Inicialmente denominada Empresa Matte Larangeira, a Companhia Matte Larangeira foi uma empresa que surgiu de uma concessão imperial ao comerciante Thomaz Larangeira, por serviços prestados na Guerra do Paraguai. Atuou na exploração de erva-mate no sul do Mato Grosso.

Sua primeira sede foi em Concepción, no Paraguai, onde, em 1877, inicia a exploração de erva-mate. Posteriormente sua sede foi transferida para Porto Murtinho, tendo se estabelecido anos mais tarde em Guaíra (Paraná).

A Companhia foi a responsável pela fundação das cidades de Porto Murtinho e Guaíra. Para se ter ideia do seu poder econômico, no seu auge, tinha um lucro seis vezes superior à arrecadação de impostos do estado do Mato Grosso inteiro.

História Empresa Matte Larangeira O Decreto Imperial nº 8 799, de 9 de dezembro de 1882, autorizava, a Larangeira, a exploração da erva-mate nativa por um período inicial de 10 anos., Entretanto, esse decreto não impede a exploração por parte dos moradores locais. Larangeira funda a Empresa Matte Larangeira a partir desta concessão imperial.

Thomaz Larangeira trouxe, do sul do país, fazendeiros que conheciam o manejo da erva-mate. Também foram utilizadas a mão de obra de índios da região e de paraguaios, iniciando o ciclo de produção da erva-mate.

Com a Proclamação da República do Brasil em 1889, a área de concessão é, sucessivamente, ampliada, sempre com o apoio de políticos influentes, como Joaquim Murtinho, Manuel José Murtinho e General Antônio Maria Coelho. Através do Decreto nº 520, de 23 de junho de 1890, são ampliados os limites de suas posses e consegue o monopólio na exploração da erva-mate em toda a região abrangida pelo arrendamento. Em 1895, a área arrendada é ampliada, sendo superior a 5 000 000 hectares.

Cia Matte Larangeira Em 1892, é assinado novo contrato de concessão com o estado, com exclusividade para exploração dos ervais. Após assinado esse contrato, o Banco Rio Branco e Matto Grosso, da Família Murtinho, compra 14 540 ações (100 mil-réis por ação), cabendo, a Larangeira, 460 ações. A empresa passa a se denominar Companhia Matte Larangeira, sendo obrigada a transferir a sua sede para o território do Mato Grosso.

Em julho de 1892, a Companhia Matte Larangeira comprou a Fazenda Três Barras, de Boaventura da Mota, à margem esquerda do rio Paraguai, e construiu um porto para exportação de erva-mate cancheada. Esse porto foi nomeado de Porto Murtinho, pelo Superintendente do Banco Rio e Mato Grosso Dr. Antônio Corrêa da Costa, em homenagem a Joaquim Murtinho.

A atividade gerava muito lucro, estimulando o aumento da exportação. Em 1900, a região teve grande desenvolvimento graças à Companhia Matte Larangeira, e passou a embarcar chá para a Argentina. O transporte do mate — colhido num vasto império extrativo no atual estado de Mato Grosso do Sul — exigia 800 carretas e 20 mil bois.

A Companhia encarregava-se da exploração e exportação da erva semielaborada (cancheada) para Buenos Aires. Nesta cidade, outra empresa, a Francisco Mendes Gonçalves & Cia., encarregava-se da industrialização e distribuição do produto no mercado argentino e outros. A erva-mate atingiu grandes centros urbanos como Assunção (Paraguai), Buenos Aires (Argentina) e até Inglaterra, França e Itália.

Mão de obra indígena Em 1895, a Cia. Matte Larangeira recebeu 5 000 000 hectares em arrendamento de terras devolutas. Essa área compunha o território dos Kaiowás e Guaranis. A Companhia utilizou, ao longo da sua história, mão de obra indígena, principalmente das etnias Kaiowá e Guarani. Mesmo com o início da demarcação das reservas indígenas em 1915 na região de Amambai, o espaço geográfico ocupado pelos índios e pela Cia Matte Larangeira era o mesmo, sendo intensa a utilização da mão de obra indígena na exploração de erva-mate, inclusive sendo agenciados pelo Serviço de Proteção aos Índios. Entre 1915 a 1928, reservas indígenas foram demarcadas pelo Governo Federal no estado do Mato Grosso (atual Mato Grosso do Sul) devido aos deslocamentos que essas comunidades sofreram em função dos interesses da Companhia.

Auge Após denúncias do superintendente doutor Antonio Corrêa da Costa e de prejuízos com o transporte da produção da Matte Larangeira, o Banco Rio Branco decreta falência em 1902 e Thomaz Larangeira adquire seu espólio. Já a Cia. Matte Larangeira é vendida à companhia argentina Francisco Mendes & Cia, passando a se chamar Larangeira Mendes e Companhia. É assinado, com o governo do estado, novo contrato de arrendamento, nos mesmos moldes do anterior, que vigoraria até 1916.

Foi finalizada em 1906, para facilitar o transporte de erva-mate, uma ferrovia (Estrada de Ferro Porto Murtinho a São Roque), ligando o Porto Geral à Fazenda São Roque, com extensão máxima de 22 a 25 quilômetros. O projeto inicial de 1898 do doutor Antonio Corrêa da Costa previa uma extensão de 42 léguas (231 a 277 quilômetros).

Já em 1910, ocorre a transferência do foco principal de exploração de erva-mate para o Rio Paraná, reduzindo a sua importância estratégica para a empresa. Com o novo presidente de Mato Grosso, Joaquim Augusto da Costa Marques, que assumiu em 1911, avultaram as pressões da companhia Mate Laranjeira no sentido de renovar o arrendamento dos seus extensos ervais no sul do estado. A pretensão suscitou nova divergência entre Murtinho e Ponce: o primeiro defendia a prorrogação do contrato até 1930, com opção para a compra de 1 000 000 a 2 000 000 de hectares, enquanto Ponce queria a divisão da área em lotes de 450 hectares, que seriam oferecidos a arrendamento em hasta pública.

O general Caetano Manuel de Faria Albuquerque assumiu o governo matogrossense em 15 de agosto de 1915. Seus próprios correligionários conservadores tentaram forçá-lo à renúncia, e ele, tendo a seu lado Pedro Celestino, aceitou o apoio da oposição, num movimento que se chamou "caetanada". Contra seu governo organizou-se a rebelião armada, com ajuda da Matte Larangeira e seus aliados políticos. Com a morte de Generoso Ponce, a empresa ganhou novo trunfo com o apoio do senador situacionista Antônio Azeredo. Mas o antigo presidente do estado, Pedro Celestino Correia da Costa, tomou posição contrária. Os deputados estaduais hostis à prorrogação do contrato fizeram obstrução e impediram que ela fosse aprovada. Finalmente, a Mate Laranjeira foi frustrada em suas pretensões, com a aprovação da Lei Número 725, de 24 de agosto de 1915. Seu monopólio foi quebrado em 1916.

Larangeira, Mendes & Cia A sede da Companhia foi transferida em 1918 de Porto Murtinho, para a Fazenda Campanário, no município de Laguna Caarapã. Sendo que a erva passou a ser exportada pelo Rio Paraná, ficando somente a produção dos ranchos próximos exportada por Porto Murtinho. Desde 1902 a Companhia estabelece-se em Guaíra, inicialmente denominada de Porto Monjoli, iniciando a construção de uma ferrovia Estrada de Ferro Guaíra a Porto Mendes em 1911, que transporia as corredeiras da Sete Quedas.

Entre 1926 e 1929, a Cia., por várias vezes, emprestou dinheiro para o Governo de Mato Grosso e assumiu o compromisso de construir vários prédios públicos, conseguindo a renovação das concessões.

Fim Durante a Segunda Guerra Mundial, a Argentina criou restrições à erva-mate brasileira e a empresa entrou em dificuldades. O domínio da Companhia segue até 1943, quando Getúlio Vargas assume o poder, criando os Territórios de Ponta Porã e Iguaçu, e anulando a concessão.

Em 17 de abril de 1944, é assinado o Decreto n.º 6 428, por Getúlio Vargas, incorporando, ao Serviço de Navegação da Bacia do Prata (SNBP), o Distrito de Guairá, a Estrada de Ferro Guaíra a Porto Mendes, assim como o material e instalações fixas, instalações portuárias e todas as instalações e material flutuantes.

A empresa recebeu um prazo para a liquidação de seus negócios e seus edifícios foram todos leiloados, bem como todas as estalagens, oficinas, rebanhos e tropas. Apesar disso, a empresa continuou operando a EF Porto Murtinho, transportando madeira (quebracho) da empresa até a usina da Floresta Brasileira S. A. para extração de tanino, até pelo menos 1958, existindo indicações (vagas) de que, em 1971, os trens ainda estariam em operação.

Ver também Estrada de Ferro Porto Murtinho a São Roque Estrada de Ferro Guaíra a Porto Mendes Lista de ferrovias do Brasil Estrada de Ferro Matte Larangeira

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