Arno Gruen (Berlim, 26 de maio de 1923 — Zurique, 20 de outubro de 2015) foi um psicólogo, psicanalista e escritor de cidadania estadunidense e suíça. Seus trabalhos abordaram temas como empatia, autonomia, obediência, violência, xenofobia, autoritarismo e as condições psicológicas relacionadas à vida democrática.
Em 2001, recebeu o Geschwister-Scholl-Preis por Der Fremde in uns, livro dedicado às relações entre a perda da autonomia, o ódio dirigido ao outro e a violência.
Biografia
Gruen nasceu em Berlim, filho de pais judeus. Em 1936, sua família deixou a Alemanha devido à perseguição promovida pelo regime nazista e emigrou para os Estados Unidos.
Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu no Exército dos Estados Unidos. Após o conflito, estudou psicologia em Nova York e realizou formação psicanalítica com Theodor Reik.
Gruen exerceu atividades clínicas e acadêmicas nos Estados Unidos. Dirigiu o departamento de psicologia de uma clínica terapêutica infantil no bairro do Harlem, em Nova Iorque, ocupou uma posição de pesquisa em neurologia na escola de medicina da Universidade Cornell e lecionou psicologia na Universidade Rutgers.
Em 1958, iniciou uma prática privada como psicoterapeuta. A partir de 1979, viveu e trabalhou na Suíça, estabelecendo-se em Zurique.
Gruen morreu em Zurique, em 20 de outubro de 2015, aos 92 anos.
Obra e pensamento
Um dos primeiros textos acadêmicos de Gruen foi o artigo “Autonomy and Identification: The Paradox of their Opposition”, publicado em 1968 no The International Journal of Psycho-Analysis. Nele, analisou as relações entre o desenvolvimento da autonomia e os processos de identificação.
Em seus livros posteriores, Gruen relacionou a violência e o ódio à repressão das próprias necessidades emocionais, à identificação com figuras de poder e a padrões autoritários de educação. Para o autor, a perda da empatia e a submissão a valores externos poderiam levar à hostilidade contra pessoas percebidas como diferentes.
Essas ideias foram desenvolvidas em obras como Der Verrat am Selbst, de 1984, e Der Wahnsinn der Normalität, de 1987. Nas décadas seguintes, Gruen ampliou sua análise para temas como xenofobia, extremismo político, terrorismo, indiferença social e democracia.
Obras selecionadas
Livros
Der Verrat am Selbst: Die Angst vor Autonomie bei Mann und Frau (1984) Der Wahnsinn der Normalität: Realismus als Krankheit (1987) Falsche Götter: Über Liebe, Hass und die Schwierigkeit des Friedens (1991) Der Verlust des Mitgefühls: Über die Politik der Gleichgültigkeit (1997) Der Fremde in uns (2000) Der Kampf um die Demokratie: Der Extremismus, die Gewalt und der Terror (2002) Dem Leben entfremdet: Warum wir wieder lernen müssen zu empfinden (2013) Wider den Gehorsam (2014) Wider den Terrorismus (2015)
Artigos
“Autonomy and Identification: The Paradox of their Opposition”. The International Journal of Psycho-Analysis, volume 49, número 4, 1968.
Prémios
Em 2001, Gruen recebeu o Geschwister-Scholl-Preis por Der Fremde in uns. O prémio foi entregue em 12 de novembro daquele ano na Universidade de Munique.
Referências
Ligações externas
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