miniaturadaimagem|361x361px|Páramo na Colômbia, Boyacá. Os Páramos podem ser designados como uma ecorregião neotropical de altitude caracterizado por uma vegetação herbácea e arbustiva. Estão distribuídos ao longo dos Andes úmidos entre o Peru, Equador, Colômbia e Venezuela, com extensões até a Costa Rica e Panamá. Esse ecossistema concentra um grande número de endemismos de flora e fauna, por isso são considerados “hotspots de biodiversidade dentro de hotspots”, já que estão localizados dentro do grande hotspot dos Andes tropicais. A heterogeneidade dos páramos é um reflexo da influência de diversos processos abióticos (geologia, altitude, solos, clima), bióticos (biogeografia) e antrópicos (impacto humano).

Etimologia e Conceito Geral miniaturadaimagem|351x351px|População local dos Páramos peruanos. A palavra “Páramo” tem sua origem do latim, que significa planalto desértico e árido exposto ao vento. O Páramo pode ter significados diferentes a depender da perspectiva pessoal: para um camponês que vive nas altas montanhas, o Páramo não é um ecossistema definido por características ecológicas e geográficas, mas um território que permite sua subsistência, no qual ele exerce todas as suas atividades produtivas e reprodutivas. Nesse contexto, o Páramo é um termo complexo, referente a diferentes abordagens históricas, acadêmicas, políticas e culturais. miniaturadaimagem|370x370px|Mapa das placas que convergiram formando os Andes da América do Norte e Central, onde se situam os Páramos.

Localização Os Páramos ocorrem em topos de montanhas isolados a altitudes aproximadas entre 2.800 e 4.700 m acima do nível do mar, formando uma distribuição semelhante a um arquipélago entre as latitudes de 11ºN e 8ºS, correspondendo a cerca de 35.000 km². A sua localização exata pode variar, o que dificulta saber onde começa e termina um Páramo em determinado local, mas, de forma geral, sempre estão localizados entre o limite da floresta fechada e as neves perpétuas.

Origem Geológica A origem dos Páramos remonta ao período do surguimento dos Andes, há 40 milhões de anos. Mas somente no Plioceno, há 5 e 2,5 milhões de anos, as cordilheiras dos Andes se elevaram à sua altitude atual, abrangendo áreas relativamente extensas de vegetação aberta acima do limite latitudinal da floresta. Portanto, foi no período do Plioceno que os Páramos se estabeleceram.

Flora miniaturadaimagem|Espeletia uribei, espécie que ocorre nos Páramos. Compilando dados de vários pesquisadores, ao todo, os páramos contam com aproximadamente 4.700 espécies, 644 gêneros e 124 famílias.

As famílias mais ricas (números aproximados) são:

Asteraceae (100 gêneros e 710 espécies) Orchidaceae (57 gêneros e 580 espécies) Poaceae (40 gêneros e 150 espécies) Melastomataceae (12 gêneros e 110 espécies) Bromeliaceae (7 gêneros e 100 espécies)

miniaturadaimagem|Diplostephium phylicoides, espécie que ocorre nos Páramos. Os gêneros com maior número de espécies (números aproximados) são:

Epidendrum (105 espécies) Espeletia (80 espécies) Pleurothallis (80 espécies) Diplostephium (75 espécies) Miconia (65 espécies) Hypericum (55 espécies) Monticalia (55 espécies) Baccharis (55 espécies)

A grande biodiversidade da flora dos Páramos remonta das condições geológicas que deram origem a esses ecossistemas. A diversidade de condições ecológicas locais, como clima, geomorfologia, altitude, solo, entre outros, resultou em um grande número de diferentes associações vegetais (diversidade beta). Além da diversificação constante, a densidade de espécies que ocorrem nesses locais é muito alta em comparação com outros Hotspots e contêm espécies que não ocorrem em nenhum outro lugar.

Fauna miniaturadaimagem|271x271px|Vultur gryphus, ave dos Páramos. miniaturadaimagem|299x299px|Tremarctos ornatus, urso-de-óculos que ocorre nos Páramos. Única espécie que ocorre na América do Sul e em categoria de ameaça VU. Há um menor número de estudos sobre a fauna do Páramo do que sobre a flora, pelo motivo da flora ter um alto grau de endemismo. Em relação à composição da fauna, há uma grande semelhança com a fauna existente na Província Altoandina. As quatro espécies mais emblemáticas de todo o continente que ocorrem nos Páramos são: o condor (Vultur gryphus), o urso de óculos (Tremarctos ornatus), a anta de montanha (Tapirus pinchaque) e a onça-parda (Puma concolor).

Nos Páramos colombianos foram registradas 70 espécies de mamíferos, 11 de lagartos, 4 de serpentes, 87 de anfíbios, 154 de aves e 130 espécies de borboletas.

No Páramos peruanos existem registros da anta da montanha (Tapirus pinchaque), o veado-anão (Pudu mephistophelis) o puma (Puma concolor) e o urso-andino (Tremarctos ornatus). Entre as aves importantes estão o beija-flor de bico espinhoso (Chalcostigma herrani), o reizinho de crista preta (Basileuterus nigrocridtatus), a gralha de colar branco (Cyanolyca viridicyanus), o quetzal de cabeça rosa (Pharomacrus auriceps), o piolhinho de bico preto (Anairetes pairulus), o tico-tico de peito amarelo (Atlapetes latinuchus), Myarchus phaeocephalus, Geranoaetus melanoleucus, Chordeiles acutipennis, Adelomya melanogenys, Turdus chihuanco, Atlapetes leucopterus.

Nos Páramos equatorianos existem 5 espécies de répteis e 24 de anfíbios. Muitas espécies de anfíbios se extinguiram rapidamente nas montanhas tropicais, como o caso dos jambatos (Atelopus ignescens), que habitavam os páramos em grande quantidade e que agora desapareceram.

A Similaridade dos Páramos Andinos com os Campos de Altitude do Brasil Os Campos de altitude, localizados acima de 2.000 m de altitude na Mata Atlântica do sudeste no Brasil, são formações dominadas por gramíneas e arbustos. Há uma forte semelhança ecológica desses Campos de altitude com os Páramos dominados por bambu na Costa Rica e na Colômbia.

Apesar de haver uma grande distância entre os Campos de altitude e os Páramos, os Campos de altitude suportam muitas plantas e animais de origem andina ou da zona temperada, sendo vestígios do fluxo ambiental e migração biológica da história biogeográfica compartilhada.

Bibliografia Mena-Vásconez, P., Medina, G. & Hofstede, R. Los paramos del Ecuador. Particularidades, problemas y perspectivas. Mnemosyne (2001). Rangel Churio, J. O. et al. Colombia diversidad biótica III : La región de vida paramuna. www.colombiadiversidadbiotica.com/Sitio_web/Bienvenida.html 3, (2000). Frontiers | Páramo is the world’s fastest evolving and coolest biodiversity hotspot. https://www.frontiersin.org/journals/genetics/articles/10.3389/fgene.2013.00192/full. Los Páramos Andinos : ¿Qué Sabemos? : Estado de Conocimiento Sobre El Impacto Del Cambio Climático En El Ecosistema Páramo. (IUCN, 2014).

Categoria:Ecorregiões da América do Sul