Paracryphiaceae é uma pequena família de plantas com flor que agrupa 38 espécies repartidas por 3 géneros de arbustos e árvores lenhosas nativas da Austrália, Sudeste Asiático e Nova Caledónia. No sistema APG III, de 2009, a família é colocada na sua própria ordem, Paracryphiales, no clado campanulídeas das asterídeas. No sistema APG II anterior, a família não estava classificada em nenhuma ordem (estava em incertae sedis) e incluía apenas Paracryphia. O sistema APG IV mantém a família como o único membro da ordem monotípica Paracryphiales.Angiosperm Phylogeny Website: order Paracryphiales. Descrição Os membros da família Paracryphiaceae são árvores ou arbustos de folhagem perene, com elementos vasculares com placas de perfuração altamente escalariformes [>48 barras/placa - número médio]; nós 3:3; folhas espirais, margens da lâmina serrilhadas; inflorescências terminais racemosas com flores tetrâmeras; P ou K + C livres; A não adnato a P/C, tecas das anteras mais ou menos embutidas no conectivo ou basifixas. O fruto é uma cápsula septicida.
Taxonomia e filogenia Taxonomia A família Paracryphiaceae foi inicialmente estudada por William C. Dickison, após as suas viagens à Nova Caledónia, tendo depois publicado vários artigos que incluíam várias temáticas, como as relações sistemáticas das três famílias existentes no local com um só género, nomeadamente Strasburgeriaceae, Oncothecaceae e Paracryphiaceae. Com base na morfologia, foi então concluído que o género Paracryphia deveria ser tratado dentro de uma família própria, com um posicionamento próximo ao da família Sphenostemonaceae.
A família era inicialmente composta por um único género, Paracryphia, e uma única espécie, Paracryphia alticola.Kenneth M. Cameron; On the Phylogenetic Position of the New Caledonian Endemic Families Paracryphiaceae, Oncothecaceae, and Strasburgeriaceae: A Comparison of Molecules and Morphology; Botanical Review , Vol. 68, No. 4, Structural Botany in Systematics: A Symposium in Memory of William C. Dickison (Oct. - Dec., 2002), pp. 428-443
A família tem uma história taxonómica complexa, com múltiplas alterações de posicionamento. As Paracryphiaceae foram incluídas nas Theales no sistema de Cronquist (1981) e nas Theanae pelo sistema de Takhtajan (1997). O género Quintinia esteve muito tempo incluído nas Saxifragaceae e nas Hydrangeaceae lenhosas. Pieter Baas, em 1975, considerava que as Sphenostemonaceae eram membros das Celastrales,Pieter Baas, Vegetative anatomy and the affinities of Aquifoliaceae, Sphenostemon, Phelline, and Oncotheca. Blumea 22 (1975): pp. 311–407. constituindo um grupo próxima da família das Icacinaceae;William C. Dickison & Pieter Baas, The morphology and relationships of Paracryphia (Paracryphiaceae). Blumea: Biodiversity, Evolution and Biogeography of Plants, Volume 23 (1977), Issue 2, pp. 417-438. Arthur John Cronquist, em 1981, colocou-as nas Aquifoliaceae, ao lado das Icacinaceae, enquanto Takhtajan (1997) as incluiu nas Icacinales. O género Sphenostemon (como o seu sinónimo taxonómico Idenburgia) também foi colocada em Trimeniaceae.
A classificação clássica, de base morfológica, coloca a família na divisão Magnoliophyta, classe Magnoliopsida, subclasse Dilleniidae, ordem Theales. Tanto o sistema de Cronquist como o sistema de Takhtajan reconheceram esta família.Cronquist, A. 1981. An integrated system of classification of flowering plants. Columbia Univ. Press, New York.Takhtajan, A. 1973. Evolution und Ausbreitung de Bluitenpflanzen. G. Fischer Verlag, Stuttgart, Germany.
Filogenia As relações de proximidade filogenética são [Quintinia [Paracryphia + Sphenostemon]]. & 2010. Phylogeny and Phylogenetic Nomenclature of the Campanulidae Based on an Expanded Sample of Genes and Taxa. Systematic Botany 35(2): 425–441. PDF. No entanto, note-se que Polyosma (Escalloniales) está ligado ao género Quintinia numa análise de genes mitocondriais, mas não de outros genes, o que se deve provavelmente à transferência horizontal do genoma mitocondrial de Quintinia para Polyosma.Douglas E. Soltis et al., Angiosperm phylogeny: 17 genes, 640 taxa. Am J Bot, 2011 Apr 98(4):704-730 (doi: 10.3732/ajb.1000404).
Embora dados de genética molecular tenham suportado a hipótese de que esta família seria melhor colocada na ordem Dipsacales, no sistema APG (1998) esta família tinha uma posição incerta e no sistema APG II (2003) esta família era colocada na base das euasterídeas II.
Conforme a sua presente circunscrição taxonómica, a família inclui três géneros, todos anteriormente colocados em famílias monogenéricas, mas combinados numa única família após o sistema APG III. Os géneros são: Paracryphia Baker f. – 1 espécie, endémica da Nova Caledónia. Quintinia A.DC – 25 espécies nas Filipinas, Nova Guiné, costa leste da Austrália, Nova Zelândia e Nova Caledónia; anteriormente classificada na família Quintiniaceae. Sphenostemon Baill. – 10 espécies na Nova Guiné, Austrália (Queensland) e Nova Caledónia; anteriormente classificada na família Sphenostemonaceae.
Acredita-se que a relação evolutiva (filogenética) da família e dos seus três géneros seja:
Referências
Bibliografia Johannes Lundberg: Phylogenetic Studies in the Euasterids II. With Particular Reference to Asterales and Escalloniaceae (= Comprehensive Summaries of Uppsala Dissertations from the Faculty of Science and Technology. Bd. 676). Uppsala University, Biology, Department of Evolutionary Biology, Department of Systematic Botany, Uppsala 2001, ISBN 91-554-5191-8 (Zugleich: Uppsala, Universität, Dissertation, 2002), Online (PDF; 0,9 MB). Richard C. Winkworth, Johannes Lundberg, Michael J. Donoghue: Toward a resolution of Campanulid phylogeny, with special reference to the placement of Dipsacales. In: Taxon. Bd. 57, Nr. 1, , 2008, S. 53–65. Ligações externas
La fiche de cette espèce sur Endemia.nc
Categoria:Paracryphiales
Categoria:Famílias de angiospérmicas