O Tennessee ou, em suas formas aportuguesadas, Tenessi ou Tenesi é um dos 50 estados dos Estados Unidos, localizado na região sudeste do país. A economia do Tennessee está baseada primariamente na indústria de manufatura, na prestação de serviços financeiros e imobiliários, no turismo e na agricultura.

Muito do atual Tennessee, durante o período da colonização britânica da região das Treze Colônias, fazia parte do atual estado da Carolina do Norte, e era facilmente a região mais ocidental das antigas Treze Colônias britânicas. O Tennessee era inicialmente escassamente povoado. Porém, passou a receber números cada vez maiores de assentadores a partir da década de 1750. O Tennessee, por causa dos Apalaches, era isolado do restante da Carolina do Norte. Após o reconhecimento da independência dos Estados Unidos por parte do Reino Unido, em 1783, os habitantes da região passaram a pedir a separação da região do atual Tennessee do restante da Carolina do Norte. Assim sendo, em 1796, o Tennessee separou-se da Carolina do Norte, tornando-se o 16.º estado norte-americano, em 1 de junho de 1796.

O cognome do Tennessee é The Volunteer State - O Estado dos Voluntários. Isto deve-se ao espírito militar da população do estado. Durante a Guerra Civil dos Estados Unidos, foram realizadas mais batalhas no Tennessee do que em qualquer outro estado norte-americano, com exceção da Virgínia.

Origem e história do nome Tennessee A mais antiga variante do nome que se tornaria Tennessee foi registrada, em 1567, pelo capitão Juan Pardo, um explorador espanhol. Tendo partido da atual Carolina do Sul, ele e seus homens, viajando pelo interior, passaram por uma vila nativa norte-americana chamada pelos nativos de "Tanasqui" . Posteriormente, colonos europeus encontraram uma vila cherokee denominada pelos nativos de Tanasi, no atual Condado de Monroe. A vila situava-se no rio homónimo (atualmente conhecido como rio Little Tennessee). Não se sabe se esta vila seria a mesma encontrada por Pardo.

A origem do nome é incerta. Alguns acreditam que é uma modificação cherokee de uma palavra yuchi, que significaria "local de encontro", "rio ondulado" ou "rio da grande dobra". A escrita moderna, Tennessee, é atribuída a James Glen, um governador da Carolina do Sul, que utilizara esta palavra em suas correspondências oficiais durante a década de 1750. Em 1788, a Carolina do Norte - que então controlava o atual Tennessee - ordenou que o terceiro condado a ser estabelecido na atual região central do Tennessee fosse chamado de Condado de Tennessee. Quando uma convenção constitucional foi realizada em 1796, para organizar a elevação do então Território do Sudoeste (atual Tennessee) à categoria de estado, o nome Tennessee foi oficialmente adotado como o nome do novo estado.

História Até 1796

Os primeiros vestígios humanos do Tennessee datam de cerca de seis mil anos antes de Cristo. A tribo nativo americana mais antiga da região que se tem conhecimento são os mound builders. Posteriormente, antes da chegada dos primeiros exploradores europeus à região, o Tennessee seria assentado pelos cherokee e pelos chamados chickamauga.

Os primeiros exploradores europeus a explorarem regiões que atualmente fazem parte do Tennessee foram espanhóis liderados por Hernando de Soto, em 1541. Soto e sua expedição haviam partido da Flórida em direção ao norte, em busca de ouro e outros metais preciosos. Após esta exploração, não existe outros registos que comprovem a passagem de pessoas de ascendência europeia na região, até 1673, quando os exploradores ingleses James Needham e Gabriel Arthur exploraram partes do vale do Rio Tennessee, no atual Tennessee. Em 1682, o francês René-Robert Cavelier reivindicou toda a região da bacia hidrográfica do Rio Mississippi para a coroa francesa, incluindo regiões localizadas no atual Tennessee, parte da colônia francesa de Nova França. No mesmo ano, Cavelier construiu uma forte, o Fort Prud'homme, próximo à atual cidade de Chicksaw Buffs. Este forte foi logo abandonado pelos franceses, por causa de sua localização isolada.

Os espanhóis, britânicos e os franceses todos reivindicavam posse do Tennessee. Os três impérios procuraram estabelecer postos comerciais na região, para o comércio de peles de animais com nativos americanos locais. Porém, os espanhóis eventualmente perderam seu interesse pela região, por volta do fim do século XVII. As disputas territoriais entre os britânicos e os franceses, porém, continuaram. Os britânicos reivindicavam a área do atual Tennessee como parte da colônia britânica de Carolina do Norte, e os franceses, como parte da Nova França. Tensões desencadeadas por tais disputas levaram, eventualmente, ao início da Guerra Franco-Indígena, em 1754, e que perduraria até 1763, resultando em derrota francesa. Sob os termos do Tratado de Paris, os franceses cediam todos os seus territórios a leste do Rio Mississippi aos britânicos. Assim, o Tennessee passou a ser controlado pelos britânicos. Até então, 90% dos cerca de três mil habitantes de ascendência europeia na região eram de ascendência francesa. O Tennessee passou a ser então administrado pela colônia britânica da Carolina do Norte.

Em 1772, uma companhia americana, o Transylvania Company, comprou grandes quantidades de terras da região a tribos de nativos americanos, a oeste dos Apalaches, e iniciou esforços para colonizar a região com habitantes de ascendência europeia. O número de habitantes na região passou a aumentar rapidamente. Os habitantes da região, isolados do restante da Carolina do Norte, passaram a reivindicar maior atenção da colônia. Porém, o governo da Carolina do Norte não deu ouvidos às reivindicações de tais habitantes, principalmente por causa da Guerra da Independência dos Estados Unidos, que então ocorria em todas as Treze Colônias britânicas.

Em 1779, os habitantes da região organizaram um governo rudimentar territorial. Um ano após a independência dos Estados Unidos e do fim da guerra, em 1784, os habitantes de três condados do oeste da Carolina do Norte decidiram separar-se do restante do Estado, e organizaram uma nova região, que chamaram de Estado de Franklin. A Carolina do Norte recuperaria o controle da região em 1788. Mas decidiu ceder todo o atual Tennessee para o governo americano no ano seguinte. O governo americano fez da região um território, o Território do Sudoeste. O território criou sua primeira constituição em 6 de fevereiro de 1796, e foi elevada à categoria de Estado em 1 de junho do mesmo ano, tornando-se assim o 16° Estado americano. A convenção constitucional realizada no território, que aprovara a elevação do território à categoria de Estado, decidira que o nome do novo Estado seria Tennessee.

1796 - Tempos atuais

Em 1818, os chicksaw cederam todas as suas terras no Tennessee para o governo do Estado. Posteriormente, em 1834, os cherokee que ainda habitavam regiões do Estado foram forçados a ceder suas terras e a mudarem-se para regiões a oeste do Rio Mississippi.

A economia do Tennessee baseava-se primariamente na agricultura. No oeste e na região central do Tennessee, a principal fonte de renda da região era o cultivo de algodão e tabaco, que era exportado para países europeus. Esta região utilizava grande quantidade de mão de obra escrava. Já a região leste dependia primariamente da agricultura de subsistência, que utilizava primariamente mão de obra livre. A maioria dos afro-americanos que viviam na região eram livres, e o Estado dava o direito de voto aos afro-americanos, direitos quase inexistentes em outros Estados da região Sul americana. Porém, a adoção de uma nova constituição estadual, em 1834, removeu o direito de voto aos afro-americanos.

A escravidão era uma questão controversa no Estado. Muitos defendiam o abolicionismo - especialmente na região leste. Mas a maioria dos habitantes do Estado eram a favor, uma vez que dependiam do uso de mão de obra barata para o cultivo de produtos agrícolas a baixos custos, para exportação. A vitória de Abraham Lincoln nas eleições presidenciais americanas de 1860 gerou grandes tensões entre abolicionistas e os a favor do trabalho escravo. Em um referendo, realizado em 8 de junho de 1861, cerca de dois terços dos habitantes do Tennessee votaram a favor da secessão. O Tennessee foi o último dos 11 Estados americanos a separar-se dos Estados Unidos, e a juntar-se aos Estados Confederados da América. Logo, a Guerra Civil Americana teria início. Um dos senadores do Tennessee no Senado dos Estados Unidos, Andrew Johnson, recusou-se a reconhecer a secessão do Tennessee do restante do país, e aboliu o trabalho escravo no Estado. Johnson foi o único senador federal então representante de um Estado sulista a não reconhecer os Estados Confederados da América.

Diversas das principais batalhas da Guerra Civil Americana ocorreram no Tennessee, a maioria resultando em vitórias da União. O Tennessee foi palco de mais batalhas do que qualquer outro Estado americano, com exceção da Virgínia. Logo durante o início da guerra, os confederados invadiram o leste do Tennessee, temendo uma possível secessão da região, uma vez que a maioria da população da região era a favor do abolicionismo. Em fevereiro de 1862, a marinha americana obteve controle dos rios Cumberland e Tennessee, e defenderam-se com sucesso contra um ataque confederado em Shiloh em abril. No mesmo ano, o General nortista Ulysses S. Grant invadiu o oeste do Tennessee, derrotando tropas confederadas na Batalha de Shiloh, capturando rapidamente Memphis, Nashville, dando à União o controle da região oeste do Tennessee, controle fortalecido em janeiro de 1863 na Batalha de Murfreesboro. Em 1863, os nortistas capturaram Chattanooga. Forças da União defenderam-se com sucesso contra um contra-ataque confederado no outuno de 1863 em Chattanooga. Em 1864, forças nortistas partindo de Chattanooga, comandadas por George A. Thomas, capturaram o restante do Estado, enquanto outras forças nortistas, comandadas por Grant, partiram em direção a Atlanta, Geórgia. As últimas grandes batalhas ocorreram quando tropas confederadas invadiram em novembro de 1864 o oeste do Tennessee, sendo derrotados em Franklin, e totalmente destruídos por George Thomas, em Nashville. Os confederados mantiveram controle do leste do Tennessee durante toda a guerra, apesar de forte sentimento a favor da União, com exceção do Condado de Sullivan, extremamente pró-confederado.

O Tennessee, após o fim da guerra, seria ocupado por tropas americanas. O Partido Republicano passou a controlar o governo do Estado, escolhendo os principais oficiais do governo do Estado, como governadores e representantes do Poder Legislativo. Além disso, os republicanos deram aos afro-americanos o direito de voto, e removeram este direito de antigos eleitores que haviam suportado explicitamente a confederação.

Em 1869, o Tennessee foi readmitido aos Estados Unidos como Estado americano. O Tennessee adotou uma nova constituição no ano seguinte, que removia o direito de voto dos afro-americanos. Com a proibição do trabalho escravo em todo o país, os donos das grandes fazendas de algodão e de tabaco passaram a fragmentar suas fazendas em pequenos lotes. Tais lotes eram alugados por outros fazendeiros, que pagavam como aluguel uma dada percentagem dos produtos cultivados no lote. Este sistema perduraria até a década de 1910. Neste meio termo, a indústria agropecuária, devastada pela guerra, recuperou-se muito lentamente, chegando ao patamar dos anos pré-guerra somente no final da década de 1900. A maioria dos afro-americanos liberados após a Guerra Civil Americana passaram a trabalhar nestas fazendas de aluguel.