Presidente da República é o chefe de Estado e de governo da República Federativa do Brasil. O regime constitucional brasileiro optou pelo presidencialismo. O presidente da República escolhe livremente seus auxiliares diretos, os ministros de Estado, sem interferência do parlamento, que no caso brasileiro, é o Congresso Nacional. De acordo com a revista estadunidense Newsweek, o ocupante do cargo é considerado a pessoa mais poderosa da América Latina, devido à posição de potência regional do Brasil. O mandato do presidente da República do Brasil é de quatro anos com direito a uma disputa pela reeleição consecutiva.

O Brasil é uma república federativa presidencialista desde 15 de novembro de 1889, quando um golpe militar comandado pelo marechal Deodoro da Fonseca pôs fim ao Império do Brasil, e, portanto, à monarquia constitucional parlamentarista vigente, depondo o então imperador Dom Pedro II e proclamando a atual forma de governo. O presidencialismo foi introduzido pela primeira constituição republicana, a de 24 de fevereiro de 1891, que tomou como modelo a Constituição dos Estados Unidos de 1787. O parlamentarismo republicano chegou a ser instituído no Brasil, pela emenda número 4 à constituição de 1946, de 2 de setembro de 1961. Tratava-se de um expediente para superar grave crise política e permitir a posse do vice-presidente, João Goulart, que era acusado de ligação com comunistas.

A curta experiência parlamentarista, no entanto, não resolveu os graves problemas políticos, econômicos e sociais pelos quais passava o Brasil. Assim, o sistema presidencial de governo acabou sendo restabelecido com a Emenda Constitucional 6, promulgada em 24 de janeiro de 1963, resultado de uma consulta plebiscitária precedente, em 6 de janeiro. Com a promulgação da Constituição de 1988, através do seu artigo segundo do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, nova consulta popular foi convocada na forma de um plebiscito sobre a forma e o sistema de governo, inicialmente marcada para o dia 7 de setembro de 1993 e posteriormente alterada para 21 de abril de 1993 pela emenda constitucional número 2 de 1992. Como forma de governo, o eleitor poderia escolher entre a república ou a monarquia que deveria vigorar no país, e como sistema de governo, o eleitor poderia optar pelo presidencialismo ou pelo parlamentarismo. A antecipação da data fez com que a consulta coincidisse com o feriado em que se comemora o republicano Tiradentes, considerado o mártir da Independência do Brasil. Como resultado da consulta, expressiva maioria da população escolheu a manutenção da vigente república presidencialista.

A atual Constituição de 1988 havia fixado inicialmente mandato de cinco anos sem reeleição. As anteriores constituições do Brasil (1891, 1934, 1937, 1946 e 1967) fixaram mandatos de quatro, cinco e seis anos. Eurico Gaspar Dutra, Juscelino Kubitschek, Ernesto Geisel e José Sarney foram os presidentes que exerceram mandatos de cinco anos. O único presidente a exercer o mandato de seis anos foi João Figueiredo, por força da Emenda constitucional n.º 8 de 1977, artigo 75, parágrafo 3º. Castelo Branco, eleito para finalizar o mandato de João Goulart, que se encerraria a 31 de janeiro de 1966, teve a duração estendida para 15 de março de 1967 tendo, portanto, governado por . Médici, eleito para suceder o adoecido Costa e Silva, cujo mandato deveria terminar a 15 de março de 1971, governou por . Tanto Castelo Branco como Médici tiveram mandatos com duração "quebrada" devido à excepcionalidade de suas eleições, todas ocorridas dentro do contexto da ditadura militar instituída em 1964. Já Epitácio Pessoa governou por porque seu pleito foi extemporâneo, completando o quadriênio que era para ser cumprido integralmente por Rodrigues Alves. Fernando Collor sofreu um processo de impeachment e renunciou ao cargo. Caso tivesse terminado o mandato, teria governado por pois, apesar da Constituição de 88 inicialmente considerar a posse a 1.º de janeiro, o Art. 4º das suas Disposições Transitórias determinou que o mandato presidencial vigente (de José Sarney, iniciado a 15 de março de 1985), deveria terminar a 15 de março de 1990.

Histórico do cargo thumb|esquerda|upright|Cerimônia de posse do Presidente Deodoro da Fonseca como primeiro Presidente da República, em 26 de fevereiro de 1891. O primeiro presidente do Brasil eleito pelo voto popular foi Prudente de Morais, eleito presidente da república em 1º de março de 1894. Os seguintes presidentes eram maçons, com sua adesão confirmada pela maçonaria brasileira: Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, Prudente de Morais, Campos Sales, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Venceslau Brás, Delfim Moreira, Washington Luís, Nereu Ramos, Jânio Quadros e Michel Temer.Temer pediu licença da Maçonaria em SP UOL Notícias - Política, 16/5/2016 Dez presidentes foram membros das Forças Armadas, mas desses, apenas três chegaram ao cargo eleitos por sufrágio universal, Hermes da Fonseca, em 1910, Eurico Gaspar Dutra, em 1946 e Jair Bolsonaro, em 2018.Resultados do segundo turno

O presidente mais jovem a assumir o cargo foi Fernando Collor, aos 40 anos, em 1990. O presidente mais idoso a tomar posse foi Luiz Inácio Lula da Silva, aos 77 anos, em 2023. Antes dele, o mais idoso foi Michel Temer, aos 75 anos, em 2016. Tancredo Neves foi eleito aos 74 anos, sendo, então, o mais idoso a ser eleito presidente, mas morreu antes de tomar posse, assim como Rodrigues Alves, que foi eleito para um segundo mandato aos 69 anos. Getúlio Vargas assumiu o cargo em seu segundo mandato aos 68 anos, sendo assim o terceiro mais idoso a assumir a presidência, depois de Temer e Lula.miniaturadaimagem|Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. Foi a sede da presidência da República de 1897 até 1960, com a inauguração de Brasília.Foram depostos três presidentes: Washington Luís em 1930, Getúlio Vargas em 1945 (que formalmente renunciou à presidência), João Goulart em 1964. Costa e Silva foi afastado do cargo por motivos de saúde, em 1969. Foram eleitos e não tomaram posse Rodrigues Alves que morreu de gripe espanhola, Júlio Prestes, por causa da revolução de 1930, e Tancredo Neves, por motivo de doença e morte. Júlio Prestes foi o único político eleito presidente da república, pelo voto popular, que foi impedido de tomar posse. Renunciaram os presidentes Deodoro da Fonseca em 1891, Vargas em 1945 (forçadamente), Jânio Quadros em 1961, e Fernando Collor de Mello em 1992. Cinco presidentes enfrentaram processo de impeachment, sendo: Carlos Luz e Café Filho, ambos em novembro de 1955 e ambos aprovados (observação: Café Filho havia anteriormente se licenciado da Presidência, por problemas médicos); Getúlio Vargas (1954), cujo processo foi rejeitado pela Câmara Federal; Fernando Collor (1992), que, mesmo tendo renunciado, teve seus direitos políticos cassados por oito anos pelo Senado Federal, e Dilma Rousseff (2016), afastada definitivamente do cargo em 31 de agosto de 2016, assumindo o cargo, o seu vice-presidente Michel Temer. Dilma, porém, teve preservados os seus direitos políticos em votação em separado pelo Senado. miniaturadaimagem|Sentados: Campos Sales, Afonso Pena, Julio Roca, Hermes da Fonseca e o Barão do Rio Branco (em pé), no Palácio do Catete, em 1907. miniaturadaimagem|Getúlio Vargas (no centro) e Junta Militar, no Rio de Janeiro, ao fim da Revolução de 1930. Sete presidentes do STF já assumiram a Presidência da República: destes, somente José Linhares assumiu a presidência em caráter definitivo, em 1945, após a renúncia de Getúlio Vargas, e governou até a posse de Eurico Dutra em 1946. José Linhares assumiu a presidência porque a Constituição de 1937 não contemplava o cargo de vice-presidente e não havia, no Estado Novo, um Congresso Nacional funcionando, assim o primeiro sucessor do presidente da república era o presidente do STF. Os demais presidentes do STF citados a seguir assumiram em caráter interino, em virtude da ausência temporária do respectivo titular: Moreira Alves (1986), Octavio Gallotti (1994, em duas ocasiões), Marco Aurélio (2002, em cinco oportunidades), Ricardo Lewandowski (2014), Cármen Lúcia (2018) e Dias Toffoli (2018). A ascensão de Cármen deu-se por cinco vezes durante o ano de 2018: nos dias 13 e 14 de abril, no dia 18 de junho, nos dias 17 e 18 de julho, entre os dias 23 e 28 de julho e no dia 15 de agosto. Em todas as vezes que assumiu, se deu pelo fato de que o cargo de vice-presidente encontrava-se vago e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício Oliveira, tiveram que sair do país devido a legislação eleitoral os tornarem inelegíveis para certos cargos caso assumissem o comando do Executivo nos seis meses antes da eleição.

Por três vezes, presidentes da Câmara assumiram a Presidência da República em virtude da vacância do cargo de Presidente da República: Carlos Luz em 1955 e Ranieri Mazzilli em 1961 e em 1964. Uma única vez, o vice-presidente do Senado Federal, em exercício da presidência do Senado Federal, assumiu a Presidência da República, quando os cargos de Presidente e de Vice-Presidente da República (que era, pela constituição de 1946, o presidente do Senado Federal) ficaram vagos: foi o senador Nereu Ramos, em 1955, que completou o mandato iniciado em 31 de janeiro de 1951 por Getúlio Vargas, passando a presidência para Juscelino Kubitschek em 31 de janeiro de 1956.

Duas juntas militares assumiram oficialmente a Presidência: a primeira, em 1930, presidida por Tasso Fragoso, que governou de 24 de outubro de 1930 até 3 de novembro de 1930 com a posse de Getúlio Vargas, e a segunda, em 1969, quando assumiram o governo, os ministros militares sob a liderança de Augusto Rademaker, após a morte do presidente Costa e Silva. A Junta Militar de 1969, a última junta militar brasileira, não aceitou a posse do vice-presidente, o civil Pedro Aleixo. A lei 12 486, de 12 de setembro de 2011, incluiu "o nome do cidadão Pedro Aleixo na galeria dos que foram ungidos pela Nação Brasileira para a Suprema Magistratura". Porém, cite-se que nas duas vezes que Ranieri Mazzilli foi presidente o poder de fato foi exercido, respectivamente, pela Junta militar brasileira de 1961 e pelo Comando Supremo da Revolução (1964). esquerda|thumb|Posse de Juscelino Kubitschek como Presidente da República e de João Goulart como Vice. Janeiro de 1956. Arquivo Nacional. A Constituição de 1934 e a Constituição de 1937 não contemplavam a figura do vice-presidente da República, assim, de 1930 a 1945, Getúlio Vargas governou sem ter um vice-presidente. Os vice-presidentes que foram chamados a completar o mandato foram: Floriano Peixoto, em 1891, com a renúncia de Deodoro da Fonseca; Nilo Peçanha, em 1909, com a morte do titular Afonso Pena; Delfim Moreira, em 1918, com a morte do presidente eleito Rodrigues Alves. A Constituição de 1891, no seu artigo 42º, dizia que se, "por qualquer causa", ficasse vago o cargo de presidente, não havendo decorrido, ainda, dois anos de mandato do titular, seriam realizadas novas eleições para presidente. Assim se realizaram novas eleições, em 1919, e Epitácio Pessoa completou o mandato de Rodrigues Alves, e, por este motivo, o mandato de Floriano Peixoto como presidente, que se estendeu de 23 de novembro de 1891 a 15 de novembro de 1894, foi considerado pelos seus adversários, como sendo inconstitucional. O vice-presidente Manuel Vitorino governou o Brasil por quatro meses, de 10 de novembro de 1896 a 3 de março de 1897, quando Prudente de Morais afastou-se por motivo de saúde. Durante esse período, Vitorino adquiriu o Palácio do Catete e lá instalou a sede do governo, que era no Palácio do Itamaraty, Rio de Janeiro. Prudente retornou ao cargo e concluiu o mandato. miniaturadaimagem|Os ex-presidentes : Itamar Franco, Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso e José Sarney em 2005, no funeral do Papa João Paulo II.