O sítio arqueológico dos Concheiros de Muge, localizado na freguesia de Muge, concelho de Salvaterra de Magos, foi identificado em 1863 pelo geólogo Carlos Ribeiro. Trata-se do maior complexo mesolítico conhecido na Europa, constituído por extensos depósitos de conchas e restos faunísticos – os chamados concheiros – que formam autênticas «colinas artificiais». Estes locais foram ocupados sazonalmente por comunidades de caçadores-recoletores que praticavam a caça, a pesca e, de forma intensiva, a recolha de moluscos, deixando um importante registo arqueológico de ossadas humanas, utensílios líticos e restos de fauna.Ficha na base de dados SIPALocalização no OpenStreetMap
Os Concheiros de Muge estão classificados como Monumento Nacional desde 2011.
Em 2025, foi inaugurado na Casa do Povo de Muge o Centro de Interpretação dos Concheiros de Muge, espaço museológico dedicado à divulgação e valorização deste património. O centro apresenta uma exposição permanente com materiais arqueológicos, um corte real de um concheiro, um esqueleto humano, cronologias das escavações e conteúdos interativos para o público.
Descrição Concheiros são sítios caracterizados por neles existirem grandes acumulações de conchas, as conchas são restos de alimentos e assim também se encontram nos concheiros restos de outros animais, como ossos e restos esqueléticos de peixes. Os concheiros são conhecidos desde o século XIX por Pereira da Costa e Carlos Ribeiro, os quais escavaram na ribeira de Muge. Os Concheiros de Muge são dos sítios mais conhecidos da arqueologia pré-histórica. Também se encontraram concheiros no norte da Europa. Nestes concheiros eram normalmente realizados tanto tarefas do quotidiano como rituais ligados à morte, pois eram concheiros de grandes dimensões construídos com lixo de gerações e gerações que ali habitaram e os mortos também eram enterrados nos concheiros.
Concheiro da Moita do Sebastião
Concheiro da Moita do Sebastião, é um concheiro de 50 por 50 metros, 2500 m² (equivalente a meio campo de futebol), foi escavado por Jean Roche (francês) e o concheiro permitiu compreender um planeamento familiar. No centro do concheiro apareceram 60 buracos de poste, constituem testemunhos de uma estrutura latente, a organização dos buracos permitiu compreender que ali tinha sido construída uma estrutura semicircular com toros e talvez com barro para abrigar da chuva e do vento. A cabana tem a zona de entrada voltada para sul, protegendo as pessoas dos ventos de norte e de noroeste.
Testemunhos de outra cabana construída a posteriori de forma quadrangular e que também ocupa o centro do conjunto de estruturas. No lado sul foram encontradas estruturas de combustão com 3 metros de diâmetro e constituída com calhaus, as suas dimensões permitem pensar que serviam para fumar e secar o peixe ou carne com vista à conservação dos alimentos a longo tempo.
Encontraram-se fossas ou silos abertos no solo onde se conservariam os alimentos em meio anaeróbico. Sepultamentos ritualizados de homens e hulheres em idade adulta ocupam o lado nascente do habitat, junto à cabana, os mortos eram inumados em posição fetal com os braços dobrados sobre o peito, com as pernas contraídas, com a cabeça orientada para norte, com a face voltada para nascente e pés orientados para sul, quererá isto dizer que acreditavam no renascimento ou na vida pós morte. A necrópole dos adultos encontra-se a nascente da área ocupada. O número de peças encontradas foi bastante raro, e incluiu conchas perfuradas que poderiam ser de braceletes nas pernas ou pulseiras, as quais foram encontradas junto ao corpo, e amuletos, nalguns casos foram encontrados pontas trapezoidais. Conhecem-se rituais de ocre de pessoas que foram polvilhadas com ocre, também foram encontradas pedras debaixo da cabeça do morto para que a cabeça ficasse mais levantada. Alguns crânios mostram sinais de terem sido escalpelizados (do escalpe ter sido retirado). Nenhuma das peças tem aparente função votiva.
Necrópole das crianças, a mortalidade infantil era elevada, não havia estatuto diferençável entre os adultos, mas havia entre os adultos e as crianças, a necrópole das crianças encontra-se na área produtiva do acampamento para propiciar as funções económicas, estes sepultamentos tinham valor simbólico e as crianças tinham valor de fertilidade e assim eram enterradas na zona de produção. Este planeamento mostra um simbolismo subtil que só a escavação em extensão mostra. A cabana era feita de paus e revestida de colmo, tinha uma estrutura circular, mostra no interior algumas divisões que têm a ver com espaços onde existiriam leitos (camas), haveria uma zona de armazenamento e cozinhava-se no exterior e no interior poderiam habitar oito ou dez pessoas.
Ver também Estações arqueológicas Estação arqueológica de Cabranosa, no Algarve Estação arqueológica da Foz dos Ouriços, no Alentejo Loma Monte de Teso dos Bichos
Categoria:Sítios arqueológicos do distrito de Santarém Categoria:Património edificado em Salvaterra de Magos Categoria:Monumentos nacionais no distrito de Santarém Categoria:1863 em Portugal