Maomé ibne Abedal Maleque ibne Gusmão (; Córdova (Espanha), c. 1078 - ibid., 1160), melhor conhecido como ibne Gusmão ou ibne Cuzmane, foi um famoso poeta do Alandalus, conhecido pelas suas peculiares zejeisforma poética andalusina muito popular no , que poderia ser a origem, em Portugal e Galiza, das cantigas escritos no árabe coloquial do Alandalus.

Há quem pretenda ver no nome Guzmán uma arabização do alemãoDarío Fernández-Morera, "The Myth of the Andalusian Paradise", The Intercollegiate Review, 2006, pp. 7, algo que era frequente no Alandalus, mas outras fontes assinalam que o nome Quzmān já aparece documentado na Arábia pré-islâmica, pelo que poderá ser árabe, embora seja um nome pouco usual.

A sua obra ficou preservada praticamente num único conjunto, que foi descoberto em São Petersburgo em finais do , o seu Cancioneiro ou divã (antologia poética), que é também a principal fonte de informação sobre a sua vida, já que nas suas composições fala também de si próprio: que tinha entre seis e oito anos quando ocorreu a Batalha de Zalaca, permitindo assim aproximar a sua data de nascimento.

ibne Gusmão conhecia bem a poesia árabe clássica, de autores célebres como Abu Tamame, Almutanabi, Du r-Rumma, etc. Chegaram até aos nossos dias alguns poemas seus ao estilo árabe clássico, consideradas de pouco valor quando comparadas com o seu Cancioneiro: esta é uma obra original, tanto pela forma utilizada, o zéjel, escrito não na habitual língua literária habitual mas no dialecto coloquial local, como pelos temas que aborda, nos quais frequentemente reinterpreta de forma irónica alguns tópicos da poesia árabe clássica.

O Divã Pensa-se que ibne Gusmão foi o primeiro grande escritor que empregou o zéjel, que había sido criado por Ibn Bayya, o poeta de Saragoça, dando-lhe a sua forma definitiva, polindo-o das imperfeições que a seu ver ainda tinha.

O seu Divã, ou Cancioneiro, contem 149 zéjeis. O estudioso árabe, Stern, organizou-os em duas classes: Os zéjeis moaxajeños, que são poemas de entre cinco e sete estrofes, em tudo semelhantes às moaxajas (temas, forma, jarcha), excepto por serem escritos na língua coloquial, e não no árabe clássico. Constituem cerca de um terço do Divã. Os zéjeis propriamente ditos, sem limite de estrofes, de temas diversos, e que constituem os dois terços restantes.

ibne Gusmão dedicou uma boa parte dos seus zéjeis a descrever as suas relações com jovens varões, as festas a que assistia, ou os bailes e instrumentos musicais que as animavam. Fala ainda de si próprio e faz, como outros poetas, o elogio dos seus mecenas e protectores. Segundo relata um dos seus zéjeis, já perto do final dos seus dias, pareceu arrepender-se da sua vida desperdiçada:

E também deixou instruções escritas para quando morresse:

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