública sua identificação com os hebreus. Datã o denuncia. Ramessés leva Moisés diante de Seti, que, sentindo-se traído, ordena que seu nome seja apagado dos registros e monumentos do Egito. Moisés é enviado ao deserto, carregando apenas um cajado, um manto e pequenas provisões.

Depois de atravessar o deserto, Moisés chega à terra de Midiã, onde conhece Jetro e suas filhas. Ele se casa com Séfora e passa anos como pastor. No Monte Sinai, encontra a sarça ardente e ouve a voz de Deus, que o envia de volta ao Egito para libertar os hebreus.

Moisés retorna transformado. Ramessés agora é faraó e inicialmente rejeita seu pedido para libertar os escravos. Seguem-se as pragas que atingem o Egito. Após a morte dos primogênitos egípcios, incluindo o filho de Ramessés, o faraó permite que os hebreus partam. O povo deixa o Egito em uma vasta procissão conduzida por Moisés.

Nefretiri instiga Ramessés a perseguir os israelitas. O exército egípcio os alcança diante do Mar Vermelho, onde os hebreus parecem encurralados. Uma coluna de fogo detém temporariamente os egípcios, e Moisés estende o cajado sobre as águas, que se abrem. Os israelitas atravessam em terra seca. Quando os carros egípcios tentam segui-los, as águas retornam, destruindo o exército. Ramessés sobrevive e reconhece que o Deus de Moisés triunfou.

No Sinai, Moisés sobe a montanha para receber a lei divina. Durante sua ausência, parte do povo, influenciada por Datã, constrói um bezerro de ouro e participa de uma celebração idolátrica. No alto da montanha, os Dez Mandamentos são inscritos em tábuas de pedra. Ao retornar e encontrar o povo diante do ídolo, Moisés quebra as tábuas e invoca o julgamento divino contra os rebeldes.

Por causa da desobediência dos israelitas, a geração do Êxodo permanece durante anos no deserto. Já idoso, Moisés chega às proximidades de Canaã. Impedido de entrar na Terra Prometida, ele entrega sua missão a Josué, despede-se de Séfora e sobe a montanha, de onde contempla a terra antes de desaparecer.

Elenco

Charlton Heston .... Moisés Yul Brynner .... Ramessés 2.º Anne Baxter .... Nefretiri Edward G. Robinson .... Datã Yvonne De Carlo .... Séfora Debra Paget .... Lília John Derek .... Josué Cedric Hardwicke .... Seti Nina Foch .... Bithiah Martha Scott .... Yochabel Judith Anderson .... Memnet Vincent Price .... Baka John Carradine .... Aarão Olive Deering .... Miriã Douglass Dumbrille .... Jannes Frank de Kova .... Abiram Henry Wilcoxon .... Pentaur Eduard Franz .... Jetro Donald Curtis .... Mered Lawrence Dobkin .... Hur Ben Caleb H. B. Warner .... Amminadab Julia Faye .... Elisheba Woody Strode .... rei da Etiópia Fraser Clarke Heston .... Moisés bebê Richard Farnsworth .... condutor da biga Franklyn Farnum .... oficial (não creditado) Herbert Heyes .... velho conselheiro (não creditado) Clint Walker .... capitão sardo, creditado como Jett NormanMorre Clint Walker, ator de Os Dez Mandamentos e Os Doze Condenados, aos 90 anos Observatório do Cinema - agosto de 2018

O catálogo do American Film Institute registra um elenco particularmente extenso, incluindo dezenas de intérpretes menores, figurantes e participantes não creditados. O Corpo de Cavalaria das Forças Armadas do Egito foi utilizado para representar parte das forças de carros de guerra do faraó nas cenas do Êxodo. Heston também participou da representação vocal de Deus sem crédito separado na abertura principal do filme.

Produção

Antecedentes e desenvolvimento DeMille já havia levado a história dos Dez Mandamentos ao cinema em seu filme mudo de 1923. Naquela produção, a história de Moisés funcionava como um prólogo histórico e religioso para uma narrativa moderna sobre dois irmãos e as consequências de obedecer ou rejeitar os mandamentos.

Depois de Samson and Delilah e de The Greatest Show on Earth (1952), vencedor do Oscar de Melhor Filme, DeMille voltou a desenvolver um épico inteiramente centrado na vida de Moisés. O projeto tornou-se sua produção mais ambiciosa e seu último trabalho como diretor.

Logo após concluir The Greatest Show on Earth, DeMille passou a planejar o que pretendia que fosse a maior produção de sua carreira. A pré-produção incluiu mais de mil desenhos e storyboards, enquanto o roteiro ultrapassou trezentas páginas e a narrativa reuniu dezenas de personagens com falas. A escala do planejamento refletia não apenas as cenas de multidões e construções monumentais, mas a necessidade de coordenar filmagens nos Estados Unidos e no Egito, efeitos ópticos, figurinos, animais, cenários e uma longa pós-produção.

O título de trabalho registrado durante o desenvolvimento foi Prince of Egypt, nome do romance de Dorothy Clarke Wilson utilizado entre as fontes literárias.

Roteiro e fontes O roteiro final foi creditado a Aeneas MacKenzie, Jesse L. Lasky Jr., Jack Gariss e Fredric M. Frank. A produção não se limitou ao relato do Êxodo. A Bíblia oferece relativamente poucos detalhes sobre a juventude de Moisés entre sua adoção pela família real e sua fuga do Egito, e os roteiristas preencheram essas lacunas por meio de romances históricos, tradições judaicas e cristãs e textos de autores antigos.

Os créditos e materiais de produção mencionam, entre outras fontes, Fílon de Alexandria, Flávio Josefo, Eusébio de Cesareia e tradições do Midrash. O pesquisador Nuno Simões Rodrigues examinou especificamente a influência de Josefo nas sequências egípcias do filme e argumentou que parte dos elementos extrabíblicos pode ser compreendida a partir do uso das Antiguidades Judaicas como fonte narrativa.

Assim, elementos como a carreira de Moisés como príncipe e construtor, sua rivalidade política com Ramessés e grande parte do triângulo amoroso envolvendo Nefretiri pertencem à dramatização cinematográfica e às tradições extrabíblicas utilizadas pela produção, e não diretamente ao texto do Êxodo.

Pesquisa histórica e religiosa DeMille atribuiu grande importância à documentação histórica do projeto. A pesquisa foi coordenada por Henry S. Noerdlinger, que posteriormente publicou Moses and Egypt: The Documentation to the Motion Picture The Ten Commandments (1956), dedicado às fontes utilizadas pela produção.

Segundo a documentação preservada pelo American Film Institute, a pesquisa iniciada em 1952 chegou a consultar aproximadamente 950 livros, 984 periódicos, 1 286 arquivos de recortes e 2 964 fotografias, além de materiais provenientes de cerca de trinta bibliotecas, museus e instituições. O trabalho foi empregado em assuntos como arquitetura, objetos, roupas, rituais, hieróglifos, geografia e tradições religiosas.

A equipe optou por situar a narrativa no século XIII a.C., associando o faraó do Êxodo a Ramessés II, posição compatível com uma corrente então difundida entre estudiosos consultados pelos produtores. A identificação, contudo, constitui uma opção narrativa do filme; o Livro do Êxodo não fornece o nome pessoal do faraó.

Antes do lançamento, DeMille e a Paramount também promoveram exibições e consultas com representantes católicos, protestantes e judeus para discutir a apresentação religiosa da obra. Esse processo fazia parte de uma estratégia de DeMille para apresentar o filme simultaneamente como espetáculo popular e narrativa religiosa acessível a diferentes públicos norte-americanos.

Escolha do elenco Charlton Heston já havia trabalhado com DeMille em The Greatest Show on Earth. Entre os fatores citados para sua escolha como Moisés estava a semelhança física que DeMille identificava entre o ator e a famosa escultura de Moisés, de Michelangelo. Durante a produção, DeMille incentivava Heston a permanecer psicologicamente ligado ao personagem mesmo nos intervalos de algumas cenas, procedimento posteriormente lembrado pelo ator em seus registros sobre as filmagens.

O filho de Heston, Fraser Clarke Heston, então bebê, interpretou Moisés na sequência em que a criança é colocada no Nilo.