O brasão de armas do Rei de Espanha é o símbolo heráldico representativo do Rei de Espanha em sua condição como chefe dinástico da Casa Real Espanhola e monarca soberano do Reino de Espanha. O brasão é uma simbologia monárquica espanhola que remonta ao período dos reinos históricos de Castela e Leão e todos os monarcas espanhóis desde então ostentaram seus respectivos brasões de armas em seu período de reinado. Desde o século XVIII, com variações significantes, os brasões de armas dos monarcas espanhóis constituem um escudo esquartelado com as armas de Aragão e Navarra além de Castela e Leão.

O atual brasão de armas real foi estabelecido por Real Decreto de 19 de junho de 2014, que estabeleceu o regulamento de bandeiras, estandartes, insígnias e distintivos ostentados por Filipe VI. O atual brasão de armas real é oficialmente descrito como composto por seis brasões:

O primeiro quarto, de Castela: uma torre de três torreões a dourado, aclarado a azul, com contorno negro; O segundo quarto, de Leão: de fundo cor de prata, com um leão (por vezes a púrpura) de coroa dourada, linguado e unhado; O terceiro quarto, de Aragão: a dourado, com quatro listas vermelhas; O quarto quarto, de Navarra: fundo vermelho, com correntes interligadas a dourado dispostas em cruz, a partir do centro, onde consta uma esmeralda; Na base, de Granada: de fundo de prata, uma romã, com duas folhas a verde. Sobre tudo e ao centro, um escudo pequeno de azul com três flores de lis de ouro, bordadas de gules, representando os Bourbon.

É rodeado pelo Colar da Ordem do Tosão de Ouro, encimado por uma coroa a ouro e com pedras preciosas, com oito flores, sendo cinco visíveis, e oito pérolas intercaladas, fechadas com oito diademas guarnecidos de pérolas e rematadas com uma cruz sobre uma esfera, que é a Coroa Real de Espanha.O Brasão de armas do Rei Filipe VI da Espanha. Web da Casa Real Espanhola.

Variantes

Variantes históricas Armas Período em uso Monarca Descrição 120px|Armas de Carlos I, Rei de Espanha 23 de janeiro de 1516– Carlos I Primeiro brasão de armas de Carlos I adotado quando de sua ascensão ao trono espanhol em 1516, ostentando seus diversos elementos dinásticos. O brasão contraquartelado incorpora os motivos heráldicos de Leão, Castela, Aragão e Sicília no primeiro e quarto quartéis e de Borgonha e Brabante no segundo e terceiro quartéis. 120px|Armas de Carlos I, Rei de Espanha 12 de janeiro de 1519–26 de outubro de 1520 Variante adotada após a morte de Maximiliano I, avô de Carlos I, em 1519, representando a totalidade da herança dinástica de Carlos I. A variante passou a ostentar o escudete partido de Flandres e Tirol, possessões territoriais que até então estavam sob poder de Maximiliano I, e esquarteladas as armas de Granada juntamente com as armas de Castela e Leão. 120px|Armas de Carlos I, Rei de Espanha 23 de outubro de 1520–1530 Variante adotada após a coroação de Carlos I como Rei dos Romanos em 23 de outubro de 1520 na sequência de sua eleição como Imperador Romano-Germânico em 28 de junho de 1519. Esta variante passou a ostentar os motivos heráldicos de Navarra e de Nápoles e substituiu a partição entre Aragão e Sicília pela tripartição entre Aragão, Jerusalém e Hungria. 120px|Armas de Carlos I, Rei de Espanha 24 de fevereiro de 1530–16 de janeiro de 1556 Variante adotada em consequência da coroação de Carlos I como Imperador Romano-Germânico sob o nome imperial de "Carlos V", passando a ostentar a águia bicéfala alusiva ao Sacro Império Romano-Germânico, a Cruz de Borgonha e as Colunas de Hércules. Esta variante do brasão real representa a totalidade dos domínios e heranças territoriais de Carlos I. 120px|Armas de Filipe II, Rei de Espanha 16 de janeiro de 1556–17 de novembro de 1558 Filipe II Primeiro brasão real de Filipe II, adotado quando de sua ascensão ao trono espanhol em 1556, representando motivos heráldicos alusivos à sua condição de soberano de Milão e Nápoles em paralelo com as possessões dinásticas espanholas herdadas de seu pai. O escudo é esquartelado com as armas reais inglesas em consonância com a dignidade de Filipe II como consorte de Maria I. 120px|Armas de Filipe II, Rei de Espanha 17 de novembro de 1558–17 de maio de 1580 Variante adotada após a morte de Maria I em 1558 e a perda da condição de consorte real inglês por Filipe II. O monarca retomou, então, o primeiro brasão de seu pai, Carlos I, sendo este contraesquartelado Castela, Leão e Aragão e Brabante e Sicília. Esta variante do brasão real espanhol passou a ostentar ademais o escudete partido de Flandres e Tirol. 120px|Armas de Filipe II, Rei de Espanha 17 de maio de 1580–13 de fevereiro de 1668 Filipe II Variante adotada após a ascensão de Filipe II como Rei de Portugal como consequência da crise sucessória portuguesa. Esta variante foi ostentada por todos os sucessores de Filipe II da chamada dinastia filipina até meados do reinado de Carlos II e incorpora o escudete das armas reais portuguesas. O brasão caiu em desuso com a assinatura do Tratado de Lisboa de 1668, através do qual os monarcas espanhóis reconheceram oficialmente a Independência de Portugal e encerraram suas reivindicações ao trono português. Filipe III Filipe IV Carlos II 120px|Armas de Carlos II, Rei de Espanha 13 de fevereiro de 1668–1 de novembro de 1700 Carlos II Variante adotada após a assinatura do Tratado de Lisboa de 1668, quando Carlos II reconheceu a Independência de Portugal e abriu mão de suas reinvindicações ao trono português, encerrando a União Ibérica. Esta variante retoma os motivos heráldicos de Filipe II adotados anteriormente em 1558. 120px|Armas do Rei de Espanha 1 de novembro de 1700–1761 Filipe V Variante adotada após a ascensão de Filipe V ao trono espanhol, inaugurando o reinado da Casa de Bourbon. Esta variante mantém os motivos heráldicos de Carlos II e dos monarcas antecessores, representando a totalidade das possessões territoriais assumidas por Filipe V, com o acréscimo de um escudete com as armas do Ducado de Anjou, título anteriormente ostentado por Filipe enquanto Filho de França, e o Grande Colar da Ordem do Espírito Santo. Luís I Fernando VI Carlos III 120px|Armas de Carlos III, Rei de Espanha 1761–6 de junho de 1808 Carlos III Adotado em 1761 em meio às reformas heráldicas e cerimoniais de Carlos III. Esta variante passou a incorporar os motivos heráldicos dos diversos territórios herdados de seus antepassados além das armas dos reinos históricos espanhóis (Leão, Castela, Aragão e Granada). O escudo é esquartelado e cada um dos quartéis é contra-esquartelado representando as armas da Casa de Farnésio, dinastia de origem de sua mãe Isabel Farnésio, o Condado da Flandres, os ducados de Parma e Brabante e os reinos de Nápoles e da Sicília. O escudo incorpora um escudete central esquartelado em Castela e Leão e centrado pelas armas da Casa de Bourbon-Anjou. Esta variante continuou a ser ostentada por todos os seus descendentes até a deposição de Afonso XIII em 1931. Carlos IV 120px|Armas de José I, Rei de Espanha 6 de junho de 1808–11 de dezembro de 1813 José I Variante adotada por José I como monarca espanhol, incorporando elementos heráldicos do Primeiro Império Francês, tais como a Águia Imperial e o Grande Colar da Ordem Imperial da Legião de Honra. Além disto, é a primeira variante do brasão real espanhol a representar as Colunas de Hércules e esquartelar as armas de Granada. 120px|Armas de Fernando VII, Rei de Espanha 11 de dezembro de 1813–30 de setembro de 1868 Fernando VII Após sua restauração ao trono seguindo à Guerra Peninsular, Fernando VII retomou o brasão de armas ostentado anteriormente por seu pai e avô desde 1761. O escudo esquartelado possui cada um dos quartéis contra-esquartelados representando os motivos heráldicos de Sicília, Nápoles, Aragão, além das armas do Ducado de Parma e Placência e da Casa de Farnésio. O escudete central é esquartelado em Castela e Leão e incorpora um pequeno escudete com as armas da Casa de Bourbon-Anjou. Isabel II 30 de dezembro de 1874–14 de abril de 1931 Afonso XII Afonso XIII 120px|Armas de Amadeu I, Rei de Espanha 23 de maio de 1871–11 de fevereiro de 1873 Amadeu I Adotado em 23 de maio de 1871, meses após Amadeu I prestar juramento perante às Cortes Gerais Espanholas. Esta variante é um escudo esquartelado, no qual o primeiro e quarto quartéis representam respectivamente as armas de Castela e Navarra enquanto o segundo e terceiro quartéis representam respectivamente Leão e Aragão. Ademais, o escudo incorpora ao centro o escudete com as armas da Casa de Saboia. 120px|Armas de Juan Carlos I, Rei de Espanha 5 de outubro de 1981–19 de junho de 2014 Juan Carlos I Brasão adotado oficialmente em 5 de outubro de 1981 e utilizado durante todo o reinado de Juan Carlos I. O escudo é esquartelado, incorporando em seus quartéis as armas dos reinos históricos de Espanha: Castela, Leão, Aragão, Navarra e Granada. O brasão incorpora um feixe de flechas e um jugo (símbolo dos Reis Católicos) sob o escudo principal e um escudete do Duque de Anjou, em alusão ao título ostentado por Filipe V como Filho de França. Acrescenta-se ao escudo uma Cruz de Borgonha, representativa da ascendência borgonhesa e austríaca do monarca.

Ver também Brasão de armas de Espanha Brasão de armas da Princesa das Astúrias Heráldica Espanhola Referências

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