Pantanal é uma telenovela brasileira exibida pela Rede Manchete de 27 de março a 11 de dezembro de 1990 em 216 capítulos. Sucedeu Kananga do Japão e antecedeu A História de Ana Raio e Zé Trovão. Escrita por Benedito Ruy Barbosa, tem direção de Carlos Magalhães, Roberto Naar e Marcelo de Barreto e direção geral de Jayme Monjardim.

Em 2016, a revista Veja elegeu Pantanal a quarta melhor novela da televisão brasileira, atrás de Roque Santeiro (1985–86), na terceira posição, e de Vale Tudo (1988–89) e Avenida Brasil (2012), empatadas em primeiro lugar.

Conta com as atuações de Cláudio Marzo, Marcos Winter, Cristiana Oliveira, Jussara Freire, Marcos Palmeira, Luciene Adami, Ângela Leal, Ângelo Antônio, Giovanna Gold, Antônio Petrin e Paulo Gorgulho nos papéis principais.

Produção

Antecedentes e pré-produção Antes de Pantanal, a Rede Manchete havia falhado em realizar novelas de massiva audiência, sendo Dona Beija e Kananga do Japão duas novelas que conquistaram relativo sucesso e chegaram a incomodar a TV Globo, acompanhadas pela série Joana.

Durante anos, a novela ficou engavetada na Central Globo de Produções, chegando a entrar em pré-produção no final de 1984 para o horário das 18h, em substituição à novela Livre Para Voar, com o título de Amor Pantaneiro. Porém, a região do Pantanal estava em época de chuvas, o que inviabilizou a produção. Sendo assim, foi cancelada.

Em 1990, a Rede Manchete contrata seu escritor, Benedito Ruy Barbosa, que finalmente realiza seu sonho, obtendo estrondoso sucesso e superando a até então imbatível TV Globo. Benedito foi convidado por Jayme Monjardim, novo Diretor de Dramaturgia da emissora, para reforçar o departamento, e só aceitou o convite após Amor Pantaneiro entrar nas conversas. O filho de Maysa era o terceiro diretor do departamento em quatro anos, sendo Herval Rossano e José Wilker seus antecessores, o que foi considerado pela crítica especializada uma rotatividade alta para um cargo executivo. Herval e Wilker não haviam conquistado grandes sucessos com suas novelas.

Além disso, a Manchete contrata também uma grande leva de atores globais, como Cláudio Marzo, Cássia Kiss, Nathália Timberg, entre outros, e a mistura com revelações da teledramaturgia brasileira, como Cristiana Oliveira e Marcos Winter. Essa estratégia havia sido iniciada por Herval Rossano e reforçada por José Wilker, onde Christiane Torloni se tornou a maior estrela da emissora. As contratações irritaram a TV Globo, que a partir de proibiu Mania de Querer proibiu mençãos à Rede Manchete nos veículos do Grupo Globo e boicotou Herval Rossano e José Wilker durante suas passagens pela emissora dos Bloch.

Como é comum em novelas, o roteiro mudou no meio da trama. Ítala Nandi havia pedido ao autor uma licença para atuar num filme, e ele resolveu então matar a sua personagem, Madeleine, num acidente de avião. Já Almir Sater saiu para protagonizar A História de Ana Raio e Zé Trovão. Adriana Esteves esteve cotada para o papel de Juma, assim como Débora Bloch.

As filmagens da telenovela começaram em 15 de dezembro de 1989, e tinham 60% das filmagens no Pantanal e 40% em São Paulo e Rio de Janeiro. A grande maioria das cenas internas foram gravadas no estúdio localizado no bairro de Vista Alegre, na zona norte carioca. As cenas internas, casa de Zé Leôncio e casa de Tenório eram gravadas no Complexo de Água Grande, no bairro de Irajá, no Rio de Janeiro.

Escolha do elenco Inicialmente Glória Pires foi cotada para viver Juma Marruá, convidada por telefone pelo autor Benedito Ruy Barbosa, porém Cristiana Oliveira ficou com o papel, que se transformou no maior sucesso de sua carreira.

O personagem "Roberto", filho de Tenório, inicialmente seria gravado por Livingstone Trobilio, tido como um afilhado da então "primeira-dama" da Rede Manchete, Ana Bentes Bloch. Porém, por motivos de estudos, foi substituído por Eduardo Cardoso, que por sua vez desempenhou o personagem com mérito. Ambos estudavam na mesma escola na vida real.

Uma das integrantes do elenco não queria participar da trama: Carolina Ferraz só fez sua estreia em novelas após ser ameaçada de demissão. Àquela altura, Carolina apresentava o Programa de Domingo na Manchete, e afirmou mais tarde que não teve alternativa senão fazer Pantanal.

Primeira novela de Andréa Richa, Ângelo Antônio, Carolina Ferraz, Giovanna Gold, Ingra Lyberato, Leandra Leal e Luciene Adami.

Os animais Um animal bastante comentado na trama era a piranha. Na trama, as piranhas serviam para matar algumas personagens: comentava-se que as piranhas não deixavam rastro, pois atacavam em cardume, digeriam toda a carne e os ossos iam ao fundo do rio.

Um animal que também aparece na trama é a sucuri, contracenando com o Velho do Rio. A cobra, na verdade, era domesticada e chamava-se Rafaela. Por ser mais dócil, foi usada na novela para fazer as cenas mesmo quando representava uma jararaca ou outra espécie. Ela já carimbou presença na minissérie Mad Maria. Mascote do Instituto Vital Brazil, onde morou durante 30 anos, media 6 metros de comprimento e pesava 90 quilos. Morreu no dia 2 de julho de 2009, de causas naturais.

Durante a trama, Zé Leôncio e Tenório conversavam sobre a criação de jacarés, que, à época, era apenas um estudo de viabilidade. A intenção era criar os animais, abatendo certa parte para comercializar carne e couro e devolvendo o resto à natureza para o repovoamento, devido à ameaça de extinção. Na telenovela, o projeto fica só na conversa, mas por causa desse plano, o jacaré-do-pantanal está, atualmente, fora da lista dos animais ameaçados de extinção.

Em abril de 1990, durante uma externa à beira do Rio Negro, Sérgio Reis acabou ajudando Cristiana Oliveira a fugir do cerco de seis jacarés-de-papo-amarelo, que invadiram a gravação da telenovela.

Nas mudanças de cena, havia intervalos de tempo que mostravam belíssimas imagens do bioma brasileiro; todas as espécies da fauna pantaneira tiveram seus segundos de fama, exceto a onça-pintada, pois na verdade, a única onça que aparece foi claramente filmada num zoológico. O animal também apareceu em flashes quando Maria e Juma Marruá se metamorfoseavam em onça e na abertura da novela, mas percebe-se que o indivíduo não vivia livre na natureza, porque na época, o animal era caçado por ser considerado pelos criadores de gado, a principal causa de prejuízos financeiros, justamente por predar o gado doméstico da região. Ameaçada de extinção e arredia à presença humana, a espécie vivia escondida nas matas pela caça indiscriminada, o que dificultou o trabalho da equipe de filmagem da telenovela. Felizmente, a caça ao animal posteriormente foi proibida e muitos turistas vão atualmente ao Pantanal pela facilidade em encontrá-la. Mesmo assim, continua sendo uma espécie ameaçada de extinção.

Durante a trama, podemos observar uma consciência ecológica em relação à caça de animais. Joventino, pai de Zé Leôncio, sempre fora contra essa prática e ao reaparecer como o Velho do Rio, passa a proteger jacarés de coureiros e onças de fazendeiros. Zé Leôncio herdou-o de seu pai.

Na telenovela, houve dois enganos nas características físicas e comportamentais das duas principais espécies animais na trama: a sucuri e a onça-pintada. Com relação à cobra sucuri, a espécie foi confundida com a jararaca boca-de-sapo; já em relação à onça-pintada, o som emitido pela espécie foi confundido.

Em ambas as cenas em que a jararaca entra em ação, percebe-se claramente que quem dá o bote é uma sucuri e não uma boca-de-sapo. A sucuri possui uma cor escura, é grande e não tem glândulas de veneno; enquanto que a boca-de-sapo possui cor bege, é pequena e seu veneno é potente. Mas esse engano foi intencional, já que a jararaca tem uma excelente técnica de camuflagem contra os predadores, é difícil de ser avistada e, como eles tinham uma sucuri no elenco, usaram-na para fazer as cenas como se fosse uma jararaca boca-de-sapo.

Na telenovela, a onça-pintada assustava as personagens miando. Aí está o problema: a onça-pintada esturra e não mia. Apesar de pertencer à mesma família do gato doméstico, a onça não mia devido a diferenças nas cordas vocais; o esturro é mais grave, longo e potente do que o miado e é capaz de dar calafrios ao ser humano.

Abertura A exibição original da novela contém duas versões em vinhetas de abertura. Além de imagens do Pantanal ambos estrelavam a apresentadora de TV Nani Venâncio (na época como modelo), que aparecia nua e se transformava em onça.https://www.bol.uol.com.br/entretenimento/2022/07/30/nani-venancio-onca-nudez-pantanal.htm

Adaptação

Desde 2006, a TV Globo que já possui os direitos sobre Pantanal, estava inicialmente pensando em fazer uma adaptação em 2008, no horário das 18h, com o título de Amor Pantaneiro, vendo os bom índices de audiência de remakes anteriores de Benedito, como Cabocla (2004) e Sinhá Moça (2006), continuando a trilogia de novelas. Mas, em 2008, Silvio Santos levou ao ar no mesmo ano a reprise de Pantanal, no SBT. Em 2020, a TV Globo confirmou que fará um remake de Pantanal para o ano de 2021, por conta dos focos de queimada na região, para o horário das 21h, com o próprio texto original da novela, mas com algumas adaptações, sob a autoria de Bruno Barbosa Luperi, seu neto, com quem já havia trabalhado na produção de Velho Chico em 2016; a nova versão contará com a direção artística de Rogério Gomes e com Marcos Palmeira, intérprete de Tadeu na versão original, como José Leôncio (papel de Cláudio Marzo em 1990), enquanto que a icônica personagem, Juma Marruá, que foi vivida por Cristiana Oliveira será interpretada na nova versão por Alanis Guillen. A novela teve como uma das locações a mesma fazenda que serviu de cenário na gravação original, a fazenda Rio Negro, em Aquidauana-MS. O remake, que estava programado para 2021, teve sua estreia adiada para 2022 por conta do agravamento da pandemia de COVID-19.

Enredo Pantanal conta a história de Zé Leôncio (Paulo Gorgulho/Cláudio Marzo), um peão de comitiva que chegou com o pai, Joventino (Cláudio Marzo) ao Pantanal, onde compraram uma fazenda e começaram a criar gado de corte. José Leôncio e seu pai caçavam marruás, um tipo de boi selvagem que vivia solto pelas matas da região, aumentando, assim, o rebanho na fazenda. Um certo dia, Zé Leôncio viajou com os peões em comitiva e pediu a que seu pai não fosse caçar marruá sozinho. Entretanto, o velho Joventino acabou por ir caçar e desapareceu na imensidão do Pantanal. Zé Leôncio voltou de viagem e procurou pelo pai sem sucesso. Nesse dia, prometeu que ia trazer um marruá no laço todos os dias, só para ter a esperança de encontrar o pai.

Passado algum tempo, Zé Leôncio, já um fazendeiro rico, vai ao Rio de Janeiro cobrar uma dívida e conhece a fútil e mimada Madeleine (Ingra Lyberato/ Ittala Nandi). A família de Madeleine era da classe alta carioca, porém seu pai, Antero (Sérgio Britto) é viciado em jogo, acabando aos poucos com o status da família e deixando-os perto da falência. Antero acaba aceitando que Zé Leôncio se case com sua filha, recebendo dele um bom dinheiro para tentar resgatar o que perdeu, enquanto Zé a leva ao Pantanal e a engravida. Mulher da cidade grande, Madeleine não se adapta ao mundo rural, à rude vida pantaneira e à rotina de peão do marido. Durante uma das viagens de Zé Leôncio em comitiva, levando gado à venda, ela foge com o amigo Gustavo (José de Abreu), que a vai buscar no Pantanal, e o filho de poucos dias para a cidade do Rio de Janeiro.