Síndrome compartimental é o aumento de pressão num espaço anatómico restrito (compartimento fascial ou loja anatômica) com queda da perfusão sanguínea dos músculos e órgãos nele contidos.
Caracterizada por parestesia, dor contínua, hipoestesia, edema e enrijecimento da região acometida. As causas principais podem ser a constrição de membros por aparelho gessado, curativos compressivos bem como uso inadequado de braçadeiras/manguitos para aferição não invasiva de pressão arterial (principalmente em neonatologia), além de um possível aumento de substâncias no compartimento muscular causado por edema ou hemorragia. É uma urgência ortopédica.
Sinais e sintomas Agudo Na literatura americana, os sinais e sintomas da síndrome são conhecidos por serem associados aos cinco "Ps":
dor (do inglês pain) fora de proporção ao esperado e agravada pela contração passível dos músculos realizada pelo médico; parestesia; palidez; paralisia; pulsação ausente.
O exemplo clássico é o da criança que fratura a perna ou o braço. Após a colocação do gesso inicia-se quadro de dor desproporcional e sem melhora com analgésicos. Portanto, é de fundamental importância explicar ao paciente, à mãe ou ao responsável que qualquer piora progressiva na dor é necessário o rápido encaminhamento a um hospital para a avaliação médica e, se indicado, a realização da fasciotomia.
Crônico Os sintomas da síndrome do compartimento aparecem após um esforço prolongado (como uma longa corrida) e envolvem dormência, debilidade moderada, sensação de formigamento ou dor sentida como queimante, cãibras ou pontadas. Essa dor pode durar meses ou até anos, pode ser aliviada após 10 a 60 minutos de repouso e piora com mais exercício. Geralmente ocorre na parte anterior e inferior da perna.Bong MR, Polatsch DB, Jazrawi LM, Rokito AS (2005). "Chronic exertional compartment syndrome: diagnosis and management" (PDF). Bulletin. 62 (3–4): 77–84. PMID 16022217.
Causas Como o tecido conjuntivo que determina as lojas anatômicas dos membros tem um limite de elasticidade, o edema dos músculos, por exemplo, pode aumentar a pressão dentro das lojas. Qualquer processo patológico ou iatrogênico que aumente o conteúdo dentro desse espaço anatômico delimitado por tecido conjuntivo (no caso, a fáscia), pode causar síndrome compartimental.
O aumento da pressão dentro do compartimento/loja anatômica impede a entrada de mais sangue, causa diminuição do fluxo arterial e venoso e consequente isquemia dos músculos, nervos e demais órgãos.
As principais causas são:
Fratura; Compressão do membro por talas, enfaixamento e gesso; Trauma, esmagamento ou isquemia de reperfusão após trauma; Queimaduras; Hemorragias; Infusão de medicação ou punção de artéria (possíveis causas iatrogênicas).
Tratamento thumb|Fasciotomia realizada na perna direita A síndrome compartimental aguda é uma emergência médica que requer tratamento imediato. Qualquer compressão externa (torniquete, vendas, órteses ou curativos aplicados no membro afetado) deve ser removida. Os signos vitais e pressão devem ser medidos. Se não melhora, deve ser feito um procedimento cirúrgico, em menos de 6h, conhecido como fasciotomia, para reduzir a pressão no compartimento ao normal.
Epidemiologia Em 70% dos casos é secundário a uma fratura. É quase dez vez mais comum em homens. É mais comum entre os 20 e 50 anos. A maior idade, a maior a perda de elasticidade, significa maior vulnerabilidade. Via AG, Oliva F, Spoliti M, Maffulli N (2015). "Acute compartment syndrome". Muscles, Ligaments and Tendons Journal. 5 (1): 18–22. PMC 4396671. PMID 25878982.
Ver também Contratura de Volkmann Fasciotomia Síndrome compartimental abdominal
Referências Brunner e Suddarth - Tratado de enfermagem médico-cirúrgica; Guanabara-Koogan, 1994
Categoria:Doenças musculares Compartimental