Joaquim Alves da Costa Júnior, mais conhecido por Alves da Costa (Beato, Lisboa, 26 de maio de 1896 — Campo Grande, Lisboa, 2 de março de 1971), foi um ator e encenador português, que se notabilizou no Teatro e Cinema.
Biografia Alves da Costa nasceu a 26 de maio de 1896, na Calçada de Santa Catarina (a Chelas), freguesia do Beato, em Lisboa, filho do fabricante de malhas Joaquim Alves da Costa, natural da freguesia e concelho de Carregal do Sal, e de sua mulher, Elvira das Neves Gonçalves Costa, doméstica, natural de Lisboa (freguesia de Alcântara).
Iniciou a sua atividade ainda jovem, tendo lições de teatro numa escola dirigida por Araújo Pereira. Apesar de já ter participado em algumas peças como ator amador, estreou-se como ator profissional a 22 de novembro de 1922, no Teatro São Carlos, no drama histórico Vasco da Gama, de Silva Tavares, no papel de "Bastião Tamanino", pela mão do ator Alves da Cunha, então empresário daquele teatro e deste então tornou-se uma das figuras cimeiras da cena portuguesa. esquerda|miniaturadaimagem|339x339px|Erico Braga (esquerda), Estêvão Amarante (centro) e Alves da Costa (direita) na peça Uma para três, no Teatro Politeama, em 1934 (Museu Nacional do Teatro e da Dança). A 26 de maio de 1926, dia do seu 30.º aniversário, casou primeira vez civilmente, em Lisboa, com a também atriz Fernanda Amélia da Mata (Lisboa, c. 1904), que usava o nome artístico Fernanda de Sousa, filha do comerciante Luís Filipe da Mata Júnior, natural de Lisboa (freguesia de São Nicolau), e da atriz Antónia de Jesus Ferreira da Mata. Por sentença transitada em julgado a 28 de março de 1935, os dois divorciaram-se por mútuo consentimento.
Permaneceu até 1927 sem pertencer a nenhuma companhia teatral, passando pelo Teatro Apolo, Teatro da Trindade e Teatro Joaquim de Almeida, representando peças como Fedora, O turbilhão, A Severa e A rosa enjeitada, ao lado de grandes vultos, como Palmira Bastos. Ainda em 1927, estreia-se no cinema mudo pela mão de Reinaldo Ferreira, tendo, naquele ano, participado em quatro películas, uma longa-metragem e três curtas-metragens: O Táxi 9297, onde representou o personagem "Tenente Hair" e Rita ou Rito?..., Hipnotismo ao Domicílio e Vigário Sport Club, onde foi protagonista. Ainda no mesmo ano, passa pela Companhia Berta de Bívar-Alves da Cunha, representando o personagem "Conde Mauret" na peça A labareda, no Teatro Nacional D. Maria II.
Em 1930 participa no filme A Canção do Berço, de Alberto Cavalcanti. No mesmo ano, participa na peça O pão, o lar e a terra, em cena no Teatro São João do Porto e na peça História do fado, em cena no Teatro Maria Vitória e no Coliseu dos Recreios, com a Companhia Maria das Neves. Em 1931, participa no filme A Dama Que Ri, de Jorge Infante e, integrado na Companhia Estêvão Amarante, participa nas peças O padre cura, O bom ladrão, O doutor da mula ruça e O Pão de Ló, em cena no Teatro Avenida com posterior apresentação no Teatro Sá da Bandeira do Porto. Integra a Companhia Luís Pereira de 1933 a 1935, participando nas peças Alfama, Um para três, Cão de fila, Chapéus modelos e Meu amor é traiçoeiro (um dos seus maiores êxitos), passando por, entre outros, o Teatro Politeama, Teatro Capitólio, Teatro Ginásio e Teatro Carlos Alberto do Porto. Em 1936 forma a sua própria companhia com Ilda Stichini, que teve breve existência, destacando-se a apresentação da peça A prima Tança, escrita por Alice Ogando para o propósito da estreia, ocorrida a 24 de maio no Teatro Ginásio e um digressão às Colónias. Em 1937 participa no seu primeiro filme sonoro: Maria Papoila, de Leitão de Barros, onde representou o personagem "Carlos". miniaturadaimagem|340x340px|Estêvão Amarante (esquerda) e Alves da Costa (direita) na peça Cão de fila, em 1934 (Museu Nacional do Teatro e da Dança). De 1937 a 1942 passa pela Companhia de Revistas do Teatro Maria Vitória, Companhia do Teatro da Trindade, Companhia Adelina-Aura Abranches e Empresa António Macedo, representando, entre outras, as peças A senhora da Atalaia, Mamã bonita, Maria Antonieta, O pateta alegre, A abelha-mestra, O preço da verdade e Lisboa 1900, passando por, entre outros, o Teatro Variedades, em cuja inauguração fazia parte do elenco da revista Pó de Arroz. Em setembro de 1942 funda com a sua companheira Brunilde Júdice, a Companhia Brunilde Júdice-Alves da Costa, que funcionou até julho de 1945 e com a qual se representaram as peças A minha mulher é um homem, A mulher mascarada, O fruto proíbido, Recompensa, A malvada e Se amas, obedece. A partir desta data passa por várias companhias, como a Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, Companhia de Comédias Vasco Santana, Teatro D'Arte de Lisboa, Empresa Vasco Morgado, Empresa Azinhal Abelho, Empresa Laura Alves, Companhia do Teatro Monumental, Companhia Nacional do Teatro, entre outras. esquerda|miniaturadaimagem|341x341px|Retrato fotográfico do ator Alves da Costa (Armando Vieira, Biblioteca-Arquivo do Teatro Nacional D. Maria II, década de 1930). A partir de 1948 participa com mais assiduidade no Cinema Português, tendo, ao todo, participado em 22 filmes. Destacam-se as suas participaçõe em Ribatejo (1949), Cantiga da Rua (1950) e Um Marido Solteiro (1952), de Henrique Campos, Um Dia de Vida (1962), de Augusto Fraga e O Diabo Era Outro (1969), de Constantino Esteves, a sua última aparição na tela portuguesa.
O ator casou segunda vez a 31 de dezembro de 1949, em Lisboa, com a atriz Brunilde Júdice, com quem vivia há vários anos e que já era mãe da poetisa Ada Júdice Caruson de Almeida Nobre (São Paulo, c. 1925 — 1974), fruto de uma relação com o advogado paulistano Arutin de Almeida Nobre, e que foi casada com o cineasta Constantino Esteves entre 1945 e 1951. Foi madrinha de casamento a escritora Alice Ogando. Deste casamento não houve descendência.
Tendo atuado em quase todos os teatros das principais cidades de Portugal Continental e Ilhas, em Angola e Moçambique, no Brasil, França e Espanha, Alves da Costa participou em centenas de peças, prefazendo-lhe uma carreira longa e repleta de êxitos, principalmente no género da comédia, revista e opereta. Ao perfazer 45 anos de atividade, a 25 de junho de 1967, é homenageado no Teatro da Trindade, em festa artística, com a peça Todos eram meus filhos, de Arthur Miller, onde desempenhava o papel de "Joe Keller" com assinalável sucesso, o que lhe proporcionou um galardoamento com o Prémio Eduardo Brazão, do SNI. Foi a sua última peça.
A 13 de julho de 1967, foi agraciado com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.
Alves da Costa fez também teatro radiofónico na Rádio Clube e na Emissora Nacional, ao lado de, entre outros, Isabel Wolmar, Carmen Dolores, Rogério Paulo e Paulo Renato. Foi colaborador da revista cinematográfica Movimento (1933-1934) e participou em alguns telefilmes e teleteatro.
Faleceu a 2 de março de 1971, no Hospital de Santa Maria, freguesia do Campo Grande, em Lisboa, vitimado por um enfarte agudo do miocárdio, aos 74 anos de idade. O funeral do ator ocorreu na Igreja de São João de Brito, tendo este sido sepultado no Cemitério de Benfica, em Lisboa.
O seu nome faz parte da toponímia de: Almada (freguesia de Charneca de Caparica), Faro (freguesia de Santa Bárbara de Nexe), Lisboa (freguesia de Nossa Senhora de Fátima, Edital de 26 de março de 1971), Odivelas (freguesia de Ramada), Seixal (freguesia de Fernão Ferro) e Vila do Conde.
Filmografia +AnoFilmePersonagemReferências1927O Táxi 9297Tenente HairRita ou Rito?...Rita/RitoHipnotismo ao DomicílioEleVigário Sport ClubDesportista1930A Canção do Berço -1931A Dama Que Ri1937Maria PapoilaCarlos1948Amanhã Como Hoje -1949RibatejoMiguel1950Cantiga da RuaCosta1952Eram Duzentos IrmãosComandante da Escola NavalUm Marido SolteiroValentim Seabra1953Rosa de AlfamaMalhado1954O Cerro dos EnforcadosD. Afonso de LaraQuando o Mar Galgou a TerraTio João Brás1955A Nau Catrineta -1957Perdeu-se um MaridoMédico-ChefeDois Dias no ParaísoFeitor da Herdade1958O Homem do DiaMestre Júlio1962Um Dia de VidaJoão Mendes19649 Rapazes e 1 CãoChefe Cunha1968O Amor Desceu em Pára-quedasProfessor Morais1969O Diabo Era OutroPai de Rui
Televisão +AnoProgramaPersonagemReferências1957A Ceia dos CardeaisCardeal Rufo1960O Tio Vânia -O Desfalque1961Rei Sebastião1962O Príncipe de Hamburgo1963Escola de Má Língua1964A Tentação do ReinoO Casamento1965O Centro do Mundo1968Dom DuardosJulão
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